quarta-feira, dezembro 31, 2008

Deliberado e Intencional


Pedro Henriques, árbitro de Lisboa, terminou o ano de 2008 representando a arbitragem portuguesa na polémica instalada, sobre a sua decisão errada de ter considerado mão na bola a Miguel Vítor, anulando assim um golo legal ao Benfica.
Antes de mais, sou dos que acredito, que efectivamente este árbitro viu mão deliberada, tendo logo imediatamente explicado isso a todos os que assistiam ao jogo.
Aliás, as declarações proferidas por Pedro Henriques após o jogo, confirmam que o que ele viu foi isso mesmo, embora fique apenas pelo lado factual e não faça uma análise ao lance pelas imagens á posterior, o que sinceramente acho perfeitamente normal.
Os dirigentes do Benfica, um dia depois calaram a sua revolta, talvez fruto da época Natalícia, ou então porque correctamente vão tratar este assunto longe das emoções e resolver no local próprio, com quem de direito; Vítor Pereira.
Certo é que, jogar a bola com a mão, foi sempre falta integrada na Lei XII e se no início era punida quando jogada voluntariamente, antes foi intencional e agora é deliberada.
Só que, é na sua aplicação que reside a verdadeira capacidade do árbitro, que deve procurar fazer esta separação entre o toque casual ou deliberado o mais rapidamente possível.
Somente há falta quando a mão ou o braço joga deliberadamente a bola.
O facto de a bola bater na mão ou num braço de um jogador não é punível, mesmo que o referido jogador obtenha para si (ou para o colega) vantagem para poder jogar a bola ou fique(m) de posse da bola.
O resto, brincar com um trocadilho de palavras, voluntariamente é sem sombra de dúvida, uma forma deliberada e intencional de fugir às responsabilidades.
Desejo que 2009 seja um Ano de boas arbitragens e de decisões correctas para os árbitros portugueses.
E aos Leitores um Excelente 2009.

Este artigo da minha autoria foi publicado no Jornal de Noticias na coluna semanal de terça feira "Arbitragem ao Raio-X"

terça-feira, dezembro 30, 2008

PRÉMIOS BnA 2008

Paineleiro do ano: Rui Santos. A solo, sem guiões, com as melhores audiências e com a cacha do ano (Meyong), demonstrando não só a sua versatilidade mas também grande pulmão.
Programa do ano: "Liga dos Últimos" porque passou do último para o primeiro canal e tem em Sérgio Sousa um repórter de eleição que também sabe pôr as coisas no papel (JN).
Jornalista desportivo do ano: Rui Miguel Tovar (Record), pela sua extraordinária capacidade para nos surpreender todos os dias.
Dirigente do ano: Carlos Oliveira. O presidente do Leixões equilibrou o barco, esteve no regresso ao convívio dos grandes e viu a equipa transformar-se em sensação do campeonato corrente.
Leite Mimosa do ano: Carolina Salgado.
Pilinha de ouro do ano: João Malheiro, juntamente com Sousa Martins a prova que um parola do Norte pode entrar no j-7 lisboeta.
Árbitro do ano: Pedro Proença. Não apenas pela sua magnífica performance no tribunal de Gondomar mas também porque se está a afirmar com um árbitro para grande correrias.
Jogador do ano: Beto. O guarda-redes do Leixões é o Bento dos tempos modernos.
Caso do ano: Apito Final. A CD da Liga prometeu e cumpriu, em pouco mais de um ano produziu acórdãos históricos.
Bestial do ano: Ricardo Costa (Liga)
Besta do ano: Gonçalves Pereira (FPF)
Pesadelo do ano: Boavista. De campeão em 2001 a equipa em perigo de extinção. Um caso de estudo.
Varinha mágica do ano: Valentim Loureiro.
Reformado do ano: Mantorras.
Emplastro do ano: Animal.
Personalidade do ano: Hermínio Loureiro. Na FFP e a na Liga, uma lufada de ar fresco no ambiente pútrido do nosso futebol.
Sonho light erótico do ano: nutricionista do Leixões.
Injustiçado do ano: Pinto de Sousa. Um homem bom que acabou por ser condenado por causa das maldades que lhe fizeram.
Claque do ano: No Name Boys. A confirmação de que as claques para mais nada servem que não seja para apoiar presidentes em momento difíceis ou para recreio de meia dúzia de delinquentes.
Blog do ano: Blog da Bola. Intrépido, ousado, sempre na linha da frente, à semelhança do admirável Marinho das neves.
Frase do ano: "Sou a Paula Rego do futebol", Jorge Jesus, ao DN.
Talibã do ano: José Manuel Delgado, paladino de uma verdade conveniente.
Gaffe do ano: V. Guimarães ao acompanhar o Benfica no recurso para o TAS.
Boazona do anus: a leoa Carla Matadinho, ex-aequo com as cheer leaders do Benfica.
Queca do ano: Nereida Gallardo.
Troglodita do ano: António Sérgio, presidente da APAF, pela sua capacidade para dizer barbaridades.
Paladino do ano: Joaquim Evangelista, à semelhança de um pastor da igreja Universal do Reino de Deus, prometendo a cura para o que é incurável.
Livro do ano: "Vocês sabem do que estou a falar", de Octávio Machado. Continuamos a saber o mesmo depois de o ler mas foi divertido.
Treinador do ano: Jaime Pacheco. Conseguiu a permanência de um Boavista em cacos e prepara-se para fazer o mesmo n'"Os Belenenses".
Desilusão do ano: Selecção Nacional, antes e sobretudo depois de Carlos Queiroz.
Salário do ano: Nuno Gomes continua a ganhar para as bandoletes.
Basófias do ano: Filipe Soares Franco.
Director desportivo do ano: Antero Henrique. Pode-se não gostar do estilo mas a sua eficácia continua a ser terrível. Já o mais sério candidato à sucessão de Pinto da Costa.
Revelação do ano: Gilberto Madail, pois deixou de pintar o cabelo.
Pinoca do ano: Vítor Pereira.
Octávio Machado do ano: Dias da Cunha.
Advogado do ano: Pedro Alhinho, advogado de Castro Neves no processo originário do Apito Dourado, pelo brilhantismo e pela dinâmica da defesa que organizou.
Juiz do ano: Carneiro da Silva, presidente do colectivo que julgou o processo originário, pela urbanidade, celeridade e sapiência.
Risca ao meio do ano: Paulo Bento.
Caso do ano: Apito Dourado. Deste e também do próximo.
Ocaso do ano: Luís Filipe Vieira, definitivamente a entregar a pasta a Rui Costa.
Casamento do ano: Pinto da Costa-Filomena. Ninguém percebeu a ausência de João Malheiro na boda.
Burla do ano: Sérgio Silva.
Bloguista do ano: António Boronha, pelas histórias, pela lucidez e pela acutilância.
Lágrima do ano: Manuel do Laço.
Post do ano: Paralímpicos. A fúria dos moralistas abateu-se sobre este pobre coitado.
Palerma do ano: presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas.
Artista do ano: José Mourinho. Está tão na frente que já deu várias voltas de avanço à concorrência.
Mercenário do ano: Nossa Senhora do Caravaggio.

domingo, dezembro 28, 2008

CALISTO CAMPEÃO DO SUDESTE ASIÁTICO




Henrique Calisto conquistou para o Vietname a primeira Taça do Sudeste asiático. A festa explodiu de Saigão a Hanói e Calisto arrisca-se a ter uma estátuta ao lado dos grandes educadores do Vietname, o único país asiático que tem alfabeto latino. É pena os portugueses não terem a real dimensão da importância e relevância do treinador matosinhense num dos países com maior taxa de crescimento do Mundo. Parabéns, professor! Como já lhe disse várias vezes, você não faz falta aqui...excepto aos seus amigos!



NADA DE NOVO



Ponto um: não sei o que se passa com o Blog da Bola nem com o seu autor "anónimo", presumo que esteja já a preparar as autárquicas...


Quanto ao resto, não há muito para acrescentar. O nosso futebol fez a habitual pausa enquanto os ingleses andam furiosamente aos chutos na bola, não se vislumbram vendas e compras palpitantes e os jornais fazem balanços e alguns trabalhos que deviam fazer o resto do ano mas que por falta de espaço só agora conseguem apresentar. Desfrutemos, portanto, neste intervalo entre a orgia natalícia e a farra do fim do ano.


Está visto que o Benfica não vai conseguir empandeirar o Di Maria pelos milhões que pretendia para o Real Madrid e que ainda há quem acredite que Nuno Gomes pode ser útil ao glorioso. Eu, sinceramente, acho que não...
Quanto ao Apito Final, parece que o novo CJ também entende que as escutas são válidas e, como tal, o assunto fica encerrado em termos de justiça desportiva portuguesa, restando saber o que é que o comité disciplinar da UEFA vai fazer com este dado novo. Tenho a sensação que não tarda nada e virá aí bojarda.
Para os portugueses, pelos que se vê nos noticiários, a crise ainda não chegou mas não tardará nada até que ela se faça sentir nos nossos já magros orçamentos, que nos levam a hesitar entre a compra de dois "desportivos" e trocos para mais um café. Ok, os hóteis estão cheios para o reveillon, as câmaras prometem muito fogo de artíficio e Israel não só promete como cumpre. Resta-me, pois, aproveitar a pausa, que também a mim me tocou, para acender a lareira, manter a o MSN aberto para um eventual "olá" a um amigo e ganhar balanço para mais um trabalho para a faculdade, que Janeiro e Fevereiro são meses de avaliações mesmo para os amadores como eu.


Com 2009 pela frente, BnA cumpre a tradição e vai dar os seus prémios. O júri reúne hoje à noite e o mais tardar amanhã teremos aqui os resultados, de que deixo um cheirinho na imagem que ilustra esta posta que apenas serve para calar as bocas dos que me encharcam o e-mail com coisas do tipo "preguiçoso", "tem uma namorada nova?" ou "também vais à viola como o Blog da Bola?" Posso garantir que é tudo mentira embora uma parte eu bem gostasse que fosse verdade...

sábado, dezembro 27, 2008

SOBREVIVER AO NATAL

Tá visto que esconder a cabeça na areia não resulta pois pelo menos uma pulga aparecerá para nos desejar bom Natal.
Não há outro remédio: dar o peito às balas.
Melhor dizendo, aos votos tradicionais, hoje disparados de rajada via SMS.
Tentamos resistir mas é mais uma batalha perdida. Recebido o impacto, temos de ripostar. Gosto de lasanha mas não gosto respostas em massa e procuro responder a cada um de forma personalizada.
O Natal, entretanto, arrasta-se. Ele que se faz anunciar muito antes e que nos invade primeiro com efeito formigueiro, depois de forma absolutamente virulenta. Quando damos por ela, antes ainda do dia 25, estamos em estado terminal B. Mas aqui não dá para mudar em Nine que a gare é do outro lado. Esta parte do "que a gare" vem a seguir e costuma ser bastante dolorosa.
Neste entretanto, as câmaras dão tolerância de ponto sob o argumento de que este não é "um período produtivo". Mais uma falácia. Nunca durante o resto do ano vejo tantos que fazem tão pouco a quererem fazer muito. O Natal é uma febre. Não apenas de consumo. Uma febre de sentimentos e de emoções. Vemos amigos hoje onde ontem víamos o pior dos inimigos, bebemos um copo de Porto com aquele familiar que ontem nem podíamos ver, trocamos presentes com o tipo que nos come a namorada ou mulher... Fazemos tudo isto com um sorriso nos lábios, o tal sorriso natalício, da fraternidade, bla, blá, blá...como aquela canção memorável do Quarteto 1111.
O Natal pode ser representado por aquele momento da I Guerra Mundial em que as duas trincheiras interromperam a guerra para beber um chá quente e jogar futebol (vi isto num filme qualquer).
O Natal é um daqueles intervalos do demente profundo que subitamente sobe a uma cadeira e diz que estamos todos a voar sobre um ninho de cucos.
O Natal é o silêncio breve do olho do furacão, o luar todo sobre o mar, um sonho erótico, um peido pleno...
O Natal é o sorriso da criança, a ternura dos velhinhos, o açúçar dos sonhos, uma rabanada de vento quente...
O Natal, tá visto, é o reino dos impostores. O próprio Natal em si é um impostor. Chega a galope, passa a trote e quando se despede larga apenas mais uma poia para acrescentar à merda de Mundo que temos.
Salva-se o bacalhau. A pinga. Aquele conversa subitamente filosófica. O amigo que telefona da Patagónia e apenas nos diz a paisagem que está a ver. Claro, a alegria das crianças, embora suportada nas tradicionais prendas. E também a perspectiva de que a vida vai continuar.

Não é uma perspectiva especialmente empolgante mas, confesso, sabe bem voltar à rotina. Hoje não estou convocado para qualquer almoço, lanche ou jantar. Tenho um dia inteiro pela frente com 2 ou 3 tarefas para cumprir.

Se a coisa correr bem, não cumprirei nenhuma. Ficarei por aqui simplesmente a ruminar. Não me critiquem por isto. O meu segundo nome é Rudolfo.

PEDRAS ROLANTES


Sabemos todos que há blogs para tudo. Para o cultivo de margaridas, para vibradores e até para parques eólicos. O meu amigo André Ribeiro, do Porto que está sempre Alegre, e não deste Porto deprimido e recalcado, criou um blog que dedicou à sua banda: os Rolling Stones.


A ver, aqui:


segunda-feira, dezembro 22, 2008

FELIZ...POIS...JÁ SABEM O QUE É

Sendo eu o burro, figura que ninguém contestará como presente no presépio natalício, aproveito para desejar a toda a clientela um Natal com saúde, a alegria possível, apetite e vontade para em 2009 aqui estarmos todos de novo a dar trabalho à vesícula biliar.

domingo, dezembro 21, 2008

A FABULOSA HISTÓRIA DE BARBOSÁ

Há muito tempo que não estava com Manuel Barbosa, o empresário que dominou o nosso, e não só, futebol na década de 80. Ei-lo a levar Quinito, em 1985, para o Kuweit. Quinito, o treinador que mais admirei pelo seu espírito libertinoe libertário, também ele uma Personalidade. Mas é do Manuel "Barbosá" que vos quero falar, do empresário que agora reapareceu como detentor dos direitos desportivos do surpreendente Atlético de Valdevez. De um homem extravagante, sem papas na língua e que não se deixou derrotar por alguns azares da vida. Aos 65 anos, cá está ele de novo pronto para a acção...
Ao jantar, na companhia de bons amigos (entre os quais outra personalidade, como é o Vítor Queirós...), deu para recordar com pormenores deliciosos algumas das cenas da vida deste homem que começou como modesto empresário da agência de viagen Mercury, em Paris, e culminou com o seu protagonismo nas vendas de craques como Mozer, Ricardo Gomes, Valdo e Rui Costa, entre outros. Só este último à sua conta foi ganhar para a Fiorentina 2 milhões de dólares por ano e já lá vão uns anitos...
Só para aguçar o apetite, apenas sublinho dois momentos da fabulosa vida deste homem, ambos durante audiências em tribunal.
O primeiro em França, durante um daqueles casos do Marselha, a propósito de dinheiros de transferências. Quando Barbosa pediu a palavra e disse na cara do juiz que ele não era ninguém para pôr em questão a sua pessoa proque ganhava 300 mil francos por ano enquanto ele, Barbosá, ganhava milhões...e ainda ninguém sabe hoje como é que o juiz não lhe deu voz de prisão.
O segundo em Portugal, quando foi acusado por Vale e Azevedo de difamação. Barbosa disse que Vale e Azevedo era um vigarista, o que presumo ser uma grande ofensa. Já com o ex-presidente do Benfica detido, e presente no tribunal "protegido" por dois guardas prisionais, Barbosa prescindiu de testemunhas, mandou o seu advogado calar-se e disse nada ter a alegar em sua defesa, que esta estava ali presente em carne, osso e algemas virtuais. Foi condenado a pagar 75 mil euros!
Há mais histórias para contar e vou insistir com ele para que as ponha no papel. É um manancial impressionante este que possui o empresário a quem Bernard Tapie deu dois carros topo de gama e que ainda hoje mantém contactos com alguns dos mais poderosos do futebol francês e do resto, como é o caso de Sarkozy, sobre o qual também tem histórias para contar.
Um manancial, como se vê.

sábado, dezembro 20, 2008

O PEDRO ACREDITA NO PAI NATAL

Já tinha o Pedro Fonseca, do Inferno da Luz, como alguém com sentido de humor. Confirma-se.



FECHADO PARA BALANÇO


Quando se aproxima o ano é sempre tempo de balanços. Curiosamente, no futebol não dá muito jeito porque a passagem do ano ocorre por norma a meio da época desportiva. Do que resulta a patetice de se ter inventado um campeão de Inverno. Só falta mesmo uma taça para a consagração do pírrico feito.

Mas quem fala disto fala também do Natal. De esperança e de fraternidade. Que é o artigo mais escasso no nosso futebolzinho e também no resto do Mundo.

Os homens do terceiro milénio, fazendo fé no calendário gregoriano, andam descrentes e confusos.Disseram-lhes que o barril do crude ia passar a barreira dos 200 dólares e seis meses depois ele está a 40 mas os livros do Rodrigues dos Santos continuam a vender.

Deram-lhes casas novas e depois derrotaram-nos com juros, seguros e aumento do custo de vida.

Convidaram-nos a apostar em acções promissoras que acabaram a preço quase zero.

O Lobo Antunes não ganhou o Prémio Nobel.

Disseram-lhes o Mundo ia aquecer e está um frio do caralho (bem, também já lhes tinham dito que iam morrer todos com a gripe das aves e com a doença das vacas loucas, para além do ébola e da febre intestinal...)

O Manoel Oliveira não morreu.

O Mestre Alves continua a fazer previsões e até acompanha a selecção nacional.

O Fernando Alvim completou 50 anos de carreira e o Bruno Nogueira continua a crescer.~

O circo Cardinal continua a ter três pistas.

E continua a não a haver pai para Pinto da Costa, embora o filho esteja encontrado e dê pelo nome de "Animal" ou "Emplastro".

Anda tudo tão estranho que a América até elegeu um negro para presidente e este escolheu para vice a mulher de um antigo presidente com incontinência sexual. E na Europa um tal Sarkozi transformou-se numa espécie de novo Napoleão graças ao romance escaldante com a, confessamos, surpreendente Carla Bruni. E depois, qual é o problema? Não é de novo a Itália liderada pelo neofascista Berlusconi, não faz Putin da grande mãe Rússia o que bem quer, não é a Espanha governada por um Zapatero, não comprou a filha do presidente de Angola dez por cento do BPI e Santana Lopes concorre de novo à Câmara de Lisboa?

O Mundo está confuso, repito.

Porque não estará também assim o nosso futebol? Quem apostaria no Leixões como líder do campeonato até à décima jornada? Quem imaginaria ver o FC Porto humilhado pelo Arsenal, o Benfica pelo Olympiacos, o Sporting pelo Barcelona e a selecção nacional pela Albânia? Bem, o que mais desculpa tem ainda é o Sporting...

Não nos queixemos, porém. Vem aí Natal e uma semana depois a passagem do ano. O país fará uma pausa para comer as rabanadas e o bacalhau e para tirar as rolhas ao espumanante.A única grande diferença entre este fim de ano e os outros é que o próximo ano parece já uma eternidade. Dá vontade de no dia 1 não sair da cama e de aí continuar até 31 de Dezembro de 2009. É verdade que corremos o risco de sair de casa nesse dia e reencontrar o planeta dominado de novo pelos dinossauros. Bem, poderá parecer um retrocesso. Mas sempre será melhor, digo eu, que continuar a viver no actual Planeta dos Macacos.

AMBIÇÃO À PARTE


Assisti ontem ao final do Naval-Guimarães. Obviamente em confronto duas equipas de campeonatos distintos. Resultado: 0-0. O Vitória em cima. Tempo de compensação. Para espanto meu, Cajuda gasta tempo numa substituição. Ulisses faz o mesmo. Entendo o treinador navalista: um ponto com o Vitória é um ponto positivo. Confesso a minha perplexidade perante a atitude do técnico vitoriano. Mas pouco depois confirmo a intenção: o próprio afirma que "não ganhamos mas também não perdemos". Estamos entendidos... Imaginem agora o rei fundador a tentar assaltar o castelo da Figueira aos mouros e a justificar assim a retirada...


sexta-feira, dezembro 19, 2008

O SORTEIO

Ora aí está:
Chelsea – Juventus
Villareal CF – Panathinaikos
SPORTING – Bayern Munique
Atlético Madrid – FC PORTO
Lyon – Barcelona
Arsenal – Roma
Inter – Manchester United
Real Madrid – Liverpool
* sublinhados os meus favoritos

Mais uma vez o FC Porto recria as condições que o ajudaram a chegar, em 2003/2004, à final. Gigantes já a ficar pelo caminho nos oitavos, alguns não tão grande a seguirem em frente e depois...seja o que Lisandro e Lucho quiserem!

quinta-feira, dezembro 18, 2008

Descobri o Hulk




É o mais recente grito tecnológico. Um tipo(a) sai de casa a caminho do emprego e questiona-se: 'onde é que ELA/ELE andará?'. Hoje em dia esse problema já não se coloca, ou, dito de outra forma, resolve-se num instante. Basta utilizar ESTA ferramenta. Detecta qualquer pessoa através do número de telemóvel. A margem de erro é mínima... Ah, no caso de Portugal não se esqueçam de colocar o indicativo internacional - 351. À conta disso descobri o Hulk no centro comercial Arrábida. Estou neste momento a fazer-lhe uma entrevista de quatro páginas. Sem autorização oficial, claro. O rapaz até fala japonês. Impressionante.

quarta-feira, dezembro 17, 2008

A Pressão da Profissionalização



Vítor Pereira reuniu-se no passado sábado em Leiria com mais de meia centena de árbitros e árbitros assistente da Liga Profissional.
Esta reunião serviu sobretudo de balanço do primeiro terço do campeonato e para perceber o que está a ser cumprido relativamente aos objectivos traçados e tentar encontrar formas de melhoria.
O presidente dos árbitros portugueses tem gerido um orçamento na Liga de Clubes, que inclui formação.
O projecto mais mediático é a profissionalização dos árbitros portugueses, que no início desta época foram confrontados com a questão simples se estão ou não disponíveis para serem profissionais?
Será que o dinheiro investido na formação dos árbitros em Portugal está a ser bem aplicado e a ter os resultados que Vítor Pereira esperava?
A pressão rápida e sem consistência, do projecto para o profissionalismo, que Vítor Pereira quer que os árbitros concordem, estará a perturbar a arbitragem?
Vai confirmar-se que o regabofe classificativo final dos árbitros, obedece a uma classificação previamente planeada ou tratada?
O afastamento do presidente dos árbitros, nos momentos difíceis, está a contribuir negativamente na classe?
Serão questões que o presidente da Comissão de Arbitragem deverá colocar a si próprio, pois poderá perceber, que a forma como tem gerido o sector, abriu a porta, para julgarem que o treinador do Sporting tinha razão naquilo que diz e pela janela entrarão outros clubes no futuro.
Certo é que, o presidente da Comissão de Arbitragem, sabe que não pode suscitar duvidas, desilusão e desânimo, naqueles que, quer queira ou não, estão inseridos no principal escalão da arbitragem portuguesa e na Liga de Clubes.
Terá a reunião de sábado passado em Leiria, com todos os árbitros, mais uma vez atenuado tudo?
Espero bem que sim…

artigo publicado ontem no Jornal de Noticias na coluna semanal "Arbitragem ao Raio-X

BOAS FESTAS

Do meu melhor amigo na Madeira a seguir ao Acácio Pestana, o Ivo Caldeira, recebi este postal de Natal da Liga. É bonito, moderno... Mas temo que represente um asteróide em ameaça de colisão com o planeta Futebol.

terça-feira, dezembro 16, 2008

ASSIM VAI O MUNDO



A radiografia - melhor seria dizer endoscopia... - do futebol luso faz-se bem vendo-o pelos presidentes que temos. Começando pelo O Maior, PC, com mais de 25 anos de reinado, podemos dizer que, aos 71 anos, está como o aço, embora agora mais caladinho, na ressaca do Apito Dourado, que ainda terá mais uma onda com o julgamento do Beira-Mar-FC Porto, com Duarte e Araújo, e a ver o que dá o recurso do MP do arquivamento do Estrela-FC Porto. A verdade é que PC continua intocável, com os laços reforçados ao nível da Liga Sagres, com prestígio, poder, carisma, enfim, o que todos sabem. Temos depois LFV, desde a assumpção de Rui Costa um líder a apagar-se, com breves fogachos e um caminho a desenhar-se no sentido de mais cedo ou mais tarde passar a pasta ao Maestro. No Sporting, Soares Franco anda agora armado em salvador da pátria e falta saber se é mesmo ou se apenas é mais um para somar passivo antes que chegue outro visconde para apanhar as pontas soltas. O seu discurso, por vezes incompreensível, quiçá infantil, de bebé-chorão, é que não pega... No Vitória de Guimarães, Emilio Macedo tem-nos poupado a agressões ao português e ainda bem, continuando com algum crédito sobretudo graças a Cajuda, porque no dia em que o Ti Manel sair...vamos ver! No Sporting de Braga, aí, sim, está o verdadeiro Salvador, um pedreiro que se tem refinado ao rodear-se de uma "entourage" que, quer se queira quer não, vai marcando pontos. Na Trofa, é sabido que o clube está pendente do dinheiro do seu presidente mas basta ir lá para se perceber que ali se está a fazer trabalho, o que pode não chegar, pois a massa crítica é curta. Em Vila do Conde, saiu Paulo Carvalho, provavelmente o melhor dirigente desportivo português, porque Mário de Almeida gosta de ser o protagonista e arranjou um empreiteiro para o lugar, ou seja, mais do mesmo, mais tarde ou mais cedo Carvalho irá voltar e o nosso futebol bem precisa dele. Em Coimbra, Simões resiste aos processos e à acusação de ter desviado 60 mil euros da bilheteira e luta contra as tertúlias da cidade, posição que à partida o condena pois os doutores da cidade não perdoam estas coisas. Na Figueira, o homem do chapéu está mais preocupado com a situação das suas empreitadas e não tardará muito até fechar a torneirinha, vale que encontrou um treinador com "eles" no sítio e que sabe da poda. Descendo a Lisboa de novo, no Belenenses ainda ninguém percebeu quem é que manda no clube mas já dá para entender que o "dedo" de João Freitas pode contribuir muito para a recuperação do clube, obviamente com a ajuda de Jaime Pacheco e do seu dream team. No estuário do Sado é o que se sabe e a última entrevista do biógrafo de Mourinho e ex-correspondente da TSF em Luanda foi bem expressiva, ou seja, ficámos com a certeza de que Lourenço nasceu com o rei na barriga e que esta irá ulcerar algures entre a Quinta da Rosa e o Bonfim. Na Madeira, obviamente a crise não irá chegar. Pereira está de pedra e cal no Marítimo, é o homem do sistema local e terá sempre reservas para fazer as suas brincadeiras, enquanto Rui Alves não lhe quer ficar atrás e está cada vez mais forte, embora sempre na posição de outsider, que é o que mais lhe convém, enquanto se arrisca, com Manuel Machado, a fazer o melhor campeonato da história do Nacional, pois tem team para isso. Ah, claro, falta falar de Carlos Oliveira, o presidente leixonense para quem, de facto, um euro é um euro e que apenas pode ver o seu trabalho ensombrado caso Narciso Miranda, seu inimigo fidagal, ganhe as próximas autárquicas mas isso só acontecerá, se acontecer, em Outubro do próximo ano e até lá muito água vai correr no porto de Leixões e muito contentor vai ser descarregado.



E assim vai o Mundo.

A CRISE


Reparem nisto.

A gasolina é cada vez mais barata.

Os juros estão cada vez mais baixos.

A inflação decresceu extraordinariamente.

Apesar de tudo, dizem, estamos em crise.

Pergunto: como seria se não fosse assim?

segunda-feira, dezembro 15, 2008

HOMENS DO MAR

Foto Luís Vieira Estes adeptos merecem tudo.

JACKPOT

Foto Luís Vieira
Vai tarde mas ainda vai a tempo. O Leixões conseguiu, numa noite tempestuosa, o seu jackpot. Depois de vencer o Sporting e o FC Porto nos respectivos estádios, sem margem para dúvidas, o Leixões eliminou o Benfica da Taça de Portugal. Foi o segundo embate, no Mar, com o Benfica e o segundo empate, este a zero bolas, ao fim do tempo regulamentar. Tudo se decidiu através de pontapés da marca de grande penalidade. Beto ou Moretto, um deles seria o herói. O guarda-redes do Benfica esteve a uma unha de o ser, quando tocou na bola que Chumbinho rematou. Na última grande penalidade da primeira série de dez, Beto voou como um felino para o remate tenso de Reyes e defendeu. Sei que é subjectivo dizer-se que Beto é o melhor guarda-redes português da actualidade. Não sei. Também gosto muito de Eduardo. O que me parece é que ambos deviam estar na selecção. Não digo num grande porque em grandes clubes já eles estão...

PS - Confesso que fiquei confiante no Beto desde o momento em que o vi, na semana do jogo, a fumar tranquilamente o seu cigarrito à porta da confeitaria Dallas, onde me dirijo sempre que me aperece um bom "croissant"...recheado

sábado, dezembro 13, 2008

Afinal há mercado de Inverno



Hoje Vitor Pereira reuniu-se com cerca de 60 árbitros em Leiria.
Este encontro, que vou primeiro deixar os jornalistas divulgarem nos seus jornais, serviu sobretudo de balanço do primeiro terço do campeonato e para perceber o que está a ser cumprido relativamente aos objectivos traçados e tentar encontrar formas de melhoria para os que não estão a ser alcançados.
As declarações de Vítor Pereira, sobre a inexistência de um “mercado de Inverno” que lhe permitisse reforçar o seu grupo de árbitros, também foram abordadas em Leiria.

Não posso ir ao mercado de Inverno substituir este quadro de árbitros.
Com esta frase, Vítor Pereira, acabou por confirmar aquilo que todos afirmam, a má qualidade dos árbitros portugueses e colocando em causa o quadro de árbitros de 1ª categoria.
Ao mesmo tempo, o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, voltou a ziguezaguear, tendo afirmações opostas em tão pouco tempo de mandato.
Se as feridas entre os principais árbitros e o presidente não estavam completamente saradas, agora volta o desconforto de todos para com o líder.
Quando assumiu a liderança da arbitragem, somente um por cento dos árbitros e ex-árbitros poderiam não concordar com a atribuição do cargo ao ex-árbitro internacional, que fez história na arbitragem portuguesa.
Ficou a esperança reforçada, quando afirmou que a arbitragem era a 33ª equipa da Liga.
Domingo a domingo, vê-se todos os treinadores a defender ou repreender os seus jogadores, convocando ou afastando, mas justificando sempre a decisão.
O afastamento do presidente dos árbitros, não dando a cara pela sua equipa nos momentos difíceis, está a contribuir negativamente para a instabilidade na classe?
Esta questão, ficou paradoxalmente com resposta na semana do jogo Sporting- FC Porto, após estas declarações graves de quem lidera o especifico sector da arbitragem.
Vítor Pereira, não só não veio em conferência de imprensa, dizer o que pensava sobre a arbitragem de Bruno Paixão, como também não justificou, porque o deixava de fora das nomeações.
Quando falou, não foi para discordar daquilo que Paulo Bento proferiu sobre um árbitro FIFA e sobre toda a arbitragem portuguesa, preferindo manter o silêncio sobre esse tema.
Um verdadeiro soco, no seu próprio estômago, resolvendo o mal-estar provocado, junto de alguns árbitros, hoje da seguinte forma;

"Falámos nisso e, ao contrário do que tinha dito, há mercado de Inverno: fomos ao mercado e acolhemos aqui o major João Ferreira, que acabou de vir do Líbano, um reforço importante de Inverno e que é muito bem recebido. E estamos a aguardar um outro reforço, que seria bem-vindo, o nosso árbitro Rui Silva, que está impedido por motivos regulamentares.
Esperamos que o Conselho de Justiça rapidamente resolva o problema para termos um segundo reforço de Inverno, que muita falta nos faz”, conclui Vitor Pereira.

TBzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz


Está visto que esta história da TBZ de João Barroqueiro vai apenas provar a ingenuidade dos "marketeiros" dos nossos clubes e SAD. O homem que se fazia conduzir em grande máquinas conduzido por motorista, e que frequentava os melhores restaurantes do país, está a deixar um rasto de problemas, do Benfica ao Real Madrid. É difícil acreditar como é que tantos se deixaram levar por tão pouco, ou melhor, até é fácil, tendo em conta o muito que Barroqueiro, ou Barraqueiro, oferecia pela comercialização dos produtos, garantindo chorudas varbas sem que os clubes e SAD mexessem uma palhinha. O resultado está à vista: a TBZ estourou e os clubes agora não sabem como resolver o problema. Ao que me conta, com este imbróglio até o Benfica deixou de ser dono da famosa marca "Benfica"...e muito provavelmente o mesmo se passa noutras frentes. Sugiro por isso uma nova nomenclatura para a TBZ: Todos Bons Zarolhos.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

OLIVEIRADAS

Manoel Oliveira está fazer um século e o país presta-lhe homenagem. O Porto oferece-lhe as chaves da cidade e o "mestre" recusa enquanto almoça com o moçárabe presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Na profusão de entrevistas, Oliveira indigna-se com os jornalistas e com a pouca importância que eles dão aos diversos prémios para o chamado cinema independente. Por causa da efeméride, graças a Deus efémera, somos obrigados a ver trechos dos filmes do artista centenário. Verdadeiras "estuchas", exercícios quase infantis, narcisistas, naifs, porventura com alguma plastia mas, caramba, cinema é que nunca. Porque cinema é movimento, luz, acção, cadência, suspense, surpresa, delícia, deslumbramento, diversão... O que Oliveira faz são exercícios de estilos, diletantes, umbilicais, a chamada arte pela arte, que todos sabemos ser muitas vezes o refúgio dos tristes e dos incapazes. Não sei se o problema é do país ou se o país é o problema. O que sei é que fica confrangedor ver todo este espectáculo à volta de um tipo petulante que se diz realizador de cinema. Seja. Tem esse direito. Eu, português, é que dispenso bem este tipo de porreirismo à volta de um personagem ora caquético, ora patético. Excepto, claro, na forma como ao longo de todos estes anos tem conseguido do Estado subsídios para as suas obras primárias.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

3 HISTÓRIAS, 3 HOMENS


A propósito de um cliente atento e inteligente deste blog...

A questão dos maus e dos bons, como um dia tão bem tratou Miguel Esteves Cardoso, o pai da actual geração dourada de cronistas, não é tão má como parece. O que seria das religiões, por exemplo, sem o maniqueísmo? E da vida dos homens? Parafraseando o Miguel no seu apogeu criativo, bem distante da velocidade de cruzeiro minimalista que agora adoptou, também no futebol o bom pode não ser tão bom quanto isso e o mau idem. Tentando imitar o "mestre", diria que uma boa alma com ideias medíocres não pode ser tão apreciada como um sacana brilhante. No fundo, o que é o jogo da bola se não uma lição de sacanagem: não é o melhor aquele que engana o adversário; não é o craque o que humilha o adversário com a sua técnica?; não é o grande presidente o que ludibria os seus congéneres? Fosse o futebol um desporto linear, como as corridas de 100 ou 200 metros (e mesmo nessas é o que se sabe...), e não teria a popularidade que tem. Aliás, sobre o futebol irão as gerações futuras escrever muitas História, tal é a profundidade e a importância do fenómeno nos tempos correntes. Mas isso já não será connosco. Ao longo dos anos habituei-me a relativizar as coisas e a não cuspir facilmente para colar rótulos nas pessoas. Quem me conhece sabe que não sou um tipo comprometido mas sabe também que sou um tipo que gosta de alinhar. Por "alinhar" entenda-se o meu gosto pessoal. Não posso deixar de apreciar o valor e o percurso de algumas pessoas, mesmo quando estão em causa personagens que estão muito longe de ter um comportamento normal. Aliás, os extravagantes e excêntricos é que têm marcado a mudança no Mundo e sabe-se como os homens são por natureza avessos à mudança. No caso do nosso futebol, há três dirigentes, como se diz hoje, incontornáveis: Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pimenta Machado. Confesso que tenho pelos três uma enorme admiração e que me considero um privilegiado por ter vivido a história às vezes muito perto deles. Dos três, e porque sei que os leitores gostam destas coisas, recordo três momentos:

COM PC - No mar do Mussulo, em Luanda, e nas cataratas de Niágara, no Canadá. No primeiro momento quando o vi alguém chegar a nado, em estilo bruços, para chamar o pequeno grupo de jornalistas para o almoço. O João Cartaxana não queria acreditar mas era mesmo ele, PC, que depois do almoço lá montou na mota de água e foi dar umas voltinhas. Na fronteiras dos Estados Unidos com o Canadá, numa viagem relâmpago a Toronto, na companhia do meu amigo Paulo Santos, fiquei pasmado com a paciência do homem para posar junto a um candeeiro de forma a que o meu colega conseguisse tirar um boneco minimamente aceitável com a cascata de água ao fundo. Em ambas as ocasiões, tive o privilégio de desfrutar também da boa conversa de uma pessoa que gosta de estar com os outros e que não fala só de futebol. E confesso o meu espanto ao receber um dia um telefonema seu para saber como é que tinha corrida uma entrevista que dera à TVI, entrevista que por acaso não correra nada bem, tal como eu tinha previsto quando soube que o entrevistador ia ser o Henrique Garcia...

COM VL - Recordo a primeira entrevista que lhe fiz, ali ao Marquês, e acabei perguntando pela história das batatas. A minha carreira só por pouco não acabou ali. Obviamente, a sua reentrada na Liga, depois da suspensão, foi outro momento que pude partilhar com ele. Se bem que o mais espectacular foi um Parma-Boavista que vi ao lado dele e de Fernando Gomes, antigo presidente da Câmara do Porto, durante o qual o major fartou-se de dizer mal do "Aspirina" também conhecido por Asprilla, isto depois de ter descalçado os sapatos e de dar umas tantas palmadas no assarapantado presidente da CMP. Ah, claro, e não esqueço uma sardinhada na sua casa do Mindelo, com o plantel então comandado por Mário Wilson, interrompida quando um dos seus filhos apareceu e levou um estaladão. Mais tarde vim a perceber que era o João.

COM PM - De todos eles foi o presidente com quem mais empatia criei, sobretudo depois de abandonar o cargo. Nunca o vi a fazer o Cristo nas argolas, uma das suas especialidades no ginásio que fez no complexo que inventou, mas admiro a sua agilidade mental e o seu autismo. Se repararem bem, não há um só dirigente que seja capaz de dizer bem de Pimenta Machado, o que na minha óptica quer dizer que ele quando tratou com eles foi sempre um bom adversário. Confesso que o momento em que mais surpreendeu foi quando um dia me perguntou quem é que eu escolheria para treinador do Vitória. Devolvi a bola mas fiquei a imaginar a solidão de um homem que preenchia todas as cadeiras da sala de reuniões do Vitória, onde se sentavam colegialmente o António, o Alberto, o Coimbra, o Pimenta e o Machado. E, sim, é verdade: foi o único dirigente que me telefonava a dar notícias.

INTERVALO TÉCNICO (2)

Tem sido uma semana atribulada, o que explica um certo "silêncio rádio". Sempre vos posso dizer que participei num animado jantar de Natal animado com excelentes fados cantados pela Sandra e pela sua mãe. Uma noite comprida, agradável, de amizade pura, entre pessoas dos mais diversos quadrantes. Até deu para lavar um bocado de roupa suja, se bem que o destinatário, eu, não seja propriamente a razão de todas as queixas. Danos colaterais que aceito, porém. Não vou dizer com quem estive a jantar, digo apenas que estive entre amigos e isso é que é o mais importante. E vou dizer também que fui surpreendido pelo anúncio de uma candidatura que considero prematura. O sujeito da história saberá mais uma vez gerir a situação pois é exímio neste tipo de área...e não só. Para já, os animados convivas viram um primeiro cartão amarelo! Cada macaco no seu galho, diz o povo e se calhar tem razão. O tempo é o maior conselheiro e o grande mestre. Deixem-no, pois, correr e um dia tudo entrará nos eixos. Porque a competência mais tarde ou mais cedo prevalece sobre a conjuntura, apesar da doutrina vigente, que valoriza o economicismo, o poder construído e um trato robótico. O Mundo é feito de homens e estes, com ou sem desvios de percurso, irão perceber que acima dos interesses comerciais e individuais está sempre o tratamento humanístico. Já comecei a divagar, aceito. Mas pelo menos não falei do Natal...falei?! Ora bolas...

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Árbitros da A.F. do Porto fazem o Pleno



Nomeados pelo presidente da Comissão de Arbitragem da Liga para os jogos dos três grandes, os árbitros da Associação de Futebol do Porto, fizeram o pleno.
Nenhum dos seis Clubes podem queixar-se das suas arbitragens.



Cometeram alguns erros é claro que sim, mas sem qualquer influência nos resultados e as suas decisões mais complicadas foram eficientes, tendo assim no computo geral das três arbitragens, uma eficiência acima dos 97 %.



Paulo Costa gestor de empresas, Jorge de Sousa empresário, ambos internacionais e Artur Soares Dias gestor de Recursos Humanos, também este jovem árbitro, em breve honrará Portugal, com o emblema da FIFA na sua camisola.

Os três, deixaram sossegado quem os nomeou para estes três importantes jogos e deslocações dificeis das três equipas candidatas ao titulo de campeão nacional.
Ao mesmo tempo não deram razão a alguns dirigentes, futebolistas, jornalistas e comentadores que olharam de soslaio para estas nomeações.
Contrariaram também, até a tese de muitos adeptos (sim adeptos), pois o futebol em Portugal também se faz com os adeptos, de que estes árbitros pertencentes a esta zona geográfica do país não eram os mais indicados.
E provaram, que não é necessario ir ao Mercado de Inverno, um tema que abordarei na proxima jornada da Liga dos Campões.
No entanto, Paulo Costa já nada tem a provar, na sua longa carreira.
Jorge de Sousa é sem dúvida, o árbitro mais eficiente em Portugal, nas últimas três temporadas e Artur Soares Dias tem todas as condições para se tornar um árbitro de top europeu.
Ao longo destes últimos 17 anos, a AF Porto tem tido sempre 4 ou 5 árbitros de grande nível no Campeonato Nacional da 1ª Divisão – Liga Profissional, bem como uma boa dezena de árbitros assistentes, dos mais competentes do nosso país, alguns de classe top na FIFA.
A última geração, que terminará com a saída de Paulo Costa, ficará com outros árbitros bem preparados no seu lugar, provando o bom trabalho que tem sido feito na área da arbitragem no Porto e que em 2009 terá continuidade, com outros ou os mesmo ex-árbitros, que compõe a sua estrutura dentro da A.F.Porto.

Grande bigode!



Enquanto o Benfica subtraia meia dúzia de dentes da boca do Marítimo fui puxando pela memória para tentar encontrar um resultado equivalente dos encarnados fora de casa, nos últimos anos. Não fui capaz. O Maisfutebol lá deu uma ajuda: em 73/74 o Benfica espetou sete em casa do Olhanense, que na época não era treinado pelo Jorge Costa e, portanto, só conseguiu enfiar uma batata na baliza do Glorioso. Lembro-me perfeitamente do jogo: tinha dois anos, mais dentes que o Marítimo de ontem, a fralda cheia e estava exilado em França. Os progenitores usavam uma calças à boca de sino que balançavam ao sabor dos quatro golos marcados pelo Jordão (sim, esse, o leão, o pintor) e em campo quase todos os jogadores usavam bigode, menos o Jordão (sim, a fera do Sporting). Não me recordo do nome do árbitro, mas deve ter sido o Carlos Valente (o Calabote não foi de certeza, que era dos anos 50). Tudo isto para dizer que Quique escreveu história e que o Benfica, com Reyes, Suazo Aimar e Nuno Gomes em sintonia com a inspiração é capaz destas graças. O pior é quando anda com as A(n)tenas no ar. Mesmo assim, ao Benfica faz falta um tipo com bigode (o último foi o Valdir), que podia ser, por exemplo, o Binya, desde que o pintasse da cor do cabelo.

domingo, dezembro 07, 2008

8 DE DEZEMBRO


Amanhã é feriado. Tinha a vaga ideia de que se trata de um feriado religioso. De facto, é - é dia da Imaculada Conceição. Um feriado católico que, no meu modesto entendimento, devia apenas ser celebrado pelos próprios. Os outros...que passem à frente. Ou então que aproveitem o facto, celebrando outro acontecimento registado nessa data. Há muito por onde escolher. Eu, por exemplo, posso escolher o Dia do Cronista Desportivo, que se celebra a 8 de Dezembro no Brasil. Também há quem diga que nesse dia, no ano de 1863, foi criado o futebol modermo. John Lennon também foi assassinado a 8 de Dezembro, no ano de 1980, e terá provavelmente mais fãs no mundo que fanáticos tem a Imaculada Conceição, para além de ter vendido muitos mais discos. Para escolher ainda a data de aniversário de Florbela Espanca, em 1894, a de Jim Morrison, em 1971, a de Kim Basinger, em 1953, ou de José Castelo Branco, em 1960. Refira-se ainda que 8 de Dezembro é no Brasil também dia da família e do ciclista. E você, lembra-se do que estava a fazer no dia 8 de Dezembro de 1974? Tenho a vaga ideia que nesse dia não tive aulas...

sábado, dezembro 06, 2008

ALGUÉM FALOU EM LEIS DO JOGO?


Olhando para a chuva, tendo o mar como horizonte, aguardando que o jogo do Vitória de Setúbal -FC Porto tenha o seu início, sem grandes preocupações, pois vai ser arbitrado por Jorge de Sousa, empregado de escritório e empresário no ramo da comercialização de madeiras para móveis e afins, melhor árbitro da actualidade e das últimas três épocas em Portugal, lendo aqui o artigo do Eugénio Queirós, dos provincianos, aproveito para voltar a um assunto que já tinha publicado no Jornal de Noticias na coluna "Arbitragem ao Raio X".
No jogo no Dragão, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, um jogador vitoriano, com o jogo a decorrer, trocou de camisola, o que levou dois locutores radiofónicos a penalizarem gravemente a equipa de arbitragem por permitir tal situação.
Um leitor, questionou-me se o que os dois locutores da rádio disseram, sobre o árbitro Benquerença, estava correcto.
O equipamento usado pelos jogadores não pode ser perigoso para os próprios nem para os outros jogadores.
É constituído por camisola, calções, meias, calçado e caneleiras, que devem ser inteiramente tapadas pelas meias, devendo ter um grau de protecção apropriado.
O guarda-redes deve ter um equipamento de cores que o distinga dos outros jogadores e dos árbitros.
Nenhum jogador pode despir a camisola ou colocá-la por cima da cabeça quando estiver a celebrar um golo.
No entanto, é permitido trocar de camisola com o jogo a decorrer.
Isto porque a Lei prevê que o jogo não deve necessariamente ser interrompido, se o jogador tiver uma camisola rasgada.
Assim, o árbitro pode convidar o jogador a deixar o terreno na próxima interrupção do jogo, para rectificar qualquer peça do seu equipamento.
Se assim acontecer, o jogador só pode regressar, com autorização do árbitro, numa paragem do jogo e antes de autorizar, deve verificar se o equipamento está em ordem.
Olegário Benquerença e os seus árbitros assistentes não se intrometeram quando a troca de camisola se processou com o jogo a decorrer e correctamente não interrompeu o jogo para exibir cartão amarelo, como os locutores da rádio queriam.
Isto porque a lei diz claramente que o jogador não deve deixar o terreno do jogo na próxima interrupção, quando já tenha corrigido a situação (trocado de camisola) do seu equipamento.

RICARDO SOUSA APOSTA NO POKER



ver em

ANDRÉ e PAOLA

O nosso "correspondente no Brasil", André Ribeiro, exibe no seu maior troféu: a pequena Paola! Ambos devidamente "colorados".

DESPEDIDO POR SMS

O jogador Kostadinov do Santa Marta de Penaguião, que radica na Divisão de Honra da AF Vila Real, foi despedido pelo treinador no passado dia 27 de Novembro, através de SMS, noticia “A Voz de Trás-os-Montes”.Marco Pereira, de 26 anos, mais conhecido no futebol por “Kostadinov”, sub-capitão da turma penaguiota, explicou ao semanário que este acto foi uma “falta de respeito” e garantiu ao que não foi a única vítima desta situação. Também Rómulo, ex-Abambres, saiu pelo mesmo meio, no inicio da temporada.Por sua vez, Justino, treinador do clube em questão, desmente o atleta, refutando que as pessoas que o conhecem, sabem que nunca despediria, como primeiro recurso, um jogar por mensagem de telemóvel. Quanto ao Rómulo, o treinador explicou que o tentou contactar 6 vezes, e como não conseguiu, envio uma SMS.
Fonte:www.avozdetrasosmontes.com

Tirado de http://www.vilarealsport.com/

OS PROVINCIANOS SOMOS NÓS


Sete anos dá, e sobra, para tirar uma licenciatura e o respectivo mestrado. Por isso, acho que tenho o "curso superior alfacinha" ou não tenha o "je" vivido em S. Vicente de Fora e perto do largo do Intendente Pina Manique, com uma passagem também pela queirosiana Rua das Flores embora mais descaído para o Cais do Sodré. Conheço a fauna jornalística lisboeta e a do Porto, sobretudo no que ao desporto diz respeito. E só posso concluir isto: há provincianos em todos o lado. Isto partindo do princípio que o provincianismo é um desvio de personalidade, um recalcamento, uma dor psicótica... Seja. O que verifico, cada vez mais, é uma sanha contra determinados árbitros em nome de uma pureza desportiva que ninguém sabe definir. Aliás, a dificuldade começa na enunciação das Leis do Jogo, que poucos conhecem, mesmo que seja pela rama. E porquê? É simples: se procuraram em qualquer curso de jornalismo, estudam-se todas as leis menos as leis do jogo, embora muitos estudantes sejam depois absorvidos no mercado do chamado "jornalismo desportivo". É apenas mais um sinal da forma diletante como é encarado o fenómeno desportivo, partindo-se do princípio que toda a gente sabe de futebol e, como tal, este não precisa de ser ensinado e explicado. Mas devia. Felizmente, nos últimos anos, na área da análise técnica do futebol têm aparecido excelentes analistas (Tadeia, Lobo, Rosado, Manha...) mas não sei se o povo lhes presta a devida a atenção ou se se dedica exclusivamente a tentar perceber por que cores torcem os homens. Com os árbitros é o mesmo. O que interessa saber é se são do Porto ou de Lisboa, quantos penalties não marcaram no último jogo que apitaram do nosso clube, se algum dia foram apanhados numa escuta do Apito Dourado ou de que cor é o carro onde se transportam. Os respectivos percursos e as dificuldades que sentiram para atingir o topo...isso não interessa, nem a análise das respectivas capacidades técnicas e intelectuais. Conheço alguns dos nossos árbitros de top e aprendi a respeitá-los não apenas como oficiantes do futebol mas sobretudo intelectualmente. Sei que não há anjos e demónios, sei que no caminho que fizeram tiveram de fazer alguns cedências e de engolir alguns sapos, mas sei também que hoje são os últimos a querer errar. Temos todas as razões para confiar na maioria dos árbitros que temos e para perceber que se o nosso futebol não é melhor não é por causa da qualidade dos nossos apitadores mas sobretudo devido à incapacidade dos dirigentes para prever o futuro. De dirigentes que de trolhas passaram a senhores presidentes. Há muitos ainda por aí, infelizmente. Claro, temos ainda os jornalistas que se dizem impolutos e que urram e largam baba quando vêem jogos dos respectivos clubes. Tipos com uma capacidade crítica e uma isenção irrepreensíveis, arautos de uma verdade que todos sabemos ser uma grande mentira. Mas é o que temos. E se calhar mais não merecemos

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Quique Flores com Fair Paly



No intervalo do jogo do Sporting na Reboleira, arbitrado por Paulo Costa, gestor de empresas e um dos melhores árbitros de sempre da história da arbitragem da A.F.Porto, aproveito para falar da arbitragem de outro árbitro da A.F. Porto, Vasco Santos, jovem estudante, que cometeu alguns erros no Benfica – Setúbal.
Perto do intervalo, deveria ter exibido o cartão amarelo a Maxi Pereira, que deliberadamente rasteirou Leandro Lima e decidiu bem considerar um corte e não um atraso deliberado a Pedro Alves.
Na segunda parte, decidiu bem quando não assinalou grande penalidade, favorável ao Vitória de Setúbal, no entanto devia ter exibido cartão amarelo a Leandro Branco que sentindo a mão nas costas, deixou-se cair e aos 93 minutos de jogo, finalmente expulsou Sandro, pois uma vez mais, deliberadamente rasteirou um adversário.
Mas, o lance de grande discussão e com influência no resultado, aconteceu aos 79 minutos.
Vasco Santos, erradamente aplicou a Lei da Vantagem, pois Sandro violentamente pontapeou Reyes.
Deveria ter exibido o cartão vermelho directo e interrompido a jogada.
Mas, aplicou a lei da vantagem tendo dado sinal a Jorge Ribeiro para continuar a jogada.
Que grande confusão a seguir, voltou atrás, recomeçando o jogo com o pontapé livre directo, quando Suazo fez golo, anulado erradamente por Tomás Santos, pois nem Jorge Ribeiro nem Suazo estavam em posição de fora de jogo.
No final do jogo, o treinador do Benfica, compreendeu e passou a mensagem de que o jovem árbitro equivocou-se, fruto da sua juventude e inexperiência, compreendendo, que sem qualquer intenção de dolo, errou, como erram os futebolistas.

JJ NO SEU MELHOR

Numa entrevista que dá hoje ao DN, Jorge Jesus revela-se mais uma vez um treinador "special". Ali confessa que Ronaldinho lhe disse que para o seu irmão Assis o melhor treinador com quem trabalhou foi mesmo o JJ. O homem para quem "os melhores jogos da minha vida ainda estão para vir" diz também que o futebol "é uma ciência pessoal" e que cada treinador tem a sua. O objectivo, no Sp. Braga, é "juntar a técnica à arte" e é por isso que JJ reafirma que se sente uma espécie de "Paula Rego do futebol". No futebol quando se fala de Paulas nunca é bom sinal e de regos nem se fala mas todos sabemos que não foi aí que JJ quis chegar. Perguntado por Alexandra Tavares-Teles, que continua a dar cartas na área das entrevistas, sobre se foi contactado no defeso pelo Benfica, JJ manifestou respeito por Quique e não quis abordar o assunto mas todos ficamos a perceber que, sim senhor, foi sondado. A pergunta era: 'Tacticamente é o melhor treinador da Liga?' JJ respondeu: "A táctica é a valorização de todo o modelo de jogo, o treino é a ciência da cada um dos treinadores e os que pensam melhor jo jogo são melhores". JJ ainda reconhece que tem um feeling apurado para descobrir jogadores e só reconhece essa capacidade a outro treinador português: João Alves. E ainda se fica a saber que se Lucho fosse jogador de Jesus jogaria na posição 10...

DIÁRIO DE HEERENVEEN (2)

Despacho o serviço no Abe Lenstra Stadium, tentámos encontrar um sítio onde trincar alguma coisa, quando já passava da meia-noite local. Destino: Walvega. Não se via vivalma mas à porta da cofee shop local o neón dizia "open". Que não, ali os comestíveis eram outros, mas havia um kebah aberto. Confirmou-se. As horas avançavam e voltámos à rua. Eu, o Poças e o Manel Chaves. E foi aí que fui apresentado a uma tal "Viúva Branca". Experimentei-a e nada. A caminho do hotel, senti a estrada a alargar e quando saí do carro percebi pela primeira vez que o Mundo gira sobre o seu eixo. Não sei como cheguei ao quarto, só sei que estive a rir durante pelo menos uma hora. Mas a rir mesmo a sério. Depois, o Mundo voltou a desacelerar mas o meu cérebro, ou o que resta dele, continuava a trabalhar a 200 por cento, com todos os sentidos alertas. Só sei que acordei de manhã com a recordação de uma "moca" monumental graças a uma série de passas numa "Viúva Branca", a poderosa afrodite dos sentidos. A tal. E eis-me, assim, de volta à base ainda deslumbrado por finalmente ter visto A Luz. Obrigado, António!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

DIÁRIO DE HEERENVEEN

Volto à Holanda, desta vez para acompanhar o Sp. Braga, equipa que, julgo, rebuscando nas minhas já velhas memórias, um dia segui até à Letónia, a Liepaja, uma cidade metarlúrgica junto ao Mar do Norte, da qual regressamos com uma paragem simbólica em Lourdes (França). Não sei como está hoje a Letónia, e as letónias, o que sei é que a Holanda continua igual a si mesma. Aterrando em Schipol mais uma vez, reparo nas torres eólicas que estão implantadas em pleno mar, vá-se lá saber se para aproveitar a energia do vento, se usar esta para drenar ainda mais o Mar do Norte e conquistar mais um pedaço de “freeland”. Volante nas mãos, GPS a funcionar, entro serenamente na rede de auto-estradas na direcção a Heerenven, a cidade dos quatro “és”, diz-me a melílufla voz a 130 quilómetros de distância. Enquanto a luz diurna se fina, páro numa área de serviço e entro no restaurante com vistas para um grande lençol de água. Lareiras a funcionar, atendimento caloroso, já passou a hora normal do almoço mas servem-me um peito de frango com batatas fritas e muitos legumes. Bebo um sumo de laranja e completo com um café e fico por ali a apanhar os últimos raios de Sol, lamentando não ter percebido que havia 4 panelões de sopa à disposição. Reentro no fluído quase contínuo de trânsito e rumo ao destino. Chego ao Abe Lenstra, o estádio do Heerenveen, já noite e pergunto pelo treino do Braga. “Pela esquerda”, diz-me a menina loura. Lá vou, de mochila às costas, e quando reparo estou a entrar num ginásio. Percebi. Ela achou que eu perguntei onde é que podia treinar... Era do outro lado do grande complexo desportivo que tem anexos escritórios de advogadose outros. Espero uma hora pela chegada do Braga e, na confusão de tentar encontrar rede, deixo o computador deslizar pelo capot do Opel. Catrapum! Temos danos maiores mas a “coisa” funciona, apesar de uma rachadela na zona do ecrã. É no que dá quando queremos fazer várias coisas ao mesmo tempo: telefonar, ligar a internet e fumar o cigarrito da ordem. Já no quentinho da sala de Imprensa, reencontro o António Esteves Martins, sem eléctrico, sempre a correr a Europa, sempre simpático e com histórias para contar. Pena nunca haver muito tempo para a conversa. Fala Jesus do “Heverin”, fala Peixoto de como gosta de Jesus, segue-se o treino, 15 minutos apenas para ver. Primeira página enviada, o resto fica para o hotel pois o guarda do estádio quer ir para casa. GPS de novo a funcionar, hotel a 20 quilómetros. Lá está ele. Com a breca! A estrada só tem uma faixa, por causa de obras, e não consigo entrar para o hotel. O meu holandês continua bastante deficiente e dou voltas e mais voltas sempre com o hotel à vista. Desisto e acabo a arrumar uns mecos e uns sinais, passando pelo buraco da agulha até ao estacionamento. O hotel é um aparthotel, reparo no dia seguinte que é uma espécie de clínica para velhinhos. Tomo o pequeno almoço no meio de andarilhos. Volto ao quarto, tomo um banho quente, fumo mais um cigarro na varanda (rapidamente pois o termómetro aperta) e eis-me aqui de novo com o meu velho portátil que leva da Holanda uma recordação, pronto para seguir até ao centro de Walvega, onde detectei já a presença de um café de cheiros e um restaurante italiano, onde ontem tentei jantar mas não consegui, acabando a fornecer-me numa estação de serviço onde o funcionário estava protegido por uma câmara de vidro à prova de bala. Que é o que o Sp. Braga provavelmente precisará para se proteger do previsível ímpeto do Heerenveen, daqui a nada.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Sporting Prejudicado



Enquanto não aparece por aqui o vídeo, do lance em que os adeptos do Sporting, reclamam expulsão sobre Derlei, Paulo Bento na última jornada com o Vitória (Guimarães), ganhou mas foi prejudicado.
Ficou ainda uma pergunta, nos dias seguintes ao jogo de Alvalade, que é a máxima na análise ao jogo em Portugal; quem ganhar, deve-se calar?

Duarte Gomes, árbitro de Lisboa e bancário de profissão, arbitrou o jogo de Alvalade, cometendo alguns erros e vai agora arbitrar o Freamunde - Olhanense.

Logo após o primeiro minuto, erro grave de Duarte Gomes, ao não assinalar grande penalidade e exibir cartão amarelo a João Alves que derrubou deliberadamente Izmailov e cinco minutos depois, exibiu o cartão amarelo - alaranjado - na fronteira do vermelho a Mohma, que apenas quis atingir Moutinho.
Aos 17 minutos de jogo, no lado esquerdo do ataque do Sporting, Liedson foi empurrado e erradamente Duarte Gomes, considera uma carga de ombro que atirou o avançado sportinguista para fora do terreno do jogo.
Mais tarde, aos 29 minutos, não exibiu o cartão amarelo a Izmailov, que deliberadamente rasteirou Nuno Assis
Na segunda parte, decidiu bem Duarte Gomes, apenas assinalar pontapé livre directo, no lance em que Pereirinha derrubou Nuno Assis, sendo os protestos Vitorianos injustificados, mas dois minutos mais tarde, justificaram-se os protestos, pois Liedson utilizou o braço para desviar o adversário e não foi assinalado o respectivo pontapé livre.
Aos 66 minutos de Jogo, mais um cartão amarelo ficou por exibir, a Wénio, que deliberadamente rasteirou Ronny
Um ataque comprometedor do Sporting, foi cortado aos 78 minutos de Jogo, quando Duarte Gomes, após falta de Nuno Assis, não aplicou a Lei da Vantagem a Liedson.
Em dois lances de golos de Postiga, houve protestos de ambos os lados.
O golo de Postiga que valeu, foi legal e bem analisado por Pedro Garcia, pois o avançado arrancou de trás, da linha dos defensores.
Já nos últimos 20 minutos de jogo, Duarte Gomes errou (com a ajuda do seu árbitro assistente, José Lima) ao não validarem o golo a Postiga, pois a bola ultrapassou totalmente a linha de baliza.

terça-feira, dezembro 02, 2008

CAJUDA DE SAÍDA? JÁ?!

"
Poderá estar por horas a saída de Manuel Cajuda do comando técnico do Vitória. Segundo uma informações passadas de dentro para fora, a reunião que durante a tarde de hoje sentou à mesa Manuel Almeida e Vasco Santos, teve como principal ponto a discussão sobre quem será o futuro treinador do Vitória.
O ainda treinador do Vitória, Manuel Cajuda foi chamada também ele ao complexo do Vitória para lhe ser comunicada a sua dispensa. Pouco faltava para as 19h quando o técnico abandonou o complexo cabisbaixo.
Segundo se sabe o nome mais forte para substituir Manuel Cajuda no comando técnico do Vitória é por agora o bracarense Carlos Carvalhal.
Carlos Carvalhal é um treinador livre de momento, depois de uma curta passagem pela Grécia. Em Portugal Carvalhal já passou por equipas como: Sp. Espinho, Desp. Aves, Leixões, Belenenses, Setúbal, Braga e Beira Mar.
Esta é uma noticia que ainda carece de confirmação mas ao que apuramos durante o dia de amanhã tudo deverá ficar resolvido. O treino de amanhã deverá já ser orientado por Basilio e Neno.
Apesar de tudo não me parece que esta seja a solução certa para o futuro do Vitória. O tempo o dirá...

O QUE É QUE QUEREM DE UM TIPO CHAMADO QUIM?

Quim...bolas! O guarda-redes do Benfica e da selecção continua a encher o saco. Responsável máximo pelos dois golos sofridos pelo Benfica ontem, chegou a hora de ir descansar um bocadinho. Quim nunca foi um grande guarda-redes mas beneficiou sempre de certas conjunturas. Estava sempre a jeito quando alguém falhava e era certinho. Nem bom, nem mau. Está visto, porém, que não chega. Bem, chegar até aqui até chegou o homem. Esse mérito não me atrevo a tirá-lo.

A NAÇÃO MENOR

Imaginem que este rapaz era eleito o melhor jogador do mundo pela revista Caras. Pelo gratuito Metro. Ou pela Corneta do Marão. Não se passaria nada. Mas o chatérrimo France Football decidiu escolhê-lo e, bum, parece que o mundo foi reinventado. Toda a gente fala do...feito. O secretário do Estado, aque até disse que o rapaz que passa o Verão a comer gajas "é um bom exemplo" (aí, concordo). O presidente da Liga. O homem que serve copos no bar do Andorinhas. Não sei nem quero saber se Ronaldo é o melhor do mundo. Cá para mim, ainda tem de comer muita boroa para chegar aos calcanhar de Pelé, Maradona, Cruiyft ou Eusébio.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

O Saber Só Interessa Como Meio de Servir

(quadro do pintor matosinhense Miguel Cardoso)

Decorreu hoje de manhã, uma simbólica romagem ao cemitério de Leça da Palmeira, em Homenagem ao 22º aniversário do falecimento do árbitro Internacional Matosinhense Francisco Guerra
Presidiu a esta cerimónia, o presidente do Núcleo Paulo Paraty e contou com a presença de árbitros de todas as categorias, ex-árbitros e o sócio número um do Núcleo de Árbitros de Futebol Francisco Guerra, João Mesquita.
O mestre Francisco Guerra, natural de Leça da Palmeira – Matosinhos, faleceu a 1 de Dezembro de 1986 e marcou várias gerações de árbitros portugueses.
Percorreu todos os caminhos ao serviço da arbitragem, tendo sido melhor árbitro do ano (2 vezes) arbitrou a Final da Taça de Portugal (2 vezes), foi instrutor FPF e da F.I.F.A, observador da UEFA, árbitro de mérito e obteve a Medalha de Bons Serviços Desportivos atribuída pelo Ministério da Educação e Cultura.
A Câmara Municipal de Matosinhos concedeu a medalha de Mérito Dourada a titulo póstumo, mas numa altura em que existem movimentações, junto das autarquias do Porto e Gaia para instalação da nova sede, seria também óptimo, que o executivo da autarquia matosinhense, pensasse na hipótese de cedência de instalações para que o nome da arbitragem matosinhense se perpetuasse na terra que o viu nascer.
A formação da arbitragem, tem que estar ao mesmo nível da formação dos clubes.
O apoio da autarquia, como utilidade pública, poderá ser pioneira no interesse de jovens que não conseguem seguir a sua carrreira futebolistica após os escalões de juniores, entrando assim na formação das Leis do Jogo, contribuindo para a ocupação dos seus tempos livres.
Seria um justo reconhecimento do poder executivo de Matosinhos ao insigne e Saudoso Francisco Guerra, justificando o trabalho longo, árduo e perseverante exigido e para que todos pudessem dizer o que o Mestre sempre disse: O Saber Só Interessa Como Meio de Servir.

Mudanças na A.F. Porto



Ao Dr. José Lourenço Pinto, ninguém coloca em causa o seu enorme valor como jurista.
Todos aqueles que foram árbitros, no seu mandato como presidente da arbitragem nacional, também têm a noção, de que estamos perante alguém que se interessou pelo sector, estudou, integrou, conheceu e visitou outras realidades a nível internacional e nacional.
A sua dificuldade na presidência do Conselho Nacional de Arbitragem, foi idêntica à do Dr. Fernando Gomes e do Dr. Luís Filipe Meneses, quando os seus partidos políticos quiseram colocar alguém do Norte na politica nacional.
Agora, como presidente da Associação de Futebol do Porto, a maior do país, despachou mudanças que o sector necessitava.
Aproveitando o jantar do aniversário do Núcleo de Árbitros Francisco Guerra – Porto, anunciou as novas medidas, dentro de portas e para todos os interessados, seguidas duma prolongada aclamação de palmas.
Assim, a partir da passada sexta feira, as nomeações dos árbitros e observadores do Campeonato Distrital serão publicadas, nos jornais e no sítio da AFP. (http://www.afporto.com) podem consultar.
Termina para os árbitros, a angústia dominical da espera, um pouco antes da hora do jogo, para saber que jogo arbitram, tendo agora mais tempo para preparem o seu jogo e a sua deslocação. Não só, todos os árbitros saberão com antecedência os jogos que vão arbitrar, como termina o enorme poder, que alguns pelo intermédio exerciam. A segunda grande medida anunciada, é que a partir de agora, os árbitros distritais passam a poder ter na sua posse, dias depois, o relatório técnico do seu jogo, sendo dois grandes passos na credibilidade da arbitragem portuense. Disponibilizou-se ainda, para junto com a direcção do Núcleo, solicitar à autarquia do Porto e/ou de Gaia para conseguir uma nova sede, pois o preço actual do espaço cria dificuldades de tesouraria.
Mais medidas virão, que serão comunicadas aos interessados, porque as instituições e o associativismo são a única forma de sobrevivência e de eternidade.
Não somos nós.

OS PENÁLTIS DE PAIXÃO

Leirós, vi as imagens do jogo da Póvoa. Foi um desastre! Nenhum dos penáltis é...penálti. Bruno Paixão kaput! A questão agora é: o que fazer com este árbitro internacional?

domingo, novembro 30, 2008

Bruno Paixão assinalou três grandes penalidades



Aproveitando o intervalo no Estádio de Alvalade, onde Bruno Paixão não assinalou algumas grandes penalidades, no último jogo que arbitrou, hoje no regresso à competição, no jogo da Povoa de Varzim, assinalou 3 grandes penalidades.
Só que, no que diz respeito a assinalar as grandes penalidades, hoje evoluiu, pois assinalou três.
No que concerne à opinião dos dois treinadores, ficou tudo na mesma, pois a exemplo do último jogo, também hoje nem Rui Dias do Varzim, nem Vítor Pereira do Santa Clara gostaram.
“Admiro os árbitros competentes, mas têm de provar a sua competência todos os domingos. Não vi razões para serem marcados três penáltis no jogo e há um problema, se cada toque que se dá no adversário é penálti ou falta.
O protagonismo tem de ser dos jogadores e não faço a mínima ideia porque fui expulso a 5 minutos do fim, pois sou uma pessoa educada e incapaz de faltar ao respeito a alguém” (Vítor Pereira - Santa Clara)
“Foi um jogo extremamente difícil e Bruno Paixão não deu o que pode dar, pois vinha de uma situação de suspensão de 2 jogos” (Rui Dias – Varzim)
Agora, compete ao outro Vítor Pereira (presidente dos árbitros), verificar as imagens do jogo (se houver), o relatório do Observador, a necessária correcção do relatório do Observador e decidir na próxima 3ª feira se o vai nomear ou não para a próxima jornada.

Nota: Hoje, aqui em Alvalade, no segundo minuto, um lance na área de grande penalidade do Vitória, tendo Duarte Gomes deixado prosseguir o jogo.
Foi correctamente ou não a sua decisão?
Estas e outras dúvidas, como habitualmente, poderão ler na edição de amanhã no Jornal de Noticias.

sábado, novembro 29, 2008

NÃO DIGAM QUE NÃO SE PASSA NADA



Vou escrever sobre nada.

Por exemplo, sobre o Benfica que jogou em Atenas.

Ou sobre o Sporting que levou baile do Barcelona.O Estrela da Amadora e o Boavista também podiam ser tema.

Ou a capacidade retórica de Gilberto Madaíl.

A inteligência táctica de Carlos Queiroz é outra possibilidade.

A intuição e a preparação de alguns comentadores e relatadores televisivos outra.

Também podia falar sobre a política de comunicação dos grandes clubes.

Sobre a sintaxe de Luís Filipe Vieira.

A lógica de Soares Franco.

A urbanidade de Pinto da Costa.

A clareza de Octávio Machado.


Mas será que o simples facto de se escrever sobre nada já faz com que se esteja a dizer qualquer coisa?Eureka! É esse mesmo o segredo do nosso futebolzinho: não urge qualquer substância, basta passar a imagem da mesma.Sei que isto soa a filosofia fácil e barata conectada com a velha alegoria da caverna mas acreditem que foi por mero acaso que se faz esta referência a um filósofo grego (Platão).Como pergunta a minha filha, de 8 anos, "se o Universo começou do nada quem foi que fez esse nada?" Costuma responder assim: "Filha, o Universo foi comprado feito no Ikea mas sem livro de instruções". Acho que isto se nota sobretudo no microcosmos do nosso futebol.Onde todos os dias abrimos um jornal e parece que tudo aconteceu.

Vai-se a ver e...nada.

Onde os dirigentes passam a imagem de grande seriedade e voluntarismo social.

Vai-se a ver e...nada.

Onde os jogadores dão beijinhos no emblema da camisola e juram morrer pelo clube.

Vai-se a ver...e vê-se o respectivo empresário a reclamar um aumento salarial sempre que o craque marca um golo.


Talvez um dos únicos momentos em que não se fala de nada.Para quem queria falar sobre nada parece que já consegui dizer alguma coisa. Confesso que não estou nos meus dias. Cheguei a casa às duas manhã depois de terminar o serviço uma hora antes a tremer de frio num estádio construído no meio de uma pedreira, onde não tive, durante quatro horas, possibilidade de tomar uma bebida quente ou sequer de me abrigar por momentos num espaço aquecido. Quando cheguei ao carro este estava coberto por uma película de gelo. Suspeito que eu também.Contei isto tudo a um amigo e sabem o que é que ele me disse?Pois.Isto mesmo:- Não se passa nada.Bem, pelos vistos passa-se qualquer coisa. A paciência de quem conseguiu chegar aqui, por exemplo, com a promessa de que nada lhe seria oferecido, com o mesmo estoicismo de um adepto que avança para um estádio fustigado pela chuva sabendo que terá de pagar 20 euros por um bilhete que lhe dará o direito a ver um jogo de futebol e a apanhar uma pneumonia ao mesmo tempo.Há coisas piores, é verdade.

Imaginem-se amarrados a uma cadeira a ver "O Dia Seguinte" ou o "Trio de Ataque".

quinta-feira, novembro 27, 2008

Negligência e Imprudência

Caro Leitor Muito Atento,
A arbitragem e as Leis são interessantes, porque motiva o estudo, a discussão das decisões e da aplicação das Leis do Jogo.
A participação e discussão no fenómeno futebol, não deve somente centralizar-se nas tácticas, nas transferências e resultados dos jogos.
Discutir a arbitragem e as Leis do Jogo é salutar, porque, se os legisladores abrirem o debate, poderão levar a algumas reformas das 17 Leis do Jogo.
É sempre bom recordar, que nas reuniões anuais da F.I.F.A., concretizam-se umas e adiam-se outras decisões de alterações às Leis.
Um jogo pode ser marcado por muitas atitudes irregulares.
Se os jogadores, não evitarem estas situações, não permitidas pelas Leis do Jogo, proporcionam ao árbitro aquilo que ele não quer; muita intervenção e pouco espectáculo futebolístico.
Para adequar o texto em consonância com as Leis do Jogo, a Lei 12 prevê a existência de faltas cometidas por negligência e imprudência e nesta Lei, em termos disciplinares, incorpora o cartão amarelo e o cartão vermelho.
A negligência produz acontecimentos de culpa e de prejuízo em alguém, é o termo que designa falta de cuidado numa determinada situação do jogo.
É frequentemente utilizada, como sinónimo dos termos descuido, incúria e desleixo.
Imprudência é um comportamento de precipitação, de falta de cuidado.
Consiste na violação das regras de conduta nas leis do jogo.
É o jogar sem precaução, precipitado, imponderado.
Uma característica fundamental da imprudência é que nela, a culpa se desenvolve paralelamente à acção.
Porque considerei, em linguagem "corrente" no lance de Derlei, a brutalidade e a força excessiva ao mesmo nível de negligência e imprudência?
Porque na ultima expulsão de Derlei na Figueira da Foz, considerar um comportamento violento é excessivo.
Ao mesmo tempo, embora mais perto da realidade, incorporar na brutalidade, também não será o mais fiel aos olhos de quem viu o jogo e as imagens, pois o conceito de brutalidade é mais lato.
Derlei abordou o lançe de uma forma negligente e ao fazê-lo, utilizou uma força excessiva para com o adversário, daí a expulsão.
O Jogador abordou o lance de uma forma imprudente e ao fazê-lo utilizou uma força excessiva para com o adversário daí a expulsão.
Vai dar ao mesmo, mas é certamente mais justo e adequado.
O legislador (IB), teve a preocupação em adequar o texto, em consonância com as Leis do Jogo, pois previu com naturalidade a existência de faltas cometidas por negligência e imprudência.
Será que, em outra qualquer actividade profissional, a negligência e a imprudência tem da parte de quem julga apenas uma sanção leve?
Claro que não.
Tal como no futebol, há espaço para as duas acções disciplinares.
A análise terá sempre em consideração como foi imprudente, como foi negligente e como utilizou a força excessiva.

quarta-feira, novembro 26, 2008

DE UM LEITOR MUITO ATENTO


Volto a deixar aqui a minha opinião..de acordo com a resposta dada pelo Sr.José Leirós que tenho em consideração pela sua carreira importante no seio da arbitragem!Apenas gostaria de fazer um reparo á resposta que meu deu:Brutalidade não está bem ao mesmo nível de negligência e imprudência, senão vejamos:Negligência - Punida com FaltaImprudencia - Punida com Falta e Advertencia!Força Excessiva ou Brutalidade - Punida com falta e cartão vermelho!Apenas este reparo!Nada de muito importante!Quando ao lançe do Marinho, volto a exprimir a minha opinião que pelo lançe que foi a EXPULSAO seria a forma mais correcta de o punir!Penso que no global e vendo o jogo no seu todo este lançe foi o lançe fulcral da partida, e porque?Porque a ter sido expulso (Marinho) a reacção de Derlei nunca teria sido a que demonstrou, numa clara intenção de tirar de esforço, de um seu adversário!Louvo a atitude de Soares Dias..não compensou um erro com outro erro, mas acabou contudo por perder o controlo da partida, e inadvertidamente enervar os jogadores do Sporting!Quanto a outro lançe muito discutido nestes comentários..a minha opinião acerca do lançe do Rui Patricio é simples!o árbitro agiu em conformidade com as leis, é pena que nem todos procedam desta forma, pois a lei está do lado do arbitro portuense nesta ocasião!Contudo uma uniformização de critérios neste género de lançes seria importante!Por outro lado pareçe-me que a cruzada do Sporting contra os árbitros não é mais que uma tentativa de encobrir os problemas que agitam o balneário (Vukcevic..Stoijkovic..) levando o foco das atenções para outros intervenientes..neste caso o elo mais fraco!os arbitros!Pelo que tenho visto, apesar de ter algumas queixas, o Sporting não tem sido tão prejudicado quanto os seus responsáveis pretendem fazer pareçer!PS: Quanto ao lançe do Polga dentro da área, deixo apenas uma questão, é um lançe de dificil análise..mas..pergunto eu..e se o dito lançe fosse a meio-campo?Seria falta?às vezes é bom perceber que o arbitro mereçe o beneficio da dúvida..e pela forma que Soares Dias utilizou para arbitrar o encontro, dando um critério largo, por vezes demasiado largo, compreende-se a não marcação da dita falta!

1.000.000

Num ano e meio desde que foi reformulado, BnA atingiu este número de páginas vistas. Um milhão! Façam as contas...é muita fruta. O que só nos entala ainda mais, "obrigando-nos" a manter esta loja aberta a todo o tipo de freguesia, num registo democrático raro neste país e no mundo. Obrigado por continuarem a vir cá. Aos amigos e aos inimigos. Sobretudo aos segundos.

Resposta aos Leitores

Aproveito, agora o intervalo do jogo aqui no Estádio Alvalade, para responder e lançar um desafio aos leitores do Bna.

Anónimo disse... 26 de Novembro de 2008 12:19
Concordo..apenas dois reparos:
Derlei expulso não por negligência ou imprudência, mas sim por brutalidade ou emprego de força excessiva na disputa da bola.
Minutos antes, expulsão por assinalar do jogador da Naval.."
Anónimo disse... 26 de Novembro de 2008 11:46
Caro José Leirós:
Admiro as suas análises e normalmente concordo com elas.
Porém, desta vez, e relativamente ao jogo Naval-Sporting, estranho que nem o José Leirós nem nenhum árbitro que normalmente faz os comentários às decisões de arbitragem, se tenha referido a um lance que prejudicou ostensivamente o Sporting, clube de que sou adepto e sócio.Estou a referir-me ao lance em que Carlitos como não me parece que o lance que motiva a expulsão do Derlei seja uma agressão. Foi grave, mas não agressão, foi uma entrada fora de tempo, totalmente despropositada e bem punida com cartão vermelho. Mas, parece que em relação ao lance do Carlitos, ninguém quer falar".

Resposta

Relativamente ao primeiro leitor concordo plenamente, a brutalidade e a força excessiva, também tem suporte legal nas leis do jogo, para o árbitro considerar no lance do Derlei e expulsar, mas está ao mesmo nível que a negligência ou imprudência.Relativamente ao segundo leitor tem toda a razão quando diz que não foi um agressão, mas é grave a forma como jogou Derlei e esta atitude incorpora-se no meu esclarecimento ao leitor anterior. Derlei nao foi expulso por agressão.
Quanto ao lance de Carlitos sobre Derlei, que estes dois leitores citam e todos os leitores se referem, no jogo não vi esse lance e não vi ainda nenhuma imagem.
Deixo aqui o desafio, que enviem um video desse lance para o mail deste blogue, para que seja publicado e todos possam analisar essa imagem e em seguida direi aquilo que penso.

Por favor, não pisem os malmequeres!

  Ia escrever qualquer coisa sobre isto mas o João Freitas - um dos melhores jornalistas que conhece - tirou-me todas as palavras da boca. ...