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quarta-feira, setembro 23, 2009

UM DIA COM A OUTRA SENHORA




Hoje fui espreitar a campanha eleitoral. Estive em Joane e em Espinho com a outra senhora. Não foi uma jornada particularmente estimulante, com a excepção do misto de peixe servido no "No Solo Pasta", no meu torrão natal. Em Joane, mais jornalistas que militantes. Em Espinho, subindo a rua 19, um cheirinho de festa com muita encenação e um momento de embaraço quando três marmanjos alapados num banco deixaram a dona Manuela de mão estendida - "NÃO SEI QUEM É A SENHORA", grunhiu um deles e o circo continuou a subir a rua. A "Jota" adoptou o slogan benfiquista para gritar PSD. É o que está a dar. Lá encontrei Hermínio Loureiro, acompanhando a líder do partido na arruada que compôs o dia. Deu para falar uns minutinhos do nosso futebol e para ficar com a certeza que Hermínio vai ganhar em Oliveira de Azeméis. Amanhã vou espreitar o Sócrates, com o dia a começar em Baião e a terminar em Viana do Castelo. Consta que o PS não brinca e que até tem um autopulman com wireless para os jornalistas...e não apenas os do DN e do JN.

5 comentários:

Anónimo disse...

Que rancho folclórico é este na fotografia?

Anónimo disse...

Certeza? Qual certeza? Se é que as há nestas coisas, no entanto espero que não!!!
A única certeza é que se este sr. ganhar vai ficar na câmara, na liga e mais meia dúzia de tachos, é o que chamo o verdadeiro artista.

AG disse...

"""e tem um autopulman com wireless para os jornalistas...e não apenas os do DN e do JN."""

Até para os do rascord? Que fixe. O gajo é bom.

Carlos Daniel disse...

e tu vais espreitar arruadas políticas porque...?

e tu descreves o acto legítimo de não ter que cumprimentar estranhos na rua, como sendo um "grunhido" porque...?

E tu tratas a Secretária Geral do PSD como "a outra Senhora", alinhando pelo mesmo diapasão nojento do PS na tentativa reles, cobarde e medíocre de a colar a salazares, antiguidades, retrogradismos e mofos, porque...?

Anónimo disse...

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009
O Benfica-Sporting de domingo


Quando li um comentador de peso a comparar o duelo Sócrates/Ferreira Leite a um Benfica-Sporting, pensei logo: olha mais um que parou no tempo da Outra Senhora, em que os dois clubes de Lisboa alternavam os títulos à razão de três para os da Luz, um para os de Alvalade.

Mas depois do debate, dei por mim a pensar que a comparação afinal não era tão esfarrapada, e que o seu autor acertara, se calhar da mesma maneira involuntária que o relógio parado dá a hora certa duas vezes por dia. As palavras Porto, Norte e Regionalização não foram pronunciadas na única vez em que os dois candidatos a primeiro ministro estiveram frente a frente na televisão a disputarem os votos dos indecisos.

A bondade do TGV para Madrid foi esmiuçada, mas não se ouviu um pio sequer a propósito da linha Lisboa-Porto-Vigo, apesar dos estudos da firma britânica Steer Davies Gleave garantirem que ela não é só é viável mas também geradora de um benefício líquido superior a cinco mil milhões de euros. Na troca de argumentos desencadeada pela retórica retro anti-espanhola de Ferreira Leite, a única referência à linha para o Porto saiu da boca do ministro espanhol.

No Norte, o céu está mais carregado de nuvens do que no resto do país. Vivem aqui um milhão de pobres. Mais 300 mil que há três anos. A segunda região que mais contribui para a riqueza do país é mais pobre de Portugal – e uma das 30 mais pobres da Europa, ao lado de regiões romenas e búlgaras.

Apesar disso, nenhum dos candidatos achou que valia a pena desperdiçar o precioso tempo de antena do seu Benfica-Sporting televisivo a explicar como planeia combater a bolsa nortenha de pobreza e redistribuir de forma solidária a riqueza por todo o país.

Como portista e nortenho, olho para todos os Benfica-Sporting sem paixão, mas com interesses – prefiro sempre que perca o que ameaça mais perto a liderança do FC-Porto.

No Benfica-Sporting que se vai jogar no domingo é do interesse do Norte que perca quem se pronunciou contra a Regionalização e o TGV – e acha que “é preciso parar tudo porque não há dinheiro”, mas não incluiu nesse tudo o investimento de 2,5 mil milhões de euros na expansão do Metro de Lisboa nem a ruinosa compra de submarinos que nos fazem tanta falta como uma dor de dentes.

No Benfica-Sporting de domingo, o mal menor é que perca quem tem a mentalidade do espanhol dono de um cavalo que morreu após 15 dias de jejum forçado e se lamentou: “logo agora que ele se tinha habituado a viver sem comer é que morreu”. Domingo, é preciso evitar que ganhe a velha política do “pobretes mas alegretes”, que tem tanta possibilidade de ter sucesso como uma bailarina com uma perna de pau.

Jorge Fiel

Esta crónica foi hoje publicada no Diário de Notícias
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Pelas razões expostas acima já vale a pena votar.