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sexta-feira, janeiro 08, 2010

PEDROTO AINDA

As memórias do meu pai, Joaquim Queirós, sobre JM Pedroto:

Vários jornais, no dia de hoje, publicaram extensas prosas sobre a vida do treinador José Maria Pedroto, quando da passagem do 25º ano da sua morte. Associamo-nos à efeméride e lamentamos a perda de um nome grande do futebol português e de um amigo. Mas algo ficou por contar, talvez pela juventude de alguns dos que falaram sobre o "Zé do Boné", que não tiveram oportunidade de privar com o mesmo, mas já é de lamentar que a história da sua carreira não tenha sido bem contada. Também já nos falta o Manuel Dias para saber falar de tudo.
Ora o Pedroto que começou a sua carreira nos juniores do Leixões, quando ainda residia em Pedras Rubras e frequentava a relojoaria do saudoso Albano Basto, dirigente, anos a fio, do Leixões, cedo começou a dar nas vistas e quando do serviço militar foi para Tavira e jogou em Vilas Real de Santo António. Naturalmente, deu nas vistas. E o Belenenses arregalou os olhos, servindo-se do meio em que se movimentava da alta política e do sócio Américo Tomaz, Pedroto foi transferido ao abrigo duma Lei Militar (nesse tempo ainda não se falava em apito dourado). E Leixões nada conseguiu dizer. Caladinho porque o respeito e o Estado Novo mandavam assim.
Passado algum tempo, para espanto de todos, Pedroto é transferido para o FC Porto, salvo erro por 300 contos (então a maior transferência no futebol Português) e o Leixões nem sequer teve direito a...30o escudos!
E começa então a ascensão do futebolista até vir a ser treinador, também se a memória não me atraiçoa estreando-se na Académica. Depois seguiu-se o Leixões e acontecer-lhe-ia a única "chicotada psicológica" da sua grande e gloriosa carreira.
O Leixões tinha perdido em Torres Vedras por 4-0 e ficou com os pés mergulhados na descida de divisão. A Direcção presidida por Francisco Mil Homens decidiu despedir Pedroto. E fomos nós que tivemos de o fazer, na qualidade de secretário geral do clube. Não esqueceremos, jamais, as escadas da sede em Roberto Ivens, por cima da garagem S. Salvador, quando lhe demos conhecimento. Custou-lhe, naturalmente, a a aceitar. Até chorou, dizendo-nos: "não me façam isso" . E o Leixões tinha de o indemnizar, mas não tinha dinheiro, o que motivaria, mais tarde, uma acção judicial, em que até as chuteiras dos jogadores foram penhoradas.
Tivemos, então, de contratar um novo treinador, sendo incumbidos da dificil missão nós e o outro dirigente que era o saudoso Mário Maia. Este sabia muito de andebol, portanto, como ós já andávamos pelos jornais, responsabilizou-me pela tarefa. Conheciamos um nosso amigo jornalista, já falecido, casado com uma senhora espanhola, das Canárias, que tinha relações de amizade com uma família canarinha em que havia um treinador. Chamava-se Ruperto Garcia e havia treinado a selecção da Venenzuela.
O senhor veio a Matosinhos e tudo foi tratado a alta velocidade. Um homem sério que até prescindia dos prémios para os distribuir pelos jogadores. De treinador percebia pouco e os seus métodos eram até discutidos pelos jogadores. Mas a verdade é que logo na primeira saída o Leixões foi ao Seixal e venceu por 3-0. E daí para a frente os resultados foram aparecendo e o Leixões não desceu de divisão.
Ruperto Garcia foi-se embora no final da época, mas decidiu escrever uma autobigrafia, na qual escreveu: "em tantos de tal, fui treinar o Leixões, substituindo José Maria Pedroto e salvei o clube de descer de divisão". E foi verdade.
Mais tarde, já quando Pedroto era o treinador glorioso e nós havíamos feito as pazes com ele, já jornalista, nas madrugadas debaixo da pala do Café Orfeu, na Julio Diniz, quando a discussão era grande com o Nuno Brás, PInto de Sousa, Manuel Dias, Serafim Ferreira, Frederico Mendes, ós quando queriamos ver o Pedroto "saír dos carris", atirávamos: "olhe que eu vou buscar o livro do Ruperto Garcia". E entornava o caldo.
Recordamos a sua passagem pelo Leixões internacional (jogos com o Celtic) e quando Pedroto decidiu ir buscar o seu colega de equipa Carlos Duarte para jogar no Leixões. Nas zangas dele com Auricélio Matos por causa da preparação. Na exigência que ele fez ao clube na contratação do espanhol Cambre, que jogava no Arosa, dizendo que era dos melhores jogadores que vira. Fez o Leixõe sum esforço danado e foi quase "raptar" o "El Cordobez" a Espanha. O rapaz veio, mal teve tempo de conhecer Matosinhos, embarcou para Escócia, apanhou pancadaria dos escoceses (perdemos por 3-0), regressamos a Matosinhos e o Cambre nunca mais jogou...


Fizemos depois um percurso de amizade e de admiração. Seguimos a sua terrivel doença e não esquecemos o abraço que lhe demos numa tarde de sábado, nas Antes, depois de um dos seus regressos de Londres, onde se tratava.


Ficam aqui estes apontamos para ajudar à história. Para ficar mais completa.

Também aqui:
http://essadequeiroz.blogspot.com/

15 comentários:

Anónimo disse...

"As gentes do Porto são ordeiras porque, se não fossem, há muitos anos teriam recorrido à violência perante os enganos dos árbitros que têm decidido da perda de muitos campeonatos e Taças de Portugal


"Há uma guerra fria cuidadosamente desenvolvida contra o FC Porto pelos meios de Comunicação Social de Lisboa (jornais, rádio e RTP) e alguns jornalistas influentes em jornais do Porto


"Não tenho ido à rádio porque de Lisboa estão sempre a interromper


"É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital e de permitir que na província as pessoas se sintam menos relegadas ao esquecimento e, definitivamente, não sejam apodadas de míopes, de visão estreitamente reduzida, com que muitas vezes as rotulam aqueles que querem manter a situação de continuarem centralmente a beneficiar e a distribuir a seu gosto o que afinal é de todos
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Faltou dizer que o senhor seu pai NAO GOSTAVA NADA do FCP e simpatizava com um clube da 2ª circular ???!!!

Anónimo disse...

Esta homenagem a Pedroto, parece ter incomodado sobremaneira os Centralistas e seus apendices.

Anónimo disse...

José Maria Pedroto

by Axadrezado ·
Etiquetas: Boavistão, Pedroto

Faz hoje 25 anos que faleceu José Maria Pedroto, figura incontornável do Futebol Português, que é lembrado com saudade pelos nossos vizinhos e rivais portistas mas também por nós Boavisteiros.

Pedroto conseguiu vários títulos nos Dragões, foi sem duvida um dos construtores do actual FC Porto europeu, mas na minha opinião foi no nosso Boavista que Pedroto mostrou toda a sua qualidade, levar este "clube de Bairro" à conquista de duas Taças de Portugal e de um segundo lugar no Campeonato Nacional entre 1974 e 1976 é sem duvida notável, e a estas conquistas junta-se um futebol de grande qualidade que fazia qualquer Boavisteiro sonhar.

Jaime Pacheco , outro dos míticos treinadores do Boavista não se esqueceu dele na festa do campeonato 2000/2001 e dedicou-lhe o titulo de campeão, Pedroto mereceu essa homenagem, pois foi com ele no banco que apareceu o Boavistão !
in blogue do Bessa

Um enorme treinador, um enorme Nortenho.

Anónimo disse...

E já agora o Joaquim Queirós leu a entrevista do Medeiros à bola há uns meses atrás????!!!...

jose reyes disse...

O mau jornalismo de décadas:"...como nós já andávamos pelos jornais, responsabilizou-me pela tarefa."; "E fomos nós que tivemos de o fazer, na qualidade de secretário geral do clube." Concordância? Tá quieto!

Anónimo disse...

Pedroto... O homem que fomentou a guerra Norte/Sul. O homem que disse que o Mário Wilson não era palhaço porque os palhaços não se pintam de preto. O homem mais mentiroso, mais batoteiro e mais anti-desportista da história do futebol português. E todo o país desportivo lhe presta homenagem. Enfim...

joaquim Queirós disse...

A História é para ser contada. Ou isto é a História de Portugal que nos impingiram só com vitórias? É bom ler as Grandezas e Misérias dos Principes de Portugal.

Anónimo disse...

Creio que toda a gente desconhece que Pedroto treinou pela primeira vez o F.C.Tirsense. Dai saiu para o Leixoes. No seu curriculum isso nao aparece, mas foi uma realidade. Vi-o treinar no velhinho Abel Alves Figueiredo e mais tarde fui seu amigo. Nunca se falou nisto o que me deixa triste, pois esta é a realidade

LAM disse...

Já agora e passe a "sentida homenagem" prestada por Pinto da Costa, gostava de ser melhor esclarecido dos motivos da dispensa de José Maria Pedroto do FC Porto.
Porque há muito desta homenagem que é um branqueamento do passado...

Anónimo disse...

"Lava as mãos perante noticias que inquietam um associado, assume por actos que estava a atrasar o processo e agora viola regras básicas do direito"

in o jogo ( sobre a Comissão Disciplinar )
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Viva a verdade desportiva...

Anónimo disse...

A incrível justiça desportiva

O jogador de futebol Lisandro, que jogou no F.C. Porto, entrou para a história do futebol português por ser, até hoje, o único futebolista castigado por simular uma falta passível de grande penalidade.

Há quase um ano, num jogo com o Benfica, o jogador foi punido e, agora, já Lisandro joga em França há meio ano, o Conselho de Justiça da FPF validou a decisão da comissão disciplinar da Liga.

Que um jogador seja punido por simular uma falta parece normal. Anormal é que só um tenha sido punido. Mas a justiça desportiva portuguesa está cheia de anomalias que, por sinal, têm o F. C. Porto como protagonista ou, mais bem dito, como alvo.

Anteontem, por exemplo, os jogadores Hulk e Sapunaru foram ouvidos na Liga. Os dois jogadores estão suspensos preventivamente desde o jogo com Benfica, no fim--de-semana anterior ao Natal. Alegadamente, terão agredido "stewards" no túnel de acesso aos balneários.

Atente-se nisto:

- A presença de "stewards" no dito túnel é proibida pelos regulamentos. Ninguém sabe porque lá estavam, mas, estando eles lá, é preciso saber quem os lá pôs e para quê, até porque ninguém acredita que os jogadores os tenham confundido com bonecos e descarregado neles o desgosto com a derrota. Ou estavam lá e provocaram os jogadores? Parece mais crível esta hipótese, não é?

- Por esses alegados incidentes estão os jogadores suspensos preventivamente e assim poderão estar por três meses. Cabe na cabeça de alguém que a justiça desportiva puna de forma mais severa uma falta cometida na escuridão dos túneis do que em pleno relvado?

- E cabe na cabeça de alguém que sendo os jogadores chamados a depor - como foram na sexta-feira - não lhes seja mostrado o filme que supostamente sustenta a tese das agressões?

- Os jogadores foram ouvidos já depois de concluído o prazo de instrução do processo e, pelo andar da carruagem, tudo indica que urgência é palavra que os membros da comissão disciplinar da Liga desconhecem. A quem aproveita tal lentidão?

Os portistas têm razões de sobra para desconfiar. Bem recentemente, o caso do Apito Dourado, envolvendo Pinto da Costa, foi o que foi. Na justiça comum, o presidente portista está livre e sem que se tenham provado as acusações. A justiça desportiva ainda anda às voltas. Como há dias escrevia Miguel Sousa Tavares em "A Bola", "é uma chatice que a justiça comum tarde em render-se à campanha de moralização do futebol português, tão exemplarmente encabeçada pelo exemplar Sr. Vieira".

in JN (josé Leite Pereira)

Anónimo disse...

Totalmente de acordo com o Anónimo. Se o futebol português é a merda que hoje é bem o deve a JMP. A ele se deve o sistema, o controlo (e pagamento) dos árbitros, a guerra Norte-Sul, as selecções com apenas jogadores do seu clube para respectivas promoções e negociatas, etc, etc. Enfim, depois de mortos são todos bons. Como os chitos de Adriano Pinto...

Anónimo disse...

joaquim Queirós disse...
A História é para ser contada. Ou isto é a História de Portugal que nos impingiram só com vitórias? É bom ler as Grandezas e Misérias dos Principes de Portugal
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Que bonito....

jose reyes disse...

“ PRÍNCIPES de PORTUGAL, suas grandezas e misérias” é um livro do Grande Aquilino Ribeiro, um Senhor que sabia escrever bom português. Era tão Grande que não necessitava de referir-se a si próprio na primeira pessoa do plural, não precisava de muletas para se elevar, não se punha em bicos de pés.
Não é assim sr. Joaquim Nós, o Queirós?

Joaquim Queirós disse...

Joaquim Queirós disse

O Reys deve ser uma das figuras depravadas das páginas do Aquilino. Um daqueles que andava na corte de D. Pedro com enfeites na cabeça.