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sexta-feira, maio 29, 2009

PINTO DE SOUSA

Em Gondomar, durante o julgamento do processo originário
Há no país a tendência para relativizar o que aconteceu durante a longa noite fascista. As novas gerações começam mesmo a questionar se as coisas foram assim tão más como as pintam,
É que foram mesmo.

Mais que a brutalidade da Polícia Política, a tacanhez moral fez regredir a nação e a sociedade que arrastava.
Lembro só um episódio: foi longo o processo até Salazar permitir que as enfermeiras e as telefonistas tivessem direito ao casamento, porque se entendia que estas são profissões que põem em a estabilidade e a moral das famílias.

Com a quantidade de call-centers que temos hoje, o que não diria o velho Botas?
Algo de parecido, embora noutra dimensão, se passa com a arbitragem portuguesa. É com alguma facilidade que se conclui que nada evoluiu neste capítulo. O que é, no mínimo, um insulto à nossa inteligência.
A arbitragem portuguesa de hoje nada tem a ver com a arbitragem dos anos 70 e 80. Não vamos recuar mais no tempo porque seria apenas procurar as origens de um sistema poroso e sem verdade desportiva. Ou com pouca.

Os anos 90 do século passado representaram um salto evolutivo. Lento de início mas depois bastante pronunciado. Foi nesse período que se afirmaram árbitros como Jorge Coroado, Paulo Costa, Paulo Paraty e Vítor Pereira, juízes de campo na esteira do único nome que foi verdadeiramente uma referência nos anos anteriores: Carlos Valente. Para quem já se esqueceu, o árbitro da Moita esteve em dois Mundiais... E depois deles vieram Duarte Gomes, Pedro Proença, Artur Soares Dias, Jorge Sousa e outros árbitros de valor indiscutível.

Sei que o que vou escrever pode soar a heresia por estar em causa uma das principais figuras do Apito Dourado. Mas foi José António Pinto de Sousa o grande responsável pela regeneração da arbitragem portuguesa. Não apenas conseguiu para os árbitros condições dignas de trabalho - com estes a deixarem de pernoitar em pensões e de fazer viagens de comboio... - mas também foi ele quem apostou na qualidade, não ouvindo as dicas dos seus muitos amigos que pretendiam subir este ou descer aquele.

Os árbitros melhor que ninguém sabem reconhecer que foi Pinto da Sousa quem ousou dar aos árbitros uma carreira, tirando-os devagarinho dos maus caminhos. Por outras palavras, tornando os árbitros menos permeáveis, mais fortes e muito mais difíceis de manipular por aqueles que em público defendem a verdade desportiva mas que em privado apenas querem ganhar custe o que custar. Os hipócritas do costume.

Condenado em Gondomar e com um complexo processo por resolver na Boa-Hora, Pinto de Sousa está hoje também a pagar o idealismo e a independência que trouxe para a arbitragem. Os grandes amigos de ontem deixaram de aparecer (o que, vistas bem as coisas, até nem é mau) mas os árbitros, no activo ou não, continuam com ele.

O Senhor Arbitragem nada lucrou com a sua passagem pelo futebol. Mas muitos lucraram, ou pelo menos deram-no a entender, com a sua bonomia.

Confirma-se: há homens que nascem fora do tempo e há tempos que não merecem os homens que têm.
É o caso.



7 comentários:

Anónimo disse...

meu deus ....
quando fala de Paulo Costa como nome de referencia da arbitragem !
vc e o seu FCP e assim se ganhou muitos titulos .

Anónimo disse...

A grande maioria dos árbitros internacionais deste País, só o conseguiram por compadrios de toda a espécie e até lá chegar eram seleccionados para seguir a carreira nas Associações Distritais, não pelo seu conhecimento, carácter e aptidão física, mas muito pela côr clubista a que pertenciam.O resultado dessas escolhas, viram-se depois com individuos sem estaleta para essa vida e para se aguentarem, verem-se na contigência de se "venderem" aos sistemas de corrupção instalados.Ainda há algumas semanas atrás falei com um amigo que me contou como se processava e eram favorecidos os árbitros amigos de certas personalidades ligadas ao futebol na A.F.Aveiro, no principio da década de 80 do século XX.Uma vergonha!
Enquanto toda essa merda que por aí anda na arbitragem não for varrida definitivamente, a gangrena continuará.

Os árbitros do futuro deveriam ser profissionais, mas também deviam ser retirados da influência das Associações Distritais.Devia ser criado um Centro de Formação para árbitros gerido de maneira autónoma e financiada pela FPF.Daí poderim ser seleccionados os melhores e integrados num Organismo Autónomo que os nomearia para os jogos.

dragao vila pouca disse...

Ó Geno o Carlos Valente foi uma referência???!!! Sem dúvida, sem dúvida e nós os portistas, que o digamos...

Anónimo disse...

Carlos Valente? Vi-o mandar a URSS para fora do Europeu de Espanha, em favor da Checoslováquia, por não ter visto, num pontapé de canto, que a bola passou tanto para lá da linha final que os defesas pararam todos. Mas ele nada assinalou, e os checos aproveitaram a balda. Foi um escândalo na época. E quantos títulos lhe deve o Benfica? Até o Leixões foi mandado para a 2ª por erros num jogo na Luz, no final do campeonato em que desceu. Admiro-me é de nunca ninguém ter feito a sua história, mas o certo é que nunca apareceu nas comissões da arbitragem e quejandos. E se era tão bom...não seria de aproveitar?
O sr. Queirós é muito novo, não conhece a história toda...Informe-se!

aNNóNNimo disse...

Hilariante!
Como é que tu, triste e servil plumitivo - num texto tão simples -consegues meter os pés pelas mãos.

P.S - Ias 'dizendo' Pinto da ... Sousa!Estava a fugir-te a boca prá verdade, não é assim?

Zé Vermelhusco disse...

Carlos Valente!...Oh tempo volta pra trás! Que falta que ele nos tem feito nos últimos anos...pra fazer umas arbitragens à maneira....a ver se a gente punha outra vez a mão no caneco...ai que saudades!...

jiar disse...

quando você fala em paulo costa, paulo paraty e jorge coroado como referencias... está tudo dito...
é longo o historial de gamanço a favor de um clube nortenho nos tempos destes senhores... bem... e quando fala em duarte gomes, jorge Sousa, pedro proença e o filho soares dias ( portista ferrenho como o pai, a diferença está na altura...) está mesmo tudo dito... vamos ter decacampeão, sem dúvida. em portugal nem mesmo o barça de messi e guardiola ganhavam um campeonato.... esqueçeu-se pelo meio de nomear outras "grandes " esperanças portuguesas na arbitragem, tipo o batista ou os majores Fereira e henriques, grandes malabaristas a favor dos mesmos... a nossa sorte é a sua visão estraordinária sobre o sr pinto de sousa, tão bom, tão bom que ainda vai ter uma estátua ao lado do outro Pinto... tenha dó