domingo, março 30, 2008

MÍNIMOS OLÍMPICOS


Volvidas 23 jornadas, o Bwin Liga prepara-se para dobrar a casa dos 2 milhões de espectadores. Pode parecer muito mas não é. O número de espectadores nos estádio, prova-se neste mapa da Liga de Clubes, continua abaixo de cão, com honrosas excepções. Como são os casos de FC Porto, com uma taxa de ocupação do seu estádio acima dos 70%, e do Vitória de Guimarães, a pouco mais de 100 mil espectadores do...Sporting. Há 14 clubes, entre os quais o Nacional da Madeira, que não atingiram sequer a fasquia dos 20 mil espectadores. Confrangedor, não é?


Espectadores por clube
Quadro geral (todos os clubes)
Clube Espectadores na última jornada Nº jogos em casa Média por jogo % média de ocupação
Acumulado da época

Benfica 29.496 12 36.619 56,34% 439.433
FC Porto 31.109 12 36.410 71,47% 436.925
Sporting 22.130 14 24.646 50,51% 345.057
V.Guimarães 27.320 12 17.543 58,48% 210.523
Braga 20.103 11 15.215 50,24% 167.369
V.Setúbal 28.000 16 5.211 24,35% 83.390
Académica 4.312 12 6.801 22,61% 81.613
Marítimo 8.440 12 5.809 65,12% 69.715
Leixões 6.561 13 4.670 40,22% 60.712
Boavista 4.108 12 4.899 16,33% 58.789
Vizela 2.880 12 2.174 33,12% 26.093
Leiria 1.895 12 2.149 9,01% 25.789
Belenenses 1.121 12 2.045 10,24% 24.544
Naval 2.679 11 2.198 24,12% 24.186
Trofense 2.200 14 1.643 51,94% 23.007
P. Ferreira 1.693 12 1.833 35,44% 21.997
Beira-Mar 3.005 16 1.263 6,13% 20.216
Varzim 918 13 1.549 22,14% 20.149
Nacional 965 11 1.781 35,62% 19.592
G. Vicente 3.836 12 1.630 12,21% 19.564
Sta. Clara 488 12 1.603 19.236
Portimonense 1.874 15 1.236 12,95% 18.540
E. Amadora 978 13 1.355 14,94% 17.620
Rio Ave 2.165 11 1.523 14,29% 16.757
Fátima 276 15 963 61,24% 14.459
Freamunde 708 13 1.076 27,46% 13.992
Olhanense 900 13 899 15,36% 11.697
Gondomar 1.151 12 945 38,57% 11.341
Penafiel 722 16 652 10,04% 10.438
Aves 608 11 848 10,60% 9.331
Feirense 935 11 675 18,42% 7.431
Estoril 462 14 431 8,67% 6.040

ADIVINHA

QUEM É O PRESIDENTE QUE REAGIU ASSIM À PERGUNTA DE UM JORNALISTA SOBRE O NOME DO TREINADOR NA PRÓXIMA ÉPOCA:

- José Mourinho, José Mourinho!!!!!!
(com sotaque londrino)

Dá-se uma ajuda: sucedeu a um presidente ontem apanhado com excesso de álcool numa operação stop.

sábado, março 29, 2008

JÁ NAS BANCAS

Sete craques e um treinador special na capa. Só falta mesmo uma gaja.

O MELHOR GUARDA-REDES DA EUROPA (AQUI)

« um contributo de Pedro Coelho

JOGO DE PÉS

« UM CONTRIBUTO DE ANTÓNIO DUARTE (UNHAIS DA SERRA)

MUITO BOM

« um contributo de Jorge Reis

INFELICIDADES

A de Jesualdo Ferreira a comentar o Apito Dourado.
E a de Manuel Cajuda na sua tese da cabala.

O mundo pode estar perigoso e conspirativo mas não convém exagerar. E o burro sou eu?

(o cliente tem sempre razão)

O APITO DA SEMANA

Chegam os peritos

O julgamento do processo originário do Apito Dourado é retomado hoje no tribunal de Gondomar. O dia será dedicado a Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga e um dos peritos de arbitragem que analisaram não só os jogos do Gondomar SC na época de 2003/2004.Com Coroado e o também antigo árbitro internacional Adelino Antunes, este trio analisou também jogos da Liga principal mas não é isso que aqui estará em causa. Tivemos acesso a alguns dos relatórios finais das peritagens dos três antigos conceituados árbitros e não se pode dizer que estes sejam expressivos quanto a indícios que ajudem a consolidar a tese do Ministério Público sobretudo no sentido de condenar os árbitros envolvidos por corrupção passiva.Há que fazer prova não apenas das ofertas (ouro e lampreias) mas também é preciso encontrar um nexo de causalidade destas com erros premeditados.Dúvidas“Quando a imagem capta o lance, já o jogador se encontra isolado”, “a imagem não esclarece se o infractor foi ou não advertido”, “as imagens não são esclarecedoras”, “cassete de muito má qualidade filmada por detrás da baliza não conseguindo ter imagem fixa”, “não se conseguem identificar as equipas”, “imagem captada de muito longe”, “decisão discutível”, “presumível penálti” são apenas alguns exemplos dos problemas técnicos que também os peritos sentiram no visionamento das cassetes apreendidas com jogos do Gondomar.Danos colateraisA defesa vai certamente aproveitar esta enorme brecha na muralha da acusação e na ordem do dia estará também a subjectividade inerente ao desporto que é o futebol e à actividade específica do árbitro de futebol.

Olha o Leirós!


O julgamento do processo originário do Apito Dourado foi hoje retomado em Gondomar. Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, está a ser ouvido na qualidade de perito de arbitragem que analisou as imagens de alguns jogos do Gondomar. Surpresa no tribunal de Gondomar foi a presença do antigo árbitro José Leirós, que se sentou na bancada dos advogados na qualidade de conselheiro técnico da advogada de José Luís Oliveira, um dos arguidos.Vítor Pereira elaborou, com os também antigos árbitros Jorge Coroado e Adelino Antunes (que também serão chamados a depor em Gondomar), relatórios de peritagem de alguns jogos do Gondomar SC na época de 2003/2004, que culminou com a subida de divisão desta equipa.A audição de Vítor Pereira promete ser longa pois serão analisados diversos lances e as imagens disponíveis são de fraca qualidade. Até agora, foi apenas analisado um lance relativo ao jogo Vizela-Gondomar, arbitrado por Licínio Santos, um dos árbitros arguidos. Vítor Pereira considerou que este árbitro aplicou a lei da vantagem num lance disputado aos 9 minutos, deixando por mostrar um cartão amarelo a um jogador do Gondomar que teve uma entrada por detrás a um adversário. Segundo Pereira, impunha-se que naquela fase do jogo o árbitro não aplicasse a lei da vantagem, parando o jogo e mostrando o cartão amarelo ao infractor. "Não ajuízo intenções, ajuízo factos", já fez questão de precisar o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga e instrutor da FIFA.
Vítor Pereira acabou de ser ouvido, na qualidade de perito, no Tribunal de Gondomar. O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga analisou, com Jorge Coroado e Adelino Antunes, também antigos árbitros, 63 jogos, entre os quais mais de 20 do Gondomar SC, o clube na berlinda no processo originário.No final da sessão, Vítor Pereira salientou que a qualidades das gravações dos jogos do Gondomar tornaram muito difícil o trabalho de análise dos três peritos. "Com estas imagens seria incapaz de avaliar o trabalho de um árbitro", referiu, depois de na sala de audiências ter emendado a mão várias vezes, emitindo opiniões contrárias ao que foi estampado nos relatórios de peritagem assinados pelos três peritos.Na mesma sala de audiências - onde se seguirão, na próxima semana, os testemunhos de Adelino Antunes e Jorge Coroado -, Vítor Pereira fez sorrir os réus presentes quando na análise ao jogo Pedras Rubras-Gondomar até considerou que ficou uma grande penalidade por marcar para a equipa gondomarense. O árbitro visado, Pedro Sanhudo, também presente, não conseguiu deixar de sorrir a propósito deste comentário ao seu trabalho num jogo que o Gondomar venceu perto do fim, através de uma grande penalidade que as imagens não esclarecem e que mereceu de Vítor Pereira este comentário: "Não se pode dizer que não há penálti".Ao presidente da CA da Liga foi também perguntando se no seu tempo de árbitro recebeu prendas, tendo Vítor Pereira confessado que recebeu medalhas, galhardetes, pins, relógios, símbolos de clube e até aguardente típica de uma região que não precisou. "Nos jogos da UEFA era normal receber camisolas (gravatas nas ilhas britânicas)", referiu, depois de recordar uma circular da UEFA, anterior a 2002, ano em que abandonou a actividade de árbitro, que determinava que os árbitros não podiam receber prendas de valor superior a 200 francos suíços (120 euros ao câmbio actual).

Fitas e tackles

Com um vídeogravador "emprestado" pelo Ministério Público, prosseguiu hoje à tarde o julgamento do processo originário do Apito Dourado. O juiz António Carneiro da Silva está a tentar melhorar ainda mais as condições de visionamento mas as imagens continuaram a correr numa televisão com um ecrã demasiado pequeno para a dimensão da sala de audiências. Hoje só foi possível visionar imagens de dois jogos - Vizela-Gondomar e Trofense-Gondomar - e Vítor Pereira terá de voltar amanhã a Gondomar para continuar a explicar a peritagem que fez aos jogos na companhia de Jorge Coroado e Adelino Antunes. Esta fase dos peritos promete arrastar-se pelo menos durante a próxima semana...Vítor Pereira aproveitou para esclarecer "um equívoco que anda por aí" a propósito dos "tackles". Segundo o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga, "o facto de um jogador jogar na bola e depois no adversário não quer dizer que não tenha sido cometida qualquer infracção". Isto a propósito de um lance relativo ao jogo Vizela-Gondomar, arbitrado por Licínio Santos, arguido que não esteve presente na sala de audiências. Ao contrário do árbitro Valente Mendes, figura em foco na análise ao jogo Trofense-Gondomar. Após a análise de casos poucos significativos, Vítor Pereira acabou por contrariar a períca feita pela Polícia Judiciária e que resultou de uma acção no terreno. Segundo o antigo árbitro internacional, Valente Mendes decidiu bem, aos 9', ao não validar um golo à equipa da casa. Nas imagens percebe-se que o avançado do Trofense empurra um defesa do Gondomar antes de fazer o golo. Aliás, Vítor Pereira considerou a arbitragem do lisboeta Valente Mendes "boa" no jogo que analisou."Estas peritagens estão a demonstrar que a base em que assenta a análise destes jogos não está correcta e os peritos estão a confirmar isso mesmo. Verifica-se que o juízo de valor pressuposto pela acusação no sentido de que há aqui um favorecimento do Gondomar não está correcto e se calhar o juízo correcto é exactamente o contrário", referiu, no final, Artur Marques, advogado do principal arguido, José Luís Oliveira, ex-presidente do Gondomar SC.

terça-feira, março 25, 2008

O QUE DISSE PC AO RC

Espero tudo porque quando nasceu o Apito Dourado, quando ouvi as primeiras declarações, pareceu-me um filme de ficção.

Falo tranqulamento ao telefone embora com cuidados porque não sabemos se do outro lado não pode estar umas rasteira.

Na justiça divina acredito e hoje quando soube que era pronunciado pedi a Deus é que se é verdade que eu dei um evenlope ao árbitro, como descreve esse senhora, não no livro, no inquérito na judiciária em Lisboa, inquérito feito por um senhor de quem a irmã daquela senhora disse que a industriava naquilo que havia dizer. O que pedi a Deus foi que quem estiver a falar verdade que se prove a sua inocência e quem estiver a mentir que lhe caiam as maiores desgraças e que nunca mais na vida consiga dormir com descanso. Quero que as pessoas tenham o tormento de não conseguirem dormir por estarem a fazer uma coisa que não corresponde à verdade.

O sr está sujeito a que amanhã se alguém vier dizer e se interessar dar credibilidade a essa pessoa... No dia 14 ou 15 Maio de 2006, apareceu um sujeito no Correio da Manhã, ou no 24, a exibir coisas minhas, objectos meus, como tendo sido dados por essa senhora. São meus, não é nenhuma montagem, uma salva dada em Castelo de Paiva, fatos meus, e que ela tinha um plano para me extorquir 500 mil euros. Esse senhor ainda hoje não conheço. Essas peças foram entregues no tribunal e ainda não me foram devolvidas, apresentei queixa por roubo, a PSP de Gaia foi a sua casa e encontrou-as numa garagem, levou-as para a esquadra de Oliveira do Douro e devolveu-mas, inclusive foi fotografado no sítio onde tenho o museu e um busto meu que foi furtado. Está também pronunciado o indivíduo que chegou fogo ao meu escritório e ao de Lourenço Pinto a mando dela, está queixa na GNR com fotografias em que ela me devolve a casa da Madalena completamente destruida. Essa senhora também veio dizer que contratou indivíduos para matar o dr Bexiga. Mais do que para me incrimuinar a mim era para incriminar o Fernando Madureira por razoes que nada têm a ver com o assunto. Ouvimos declarações da irmã a dizer que ela era treinada por esse senhor da PJ.

Não tenho dúvida nenhuma que serei absolvido. Não quero que o assunto seja arquivado pelo facto de não haver provas, quero que o processo siga para a frente e que seja provada e que sejam ouvidas as pessoas e não é só a irmã.

Sinto-me importante porque sinto que há um plano para me atingir.

Como andaram a investigar a minha via verde, o meu cartão, andaram anos a fazer isto tudo para descobrir que houve um árbitro que ia arbitrar num jogo que não nos interessava nada porque o Porto era campeão, que foi a minha casa levado por um terceiro individuo para tratar de assunto que nada tinha a ver com um jogo de futebol, o Porto é campeão da europa...

Sei que há pessoas que é que tramaram isto.

Se fizer uma votação entre os adeptos do porto se querem que o Luís Filipe Vieira saia do Benfica, garanto que todos querem que ele continue.

Repare uma coisa, por falar no major, sabe quem é que o apoiou na Liga? Não fui eu, foi o LFV. O meu candidato era o José Guilherme Aguiar. A PJ descobriu os apitos dourados mas também havia lá facturas mais valiosas de relógios de outros clubes mas essas não interessavam.

Há pormenores que ajudam a compreender. Este processo em que foi pronunciado foi arquivado pelo MP, foi reaberto por causa de um livro mas no livro não diz nada, depois é que o livro foi rectificado num relatório daPJ por um tal senhor Sérgio Bagulho. Quando foi reaberto, há dois pormenores, no dia em que é nomeado mjmorgado para cooddenadora do processo o senhor LFV dá uma netreivtsa e diz agora sim, agora as coisas vão andar, não percebo porque, e nos dias seguintes o seu marido, Saldanha Sanchez, vai a SIC e diz que é preciso acabar com a corrupção no futebol porque o presidente do fcporto disse em gondomar que ganha 400 euros por mês e portanto há corrupção.

Nem conhecia o dr Almeida Pereira. Quando saiu a notícia de que estava indigitado para a PJ do Porto, o sr Cartaxana escreveu um artigo a dizer que ele habitué convidado do fcporto nas viagens. Sei que o dr. Almeida Pereira é benfiquista e assumidamente benfiquista, o que não quer dizer nada porque no Benfica também há boa gente. Essa impunidade em que os jornais vivem que faz com que as pessoas abdiquem dos lugares. O meu conhecimento com ele é cumprimentá-lo quando vai ao futebol, nunca falei com ele nem 30 segundos.

Nem confidencial nem ser ser, as únicas notícias de saber que vou ser arguido ou que vou perder esta acção é através do Correio da Manhã, não lei, mas dão-me os resumos. O CM é que publicou oito dias antes de eu receber que era improcedente minha queixa contra o Estado, para além dos papéis que recebo a única informação que tem batido certo é a que sai no Correio da Manhã.

Quer pensem no Jorge Nuno quer pensem no Pinto da Costa ou no Lima, há uma coisa a que ninguém me associa: é a droga. Isso é que me dá uma grande tranquilidade de espírito, a mim ninguém associa o meu nome à droga.

Só queria aqui solenemente pedir a Deus que mostre a sua justiça divina e que as pessoas que inventaram esta história do envelope que nunca mais consigam dormir descansadas e que nunca mais consigam dormir descansadas.

E tudo acabou com o magnânimo Magno a afirmar:
- Espero que deus esteja a ouvir o Rádio Clube

UM DIA AGITADO

A pronúncia de Pinto da Costa no caso do jogo Beira-Mar-FC Porto está longe de ser uma surpresa. Com muito menos foram Jacinto Paixão, Valentim Loureiro e João Loureiro pronunciados no jogo Boavista-Estrela, que os axadrezados até perderam... Basicamente, a juíza de instrução do TIC acompanhou a acusação formulada por Maria José Morgado, há quase um ano, quando reabriu o processo que o DIAP do Porto arquivou um ano e meio depois das detenções para interrogatório em tribunal. PC vai sentar-se no bancos dos réus provavelmente não apenas por causa deste jogo. O FC Porto-Estrela e o Nacional da Madeira-Benfica podem conhecer também o mesmo caminho, embora este último caso seja o que tem menos prova, tanto mais que não envolve directamente o FC Porto. Nas próximas semanas se saberá se também aí PC é acusado. Por ora, interessa reter a conclusão da juíza de instrução do processo do jogo com o Beira-Mar, que considerou relevante o facto de PC, Araújo e Duarte não terem conseguido dar uma explicação plausível para o encontro de uma hora e meia que tiveram na casa do líder portista, e então também de Carolina, dois dias antes do jogo em questão. Uma conversa sobre "nada", segundo PC, que contribuiu para o "tudo".
Hoje foi também o dia em que PC deu uma entrevista a Carlos Magno, no Rádio Clube, melhor seria dizer o dia em que PC proporcionou a Magno espaço para mais uma manifestação de pedantismo. Notou-se o embaraço de PC quando Magno se olhou ao espelho e se extasiou com a sua inteligência, lendo um poema de David Mourão Ferreira. Foi uma "peça jornalística" indiscritível, valendo sobretudo pelo apelo de PC a Deus para que a justiça divina se abata sobre quem o está a difamar, conforme percebi Carolina Salgado e o inspector da PJ Sérgio Bagulho, que, segundo PC, terá treinado a irmão desaparecida de Carolina que se passou para o outro lado e que até faltou à instrução deste caso.

Isto promete.

segunda-feira, março 24, 2008

PACHECO


Seria o meu eleito para o Benfica. Passa a explicar porquê:

1- É português.

2- Foi internacional.

3- Tem cultura futebolística e sabe o que é a mística.

4 - Rodeia-se sempre de bons "cientistas da bola".

5- Tem uma personalidade forte.

6- Foi campeão nacional como jogador e treinador. E como treinador foi campeão no Boavista...

7- É um disciplinador e, ao contrário de outros, não presta vassalagem a ninguém.

8- Fala melhor português que o Camacho e o Trapatoni.

9- Sabe o que a casa gasta.

10- Sabe fazer omeletes sem ovos.

11- Foi o único treinador que conheço que um dia nas Antas não se sentou na conferência de Imprensa.
12 - Corre mais que o Rui Costa.

domingo, março 23, 2008

FOI EM PORTUGAL?

Foto RecordA final da Taça da Liga foi um regalo para os olhos. O pior até foi o jogo. Um grande espectáculo visual, com a Liga a mostrar que sabe vender o produto futebol. Uma boa transmissão televisiva, também a ajudar. Tirando o risco de constipação das belas assistentes e mais uma dúvida cartesiana(http://criticanarede.com/epi_descartes2.html) de Proença, foi tudo bom. Repórteres com liberdade de circulação no relvado - sem serem perseguidos por stewards -, jogadores a festejaram com o público, câmaras no balneário do vencedor (já agora, também teria piada no balneário do vencido), enfim, uma final de nota 20, na qual a Liga mostrou mais uma vez que tem unhas para tocar esta guitarra, assim a deixem continuar...
PS - Pode parecer irrelevante mas Madaíl faltou. Como não é feito da mesma massa, apesar de ser da região de Aveiro, estou certo que Hermínio Loureiro estará no Jamor.

quinta-feira, março 20, 2008

O TRIPEIRO

» um contributo de Pedro Coelho

Um Tripeiro da Constituição abre uma loja na baixa de Lisboa, em pleno Rossio e põe na montra o seguinte reclame: ' LOJA DO TEM TUDO '. Um Alfacinha que passava pela rua, ao lêr o que estava escrito no reclame, resolve entrar na loja, chega-se ao balcão e pede: - Dê-me uma garrafa de vinho do Porto Vintage, de 1930. O Tripeiro procura nas prateleiras, vai ao armazém e traz a garrafa pretendida. No dia seguinte, o Lisboeta resolve voltar à loja para tramar o Portuense. - Bom dia, dê-me 1/2 dúzia de ovos de avestruz. O Tripeiro vai ao armazém e traz-lhe os seis ovos de avestruz. O Lisboeta paga, e sai da loja dizendo para si mesmo: Amanhã é que vou tramar este gajo, palavra de Alfacinha. No dia seguinte lá voltou à loja. - Bom dia amigo, hoje preciso de 1/2 litro de esperma. O Tripeiro pensa com os seus botões, **olha, olha este Morcom** e sem se desmanchar, pergunta-lhe: - O amigo trouxe o Basilhame ou Bai levar no cú...?

DE VOLTA AO MUNDO REAL


Desculpem o provincianismo mas não resisto a dizer em relação a New York que depois de lá estar é uma das tais situações que nos fazem dividir o tempo em antes e depois. Não estou a falar de JC, santo das pontes (não as aéreas nem as de betão, evidentemente) e padroeiro do prime time por ocasião da quaresma (não confundir com o cigano do FCP). Pois bem, a minha estreia em NY foi abençoada com dois acontecimentos: o escândalo sexual protagonizado pela senhora Dupre e pelo (ex) governador Sptizer e a queda de uma grua que matou 7 pessoas e pulverizou um prédio da rua 47. O sucifiente para entretar os "media" norte-americanos e pelo que agora percebo também os portugueses. O caso é conhecido, resta saber apenas quanto vai ganhar a senhora Dupre, sendo certo que já tem ofertas na ordem dos 500 mil dólares para posar em pelo. Na semana em que me cruzei na rua com Morgam Freemen e durante a qual pude apreciar a generosa Scarlett Johansson a realizar o seu primeiro filme no Plaza Hotel, vi televisão e li jornais. Não foi propriamente um espectáculo deslumbrante mas foi o suficiente para me deixar um tanto ou quanto descoroçoado. De facto, é outra galáxia. A começar pelos pivots dos noticiários e pelos repórteres de vivos. Os homens são mesmo profissionais! Nada de estagiários imberbes ou de estagiárias histéricas. Não. Jornalistas seniores sobretudo, suportados em emissões dinâmicas, curtas, directas. O jornalismo em todo o seu esplendor, embora não isento de exageros. Passando para o plano da escrita, melhor ainda. Textos escorreitos, cheios de pormenores, reportagens desenvolvidas a várias mãos. Por cá costuma-se dizer, à laia de desculpa, que está tudo inventado. A questão é mesmo essa. Por se pensar que está tudo inventado é que as cópias são pífias. O original, meus amigos, é por um lado um deslumbramento e por outro uma frustração. Porque existe a certeza de que por cá...tudo continuará devidamente inventado. Com a diferença de que, no meu caso, haverá um A-NY e um D-NY.

Há, de factos, momentos em que não deviamos sair de casa.

quarta-feira, março 19, 2008

O SUMARÍSSIMO E AS SUMIDADES

Vai por aí um grande alarido a propósito do sumaríssimo que pelos vistos Bruno Alves não vai ter. Ok. Percebo a desatenção das pessoas num mundo cheio de solicitações. Mas seria bom que esses mesmos arautos do moralismo parassem um bocadinho. Por exemplo, para ler o que Ricardo Costa disse, no princípio da época, a propósito dos processos sumaríssimos. Em tempos usados como arma de arremesso. A nova Comissão Disciplinar da Liga tem dado suficientes provas de eficácia e independência e muita gente ainda nem sequer percebeu que não é comandada nem por um juiz, nem por um advogado. Ricardo Costa é "apenas" professor de Direito, sendo especializado em direito desportivo. Foi ele quem determinou, e muito bem, que o processo sumaríssimo é para ser usado com parcimónia, apenas no caso flagrante de um lance que não é analisado pela equipa de arbitragem e que decorre fora do seu campo de visão. Ou seja, uma situação verdadeiramente excepcional. Não sei o que o árbitro Jorge Sousa escreveu no seu relatório mas presumo que, mal ou bem, o lance foi apreciado por si. Sendo assim, nada mais havia para dizer. Mas pelos vistos há...

Para um cabal esclarecimento, recorde-se o comunicado da CD da Liga:
http://www.lpfp.pt/SiteCollectionDocuments/Proposta%20de%20decis%C3%A3o%20do%20Processo%20Sumarissimo%20n.%C2%BA1%20-%20%C3%89poca%202007-2008.pdf

Aquecimento



"Gostaria de saber, porque tenho visto, se os jogadores suplentes podem aquecer do lado esquerdo dos guarda-redes. Há alguma norma sobre isto?".

A Lei 3 determina que é possível recorrer a três suplentes no máximo. O árbitro deve ser previamente informado de cada substituição pretendida e o suplente só pode entrar no terreno de jogo, depois da saída do jogador que vai substituir e após ser autorizado por um sinal do árbitro.
A lei não obriga aos suplentes efectuarem aquecimento antes de entrar. No entanto existe uma norma e instrução para que os jogadores suplentes façam o seu aquecimento atrás do árbitro assistente nº.1 ou atrás da linha de baliza correspondente á sua equipa do lado dos Árbitros assistentes. A razão é para que os árbitros assistentes possam controlar o espaço do aquecimento, que tem que ser entre a área de baliza e bandeirola de canto, conseguindo assim observar alguma atitude menos correcta.
Assim sendo, aquecendo sempre do lado dos árbitros assistentes, ficam do lado esquerdo da baliza.

segunda-feira, março 17, 2008

Tokyo deram a boca

Acabo de saber através da SIC Notícias que o concerto dos Tokyo Hotel, agendado para o final da tarde/princípio da noite de domingo no Pavilhão Atlântico, foi cancelado devido ao facto do vocalista ter uma laringite. Até aqui tudo normal. Anormal foi ver dezenas e dezenas de miúdas, que já tinham idade para ter algum juízo, a chorar como se tivesse morrido alguém. O cancelamento da actuação é uma consequência normal quando o rapaz que canta está impossibilitado de o fazer. Isto não é bem um jogo de futebol em que se manda avançar os suplentes caso os titulares estejam de baixa. Mas, enfim, as meninas que dormiram várias dias à porta do recinto "passaram-se". Cá para mim, o problema não é de agora. Quem dorme vários dias à porta de um pavilhão à espera de um concerto está "passado" há uns tempos! E em Junho, aquando do regresso da banda, sempre podem dormir outra vez ao relento...

Até o Chalana...

Quem teve a oportunidade de ver o Chalana jogar futebol, jamais correrá o risco de dizer que ele não sabe do assunto. Era só o que faltava! Mas, até por pensar assim, me custou ouvir o ainda treinador do Benfica a qualificar de "boa" a exibição encarnada na Madeira, com destaque para a "grande primeira parte". Cheguei a equacionar que o problema estivesse na minha televisão, mas não... No atribulado mundo encarnado já nem o Chalana escapa às atitudes e/ou declarações absurdas.

PS - Uma dúvida: se Chalana considera "boa" a exibição do Benfica diante do Marítimo, como será que adjectivaria a maioria dos desempenhos do clube nos seus tempos de jogador?

Piercings e paneleirices

Ando há dias a matutar no projecto de lei que o Governo anunciou para proibir piercings na língua (a todos os portugueses) e nas restantes partes do corpo (a menores de 18 anos). E embora tenha dado comigo várias vezes a pensar no tema, ainda não sei se concordo com a ideia. E para mim esta conversa é pouco ou nada relevante: todos os meus buracos vieram de fábrica! E os que entretanto fui arranjando foram todos involuntários e, felizmente, acabaram por fechar.

Limitar esta estranha moda de o pessoal andar por aí todo esburacado merece o meu apreço. Nunca consegui perceber o encanto de ver alguém com correntes presas entre o nariz e a boca. E ter pregos no meio da língua, mais do que inestético, deve perturbar várias actividades pertinentes, a começar pelo simples acto de comer. E já nem falo das complicações que estas mutilaçõezinhas podem trazer à saúde.

Mas, por outro lado, faz-me confusão ver os políticos a decidir o que cada um pode ou não fazer com o seu corpo. Se aceitarmos, sem levantar questões, todas as ideias que os "pensadores da nação" nos atirarem para cima, qualquer dia não podemos roer as unhas, beber mais que uma litrada de cerveja por semana ou passar mais de três horas por dia em frente a um computador. E depois disso será um passo até sermos obrigados a vestir de igual, a filiar-nos numa qualquer religião ou a ingerir determinado número de vitaminas por refeição!

O Governo (este ou qualquer outro) deve zelar pela boa sáude da malta mas, se calhar, em vez de proibir o tabaco aqui e ali ou furos onde o pessoal bem entender, talvez pudesse canalizar essa energia para outras coisas. É que, sem ponta de ironia, parece-me incongruente ver toda esta fobia pela saúde quando, ao mesmo tempo, se fecham centros médicos e maternidades e se sabe que gente morre à espera de ambulâncias que estão a meros 5 minutos dos locais dos incidentes.

Mas, num País onde a querela pessoal entre duas "pseudo-figuras públicas" (daquelas que ganham para comer a falar da vida dos outros mas ficam todas "excitadinhas" quando o povo opta por comentar as suas, concluindo que são apenas "farinha do mesmo saco" e sofrem do mesmo problema de "bicheza") é notícia; onde nenhum caso judicial envolvendo "peixes graúdos" se resolve e onde a Polícia nos tenta dizer que um segurança do Colombo se suicidou com três facadas no coração só para o pagode não ficar à rasca com o súbito aumento dos casos de crime violento entre nós... já nada me espanta. O truque é aprender a rir desta palhaçada toda.

benfiquista de Valongo

Terei lido mal ou o árbitro assistente que validou o golo de Tarik é o famoso 'benfiquista de Valongo' de que um dia se queixou Pinto da Costa?

domingo, março 16, 2008

UM MAR DE ÁGUA


Dezasseis anos depois do último derby entre os dois rivais disputado no Mar, num jogo relativo às meias-finais da Taça, Leixões e F. C. Porto voltaram a defrontar-se em Matosinhos, agora para o campeonato. A chuva assinalou o regresso no preciso momento em que as equipas entravam em campo.
Aproveitando o intervalo do jogo no Funchal, fica aqui a análise ao trabalho da equipa de arbitragem:
Bem exibidos os cartões amarelos a Bruno China e Fucile e faltou assinalar um pontapé livre directo aos 48 minutos favorável ao FC Porto, quando um defesa leixonense joga deliberadamente com o braço.
Aos 41 minutos Quaresma teve razão em reclamar quando o defesa saiu da barreira. O pontapé livre directo deveria ter sido repetido e exibido o cartão amarelo ao leixonense que saiu da barreira.
Bem assinaladas as posições de fora de jogo a Farias (20 m), Quaresma (31 m) e Cech (61 minutos) e foram mal assinaladas ao ataque do F.C. Porto logo no primeiro minuto a Lucho, aos 10 minutos dois defesas colocavam Lisandro em posição legal quando se isolou, aos 13 minutos novo erro no fora de jogo a Lucho que isolado rematou para o golo, aos 70 minutos mal assinalado o fora de jogo a Cech e finalmente aos 92 e 93 minutos dois foras de jogo mal assinalados a Adriano.
Nos golos:
Golo legal de Roberto pois no inicio da jogada Hugo Morais corta a bola legalmente e centra. Golo legal de Lisandro num lance muito bem analisado por José Luís Melo em lance de difícil julgamento e golo ilegal de Tarik que estava em posição de fora de jogo no momento do passe que o isolou.
Erro grave foi cometido, ao não expulsar Bruno Alves, por prática de jogo violento, quando na disputa da bola atingiu deliberadamente Jorge Gonçalves nas costas.

LSC

Ia eu a caminhar tranquilamente pela 5.a avenida, para ver a grua que se despenhou esta tarde sobre dois predios, quando recebi a noticia de que o LSC estava a ganhar ao FCP. Nao me iludi. Nao tenho dotes de adivinho, mas pressenti que a coisa ia acabar mal. Mais uma derrota, portanto. Oremos, pois, por mais um desaire do Pacos. Acho que tenho de pagar urgentemente as quotas de 2008 e de regressar a velha superior. Isto eh capaz de nao ir la apenas com feh...

sábado, março 15, 2008

Faleceu Miranda de Sousa



A arbitragem portuguesa está de luto com a morte, aos 57 anos, vítima de doença súbita, de António Manuel Miranda de Sousa, actual instrutor da UEFA.
Antigo árbitro da primeira categoria nacional, Miranda de Sousa exercia as funções de assessor e observador do Conselho de Arbitragem, bem como instrutor de árbitros da Federação Portuguesa de Futebol.Miranda de Sousa esteve recentemente na República da Irlanda, onde participou num curso da UEFA para instrutores de árbitros.
As exéquias fúnebres, tiveram lugar hoje de manhã na terra onde nasceu, Freguesia de Canidelo - Vila Nova de Gaia.
Homem de trato simples, granjeou diversos amigos na arbitragem, que hoje lá estavam a prestar última homenagem, vindo dos mais diversos pontos do país.
Lamentavel a atitude da F.P.F. e da A.F.P. em não ter "imposto" à Liga um minuto de silêncio pela morte de um homem que exerceu e exercia funções na arbitragem em Portugal, nem que fosse apenas nos campos e estádios de futebol do distrito do Porto.
Fala-se e discute-se muito os árbitros em Portugal, mas na hora da verdade as ingratidões e os esquecimentos são constantes.

Paz à sua alma.

CARTA PARA A PARVONIA

Por incrivel que pareca, estou mesmo em NY, o que pode ser confirmado pela falta de acentos e tambem pelo ritmo de refrescamento dos comentarios que no fundo alimentam tambem este blogue. E por ca ainda vou continuar mais uns dias... Fazendo uma especie de prova de autenticidade, posso dizer vos que hoje passei a manha no MoMa a ver a chamada arte moderna e a noite fui ver o Chicago, num teatro da Broadway. Confesso que foi um dia de extremos. De manha, Picassos e Van Goghs, a noite a magia de um musical que nao envelhece. Eh um programa que nao aconselho. Depois de um dia assim, os que se seguem serao sempre piores. NY nao eh deste mundo. E o pior eh que depois de aqui aterrarmos, verificamos que afinal os alienigenas somos nos. Eh terrivel.

sexta-feira, março 14, 2008

Na Parvónia ter disto



Apitos de ouro do tamanho do Liechtenstein, queijos da Serra que derretem na boca, peças de cristal oferecidas pelo Benfica que afinal são de vidro e não valem mais do que 35 euros, vinho a martelo, pulseiras da colecção 1973/74 com a assinatura de Zezé Camarinha, bolas, galhardetes, e o diabo a quatro. Decididamente, a Parvónia tem no Tribunal de Gondomar a sua capital. Só não sei se os parvos querem fazer o povo passar por parvo ou se já nasceram assim. De uma forma ou de outra, já vai fazendo falta prova com mais substância, tipo gajas roliças de voz perfurante e peito generoso, electrodomésticos topo de gama – Gondomar já esteve na vanguarda da tecnologia em eleições que a memória ainda alcança – e cheques com cobertura de chocolate e leite. Faço apelo ao bom senso dos magistrados para ir ao fundo da questão.

quarta-feira, março 12, 2008

OPORTUNIDADE PERDIDA

O Sporting perdeu uma boa oportunidade para despachar Paulo Bento. Mas, pelo que vejo, Joao Bartolomeu foi mais rapido e colocou o genro a seleccionador do Burkina-Faso.

BENFICA

Quem esta de fora nao deve rachar lenha mas se fosse eu a decidir, ficava com o Chalana. Ou com o Luvas Pretas.

in NY

Um breve intervalo nas lides porque...estou em NY. Nem mais, a capital da galaxia. Aqui chegado, para que a animacao fosse ainda maior o governador de NY foi apanhado pelo IRS num escandalo com uma puta. Pelos vistos o homem pagou 4500 dolares por duas horas que presumo bem passada. Ainda ninguem sabe quem eh a menina mas as suas medidas ja sao conhecidas. Eh pequenina, morena e bem fornecida, pelo que da para calcular. Neste momento o Sptizer ainda nao se demitiu mas para la caminha e NY podera ter o primeiro governador negro (olha a novidade). So lamento nao ter aqui o meu amigo Alberto e a sua princesa, para poder gozar ainda mais o filme mas fica para a proxima. Ja perdeu um momento zen, quando o nigeriano que nos trouxe do aeroporto travou a fundo a meio do Holanda tunel para nos mostrar a fronteira entre NY e New Jersey, ao mesmo tempo que beijava pela quarta vez o crucifixo que balancava no espelho retrovisor do buick. Enfim, NY. Por aqui me fico na digestao de uma super sanduiche de pastrami e de meio quilo de chese cake.

domingo, março 09, 2008

MORREU ALBERTO ESPINHAL

São notícias que nos apanham sempre de surpresa. Morreu Alberto Espinhal. Um nome que provavelmente diz pouco ao mundo da Imprensa desportiva mas que a mim me diz muito. Foi meu director na "Gazeta dos Desportos", no melhor período desta publicação, quando uma equipa pequena equipa fez das tripas coração e arrasou com edições históricas (não apenas nas tiragens). Ainda há pouco tempo aqui falei dele e dos momentos da sua chegada à redacção, ao fim da tarde, nos dias de fecho, com uma Super Bock na mão e a fralda de fora. Advogado respeitado na praça lisboeta, Alberto Espinhal foi dirigente da Académica e do Beira-Mar e como director da "Gazeta", jornal de que foi também administrador, era para nós uma fonte permanente de inspiração, sobretudo através da sua experiência de vida e a liberdade que nos dava para criar. A última vez que o encontrei foi no Hotel Cidadela, na companhia do Virgílio Neves e do Mário Pereira, para um daqueles bates-papos pela noite dentro - não, desse vez não fomos corridos porque o "Dula" era um dos donos do hotel...
O seu corpo estará hoje, a partir das 18.30 horas, em câmara ardente na Basílica da Estrela e amanhã será rezada uma missa, às 11 horas, no mesmo local, seguindo o funeral para a terra natal (Anadia) de um director inesquecível de um amigo de todas as horas.

Um passo atrás para dois à frente?



Neste sábado, na 122ª Assembléia Geral Anual da International Board o uso da tecnologia no futebol foi rejeitada.
Reunidos no condado escocês de Gleneagles, os membros da International Board, decidiram cancelar a tecnologia da linha de golo (que permite identificar se uma bola entrou ou não) e todos os outros testes.
No entanto, não foi por unanimidade essa decisão, já começa a ter defensores da utilização das novas tecnologias ao serviço do futebol.
Os grandes defensores da retirada da utilização das tecnologias em caso de duvida, foram o presidente da FIFA Joseph Blatter (4 votos) e a Federação do País de Gales, (1 voto) justificando que o futebol é um jogo feito por seres humanos e que a utilização da tecnologia iria alterar a dinâmica do jogo.
Votaram a favor da utilização de tecnologia nas Leis do Jogo, Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte (todos com 1 voto).
Aprovado foi a experiência com os dois árbitros-assistentes adicionais, que vão ficar atrás das duas balizas e uniformizar as dimensões do terreno de jogo utilizado para jogos entre selecções na medida de 105 x 68 metros.

sábado, março 08, 2008

A MANIF

Portugal acaba de assistir à maior concentração de rissóis, chamuças, loiras mal platinadas, boinas leninistas, autopulmans e óculos da multiópticas do mundo, com alguns barbudos pelo meio (e provalmente umas tantas barbudas). Os nossos "profes" ou "setores" não querem ser avaliados! E têm razão: a avaliação está feita.

PS - Vendo as imagens na TV, a minha filha, que tem 7 anos, perguntou-me: "Pai, quem são estes malucos?" Imagens no interior de um autocarro, com uma senhora de megafone gritando "está na hora de a ministra ir embora", com outro senhor de bigode a explicar que a "conjectura" assim o exige. Tive uma resposta piedosa para a miúda: "Filha, são testemunhas de Jeová". Parece que desta vez colou.

sexta-feira, março 07, 2008

APITO DOURADO (a saga continua)


Madaíl ajuda Valentim


Gilberto Madaíl foi ouvido hoje à tarde no Tribunal de Gondomar, na qualidade de testemunha arrolada pelo Ministério Público. No final de uma audição que durou 20 minutos, o presidente da FPF falou aos jornalistas e reconheceu que o Apito Dourado tem causado "muitos prejuízos" ao futebol português. Para além disso, garantiu que o Conselho de Disciplina da FPF vai decidir "dentro de um mês ou mês e meio" os processos resultados do Apito Dourado nos quais já foram deduzidas notas de culpa. Os ex-dirigentes do Gondomar envolvidos neste processo, o próprio Gondomar SC e 35 árbitros e árbitros assistentes já receberam as respectivas notas de culpa relativas aos processos disciplinares que lhes foram instaurados e podem recorrer a instrução dos mesmos. Em causa está a possibilidade de punições que no caso do Gondomar SC pode incidir na pena de suspensão das competições, o mesmo acontecendo em relação à actividade dos árbitros. Os árbitros que receberam a nota de culpa ou são réus no processo originário ou testemunhas do mesmo, estando no rol um árbitro de 1.ª categoria: Rui Silva. Ao contrário do que já informamos, o árbitro Cosme Machado não recebeu qualquer nota de culpa, estando o seu processo ainda em aberto.O depoimento de Madaíl na sala de audiências foi sóbrio. O presidente da FPF falou sobretudo do processo eleitoral de 2002, por onde passa um dos pontos importantes da acusação. O MP entende que Valentim Loureiro, na qualidade de presidente da Liga, usou os 20 por cento de votos da Liga para assegurar a reeleição de Pinto de Sousa para o Conselho de Arbitragem da FPF, para mais tarde contar com a sua colaboração na nomeação de árbitros para os jogos do Gondomar na época de 2003/2004. Madaíl disse que a Liga estava "fora disto", ou seja, do processo eleitoral e que apenas contou, como é de lei, com uma vice-presidência da direcção. Mais a mais, Pinto de Sousa nem foi a sua primeira escolha e só por ele se decidiu "na última hora", depois de ter sido cogitada a possibilidade de Vítor Pereira ocupar a presidência do Conselho de Arbitragem, hipótese que caiu por terra quando o actual presidente da Comissão de Arbitragem da Liga se associou à lista de Artur Jorge (que acabou por não ir a votos). "O sr. Pinto de Sousa já vinha do passado", referiu, depois de salientar que Valentim Loureiro e o então presidente da Associação de Futebol do Porto, Adriano Pinto, estavam de relações cortadas. Com o seu depoimento, Gilberto Madaíl não revelou qualquer influência de Valentim Loureiro na nomeação de Pinto de Sousa para a presidência do Conselho de Arbitragem, sendo que esta é uma das contrapartidas que o Ministério Público encontrou para acusar ambos neste processo.


O cómico Machado


O árbitro de 1.ª categoria Cosme Machado vai voltar a ser ouvido no Tribunal de Gondomar, depois de aqui ter dito, ontem, que o golo do Gondomar em Paredes, que teria dado o empate a esta equipa, foi bem invalidado. O lance foi visto várias vezes no tribunal e começava num lançamento da linha lateral, com a bola a ser enviada directamente para um jogador do Gondomar que fez o golo, já em tempo de compensações. Alegou Cosme Machado que foi o golo foi bem invalidado pois "a bola raspou num defesa do Paredes" que tentou aliviar, sem sucesso, a bola. Horas depois, o árbitro de Braga reconsiderou e a 12.ª sessão do julgamento começou praticamente com a leitura de uma declaração sua por escrito na qual referia que o golo, afinal, foi mal invalidado, resultando a sua primeira apreciação de uma "confusão", tendo ficado a pensar que a bola, depois do lançamento da linha lateral, tinha tocado primeiro num jogador do Gondomar antes de sofrer o toque que a enviou para as malhas.Pedro Alhinho, advogado de Joaquim Castro Neves, ex-chefe do departamento de futebol do Gondomar SC, entendeu como anómala esta declaração de Cosme Machedo e requereu ao juiz que enviasse uma exposição sobre o acontecimento aos órgãos competentes do futebol, tendo em conta que se trata de um árbitro de 1.ª categoria. O advogado João Medeiros, que defende Pinto de Sousa, também contestou e disse que se impunha nova audição a Cosme Machado. O juiz António Carneiro da Silva entendeu como necessária nova audição da testemunha mas não viu razão para qualquer queixa contra o árbitro aos órgãos desportivos competentes, deixando, porém, essa possibilidade aberta para a defesa de Castro Neves.A primeira testemunha do dia foi precisamente um dos árbitros-assistentes de Cosme Machado. Que, ao contrário do seu chefe de equipa, na véspera, depressa confirmou ao procurador Gonçalo Silva que Cosme Machado também era conhecido pela alcunha de "Collina", embora "não gostasse que o tratassem assim".


Ups!


O procurador do Ministério Público do Gondomar, titular do processo originário do Apito Dourado, pediu para ser extraída uma certidão a propósito de um requerimento do advogado de Castro Neves, Pedro Alhinho, que impediu que no julgamento fossem reproduzidas as respostas de uma das testemunhas - Manuel Silvestre, antigo empregado de mesa do restaurante Margem Douro, onde terão ocorrido alguns jantares/lanches de árbitros com dirigentes do Gondomar - em fase de inquérito. Isto porque Gonçalo Silva, o procurador, entendeu que esta testemunha estava a mostrar "grande divergências" em tribunal em relação ao que tinha dito na fase anterior. Silvestre apresentou-se no tribunal com grandes falhas de memória e nem se recordava do preço da lampreia há quatro anos. Aliás, seria mesmo o advogado de Castro Neves a fornecer ao tribunal um menu actual do restaurante visado, onde se pode ler que uma lampreia custa 80 euros, sendo que, segundo Silvestre, "para cinco pessoas aconselhava sempre duas lampreias".No seu requerimento para justificar o recurso às declarações de Silvestre na fase de inquérito, o advogado Pedro Alhinho referiu que o inquérito conduzido pela Polícia Judiciária não teve o objectivo de apurar factos que tivessem a ver com a verdade desportiva mas sim, apenas, "e cirurgicamente", "na situação de putativa lesão da verdade desportiva alegadamente praticada em benefício do Gondomar SC". Com isto querendo dizer que a investigação foi direccionada e desprezou outros factos semelhantes que podiam também comprometer outros clubes.Face a esta posição, o procurador Gonçalo Silva pediu que destes factos seja extraída uma certidão para apurar "um eventual crime de denegação de justiça ou prevaricação", a apreciar possivelmente por um tribunal superior. Pedro Alhinho reagiu, manifestando a intenção de constituir-se assistente neste eventual processo


Pierluigi Cosme


O árbitro bracarense Cosme Machado, da 1.ª categoria nacional, pôs a sala de audiências a rir quando respondeu assim à pergunta, do procurador Gonçalo Silva, ‘por que razão é tratado por Collina?’: “Não sei, se calhar o Collina é que é conhecido por Cosme!” Logo acrescentando: “Não sou assim tão feio...” O juiz António Carneiro da Silva pediu de imediato contenção na ironia e a verdade é que Cosme Machado não precisa de palavras para justificar a alcunha. Que o procurador do MP queria ver detalhada a propósito de uma escuta entre José Luís Oliveira e Pinto de Sousa, na qual se fala no Collina português como árbitro a nomear para o jogo Paredes-Gondomar. Partida que o Gondomar perdeu e de que saiu com razões de queixa. Ontem, pela primeira vez viram-se imagens de jogos no tribunal de Gondomar. De qualidade sofrível e com falhas técnicas. Ainda assim, deu para ver o Gondomar a marcar um golo, no tal jogo de Paredes, na sequência de um lançamento da linha lateral, com o árbitro a assinalar fora-de-jogo! E a explicar assim a decisão: “A bola terá raspado primeiro num defesa do Paredes”. Oliveira e Castro Neves “passaram-se” enquanto o juiz dava por encerrada a audiência.


Voz de prisão


Fausto Marques é árbitro e agente da PSP. Na época de 2003/2004, acompanhou o árbitro lisboeta Valente Mendes em 3 jogos que o Gondomar SC disputou fora de casa, um deles no recinto dos Dragões Sandinenses. Interpelado pelo juiz António Carneiro da Silva, Marques disse que jamais foi alvo de qualquer tentativa de aliciamento. "A quem o fizesse daria de imediato voz de prisão", referiu.No caso concreto dos jogos em análise (para além da partida com os Dragões, jogos com o Trofense e o Vilanovense), Fausto Marques contou um episódio curioso. No final do jogo da Trofa, que o Gondomar ganhou, foi convidado, tal como os seus colegas, para jantar com os dirigentes do Gondomar. Mas a equipa de arbitragem recusou o convite pois já tinha sido convidada para jantar pelos dirigentes da equipa da casa, como terá acontecido.Quanto às ofertas que podem vir a constituir-se como uma das contrapartidas oferecidas aos árbitros, Fausto Marques confirmou que nos 3 jogos do Gondomar recebeu artefactos em ouro mas frisou também que recebeu um relógio "Camel" dos Dragões Sandinenses. Para além de canetas com o símbolo do Trofense.Este árbitro foi também irónico quando falou no perito Jorge Coroado, que analisou um dos jogos em causa, não tendo visto razão para grande penalidade a favor do Gondomar no jogo com os Dragões (que terminou empatado a uma bola). "O senhor Jorge Coroado na Sport-TV comenta um lance de uma maneira no momento e após a repetição comenta-o de outra", salientou este agente da PSP que neste momento integra uma equipa de arbitragem chefiada por um inspector da Polícia Judiciária. Que recordou como última oferta duas sandes de couratos e um sumo.


Os relógios de Sandim

Nuno Fraguito fazia parte da equipa do árbitro vilarealente Rui Silva, hoje na 1.ª categoria, na época de 2003/2004. Nessa temporada, esteve em dois jogos do Gondomar e noutros tantos dos Dragões Sandinenses. No caso dos jogos do Gondomar, revelou no tribunal que a equipa de arbitragem aceitou uma primeira oferta, que constava de um fio de ouro e uma cruz, artefactos que Fraguito ainda guarda em casa e que avaliou em 142 euros. Pouco mais que o valor do relógio "Timex" que disse ter recebido, nessa época, dos Dragões Sandinenses: 110/120 euros.Segundo Nuno Fraguito, a recusa, numa segunda ocasião, daqueles que chamam lembranças do Gondomar, foi uma iniciativa do seu chefe de equipa. Porque se entendeu que "se calhar" era ouro a mais, tratando-se de uma lembrança "aparentemente valiosa". Interpelado pelo advogado-árbitro Carlos Duarte sobre se não era normal os árbitros receberem produtos típicos da região onde se disputavam os jogos - no caso de Gondomar, capital da filigrina -, Fraguito disse que para ele receber um fio de ouro ou um queijo da serra é a mesma coisa. Tendo a advogada Fátima Castro referido depois se é de bom tom um árbitro, por exemplo, recusar os típicos chapéus madeirenses quando arbitra jogos naquela ilha. "Se o fizermos, as pessoas tomam tal por ofensa", reagiu Fraguito.Os advogados de defesa voltaram a tocar na tecla dos relógios que aparentemente os Dragões Sandinenses - grande rival do Gondomar na época investigada - ofereciam aos árbitros. "Tem conhecimento de em Sandim se fabricarem esse tipo de relógios?", foi a pergunta lançada pelo advogado Pedro Alhinho, que defende Joaquim Castro Neves. Com a defesa a marcar pontos ao conseguir demonstrar que não era apenas o Gondomar que oferecia lembranças mas também os seus adversários, sendo que o Gondomar oferecia o símbolo produtivo do concelho - artefactos de filigrana.


O que comeram?


Começou a 11,ª audiência do julgamento do processo originário do Apito Dourado. A primeira testemunha do dia foi o árbitro-assistente Ângelo Ferreira, que pertencia à equipa do árbitro leiriense Licínio Santos. Pela primeira vez neste julgamento, coube ao procurador Carlos Teixeira - o grande motor deste processo - questionar as testemunhas, na ausência do procurador Gonçalo Silva. Teixeira revelou um estilo incisivo, em claro contraste com a serenidade do seu colega que é o procurador titular do processo neste julgamento.Em causa estavam os jogos do Gondomar com o Vizela e com o Infesta, na época de 2003/2004, e Carlos Teixeira procurou saber se nuim dsses jogos - Vizela - porque razão o árbitro mostrou 6/7 cartões amarelos a jogadores do Vizela e nenhum a jogadores do Gondomar, expulsando pelo meio um jogador vizelense. Não houve resposta concreta para este caso, tendo sido esmiuçado esse lance pelo procurador, que tentou saber se não tinha sido pisado antes de dar uma chapada que determinou a expulsão do terreno do jogo.Ângelo Ferreira confirmou que no final do jogo com o Infesta foi jantar a um restaurante de Gondomar com outra equipa de arbitragem - a de Pedro Sanhudo - e dirigentes do Gondomar SC.. Aí chegados, Teixeira disparou perguntas de rajada:- O que comeram?- Lampreia.- E gostou?- Nem por isso.- Sabe quanto custa a lampreia?- Não.- E quem pagou o jantar?- Penso que foi o meu chefe de equipa, até se levantou e disse que ia ao balcão...Mas importante mesmo foi a revelação do árbitro-assistente de que a equipa de arbitragem tinha recebido camisolas do Gondomar SC com os nomes dos árbitros nas costas. O mesmo aconteceu a seguir com Patrick Pinho, ex-árbitro assistente também da equipa de Lícínio Santos. Que até mostrou a camisola que o Gondomar lhe ofereceu a seguir ao Vizela-Gondomar, com o seu primeiro nome nas costas.

Afinal havia ouro


A sessão da tarde de hoje do julgamento do processo originário do Apito Dourado começou com o testemunho do árbitro assistente José Leão Duarte, integrante da equipa de Rui Mendes no jogo Trofense-Gondomar, o ponto zero deste processo. Duarte não se lembra se houve ofertas de ouro nesse jogo, apenas soube dizer que por vezes recebia prendas, dando como exemplo um...fato. "Lembrança" até agora nunca citada num rol que inclui garrafas de vinho, galhardetes, camisolas, queijos e até fogaças.O mais importante testemunho da tarde foi protagonizado por Miguel Oliveira. Este maquinista de Canelas (Gaia) fazia parte da equipa de Sérgio Pereira, o árbitro que mostrou um apito dourado em plena sala de audiências. E que, tal como outros dos seus assistentes (Ivan Vigário, ouvido de manhã), confessou que nesse jogo não recebeu qualquer prenda em ouro. Pois bem, Miguel Oliveira disse em tribunal que nesse jogo a equipa de arbitragem foi presenteada com 3 caixinhas com uma volta de ouro cada uma. "Foi a primeira que me ofereceram este tipo de objectos", disse esta testemunha. E relógios, não recebeu? - perguntou um dos advogados de defesa. "Falava-se que uma equipa dava relógios: os Leões da Agra", respondeu.Licínio Tavares, árbitro assistente do ex-árbitro Aníbal Gonçalves (acusado mas não pronunciado), foi a última testemunha de uma dia de julgamentO inesperadamente curto, concluído pouco depois das 14 horas. Questionado pelo advogado/árbitro Carlos Duarte, que defende António Eustáquio e Jorge Saramago, Tavares confirmou a oferta de fogaças pelo Feirense mas o mesmo não fez em relação a pequenos objectos em prata que aquele clube eventualmente oferece às equipas de arbitragem, como foi sugerido por Carlos Duarte. "Mas penso que sim, que ofereciam", adiantou o árbitro assistente.


Camarão havia sempre

Está a decorrer a 10.ª sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado, relativo aos jogos do Gondomar SC na época de 2003/2004. A sessão começou com o testemunho de Paulo Nobre, árbitro assistente da equipa de Fernando Valente, árbitro detido no dia 20 de Abril de 2004, constituído arguido mas não acusado. Nobre considerou "normais" os jogos em causa neste processo - Taipas-Gondomar e Gondomar-Fafe - e confirmou que no final de um desses jogos recebeu do presidente do Gondomar "uma fieira", ou seja, um fio de ouro. O que era "só uma lembrança".Seguiu-se José Manuel Fernandes, árbitro assistente já retirado, também da equipa de Fernando Valente. Que confirmou que depois do Gondomar-Fafe o delegado ao jogo do Gondomar, Castro Neves, ofereceu à equipa de arbitragem uns pequenos embrulhos. "Meti o meu no saco e foi a minha mulher quem o tirou em casa, verificando que era um fio de ouro, aliás, ainda anda com ele ao pescoço", referiu esta testemunha.Ivan Vigário, árbitro actualmente na 2.ª categoria, integrava a equipa de Sérgio Pereira (o árbitro que, em pleno tribunal de Gondomar, mostrou um apito dourado), e confirmou que o seu chefe de equipa foi abordado por Castro Neves no balneário no sentido de atender um telefonema do então presidente do Gondomar, José Luís Oliveira. Quanto a prendas, disse que nada recebeu, embora noutros jogos tivesse recebido camisolas, queijos, relógios e até garrafas de vinho.Por fim, foi ouvido Tomás Santos, árbitro assistente de 1.ª categoria, em 2004 integrante da equipa de José Manuel Rodrigues, um dos 24 réus. Interpelado por um dos juízes asa, Santos confirmou que depois do jogo Gondomar-Freamunde a equipa de arbitragem foi lanchar com os dirigentes do Gondomar, Castro Neves e José Luís Oliveira. "Mas foi o nosso chefe de equipa quem os convidou no final do jogo, tendo-lhes dito que ninguém ia ficar chateado por causa de um lance do jogo", revelou. Santos disse que o local do lanche, um restaurante de Gondomar, foi escolhido pelos dirigentes locais pois conheciam a zona. Quanto ao menu, não conseguiu ser exacto mas "camarão foi de certeza porque camarão havia sempre". E quem pagou? "Penso que foi o árbitro", respondeu Tomás Santos.

PRODUTOS TÓXICOS

São jornaleiros criados em aviário, ou seja, ou em jornal regional ou em jornal partidário. Subiram na vida graças a várias genuflexões e a um fundamentalismo que fica sempre bem. Notícias só dão quando estas partem de canal oficial e têm a respectiva luz verde. Não são propriamente jornalistas, são mais uma espécie de comissários políticos. Os jornais estão cheios deles. Curiosamente, até lhes oferecem o topo da hierarquia. Enfim, cada um faz o que quer do seu "negócio".

O resultado está à vista.

Vem isto a propósito da reacção calorosa de alguns intoxicadores à notícia de que afinal o procurador Almeida Pereira - que tantos queriam à frente da PJ do Porto - não foi acusado de corrupção. Como se alguma vez tal tivesse sido sugerido. O que aconteceu? Pura e simplesmente, este mesmo procurador é o n.º 2 do DIAP que arquivou uma série de processo do Apito Dourado que mais tarde a equipa de Maria José Morgado reabriu. Ao que consta, ou se fez constar, até é benfiquista, embora tenha sido visto várias vezes em lugares de honra do Estádio do Dragão. E, sim, apesar de benfiquista foi a Sevilha, a convite expresso de Pinto da Costa. Ele que há um ano se preparava para ocupar um lugar no Conselho de Justiça da FPF, o que só não aconteceu porque mais uma vez alguns malandros da classe jornalística, ramo ralé, conseguiram ler para além de um comunicado oficial.

Interessante é verificar que o pudor e desprezo que estes arautos da verdade revelaram durante os 4 anos que se seguiram ao dia 20 de Abril de 2004 seja substituído por todo este alarido apenas a propósito da nomeação de um director para a PJ do Porto e da campanha que dizem ter sido torpe de alguns jornais sobre este mesmo assunto. Aqueles jornais que têm dado ao Apito Dourado a dimensão que este merece, sem medo de tocar seja que poder for.

Ok, entendo a necessidade de cultivar fontes. Só não entendo esta tendência suicida para o abismo mesmo de alguns jornalistas que eu muito prezo. A dor de cotovelo resolve-se com betadine. Quanto ao carácter, nada a fazer. Quem tiver paciência que os ature.

quinta-feira, março 06, 2008

DESILUSÃO

A diferença de nível e de estatura entre a equipa do Benfica e a do FC Porto ficou bem patente na última ronda europeia.
Com menos um, o FC Porto conseguiu o seu golo e continuou a dominar o jogo.
Com menos um, embora muito mais cedo, o Benfica foi humilhado por uma equipa dos subúrbios de Madrid.
Na transmissão da SIC, ficou com 2-2, pois Augusto Marques gritou golo do Benfica numa bola na barra, mas ficaram sobretudo as imagens da desolação dos adeptos.
Entre Benfica e FC Porto apenas encontrei um ponto comum: Rui Costa e Quaresma. Só feitas as contas finais se descobriu que, afinal, ambas as equipas jogaram muito tempo com 9 elementos.

quarta-feira, março 05, 2008

GRANDE NEUER

O FCP esteve quase nos quartos.
Quaresma e Tarik estiveram quase a marcar.
Tudo parecia superável. A desvantagem, a lesão de Bosingwa e o cartão vermelho ao vulgar Fucile. Numa noite em que Quaresma foi uma lástima, perdendo mais uma oportunidade para mostrar o que vale num jogo que pede superação. Voltou a falhar.
Falta apenas dizer que na baliza do Schalke 04 esteve um grande guarda-redes. Um grande (Manuel) Neuer que pelos vistos se lê grande nóia.

A vida continua mesmo depois do lado lunar de Gelsenkirchen. Para o FC Porto sobra a proeza de ter sido a única equipa portuguesa a passar a fase regular. E para Quaresma vai o prémio de oitavofinalista insuperável nos remates ao lado (16) e nas faltas sofridas (41).

MORREU O ZÉ BOMBA

Também conhecido por Paiva Henriques, o Zé Bomba deixou-nos por estes dias. Soube a notícia hoje. O Zé foi meu colega no CM, um bom amigo, bonacheirão, dedicadíssimo ao basquetebol e excelente garfo. Um homem grande com um coração também enorme, que só aparecia na redacção a meio da tarde e por ali ficava a fazer os seus telefonemas enquanto a rapaziada dava ao gatilho. Da noite sempre fez bom proveito e com ele recordo algumas tainadas, como um dia aconteceu, quando Zé chamou um táxi para o levar a um restaurante que ficava a 100 metros, enfim, no cimo de uma das ladeiras lisboetas. Memória de um bom tempo, quando a equipa desportiva do CM era também um grupo de bons amigos, o Zé Bomba deixa-nos a saudade de um espécime cada vez mais raro nas redacções dos jornais. Não te esquecerei, amigo.

terça-feira, março 04, 2008

Chegaram os marretas


Temos má-língua assegurada nas bancadas do Dragão, amanhã à noite. A famosa dupla Statler e Walford, os dois velhotes dos Marretas, viajaram com a comitiva do Schalke 04 que chegou ao Porto há instantes. Na foto, há outro marretas atrás, mas não sabemos o nome. Entretanto, a uma brigada da Unicer foi chamada de urgência ao aeroporto Francisco Sá Carneiro para reforçar o stock de cerveja no bar. Parece que numa hora os adeptos alemães deram cabo de dezenas de grades e barris equivalentes a um mês de consumo normal. A Super Bock gosta é destes camones...

segunda-feira, março 03, 2008

Derby em Lisboa



Paulo Paraty, há uns meses atrás, em entrevista colectiva a um jornal desportivo, dizia que “os comentadores de arbitragem deviam explicar aos leitores o porquê dos erros”.Ontem em entrevista ao Jornal de Noticias, Paraty dizia “A minha nomeação foi um prémio à competência e não à carreira”. Outra frase que gostei de ler foi “ limito-me a aplicar as leis do jogo sempre com bom senso e ponderação que também se pode considerar uma regra".
Ora aí está a decima oitava lei do jogo.
Depois do presidente da comissão de arbitragem da liga, ter elaborado dois comunicados diferentes sobre “ o atraso deliberado e o corte”, esta época é assim inovadora em novidades das leis.

Análise aos casos mais falados e escritos no jogo de ontem Sporting – Benfica, provavelmente o último clássico que o engenheiro Paulo Paraty arbitrou.
Decidiu bem não assinalar duas grandes penalidades; uma quando a bola toca na mão/braço de Miguel Veloso no remate de Cardoso depois de ressaltar/tocar na perna. A outra quando Purovic deixou-se cair para trás sobre Katsouranis
Decidiu bem expulsar Nelson. A entrada em tacle como Nelson fez sobre Celsinho está reconhecida na decisão quatro da lei doze que deve ser punida com cartão vermelho por brutalidade.
Decidiu mal ao trocar o cartão vermelho por um amarelo a Katsouranis que em conduta violenta atingiu Moutinho. Ficou por exibir o cartão vermelho a Cardozo, que com o cotovelo atingiu Tonel no peito e no queixo. Só com ajuda da tecnologia é que a equipa de arbitragem poderia ter feito justiça, Mas recordo que não há nem grandes nem pequenas agressões, muito menos existe intensidade. O que a Lei diz é que quem agredir ou tentar agredir deve ser expulso.
Por ultimo, grande penalidade por assinalar favorável ao Sporting CP. Leo rasteirou e derrubou Vukcevic, com Paraty perto da jogada, não sendo possível explicar, porquê que, cometeu tal erro.

EFICÁCIA


Mais uma vez Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, deu cartas na celeridade e na clareza com que tratou o Caso Meyong. Sem culpas directas no cartório, a verdade é que "Os Belenenses" só tinham de ser penalizados pelo facto de ter utilizado um jogador ilegalmente. E só têm de agradecer ao Rui Santos. Não fosse o seu aviso e no final da época era descida garantida...


PS - O que se passou em Barcelos, naquele que devia ser um minuto de silêncio em memória de Cabral Ferreira, foi uma vergonha que temos de compreender à luz de um processo muito mal conduzido não apenas pela anterior Comissão Disciplinar da Liga mas sobretudo pela última comissão executiva

Quem tramou o Léo?

No final do dérbi de Alvalade, Léo assumiu, pela primeira vez sem rodeios, que não vai continuar na Luz depois da temporada acabar. Nas palavras que utilizou, mais do que dizer que queria ficar no Benfica, o brasileiro adiantou que está a preparar o futuro com clubes que não olhem para o seu Bilhete de Identidade. Por outras palavras, explicou que alguém o considera velho para renovar pelas águias. A questão é adivinhar quem. Deixo algumas hipóteses:

A - O actual treinador
B - O actual presidente
C - O futuro director desportivo
D - O próximo treinador
E - O próximo presidente

PS - Já agora, quem souber, diga-nos também quem serão as personagens C, D ou E...

domingo, março 02, 2008

Derby à moda do Porto


Aproveitando o intervalo no Estádio de Alvalade, no clássico lisbonense, para escrever sobre o clássico de ontem na cidade do Porto.
No Boavista – Porto, o árbitro Duarte Gomes apenas falhou no capítulo disciplinar.
Não exibiu, conforme as Leis do Jogo, o cartão vermelho a Lucho e Hussaine ambos por uma entrada sobre o adversário que personifica conduta violenta.
Bem exibidos os cartões amarelos a Diakité – expulso por acumulação – pois deliberadamente rasteirou Mariano Gonzalez e bem exibido a Tarik que não pode discutir daquela forma.
Quanto ao golo anulado, por Bertino Miranda um dos mais competentes árbitros assistentes, a Stepanov, foi bem analisado pois este encontrava-se em posição de fora de jogo no momento da marcação da falta.

AS NOSSAS VIDAS ARRUMADAS

Quantos de nós já não se interrogaram quando reflectem sobre as respectivas profissões: mas ando a perder tempo com isto porquê, como é que cheguei aqui? Tenho amigos que fazem um pouco de tudo. Como estamos todos a entrar naquela fase de declínio mental e físico, já deixei de lhes perguntar se são felizes assim. Quero acreditar que sim. Quero acreditar que defender mafiosos em tribunal, cuidar de barragens no Douro, produzir acusações públicas, chefiar gabinetes, escrever artigos para jornais, promover vendas, tratar de ar condicionado ou vender alarmes de automóveis é algo essencial para a vida humana e para a batalha da produção. Mas há momentos em que sinto que se calhar estamos todos a exagerar. Como aconteceu no sábado à noite, depois de arrumar o carro a um quilómetro do Bessa e quando me preparava para carregar com 3 quilos de informática e outro tanto de papel e quinquilharias às costas. O arrumador recolheu a minha nota de 5 euros, deu-me 4 euros de troco e despediu-se assim: "Ok, tá feito, 75 euros, vou até ao café comer uma francesinha e beber a minha caneca enquanto vejo o jogo".

- Rendeu o dia, disse eu.
- Nem por isso. Quando a Espanha jogou aqui ganhei 250 euros numa hora, respondeu o jimbras.

E SE O BENFICA FOR CAMPEÃO?

» um contributo de Pedro Coelho

sábado, março 01, 2008

Xistra o Penaltista



Carlos Xistra, árbitro da Covilhã, tem-se especializado em assinalar. ou não, grandes penalidades em tempo de compensação.
Em Matosinhos assinalou duas e não assinalou outra.
A que assinalou na primeira parte não tem espinhas.
O pior é quando o jogo está em tempo de compensação.
Já foi assim a semana passada em Vila do Conde, quando assinalou uma grande penalidade contra o Vizela que não existiu, aos 93 minutos.
E se, agora em Matosinhos, a Académica têm razão de queixa, porque Xistra assinalou um penalty inexistente aos noventa e um minutos, um minuto depois Joel foi puxado por Edgar à entrada da área de baliza, mas Carlos Xistra, desta vez, nada marca, para desespero do jogador e adeptos leixonenses.

Derby no MInho



Porque o futebol português não é só os três grandes e o Leixões, que neste momento marcou o seu primeiro golo à Académica, numa grande penalidade bem assinalada pelo árbitro Carlos Xistra, empurrão de Vítor Vinha a Jorge Gonçalves, aliás penalidade um tanto ao quanto idêntica à que não foi ontem assinalada pelo árbitro Paulo Costa em Braga, aqui fica a análise ao trabalho da equipa de arbitragem ontem no Minho.
Braga e Guimarães, também são dois clubes grandes e com enorme apoio dos seus adeptos e associados, representando ambos uma das regiões mais importantes da península Ibérica.
Casos de difícil análise apenas na primeira parte. Mrdakovi marca o golo mas o árbitro assistente Vítor Carvalho, militar de profissão, analisou bem a posição em fora de jogo e anulou o golo.
João Pereira tem que ter mais cuidado, pois o cartão amarelo aos 30 minutos foi leve e ainda arriscou ser expulso da maneira como discutiu com Paulo Costa. E a seguir a forma como agarrou rasteirou e derrubou Alan poderia ter sido exibido pelo árbitro o segundo cartão amarelo e consequente expulsão, isto num espaço de três minutos.
45 Minutos de Jogo – Grande penalidade por assinalar Sereno empurrou João Pereira e no minutos seguinte novo erro de Paulo Costa ao não assinalar pontapé livre directo, pois João Pereira foi rasteirado à entrada da área.

AS ÚLTIMAS SESSÕES

« compacto da 6.ª, 7.ª, 8.ª e 9.ª sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado (textos editados no Record online)A quimera do ouro

José Luís Oliveira quando este era presidente da comissão administrativa do Gondomar, revelou hoje à tarde em tribunal que lhe foi pedido para cunhar objectos em ouros relativos aos jogos que o Gondomar SC nessa época disputou com o Benfica e o Paços de Ferreira, a contar para a Taça de Portugal da época de 2002/2003. O ourives não conseguiu explicar a razão da encomenda numa época em que o Gondomar acabou por ser eliminado pelo Paços de Ferreira depois de vencer sensacionalmente na Luz por 1-0. Fernando Ribeiro disse que as pulseiras que Oliveira encomendou se destinavam aos árbitros desses jogos pois os nomes dos mesmos foram lá gravados. O Benfica-Gondomar foi arbitrado por António Taia (Setúbal e o Paços Ferreira-Gondomar foi dirigido por Nuno Almeida (Algarve).Ribeiro explicou ainda que as pulseiras que fez para o jogo do Gondomar com o Benfica eram de valor idênticos aos artefactos em ouro que entregou na época posterior, presumivelmente para os árbitros dos jogos do Gondomar.Quando respondia já a perguntas do advogado dos Dragões Sandinenses, acabou por considerar que tinha consciência de que o ouro que lhe era comprado por José Luís Oliveira se destinava a árbitros, dando até como exemplo as pulseiras para os jogos da Taça de Portugal que tinha referido anteriormente. "Se até tinham o nome do árbitro...", desabafou sobre artefactos que começavam com a palavra "recordação do jogo..."Sobre os jogos do Gondomar na época de 2003/2004, o ourives referiu que fazia entregas normalmente ao fim de semana no valor unitário de 700 euros, sendo que esses objectos (pulseiras e voltas) podiam valer numa ourivesaria "masis 40 our 50 por cento". Algumas dessas entregas, que estão detalhadas em documento entregue pelo ourives, foram de 1000 euros, por se tratar de "ouro para senhoras".

Linguagem pornográfica

Um advogado já tinha considerado, na fase de instrução deste processo, que as escutas são pornográficas. As perguntas que têm sido feitas já na fase do julgamento andam lá perto, como hoje aconteceu no início da 9.ª sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado. "O sr. inspector ouviu o treinador do Bragança chamar filho da puta ao árbitro?", perguntou a advogada Fátima Castro, que defende, com Carlos Duarte, os árbitros Jorge Saramago e António Eustáquio (este último foi o juiz do jogo Bragança-Gondomar). O inspector Jorge Marques nada ouviu...´Este inspector disse que apenas fez apoio às equipas da PJ que fizeram diligências em três jogos do Gondomar na época de 2003/2004, com a missão de obter imagens, sendo que num dos jogos o equipamento falhou. "Pelo que vi, os jogos decorreram em circunstâncias naturais, não vi nada que tivesse sido anormal", considerou, ao que o juiz acrescentou a pergunta: "Que se lembre, não é?"Por insistência do advogado Pedro Alhinho, mandatário de Joaquim Castro Neves, Marques acabou por revelar que os inspectores da PJ deslocados nestas diligências ao fim de semana recebiam 2,45 euros à hora a título de remuneração extraordinária, valendo cada missão em média 40 euros neste tipo de remuneração. É uma linha de inquirição que este advogado tem mantido quando confrontado com inspectores da PJ, no sentido de justificar o prolongamento da investigação durante largos meses.

O ceguinho

"Há claramente mão na bola, dentro da área, e disso eu não tenho dúvidas", foi assim que Alberto Lourenço, inspector da PJ, analisou um lance do jogo Vilanovense-Gondomar, referindo-se a um incidente que poderia ter proporcionado à equipa da casa uma grande penalidade. O inspector da PJ disse em tribunal que este lance resultou de um lance "de bola corrida" mas o advogado Luís Ferreira, mandatário do árbitro Valente Mendes (em causa nesta partida), recordou que resultou da marcação de um livre directo e que o inspector estava a 60 metros do lance, na bancada, enquanto o árbitro estava "a um metro da bola", como reconheceu o próprio inspector da PJ. "Sabe se nas leis do jogo se distingue o que é mão na bola e bola na mão?", perguntou ao inspector o advogado Pedro Alhinho. Este não sabia...Alberto Lourenço tinha ainda em memória um lance em que um jogador do Gondomar comete falta e o seu adversário pergunta ao árbitro "então não é nada?", tendo o árbitro mandado jogar. "A equipa de arbitragem devia integrar sempre um elemento da PJ, nem que fosse cego", foi a recomendação, irónica, que deixou o advogado Luís Ferreira, perante a determinação do inspector em analisar os lances que viu como se se tratasse de um perito de arbitragem.Paula Godinho, mandatária de José Luís Oliveira, confrontou também o inspector com uma escuta entre o ex-presidente da comissão administrativa do Gondomar e Pinto de Sousa, na qual o primeiro dizia não saber o nome do árbitro. "Não sei nem me interessa, mas sei quem anda à procura disso", referiu Oliveira, tendo Paula Godinho pegado na deixa: "Na PJ não procuraram também saber quem andava à procura disso?". Alberto Lourenço disse que não era sua competência definir estratégias de investigação.

O Apitacho

Sérgio Pereira, árbitro da Associação de Futebol do Porto, foi o primeiro a ser ouvido na oitava sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado. Pereira esteve acusado mas não foi pronunciado, tudo com origem numa conversa telefónica com José Luís Oliveira, ex-presidente do Gondomar, 25 minutos antes do jogo Gondomar-Paredes, da época de 2003/2004. Nessa conversa, Oliveira disse a Pereira: "Veja lá o que pode fazer que tenho umas lembrançazinhas para si". O árbitro disse que o recado "entrou por um ouvido a 10 e saiu a 150".O árbitro do Porto fez o seu próprio retrato e considerou-se "uma pessoa que não é fácil, não diria impossível, de contactar". Por isso, normalmente "as pessoas não se atrevem a falar comigo". Na sequência de um depoimento aberto, Sérgio Pereira, que é autor de alguns manuais de arbitragem, confessou que já recebeu prendas do Gondomar e até mostrou uma: um apito dourado! Tão pequeno, dentro de um saquinho de plástico, que despertou até sorrisos do procurador Carlos Teixeira. Disse Pereira que lhe foi oferecido em 2000 e atribuiu-lhe um valor apenas simbólico. "Posso dizer que fiz 5 jogos do Gondomar desde 1998 e o Gondomar nunca venceu", informou ainda o tribunal.Sérgio Pereira fez questão de esclarecer que lhe foi oferecido pelo Gondomar no ano de 2000, não conseguindo precisar por quem, sendo que nesse ano José Luís Oliveira, principal réu deste processo, ainda não era presidente da comissão administrativa do clube gondomarense.O árbitro do Porto falou ainda de dois outros réus deste processo: Carlos Carvalho e Pinto de Sousa, Sobre o primeiro, presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol do Porto, disse Pereira que integrou, como bandeirinha, uma equipa chefiada por ele, na I Divisão nacional. "Pelo que conheço dele, jamais seria de falar comigo sobre qualquer assunto como os que aqui têm sido focado", disse. Sobre Pinto de Sousa, considerou-o "uma pessoa íntegra e defensora da arbitragem".

Coitado do Leça!

Ainda esta manhã, o tribunal ouviu também o ex-árbitro Aníbal, que também foi acusado mas acabou por não ser pronunciado. Em causa estava o jogo Leça-Gondomar, que terminou com a vitória da equipa visitante por 1-0, tendo os leceiros reclamado uma grande penalidade que o árbitro não assinalou. Gonçalves teve com José Luís Oliveira, então presidente da comissão administrativa do Gondomar, uma conversa na semana do jogo a propósito da nomeação já conhecida do árbitro, tendo este afirmado que a equipa de arbitragem iria "ser a melhor". Um mês e meio antes, sensivelmente, Gonçalves tinha jantado com Oliveira e com o antigo árbitro assistente Jorge Garcia no restaurante Margem Douro. O ex-árbitro disse que o convite partiu de Garcia, seu amigo, e que no jantar se comeu "um peixinho" e falou-se de futebol "mas do passado". Questionado sobre quem pagou esse jantar, Gonçalves respondeu: "Se calhar o sr. Jorge Garcia, mas não sei..."Depois do jogo, Gonçalves telefonou a Oliveira mas disse em tribunal que o fez apenas para pedir a cassete do jogo pois sabia que iria ser penalizado pelo observador, Isidro Lopes, que noutras épocas o teria classificado mal, e queria recorrer da nota que disse ainda não conhecer para a FPF. Gonçalves disse não ter recebido qualquer prenda material do Gondomar e recordou-se de ter ouvido no balneário que os jogadores do Leça teriam nesse jogo um prémio de vitória, não conseguindo identificar quem fazia a oferta.

Garganta funda

Rui Mendes, o antigo árbitro de 1.ª categoria que espoletou o processo Apito Dourado, em 2001, está a ser ouvido no Tribunal de Gondomar. Disse que se sentiu injustiçado com a nota que teve no seu jogo de estreia na I Liga - Campomaiorense-U.Leiria - e que procurou falar com Valentim Loureiro, então presidente da Liga.Convidado a deslocar-se à Câmara Municipal de Gondomar, foi esperado por José Luís Oliveira e ambos deslocaram-se "para um espaço amplo", tendo aparecido de seguida Valentim Loureiro. O presidente da Liga surgiu com uns papéis na mão, "com a minha radiografia", tendo-lhe dito que a sua classificação era "preocupante" e que estava "para descer de divisão". Ali mesmo, segundo Mendes, o major tentou fazer algumas diligências por telefone para a Liga e depois disse-lhe que a situação "era recuperável". O major ausentou-se e Mendes disse que se deslocou com Oliveira para o gabinete que pensa ser do vice-presidente da Câmara de Gondomar. Onde, sobre a secretária, se encontrava aberto o "Jornal de Notícias" nas páginas desportivas, precisamente no espaço referente à 2.ª Divisão B. Aí, Oliveira perguntou-lhe se estaria preparado para fazer o próximo jogo do Gondomar, na Trofa, e disse-o enquanto passava os olhos pela tabela classificativa, tendo verificado que o Gondomar estava mal classificado. Oliveira telefonou então para alguém que Mendes não conseguiu identificar pedindo para ser ele o árbitro do jogo do Gondomar na Trofa e também que Vasco Vilela apitasse o Gondomar-Bragança, como também aconteceu. O Gondomar empatou na Trofa e não desceu de divisão. Sobre as intenções destes actos, Mendes disse apenas: "Para bom entendedor, meia palavra basta e entendi que esta nomeação ia no sentido de eu beneficiar o Gondomar, ou seja, percebi que tinha vindo de uma situação de denúncia e já estava metida noutra", desabafou o antigo árbitro que desceu mesmo de categoria, esteve um ano sem apitar, e duas épocas depois estava nos distritais, tendo abandonado a arbitragem em 2004.À saída do tribunal, Rui Mendes, disse que nunca imaginou que a sua denúncia desse origem a um processo desta dimensão. "Se calhar devia ter sido cobarde...", desabafou quem acha que hoje é considerado por muitos "a besta negra da arbitragem e do futebol português"-

Ouro e garrafinhas

Finalmente, a primeira confirmação, de viva voz, de que o Gondomar SC oferecia artefactos em ouro aos árbitros. Paulo Silva e Filipe Pereira, árbitros do Algarve, que apitaram um jogo do Gondomar em Fafe, na época de 2003/2004, afirmaram em tribunal que a equipa de arbitragem recebeu três voltas em ouro da parte dos dirigentes do Gondomar, 30 minutos antes do jogo. Mas também disseram que a equipa local lhes ofereceu, a cada um, dois pares de calças de ganga e "umas garrafinhas de vinho". No entanto, os dois árbitros não atribuíram aos artefactos em ouro que receberam um valor "para além das normais lembranças" que recebem "de 90 por cento dos clubes". No caminho para casa, a equipa de arbitragem até levantou a hipótese de o ouro ser verdadeiro ou "como esse das revistas", como disse o árbitro assistente Filipe Pereira.Também se ficou a saber que antes deste jogo, o árbitro Paulo Silva recebeu um telefonema de Pinto de Sousa. O então presidente do Conselho de Arbitragem da FPF disse estar ao lado do presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol do Algarve, tendo-lhe desejado boa sorte para o jogo em Fafe. A seguir ao jogo, Pinto de Sousa voltou a telefonar a Paulo Silva para saber como tinha corrido o jogo, desejando boa viagem à equipa de arbitragem no regresso ao Algarve. Paulo Silva confessou que não é frequente receber chamadas do presidente do CA da FPF antes dos jogos estando este "ao lado" do presidente do seu conselho distrital. Mais não conseguiu dizer do que isto sobre este assunto.

A lampreia

No início da sétima sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado, o ciclóstomo vulgarmente conhecido por lampreia, da família do mais básico dos verterbrados, voltou a ser prato principal. Gonçalo Silva, o procurador do MP, perguntou à testemunha Rangel Bernardo, ex-árbitro assistente, se há lampreia em Alcobaça, onde aquele reside. Bernardo reagiu assim: "Não sei o que é isso", Um advogado tentou ajudar: "É um ciclóstomo". Pois... "É um prato tradicional do Norte, que normalmente se come de cabidela", tentou esclarecer o procurador, que lá se conformou face à ignorância de Bernardo: "Não deve haver lampreia nos rios Coa e Baça..." Onde o procurador queria chegar era a um jantar, ao que se presume de lampreia, que se seguiu ao jogo Gondomar-Bragança, em Março de 2003, no qual teria estado a equipa de arbitragem comandada por Sérgio Sedas, réu neste processo, onde se integrava também Rangel Bernardo. Que até ao fim do depoimento continuou a não recordar-se de qualquer pormenor relativo ao dia do jogo em causa. "O senhor não se recorda do jogo, não se recorda de mais pormenores desse dia mas recorda-se que jantou em casa", desabafou o juiz António Carneiro da Silva. Bernardo acabou por afirmar que também não se recorda se jantou em casa, embora fosse provável que tal tivesse acontecido pois era seu hábito.

Quantos são, quantos são?

Ò Garrido, não se meta comigo, se não limpo-o do futebol!" - António Garrido recorda-se deste trecho de uma conversa que Valentim Loureiro teve consigo depois do jogo Dragões Sandinenses-Gondomar, que terminou empatado a uma bola. O antigo árbitro internacional, testemunha arrolada pela acusação, esteve lá na qualidade de assessor da FPF para a arbitragem e o jogo foi dirigido por Manuel Valente Mendes, réu neste processo.Os Dragões Sandinenses queixaram-se de terem sofrido o empate através de uma grande penalidade que não existiu, já perto do fim do jogo. Mas também o Gondomar contestou a grande penalidade que deu origem ao golo do seu grande rival na época de 2003/2004.Ouvido no Tribunal de Gondomar, António Garrido disse que a conversa dura que o major teve consigo não serviu para o intimidar. "Não liguei, ele fala alto mas é a sua maneira de ser, embora pense que não merecia ter tido aquela conversa", reconheceu Garrido. "O major por vezes é brusco, umas vezes com humor, outras não...", acrescentou.

A primeira escuta

A sexta sessão do julgamento do processo originário do Apito Dourado começou hoje com a audição de mais uma testemunha arrolada pela acusação: Jorge Barros, um ex-bancário que foi delegado do Fafe num jogo com o Gondomar. Barros considerou normal o facto de os clubes oferecerem "lembranças" aos árbitros. No caso do Fafe, revelou, os árbitros eram presenteados com garrafas de vinho.Jorge Barros falou do jogo Gondomar-Fafe, que foi apitado pelo árbitro Fernando Valente. O árbitro de Viana do Castelo, detido no dia 20 de Abril de 2004, foi constituído arguido mas acabou por não ser acusado. O Gondomar ganhou esse jogo por 3-1. Nesse jogo, Valente expulsou o guarda-redes do Fafe e também o treinador deste clube, tendo também dado ordem de expulsão a um jogador do Gondomar, já no final do jogo. Segundo Barros, o árbitro cometeu alguns erros. "Tem presente algum erro do seu defesa esquerdo ou do seu guarda-redes?", quis saber o advogado Carlos Duarte, que defende os árbitros António Eustáquio e Jorge Saramago."Aqui não mexem, deve ser ouro"Seguiu-se Pedro Ribeiro, ex-árbitro assistente do árbitro setubalense José Palma. Em causa estavam dois jogos do Gondomar, da época de 2003/2004, com o Ermesinde e com o Lixa. Ribeiro confessou que a equipa de arbitragem encontrou no balneário três pequenos pacotes. O chefe de equipa deu ordens para ninguém tocar naquilo. Por isso, Ribeiro não sabe qual era o conteúdo das prendas ali deixadas pelo Gondomar, ele que disse nunca ter recebido relógios ou sapatos a título de lembrança. Ribeiro considerou que as prendas em questão, cujo conteúdo desconhece, "eram mais que prendas simbólicas". No entanto, o árbitro não as mencionou no relatório do jogo.Também foi ouvido o outro árbitro assistente envolvido nestes casos, Francisco Mendes. Ainda no activo, este árbitro do Barreiro reproduziu palavras do seu chefe de equipamento no momento em que entraram no balneário: "Aqui não mexem, deve ser ouro". Tentou Gonçalo Silva, o procurador do MP, perceber o conteúdo das prendas. "Podiam lá estar rebuçados...", alvitrou. Mas Mendes não conseguiu ser mais esclarecedor, não sento também capaz de explicar porque razão este facto não foi mencionado no relatório do jogo.A escuta da lampreiaMas o grande momento da manhã acabou por ser a audição da primeira das 20 mil escutas que constam deste processo. Trata-se de uma conversa entre os árbitros Licínio Santos e Pedro Sanhudo não transcrita na acusação e ouvida a pedido da defesa de Sanhudo, para ajuda a provar que Sanhudo compareceu num jantar de lampreia com Licínio e jogadores de Gondomar a convite de Licínio Santos. "Vou falar com o Oliveira", disse Licínio a Sanhudo, depois de terem estado a combinar uma homenagem ao árbitro António Eustáquio, também réu neste processo. "É lampreia ou outra coisa qualquer", antecipou Licínio a ementa. Foi lampreia.

Por favor, não pisem os malmequeres!

  Ia escrever qualquer coisa sobre isto mas o João Freitas - um dos melhores jornalistas que conhece - tirou-me todas as palavras da boca. ...