sábado, novembro 27, 2021

Por favor, não pisem os malmequeres!

 


Ia escrever qualquer coisa sobre isto mas o João Freitas - um dos melhores jornalistas que conhece - tirou-me todas as palavras da boca.

OBVIAMENTE, DEMITAM-SE!


O que se passou hoje no
Belenenses SAD -Benfica não foi uma vergonha como quase todos se têm manifestado. Foi horrível. Já não é bater no fundo, é passar muito para além da crosta terrestre. Fiquei chocado, estou chocado. Não bastava o meu Boavista ter perdido em Arouca (é o soma e segue do desgoverno e da falta de capacidade de quem o comanda nas suas várias cadeias hierárquicas) e sou presenteado com aquela "coisa" do Jamor, sim aquela "coisa" que outro nome não pode ter. Pergunto: quem está por detrás disto? Qual o papel da Liga e seu presidente( sempre pronto a dar a cara nos momentos de triunfo onde gosta de se perpetuar). E a FPF? e a DGS? E o Belenenses? Sim e o B SAD cujo presidente diz ter soltado umas lágrimas ao intervalo quando nem sequer ensaiou pedir o adiamento do jogo? E o Benfica cala-se, não se manifesta? Vale olimpicamente tudo neste mundo já de si conturbado e esburacado? Mas volto à Liga. Que nada liga, antes desliga. Certamente estão mais interessados em se perpetuarem no poder, aceitando estas merdas, exatamente merdas é o termo, que mostrar vergonha na cara face a este escândalo que ultrapassou já fronteiras e de chacota é motivo. Antes atirava-se a culpa para o sistema ( que nunca se chegou e perceber o que era) hoje sacode-se a água do capote, pior que isso escondem-se todos atrás de normas e regras que utilizam para quando lhes dá jeito. Vitor Santos, meu querido chefe de redação nos tempos em que jornalismo era jornalismo e não se trasvestia, dizia quando atacavam o futebol e os jogadores :" por favor, não pisem os malmequeres!". Hoje pisam-se os malmequeres e destroem-se até jardins inteiros. Porque não ha escrúpulos, já não há quem tenha a coluna direita, anda todo o mundo curvado mendigando de mão estendida a permanência na cadeira do poder. E por isso a fazer fretes. É tudo farinha do mesmo saco. Hoje não foi um dia negro, foi o dia da verdade! Dia da realidade. E a indignação vai ficar na gaveta e o Presidente da Republica e o Primeiro-Ministro vão continuar a tirar fotos com o campeão disto ou daquilo. Mas diante desta realidade de hoje ninguém os ouve! A toda esta gente a que me referi desde o início do texto eu digo: Basta! E já agora: obviamente demitam-se! Todos!!!!



quarta-feira, novembro 24, 2021

O maior falhanço da história? Só contaram para você


A narrativa está construída, os memes estão a rolar e nada vai mudar o barulho que se está a fazer a propósito do alegado maior falhanço da história do futebol na era do Jesus da Reboleira. Pouco importa que esta simples imagem mostre a pressão exercida por um defesa sobre Seferovic no momento da decisão e encurtando-lhe o ângulo de tiro. Nem sei por que estou aqui a perorar pois o festim vai continuar.

sábado, novembro 20, 2021

Pinto da Costa e Vieira foram ao cabritinho do Pitarisca

 


Não sei se encontraram, o que sei é que estiveram os dois recentemente no restaurante Pitarisca, na Aparecida, Lousada, onde se come um cabritinho de estalo e onde antigamente se fazia uma procissão de caixões, com crianças dentro, até à capela do monte.
Reparem também no look 'hoje é sábado e vou ali ao café ver a bola' do ex presidente do Benfica.

sexta-feira, novembro 19, 2021

Jorge Jesus a gasóleo e desta vez sem chumbo


Num tempo em que os treinadores falam no geral numa linguagem tão percetível como o grego clássico, Jorge Jesus continua a brindar-nos com os bitaites à mister do passado. Hoje, a seguir à vitória sobre o Paços de Ferreira, disse que o Benfica não jogou a gasóleo mas sim a gasolina super. Bem, todos sabemos que a super já desapareceu do mapa mas JJ está sempre a super...ar-se. E mais uma vez vimos um treinador a explicar de forma simples uma ideia. Como antes aconteceu quando disse que os jornalistas têm a tendência para analisar os jogos em função dos golos, não indo mais fundo na análise. Provavelmente tem razão mas confesso que preocupa-me mais que as crónicas dos jogos sejam distribuídas a qualquer um quando se sabe que é um dos géneros mais delicados e difíceis. Mas essa é outra história...

 

quarta-feira, novembro 17, 2021

Folha, o Cambalhota


Um 'bebé' do Mar que brilhou no Leixões e no Boavista e que vestiu também a camisola do Benfica.
Depois de ter estado 13 anos nos Estados Unidos, na comunidade piscatória de New Bedford, Fernando Folha fixou-se agora em Inglaterra, onde gere toda a logística relativa à área da alimentação de um hospital. Já superados os 60 anos, o avançado que ficou célebre pelas cambalhotas que dava depois dos golos que marcava, sobretudo com as camisolas de Leixões e Boavista, falou em exclusivo ao BnA, aquando de um encontro de antigos jogadores do Boavista, um momento que considerou “extraordinário”.


De 1979 a 1981, brilhou com a camisola do Boavista, marcou muitos golos e despertou o interesse do Benfica. Valentim Loureiro transferiu-o para a Luz por 4.500 contos, uma verba muito significativa na altura. Mas na Luz não houve cambalhotas e Folha acabou por rumar ao Varzim (três épocas), ainda voltou ao Bessa e finalizou a carreira passando por Beira-Mar, Trofense e Felgueiras.

O craque matosinhense tentou a sua carreira também como treinador e em 1992 esteve na subida do Estarreja à 2.ª Liga, seguindo-se uma experiência no Valonguense, uma primeira passagem pelas camadas jovens do seu Leixões e um salto a Mogadouro para retornar ao Mar antes de acompanhar Henrique Calisto na grande aventura do Vietname, onde esteve ao serviço do Dong Tam Long (três épocas) e do Hue. O futebol acabou em 2004.




segunda-feira, novembro 15, 2021

Orlando Dias Agudo: "Quem faz relatos de jogos na televisão confunde-os com os relatos da rádio"

 


Aqui fica a entrevista que fiz a Orlando Dias Agudo em março de 2017, para o site Bola Na Área. Penso que a nova geração de jornalistas tem aqui alguma matéria para reflexão. A nova e a velha.

Quando a RTP festeja o seu 60.º aniversário, BnA lançou o repto a um dos seus rostos mais conhecidos: Orlando Dias Agudo. Nascido em Mouriscas, Abrantes, a 16 de junho de 1938, ODR está retirado das lides mas continua muito atento ao que se passa.

Orlando começou a escrever nos jornais com apenas 15 anos. No Record, por influência do seu professor de educação física Orlando Sarradas DuarteGuita Júnior foi o seu orientador no então jornal da Travessa dos Inglesinhos. Seguiu-se a rádio, para ser assistente de produção no Rádio Clube Português, mas sempre a escrever para os jornais (“A Bola”, “O Século”, “Semanário Desportivo”, “Diário de Lisboa”, “Gazeta dos Desportos”…). Em 1982, entrou na RTP e aí apresentou diversos programas nos dois canais. A BnA recorda que no canal 2 foi responsável “por intermináveis programas de seis horas” ao fim de semana. Um desses programas chegou a durar 13 horas. Orlando Dias Agudo foi ainda assistente no Instituto Português de Estudos Superiores.

Mas vamos ao que nos trouxe cá: à entrevista.

– Como nasceu o bichinho do jornalismo e da rádio?  

-Logo que comecei a escrever para o Record e como estava no Liceu Gil Vicente já no 3º ciclo, “descobri” a Rádio Universidade, que transmitia através da chamada Lisboa 2 da Emissora Nacional. Por lá já tinham passado nomes como o Fialho Gouveia e haveriam de passar muitos outros. Os estúdios eram numas águas furtadas na Praça das Flores em Lisboa. Foi aí que aprendi o ‘B a BA’ da Rádio.

-Nos chamados “dias da rádio“, como era o trabalho dos relatadores e repórteres nos estádios?

– Repórteres não havia. Era o relatador que tinha de fazer tudo. Ir aos balneários buscar a constituição das equipas e depois tentar em contacto com os estúdios para ao últimos ensaios. O relatador tinha o som de retorno da emissão para receber as ordens do coordenador. E o local onde o relator se colocava era junto à linha lateral, no mesmo plano do retângulo de jogo. 

– Conte duas ou três histórias desse tempo que o tenham marcado.

– Nessa altura as comunicações não eram como hoje. Por vezes, o som de retorno falhava mas o principio era fazer o relato mesmo sem ter a certeza de que o relato estava a chegar. Algumas vezes só sabíamos que o relato tinha chegado quando chegávamos a casa. Uma história engraçada passou-se com um colega de outra emissora (dispenso-me de dizer o seu nome), num jogo  do Benfica no estrangeiro Ele não via lá muito bem. Como a equipa da casa jogava de encarnado ele tomou essa equipa como sendo a do Benfica e fez o relato ao contrário. Até que um colega de outra estação escreveu num papel que o Benfica estava a jogar de branco e foi aí que ele acertou com o relato. Mas devem ter sido uns 10 minutos de puro engano. Nesse tempo não havia televisão. E ainda bem para todos porque jogador que tivesse nome difícil de pronunciar nunca (no relato) tocava na bola.



–  Quem foi para si o maior dos relatadores portugueses? E porquê.

-É difícil responder. Mas o Amadeu José de Freitas [pai de José Manuel Freitas] foi sem dúvida um dos melhores. Também o David Borges não “passava” uma jogada sem a referir. Um relato feito por cada um deles era o espelho fiel do que se passava. Não quero esquecer também o Fernando Correia.

-A rádio e a televisão que se faziam no passado eram certamente muito diferentes da realidade de hoje. O que mudou?

-Mudou tudo. E sem querer fazer guerra de gerações, mudou para pior. Os relatos na rádio são “intragáveis” pelos gritos constantes dos relatadores que “vestem” uma jogada normal num acontecimento de bradar aos céus. Na Televisão, os relatadores confundem a rádio com a televisão. Se nós estamos a ver para quê dizer se a jogada vai pelo lado direito ou esquerdo. O Gabriel Alves tinha essa faculdade. Identificava o jogador e era quanto bastava…


-Apresentou o 
Domingo Desportivo. Como se fazia o programa e que feedback recebia?

-Não esquecer que nesses tempos não havia vídeo. Era tudo filme. Que era preciso revelar e montar. E por vezes o operador de imagem falhava um golo. Mas havia uma caixinha que tinha lá imagens de golos para todos os gostos: bolas por alto, rasteiros, etc. Os comentários eram feitos em direto  e havia um aviso para o comentador: uns segundos antes da imagem de cada golo, havia sempre um plano de público… “feedback” havia pouco. Só num domingo é que o presidente de um clube me telefonou chamando-me nomes feios porque na classificação coloquei o seu clube em segundo lugar quando, a seu ver, era o primeiro. Isto na 1ª ou 2ª jornada do campeonato…

-Recorda alguma história curiosa desses domingos à noite?

-Eram noites de muito stress. Os estúdios do Monte da Virgem tinham sempre um grande número de jogos . Era sempre uma prova de adivinhação anunciar um resumo de cada jogo. A coordenação, por vezes, não conseguia comunicar com o apresentador em estádio.

– Como olha para a panóplia de programas de desporto na TV?

-Com pena e tristeza. Se o desporto e o futebol em particular têm público, o exagero mata a galinha dos ovos de ouro.

– A nova geração de jornalistas desportivos da rádio enche-lhe as medidas? Quer citar alguns casos?

– Aí está outra confusão: não há jornalistas desportivos. Há, sim, jornalistas. E nenhum me merece confiança. Explicar o porquê convida a entrar por outras análises…

-Muitos atribuem-lhe a autoria da frase “chutou com o pé que está mais à mão”. É verdade?

– Não. Salvo erro é do Gabriel Alves. Minha é do hoquista que caiu e eu terei dito “caiu no terreno”.

– O futebol português mudou para melhor?

-O Futebol sim.

-Acredita na verdade desportiva?

-Se não lhe meterem olhos mágicos e árbitros em todas as linhas do retângulo de jogo, acredito. O Futebol necessita do erro humano para não se transformar num jogo de computador

– Que mensagem deixa ficar aos que estão a iniciar as suas carreiras no jornalismo desportivo?

– Que sejam jornalistas.

domingo, novembro 14, 2021

Lá vamos nós de novo a S. Bento da Porta Aberta

 


É sina nossa. Jogar poucochinho, pensar que amanhã não vai chover e apostar no João Moutinho e no maior do Mundo.
O Moutinho saiu e a Sérvia ganhou.
O Faustino, por seu lado, passou o jogo a apanhar bonés.
O Pepe estava na bancada ao lado do Figo.
E lá vamos ter de novo de pedir uma ajuda a S. Bento da Porta Aberta. Vale que o mister é beato e que o santo de Terras do Bouro não costuma falhar.
Mas calma. Somos especialistas no mata mata. Já lá dizia o brasileiro, que também tinha a sua fé.

quinta-feira, novembro 11, 2021

O burro é ele?


O futebol português é pródigo a parir excêntricos. Um autêntico manancial. Na minha vida profissional ativa conheci alguns mas não tive a sorte de conhecer bem Bruno de Carvalho, o antigo presidente do Sporting que queimou todo o solo que pisou mas que deu ao Sporting uma nova sala de troféus. Os sportinguistas que conheço amaram-no de forma quase incondicional e defenderam-no com unhas e dentes de leão mesmo quando começaram a ser sentidos os primeiros sinais de dislexia intelectual.
Bruno só teve um azar: o descontrolo daquele assalto a Alcochete. E depois, claro, acabou chacinado pelos viscondes do costume e sem direito a assistência médica pois até o médico mostrou sede por ir ao pote.
O título conquistado na época passada parece ter acabado de vez com qualquer veleidade de Bruno de Carvalho. Mas o futebol é mais volátil que a política e aquela máxima de António Alberto Coimbra Pimenta Machado - outro outsider mas de longa duração - continua aí à espreita.
Tenho pena, confesso, do que aconteceu a um Bruno de Carvalho que garantia animação contínua nos jornais desportivos e nos programas de paineleiros e cartilheiros. Faz muito falta para quebrar esta monotonia noticiosa e palavrosa que até conseguiu fazer de conta que o presidente do Benfica não foi proibido de ser presidente do Benfica pelo Ministério Público, o mesmo que já tentou várias vezes apanhar Pinto da Costa com as calças na mão mas que o melhor que conseguiu foi aumentar a faturação do Parador de Tuy.
Não vou dizer, como disse o Bruno, que os adeptos do Sporting são os mais burros da história, apenas aqui recordo a célebre frase do Scolari no Estádio do Dragão. E registo o silêncio envergonhado de todos aqueles que lhe foram comer à mão, entre os quais o tal jornalista que tem linha direta com Deus,

 

domingo, novembro 07, 2021

"Uma nova PIDE tortura os telespectadores", afirma Rui Santos

 


Rui Santos tem sido notícia devido à sua transferência para a CNN Portugal. Aqui repesco uma entrevista que me deu em 2018 e que permanece muito atual.

Conheço Rui Santos há muitos anos, de algumas andanças por esses estádios.  A nossa amizade reforçou-se quando trabalhei 6 anos n’ “A Bola” e o tive como chefe de redação. Não sei o que viu em mim mas a verdade é que sempre me deu corda. Nunca lhe ouvi uma palavra de censura, só palavras de incentivo elogio. Continuamos amigos e só porque é assim o Rui aceitou responder a estas perguntas.

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– De algum modo te surpreende a existência de guiões feitos nos clubes para os comentadores que se identificam com os mesmos?

– Não me surpreende. É apenas a confirmação de uma perceção que já era pública.

– Estamos aqui a falar de quê? De comunicação ou de propaganda? De informação ou manipulação?
– Estamos a falar de manipulação e de propaganda organizadas, com alguma informação sob a forma de ’comunicação’. Estamos a falar de instrumentalização clara. Se fosse um mecanismo normal, teria sido assumido desde o início. A verdade é que os seus protagonistas negaram-no sempre. Foram descobertos e ficam muito mal na fotografia.
– Esta “informação orientada” está longe de ser a única estratégia da chamada comunicação dos clubes. Até onde se estendem na tua opinião os tentáculos deste “polvo”?
– A sede controleira é total. Parece uma espécie de ‘nova Pide’. Os torturados são os telespectadores. Eu acho que as televisões têm um papel nisto. Se ser comentador é, por definição, quem comenta, então somos todos comentadores. Há uma generalização que não é boa e é preciso parar e saber separar as águas. Há ‘comentadores’ que são adeptos e deveriam ser apresentados ou como ‘adepto do Benfica’, ou como ‘adepto do Sporting’ ou como ‘adepto do FC Porto’, conforme os clubes que aceitam representar. Não é claro, em muitos casos, quem é o convidante – se as televisões; se os clubes. Assim há uma generalização perigosa e são todos metidos no mesmo saco, dificultando até a tarefa de quem tem a obrigação de analisar os factos, sem cartilhas. Quando alguém aceita as cartilhas está a dizer: ‘eu não tenho cérebro, eu não tenho liberdade individual, sou uma marioneta, não tenho auto-estima’. É participar num teatro e numa farsa.
Na época passada, quando alguém percebeu que não me conseguia capturar, tentou tudo para me afastar dos ecrãs
– Parece ser normal um comentador contactar os intervenientes para obter esclarecimentos. Algum dia te tentaram para algo mais?
– Uma coisa é o trabalho jornalístico e, nessa tarefa, são inevitáveis os contactos com as direcções de comunicação. Depois é preciso saber filtrar. Na época passada, quando alguém percebeu que não me conseguia capturar, tentou tudo para me afastar dos ecrãs. Há cartas e manobras que o comprovam.
– Há 30 ou 40 anos, os jornais desportivos, sobretudo A Bola, eram completamente imunes às pressões que se hoje se sentem nas redações?
– As pressões e as insatisfações sempre existiram e passei por situações bem desagradáveis. Mas isto agora ultrapassa tudo… O ódio anda à solta e está descontrolado
A minha saída de A Bola aconteceu principalmente porque percebi que quem tinha a obrigação de não permitir ingerências era absolutamente permeável a essas pressões
– Recordas algum episódio desse tempo que te tenha marcado em relação a este assunto?
– A minha saída de A Bola aconteceu principalmente porque percebi que quem tinha a obrigação de não permitir ingerências era absolutamente permeável a essas pressões.
– Que nota dás aos comentadores-guionistas e porquê.
– De 0 a 20, nota 5. Já sei que vai sobrar para mim. É só esperar pela cartilha. Aliás, já existem sinais no espaço público de incomodidade de alguns comentadores-guionistas
– Por fim, acreditas em almoços grátis?
– Não acredito em almoços grátis e essa é talvez uma das razões por que muita gente está proibida de pensar pela sua cabeça.


sábado, novembro 06, 2021

Posto de escuta: Jorge Jesus


- Boa tarde, Jorge. Sou eu. Que passou-se?
- Viva, camarada. Já não te ouvia desde que estivemos no Sameiro a serrar presunto. Conta-me tudo.
- Não ouviste o Octávio Lopes e o Futre na CMTV?
- Não, estava no Barbas a comer um peixinho mas já me contaram.
- E então, como te sentes agarrado ao pêndulo de Foucalt sem arnês?
- Esse não conheço, onde joga?
- É box to box mas não interessa para o caso. O teu amigo Futre disse que o Mourinho está na calha?
- O Mourinho que trate é de saber o melhor caminho para sair de Roma.~
- Pode ter que fazer rodagem a um carro com o amigo de Setúbal...
- Posso mandar o meu amigo de Palmela dar uma ajuda (risos).
- Estou a ver que não estás muito preocupado...
- Até estou preocupado com o que vou pagar de impostos dos três milhões da indemnização. Queria era o 15 do Koeman. Assim só vou poder jogar golfe duas vezes por semana.
 - É uma pena.
- Uma pena para quê?
- Para o golfe. Mas olha, Jorge, tu encaixas em qualquer lado.
- Nem mais, campeão. Ligou-me esta madrugada o Jair e deu-me a escolher o clube brasileiro. Mas acho que vou querer de novo o Limiano.
- Flamengo!
- Isso, nunca acerto no queijinho. Como no Trivial Pursuit embora esteja a achar que a minha empregada de limpeza está a deixar-me ganhar...
- Estou a ver que tens treinado o inglês, hum...
- Off course, my fren!
- Pronto, Jorge, só queria ter a certeza que estás bem aí no Monte da Caparica.
- Obrigado, Eugénio. Dá cumprimentos ao Octávio.
- Ao Lopes?
- Não, esquece o Lopes, continua a trocar o nome aos jogadores. Ao nosso Palmelão.
- Serão entregues. E tu dá aí um abraço ao Farinha e ao tipo de que copiava as notícias do Paulo Pinto.

 

sexta-feira, novembro 05, 2021

Rui Santos, o herdeiro de uma velha escola que perfumou os jornais com prosas deliciosas

 


Conheço o Rui Santos há muitos anos. Confesso que de início não ia muito à bola com o então especialista em futebol juvenil mas era pura inveja pois quem trabalhava na área desportiva do jornalismo tinha sempre o sonho de chegar a 'A Bola', onde ainda estavam os grandes mestres da prosa e da reportagem. Tive a sorte de conviver com alguns, de Carlos Pinhão a Carlos Miranda (com quem estive nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona), sem esquecer uma lição de Fernando Vaz no campo do Tirsense. Ler 'A Bola' de então era uma absoluta delícia que durava mais que um dia. O tempo passou e, pela mão do meu amigo João Freitas, lá consegui concretizar o sonho. Estive n' "A Bola" seis anos e tive o Rui muito tempo como chefe de redação. O que posso dizer? Que o Rui sempre foi um pai para mim, confiando-me os melhores trabalhos e apostando incondicionalmente no meu trabalho. Antes de trocar 'A Bola' pelo 'Record' - de que não me arrependo, mas... -, o Rui acabou por ser afastado num processo kafkiano sustentando em argumentos ridículos. Havia que perpetuar a Rainha de Inglaterra (que ainda por lá permanece) e o Rui não era rapaz para suportar preguiçosos e amanuenses. De então para cá, Rui Santos continuou a fazer o seu caminho noutro registo, na SIC, como comentador desportivo. Mas nunca foi um simples comentador, manteve vivo o jornalismo que nele é latente, para além de, muito importante, não ter tido qualquer acidente com a espinha vertebral. Volvidos todos estes anos, o Rui troca a SIC pela CNN Portugal. Desejo-lhe a melhor sorte embora torça o nariz a estas clonagens à conta de uma marca de prestígio. Mais uma televisão é sempre melhor, são mais postos de trabalho que se criam, aumenta a diversidade informativa, desde já com a certeza de que continuaremos a ter o Rui Santos em antena para desanuviar de uma corja de paineleiros que venderam a alma ao diabo e ao cigano e que apenas medram porque fazem barulho e sustentam o modo mais barato de fazer televisão (mais barato ainda que qualquer Big Brother).

Bola na Área está de volta


Blog desde 2003, por iniciativa de vários jornalistas da área do desporto, BnA está de volta com notícias e notas atualizadas. Como todos sabem, estou fora do circuito mas continuo atento e julgo ser importante continuar a alimentar uma dos blogues de referência do futebol nacional, modéstia à parte.

Mas desde aviso que não sou assinante da Sport TV ou da Eleven e muito menos de canais temáticos desportivos.

Aquele abraço.


Por favor, não pisem os malmequeres!

  Ia escrever qualquer coisa sobre isto mas o João Freitas - um dos melhores jornalistas que conhece - tirou-me todas as palavras da boca. ...