sexta-feira, novembro 05, 2021

Rui Santos, o herdeiro de uma velha escola que perfumou os jornais com prosas deliciosas

 


Conheço o Rui Santos há muitos anos. Confesso que de início não ia muito à bola com o então especialista em futebol juvenil mas era pura inveja pois quem trabalhava na área desportiva do jornalismo tinha sempre o sonho de chegar a 'A Bola', onde ainda estavam os grandes mestres da prosa e da reportagem. Tive a sorte de conviver com alguns, de Carlos Pinhão a Carlos Miranda (com quem estive nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona), sem esquecer uma lição de Fernando Vaz no campo do Tirsense. Ler 'A Bola' de então era uma absoluta delícia que durava mais que um dia. O tempo passou e, pela mão do meu amigo João Freitas, lá consegui concretizar o sonho. Estive n' "A Bola" seis anos e tive o Rui muito tempo como chefe de redação. O que posso dizer? Que o Rui sempre foi um pai para mim, confiando-me os melhores trabalhos e apostando incondicionalmente no meu trabalho. Antes de trocar 'A Bola' pelo 'Record' - de que não me arrependo, mas... -, o Rui acabou por ser afastado num processo kafkiano sustentando em argumentos ridículos. Havia que perpetuar a Rainha de Inglaterra (que ainda por lá permanece) e o Rui não era rapaz para suportar preguiçosos e amanuenses. De então para cá, Rui Santos continuou a fazer o seu caminho noutro registo, na SIC, como comentador desportivo. Mas nunca foi um simples comentador, manteve vivo o jornalismo que nele é latente, para além de, muito importante, não ter tido qualquer acidente com a espinha vertebral. Volvidos todos estes anos, o Rui troca a SIC pela CNN Portugal. Desejo-lhe a melhor sorte embora torça o nariz a estas clonagens à conta de uma marca de prestígio. Mais uma televisão é sempre melhor, são mais postos de trabalho que se criam, aumenta a diversidade informativa, desde já com a certeza de que continuaremos a ter o Rui Santos em antena para desanuviar de uma corja de paineleiros que venderam a alma ao diabo e ao cigano e que apenas medram porque fazem barulho e sustentam o modo mais barato de fazer televisão (mais barato ainda que qualquer Big Brother).

Sem comentários:

Por favor, não pisem os malmequeres!

  Ia escrever qualquer coisa sobre isto mas o João Freitas - um dos melhores jornalistas que conhece - tirou-me todas as palavras da boca. ...