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sexta-feira, abril 24, 2009

GABRIEL, O PENSADOR


Confesso que fiquei confuso quando, há alguns dias, verifiquei que a revista do jornal "Sol" dedicou oito páginas à história de vida de João Gabriel, director de comunicação do Benfica. Diga-se desde já um excelente trabalho de José Fialho Gouveia, um retratista da palavra também com grandes performances na entrevista.
Mais, JG era também o tema de capa, sob o título "A voz da Luz". Já suspeitava que Gabriel era um homem com protagonismo no Benfica, onde chegou respondendo a um convite de Rui Costa. Uma recente aparição televisiva do mesmo confirmou apenas esta postura, se bem que esta seja uma palavra a banir do texto jornalístico pois, como me dizia um velho mestre, posturas têm os táxis e as meretrizes.
Não sei se os nossos leitores tiveram tempo para ler o longo trabalho inserido na "Tabu". Eu tive. Por isso, posso dizer-lhe que João Gabriel não se chama João Gabriel mas sim Juan Gabriel pois nasceu e foi registado na Venezuela do nosso amigo Hugo Chávez, que suspeito não se chamar Chávez mas Chaves.
Sem o querer maçar muito, posso acrescentar que João Gabriel, ou Juan Gabriel, esteve quase a ser assassinado quando, na condição de repórter da TSF, entrou à má fila na Jugoslávia que se fracturava e que ainda na escola primária já mandava artigos para jornais. Na condição de jornalista, todos devem estar bem lembrados que foi o primeiro a conseguir entrevistar Xanana Gusmão na prisão e o facto de Carlos Magno achar que fez mal só abona em seu favor. E quem fala em factos fala em fatos pois esta foi palavra que ainda não foi contaminada pelo acordo ortográfico, apenas para se dizer que uma das proezas de João Gabriel, ou Juan Gabriel, foi ter cedido um dos seus fatos a Xanana quando este foi condecorado em Lisboa por Sampaio.
Também podia dizer que está sempre a comer - se calhar já disse - mas não vem para o caso entrar na sua vida particular, tanto mais que se trata de um ex-colega meu na "Gazeta dos Desportos", numa fase em que este saudoso jornal desportivo foi assaltado por uma espécie de tropa de choque que combinava estratégias à noite no "Snob" e que por razões óbvias - e reparem que me estou a referir ao molho do bife - no dia seguinte esquecia todas as brilhantes ideias.
João Gabriel, ou Juan Gabriel, destacou-se também como assessor de Jorge Sampaio e o próprio releva o dia em que trocou de camisa com o então Presidente da República para que este não aparecesse em público com marcas de suor. Foi um acto de grande heroísmo, reconheço. E patriótico.
Podia aqui referir mais aventuras e proezas de João Gabriel, ou Juan Gabriel, mas não quero maçar mais o leitor, que ainda vai a tempo, antes da recolha de sobras, de ler na íntegra a peça jornalística de Fialho Gouveia. Um jornalista, também me dizia o tal velho mestre, nunca é notícia mas há momentos em que a excepção confirma a regra. Como dá para perceber, João Gabriel, ou Juan Gabriel, é a excepção. Diria mais, o excepcional.
Como voz do Benfica, destronou definitivamente o Luiz Piçarra.
Como director de comunicação, brilha mais que o próprio presidente.
Como jornalista, só não ganhou o Pulitzer porque não se chama John Gabriel embora dê pelo nome de Juan ou João Gabriel.O Benfica pode continuar na doca seca mas não restam dúvidas: tem um anjo que o guia. Aposto que João Gabriel não duraria mais de dois minutos na condição de director de comunicação do FC Porto. É, porém, brilhante no papel que agora lhe tocou. Como imagem e voz do Benfica é perfeito. Ou seja, faz muito barulho para nada e com nada. Mas diverte-nos. Muito.


PS - Falta-me apenas confirmar uma coisa: este João Gabriel, ou Juan Gabriel, não era o mesmo que se assumia como indefectível sportinguista em famosas viagens presidenciais?...




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10 comentários:

Kadja disse...

Eugénio Queirós o iluminado! Ainda bem, que só ele é capaz de trazer até nós estes textos fantásticos. Apenas uma mente brilhante como a do EG, é capaz de chegar a estas conclusões. Apenas uma mente como a de EG é capaz de estar na Nata do Jornalismo Mundial. Ainda bem que em Portugal existe o Eugénio Queirós.

ps. Visitou a exposição sobre os Paralímpicos ou prepara outro brilhante texto?

Manolo Morera disse...

Na altura dava jeito...toda a gente sabe que o Jorge Sampaio é um aguerridíssimo sportinguista e por uma questão da mesma solidariedade da cedência da camisa...enfim, ainda bem que eu não sou comprador do Sol, caso contrário já era um ex-leitor do Sol...sim, que um jornal que precisa de ocupar 8 páginas com uma entrevista a uma personagem destas, não deve ter grandes assuntos para tratar.

Anónimo disse...

Ainda são os efeitos do que bebeste ontem na festa dos 27 anos de exercicio consecutivo do mafioso mor que estudou no colégio das caldas, em St.ºTirso...

gin-tonic disse...

Caro Eugénio Queiroz:
Volta e meia passa por aqui, umas vezes aprende, outras diverte-se, outras fica assim como incomodado. Mas volta sempre e há-de voltar...
Diversas vezes esteve para comentar qualquer coisinha mas... hoje, talvez porque seja véspera de um dia que há 35 anos ele - como outros - soube que seria o dia em qie a partir dali poderia passar a sorrir sem amartguras, os dedos figiram-lhe para o comentário.
Declaração de interesses: é do Benfica, sócio para aí há uns 55 anos. Sempre entendeu - talvez mal - que o Benfica, ou qualquer outro clube, não necessita de assessores de imprensa, ou lá o que lhe chamam, para nada. Também não gosta do sr. João Gabriel porque, eequanto assessor de imprensa de Jorge Sampaio, tratou os camaradas de profissão quase a pontapé. Como também não foi jornalista, nem nada que se pareça, chateia-se, finamente, quando os mesmos jornalistas, que podem resolver os problemas todos entre si, no "Snob", onde calhar, virem lamuriar-se do que os outros fazem, ou não fizeram ou hão-de fazer. Já lá vão muitos anos, mesmo muitos, chateou-se mesmo quando Carlos Pinhão, um excelente jornalista, desabafou em público que o jornalismo desportivo era o melhor jornalismo português. Até era, só que não ia à Comissão de Censura. pormenor importante...
Chegado aqui parece que se perdeu, talvez tenha carregado na dose de gin e já não saiba o que queria dizer. Ou por outra: está para saber porque se meteu hoje pelos comentários dentro. Um camarada seu, Rodrigues da Silva, que nos deixou há uns meses, disse, a propósito de uma coisa totalmente diferente: "algures, numa dobra da História, alguma coisa falhou, algum erro se cometeu. Seria altura de saber, onde, como, porqiê. Mas talvez seja demasiado tarde..."
Desculpe o lençol e a incongruêmcia.
Um abraço

Anónimo disse...

Ainda se perde tempo. a falar deste
Lagarto, que se transformou em Abutre

Um jornal que entrevista, uma figurinha desta!... deve estar estar com os dias contados.
Alguém conhece, esta personagem.

Ó Eugénio: vai catar chatos com
uma luva de boxe.

O PORTO É GRANDE VIVA O PORTO.

Anónimo disse...

Distraidamente, comecei a ler o escrito, pensando que era um elogio fúnebre. Quando vi que não era, parei! Sol, Fialho Gouveia, Benfica, é areia demais para a minha pachorra! Safa! Fiquem lá com a bicicleta...

Anónimo disse...

Lagarto?... Estás muito enganado...

giroflé disse...

"Confesso que fiquei confuso quando, há alguns dias, verifiquei que a revista do jornal "Sol" dedicou oito páginas à história de vida de João Gabriel, director de comunicação do Benfica", afirmando que o mesmo está careca de ser parvo, ainda mais que pensador.
E eu pergunto, como é que tal revista gasta tinta assim à toa, se, além de cheques, carecas é o que mais há por aí.

Anónimo disse...

É só mais um a fazer-te sentir pequenininho...
Porque é que não contas a esses morcões que eras gozado até às lágrimas, no Snob!
Nunca passarás de um bimbo que antes do 25 de Abril, nem tinha entrado na Universidade.
Conta a esse andrades que quando tentavas sentar-te à mesa com eles, 5 minutos depois estavas sózinho!

pesbemaqssentesnalua.blogspot.com disse...

Caríssimo Eugénio!

Está a ver o Manha, o Delgado e o Cartaxana?

O senhor, felizmente, não tem nada a ver com eles...que ficcionam pseudo teorias da conspiração, alicerçadas no mais profundo psitacismo corroborado numa sem vergonhice sem sem paralelo...

Não me interessa se é do Porto, do Benfica ou do Sport de Rio Tinto ( julgo que já o li a assumir-se como benfiquista...)
Eu sou portista e tenho muita admiração pela sua idoneidade...e pela qualidade da sua escrita, mordaz e inteligentemente provocadora!



Eugénio Queiros, Bruno Prata, Carlos Daniel...três homens do Norte,os três melhores jornalistas portugueses...
(entenda-se os "homens do norte" sem qualquer tipo de regionalismo bacoco)