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sexta-feira, setembro 29, 2006

Pobre país este onde vivemos

Desculpem qualquer coisinha mas já estou quase como o Prado Coelho, esparramando a minha vidinha neste espaço público de interesse privado. Quero falar outra vez do "sensacional" sistema escolar, ao nível do básico (palavra certa), que o Governo lançou este ano no jeito de programa piloto em alguns concelhos, onde as turmas passaram a ter aquilo a que designaram horário normal. A normalidade do serviço no fundo é isto mesmo: o ministério da Educação a passar a bola para a Câmara, a Câmara a devolvê-la ao ministério... Estive ontem à noite numa pequena sala de aulas apinhada de pais preocupados porque os seus filhos estão muito longe de ter a escola que merecem. Falo de Leça da Palmeira e da Câmara de Matosinhos, para que seja bem entendido. Fiquei a saber que aquela que é a escola modelo da freguesia não tem o sistema de gás inspeccionado e que um carro de bombeiros não pode dela aproximar-se em caso de incêndio. A milha filha, ainda com 5 anos, devia ter o seguinte horário: entrada às 9, almoço na escola entre o meio-dia e a 13.30, aulas dessa hora até às 15.30 e aulas de complemento escolar até às 17.30 horas, sendo essas aulas de educação física, artes plásticas, música e apoio ao estudo. Duas semanas depois do início das aulas, continuo a ter de ir buscar a garota para almoçar e fiquei a saber ontem que para a semana a miúda em vez de sair às 15.30 (uma hora bastante apropriada) vai sair à 3ª às 16.45 e às 4ª no chamado horário normal (17.30). Porque a Câmara ainda não colocou monitores e há uns barrotes perigosos nos contentores do parque público onde os miúdos vão almoçar, vou ter de continuar a deslocar-me mais duas vezes à escola para não deixar a Francisca morrer de fome. Se tudo isto não fosse grave, até teria alguma piada. Mas confesso que não achei graça nenhuma quando recebi esta semana a minha nota de pagamento do IRS e fiz contas ao dinheiro que o ano passado dei ao Estado português. Provavelmente, foi aplicado na contratação de uns tantos assessores para o vereador da Educação do meu concelho xuxialista. Ou na contratação de monitores muito incomodados pelo facto de este ano terem de dar apoio escolar...

2 comentários:

Anónimo disse...

Na senda do teu outro tópico, triste país o meu em que tenho de pagar 700Euros por mês para ter os meus filhos a estudar numa escola privada porque senão um de nós (mãe ou pai) teria de abandonar o seu emprego para poder levar e buscar os filhos à escola pública cujo horário é: 9H-12H30, 13H30-15H.
Quem já não tem pais nem sogros, tem de deixar de trabalhar ou então deixar de ter filhos.

Anónimo disse...

Essa do apoio escolar e as novas directrizes da ministra da Educação dão para rir. A minha filha, do 3º ano, devia ter obrigatoriamente inglês, mais música e educação física. A escola candidatou-se... sabe-se agora porque foi, como todas as outras, obrigada a candidatar-se.
O problema é que a escola não tem meios físicos (espaço) nem humanos (professores). Da turma da minha filha não ficou ninguém nessas actividades extra. Até hoje não se sabe se aquilo vai ser mesmo dado na escola.
Já não é andar a criar uma criança para isto, é pagar para isto. O Ministério impõe, a escola cumpre mas não pode pôr em prática.
É má educação, fora a questão económica de os impostos não servirem para nada e uma ministra querer mostrar serviço.