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quinta-feira, janeiro 15, 2009

O DIA DE CRISTAL

Tal como se temia, um dos maiores grupos de Comunicação Social portugueses usou hoje a arma de arremesso que é o despedimento colectivo para mandar para o desemprego mais de 100 profissionais dos jornais Diário de Notícias, Jornal de Notícias, 24 Horas e O Jogo. Em causa estão sobretudo duas coisas que os próprios jornalistas não valorizaram: o de que o concentracionismo é uma ilusão e muito mais deveria ter sido feito quando a Assembleia da República alterou o estatuto do jornalista. Não é que os jornalistas sejam mais que um sapateiro ou um pedreiro, apenas porque os jornalistas jogam numa área onde necessitam do mínimo de protecção. Mas está visto que no mundo de hoje vale sobretudo a força do capital e que este come ética e deontologia ao pequeno almoço, bastando para tanto dar a uns poucos (ou nem por isso) galões de directores ou de ajudantes de campo dos mesmos. São os patrões que arriscam e entendo que devem ser os patrões a riscar quando chega a hora de agilizar os investimentos. Mas penso também que há que respeitar certos princípios. Não está aqui em causa uma fábrica que não consegue fazer escoar a sua produção e que vende artigos obsoletos. Está em causa uma empresa que investiu milhões na aquisição do grupo em si e que após os primeiros sinais de crise faz rolar a cabeça daqueles que não assinaram projectos que não venceram. Não sou nem nunca fui corporativista e não me atravesso por todos os jornalistas que hoje foram despedidos. Muitos deles eram simples parasitas do trabalho dos seus colegas. Este foi apenas um dia escuro para mim quando confirmei que velhos companheiros de estrada levavam uma violenta chapada, como são os casos de alguns que admiro: Fernando Rola, Luís Santos, Jacinto Velhote, Paulo Silva, Paulo T. Silva, Alfredo Mendes, David Augusto, Rui Gomes, Jorge Fonseca, entre outros que certamente esqueci. Os predadores andam aí nas redacções e amanhã posso ser eu a ser tragado num ápice. Ter esta consciência já é alguma coisa. Quando os lobos uivam ou é porque estão com fome ou com raiva.

Outros testemunhos:

Dramática, lamentável e preocupante. São escassos os adjectivos para classificar a situação difícil que vivem os nossos colegas. A dura realidade do desemprego caíu como uma bomba e apanhou-nos a todos de surpresa. Sim, era público que a conjectura não é a mais favorável, que as vendas estão em queda e que a recessão económica há muito se instalou não só nas conversas de bastidores, mas também nas administrações. Ninguém esperava, contúdo, que a tragédia chegasse tão súbita e violentamente. A todos os atingidos por esta vaga irracional um sentido e solidário abraço. Que a revolta e impotência perante a situação actual depressa se transforme em força para enfrentar os tempos que se seguem.
Luís Vieira

Detesto acordar com certezas. Sobretudo quando elas confirmam ventos de ganância e de desespero, sentimentos que andam associados entre gente que se dissocia. Não adianta mais falar ou explicar a crise. Estou com a raiva da impotência na garganta e não há disfarce para isto. Não posso ajudar, não tenho como ajudar, ainda estou em luta para me levantar de novo e dezenas de amigos meus perdem hoje o emprego. Amigos e ex-colegas.Mais de uma centena de jornalistas vão deixar, forçadamente, os seus postos de trabalho em vários órgãos de comunicação portugueses... A seguir seguem-se as partes técnicas, os dramas pessoais. Há até marido e mulher a ficar sem salário.Sobretudo não faz sentido! E quando não faz sentido, é nojento.
António Barroso

O despedimento colectivo na Controlinveste de Oliveira é uma vergonha.Percebemos que o Mundo mudou e os jornais terão de mudar. Sabemos que a internet vai ser um longo caminho para trilhar e que daí virão novas formas de viver. Sabe-se que as redacções dos jornais não fazem sentido como há 5 anos atrás. Mas esta mudança na Controlinveste parece uma mudança de merceeiro. Andaram há semanas a contratar jornalistas para agora despedirem um batalhão de profissionais, a maioria capaz e competente.Percebe-se que jornais mal feitos, que têm sido mal estruturados, que não aumentaram vendas nem ganharam novos públicos, que investiram mal na internet, venham agora despedir em massa e fazer fusões, como se se tratasse de misturar alhos e bugalhos.Claro que a fotografia também não sai nada beneficiada nesta mudança. E o fotojornalismo volta a ser considerado um mero serviço de apoio à redacção e não uma função jornalística.Vai haver uma pool de estafetas-fotógrafos mandado por um sargento qualquer. Não está em causa um projecto inovador para o qual pode ter de haver reajustamento de pessoas em função da competência. Não: a ideia é sempre, à portuga espertalhaço, de fazer mais com menos e fazer mais do mesmo.Não gosto de me pronunciar sobre projectos alheios, mas a barbaridade desta mudança devia ser posta em questão pelo fragilizado Sindicato dos Jornalistas e pela classe.O que fica depois de tudo isto é que esta gente que só sabe despedir, falhou completamente. Deviam começar por se despedirem a si próprios, pois nem mais jornais foram capazes de vender. Abandonaram o jornalismo para se tornarem em comissões liquidatárias. Uma miséria.
Luiz Carvalho

32 comentários:

Yazalde disse...

Agora não se esqueçam de ir beijar a mão padrinho também.
É assim, o pápa manda.

Até fico contente, gajos que sempre defenderam o FCP sem dó nem piedade, só vos digo, cada um tem o que merece.

Saudações Leoninas.

Anónimo disse...

Para quem se encosta tanto ao PSD, digamos que mais não é do que provar do próprio veneno.
Mas enfim, cada um é como cada qual.

só não entendo de onde pode vir o espanto. O que se poderia esperar do Joaquim Oliveira, no negócio da Comunicação Social como em qualquer outro em que estivesse envolvido?
Ah, já sei, não é militante contribuinte e pagante e financiador do PSD. É do bloco de esquerda queres ver?!


LAM

Roger Gomes disse...

Este Quim Oliveira tirou o curso de empresário atrás de um balcão de bar de alterne. Estavam à espera de quê?

Pena é dos coitados dos jornalistas despedidos, porque o Manel tavarich, esse, vai aproveitar para fazer a barba com o cuspo que lhe atiraram à cara...

outra grande gazetada disse...

Aquele abraço, Lucky Luke.

Anónimo disse...

Para quem diz que o Oliveira é do PSD e está a pagar por isso... IGNORÂNCIA... VIVEMOS NUM PAÍS DE bURROS MAS DE BURROS E ASNOS MESMO.... Vale a pena viver num país deste? O Oliveirinha aquando da compra da parte do grupo lUSOMUNDO contraiu um empréstimo elevadíssimo entregando acções como garantia à banca. Com o Crash da Bolsa e da banca as ditas garantias desvalorizaram e a banca veio pedir outras garantias o que aliado à qebra de vendas no mercado deu no que deu e as coisas estão mal. Agora dizer que é por questões políticas.... BURROS.... QUANTO AO SENHOR SPORTINGUISTA... EU QUE SOU SPORTINGUISTA CHAMO-LHE ANORMAL, COISA RARA no meu clube Lonino.... então não há jornalistas sportinguistasque estão também despedidos? e beijam a mao a quem? ANORMAL... IGNORANTE.... DEFICIENTE MENTAL... QUEREM FALAR POR FALAR, OPINAR SEM SABEREM SEQUER ARTICULAR UMA IDEIA.... DEDICA-TE À AGURDENTE, AO MENOS TERÁS O RESPEITO DO ALCOOL. RESPEITEM A DIGNIDADE DOS COITADOS QUE COMO OUTROS TRABALHADORES NO PAÍS FORAM DESPEDIDOS... E MUDA DE CLUBE QUE NAO MERECES SER SPORTINGUISTA

Rizzo Da Rat disse...

Se fizessem melhor jornalismo - do isento - talvez as pessoas comprassem mais jornais...

Assim...

Anónimo disse...

Acomodamo-nos… e com isso nos perdemos. Fomos relatando o drama dos que foram ficando sem emprego, mas estávamos anestesiados. Depois de cada história recolhida, escrita, editada, deixámo-la para trás, para um mundo distante e quase irreal que não era o nosso. Passou a ser. Entramos nele com estrondo, com brutalidade. Deixámos de noticiar as estatísticas para passar a fazer parte delas. Sem dó nem piedade que esse não é negócio dos nossos capitalistas. Por uma vez fomos nós a verter as lágrimas. Os que se foram e os que ficaram. Secarão. E com isso nos voltaremos a acomodar… e nos voltaremos a perder.

kolchak disse...

Pronto, como o PAPA mandou.............. é bem feito cambada de nojentos, vão trabalhar para a s obras agora.....repito É MUITO BEM FEITO

A. M. disse...

Pois é...eu lamento a sério, a crise diminuiu o poder de compra, mas o jornalismo de sargeta e o jornalismo de notícias encomendadas, não sei se a pataco ou pelo simples tráfico de influências, em que o que menos interessa é a verdade e o rigor, que é o jornalismo que muitos hoje fazem em Portugal, também contribuiu em muito para que cada vez menos gente compre jornais. Eu sou um desses que deixou de comprar e conheço mais exemplos de pessoas enojadas com a falta de credibilidade que tem hoje a imprensa em Portugal. E quem faz os jornais não são os padeiros nem as mulheres a dias...

Anónimo disse...

São as consequências da crise provocada pela incompetência e pela ganância que eles tanto têm ajudado a esconder na protecção que a imprensa tem dados aos poderosos de todos os quadrantes, principalmente aos que estão no poleiro da política. Os jornalistas de uma maneira geral têm-se esquecido de que quando chega a crise, toca a (quase) todos e eles para o poder não são mais que insignificantes peões de brega que o servem e depois se deita fora.

Anónimo disse...

Geno nao te preocupes em tempo de crise é que se ve os amigos jà sabes até em Bragança tens casa se for preciso se nao vens pa paris e manda-os pro caralho e em ultimo recurso tens sempre emprego oferecido pelo padrinho , sabes que isto de jornais acaba sempre como nos velhos tempos , seja na cagadeira pa limpar o Anal , pois até a merda jà lia ...

Teu amigo que te odeia e destesta

JP

Anónimo disse...

A imprensa sempre do lado errado. Ainda hoje se pode ver em grande destaque na 1ª página do Correio da Manhã: "Polícia abate à queima-roupa". Os jornalistas sempre do lado dos criminosos e dos patifes, ainda não perceberam que o povo está do lado da ordem e da polícia, depois admiram-se que a malta deixe de comprar as porcarias que escrevem e eles percam o emprego.

LC disse...

Uma pena, agora vão para a concorrência e digam tudo aquilo que andaram a esconder nos últimos anos.

Só não posso deixar de elevar esta tirada:
"QUANTO AO SENHOR SPORTINGUISTA... EU QUE SOU SPORTINGUISTA CHAMO-LHE ANORMAL, COISA RARA no meu clube Lonino..."

Rara?... No Lonino é, mas no leonino é o que para lá há a mais caro anónimo.

LC disse...

Eugénio, também foste de vela ou ainda tens guarida?

Marinho Neves disse...

É triste, mas é a vida. O bom seria que todos tivessemos emprego e pudessemos andar de coluna na vertical e sem medo do desemprego.
Mas, alguns dos elementos aqui anunciados, em tempos não muito distantes, tudo fizeram para que eu não conseguisse entrar em alguns jornais, através da mentira, porque defendiam interesses de quem os agora "despachou".
Tu mesmo, Eugénio, foste testemunha de algumas dessas situações.No entanto não guardo rancor e espero que todos eles consigam o seu emprego, lutando contra todas as injustiças, como eu lutei. Que lhes sirva de exemplo que nem sempre é bom estar do lado do patronato.

Anónimo disse...

pior do que o conteúdo foi a forma dos despedimentos. Que os responsáveis não esqueçam que o mundo gira.

JM

D.M. disse...

é triste a situação que se vive no mundo da comunicação social. eu sou licenciado em ciencias da comunicação, e desde setembro que procuro um estagiozinho numa redacção qualquer. quero apenas aprender o oficio mas as respostas são sempre as mesmas: " podes ficar mas neste momento não podemos pagar"; " talvez daqui a algum tempo possas estar a recibos verdes"; " neste momento ja temos os quadros cheios", ou ainda melhor: " os lugares ja estão reservados"; Pois é meus amigos, eu queria ser jornalista mas acho mesmo que tenho de mudar de area, porque , como diz um amigo meu , ou se tem uma grande cunha ou tas fudido....
ah! já agora e utilizando uma frase da " Paula rego do Futebol", a ética e a deontologia são uma treta.

Anónimo disse...

Falam do Oliveirinha... entao e o Marcelino? Caso nao saibam, o Mourinho dos jornais andou a fazer contrataçoes milionarias há cerca de dois meses. Alguem acredita que ele nao soubesse o que ai vinha? Pois... Isto para mim e que e grave e merecia uma intervençao do Sindicato.

Agora o DN vai continuar a ser como era e dizem-me que para o salvar está prevista uma mega campanha de marketing. Vai custar milhoes, mas e a unica soluçao para o DN vender mais que o 24horas, algo que custa bastante ao Marcelino.

O 24 horas, pelo que me disseram, vai mudar de formato e de politica editorial. O desporto, que ate era uma boa secçao do tabloide, vai acabar e vao encaixar os jornalistas por outros titulos do grupo. E mandaram a redacçao do Porto ao ar.

Com o JN é que nao brincam. E ele e a Sportv que bancam os ordenados. O Marecelino sempre que tenta intrometer.se, leva um chega para la do Leite Pereira. Consta que ja fez ums queixas ao Quim... mas Deus todo poderoso já disse que ele tem de aguentar.

Enfim, veem ai tempos dificeis. Em boa hora deixei o jornalismo para me dedicar a outra área... já estava a prever o que ai vinha.

Só nao entendo como o Grupo Lena se vai meter nisto (ou melhor, ate entendo devido as ligaçoes politicas ao PS). O pessoal que está lá e do melhor que ha. Isso sei. Mas o mercado esta saturado. É preciso inventar novas formas. Pensem nisso,

Anónimo disse...

Curiosamente, no mesmo dia houve também uma "cabeça a rolar" na Queimada;)

Anónimo disse...

Eu não sou expert do assunto, mas pelo teor do post dá a ideia de que o estatuto dos jornalistas aprovado na Assembleia da República os prejudica. Ora isso é estranho e é surpreendente, uma vez que a AR é dominada pelo partido que tem a maioria e esse mesmo partido é e desde sempre tem sido premiado com os favores da imprensa deste país...Parece que os senhores jornalistas só agora estão a descobrir que afinal mais não são do que simples vãos de escada para aqueles que têm andado a endeusar...e para muitos, pelos vistos, já é tarde...

Anónimo disse...

Ao Anónimo de 15 Janeiro, 23:23

Nada pôs em causa o que eu disse do Quim Oliveirinha no entanto, mesmo desenquadrando a argumentação do que eu comentava vê-se que é homem que sabe do que fala. E o resto, a bem dizer nem interessa nada, não é? Ora pois muito bem e assim mesmo é que é falar.
Gostei.Quando me apercebi do que tinha dito e que vç, e muito bem, me chamou a atenção, comovi-me. Não chorei mas estive perto. Confesso.
Dá sempre gosto discutir com alguém que pelo menos faz uma pálida ideia do que está a dizer.
Obrigado.

P.S. convém, mera sugestão e quem sou eu para o aconselhar, não citar disparates de blogueiros ou ex-blogueiros cuja principal característica é pouco estudarem sobre os assuntos de que falam e, como tal, fatalmente cairem no disparate. A partir daí meu caro, sempre a abrir.


LAM

LAM

Anónimo disse...

Dia de Cristal ??? nao tàs enganado ?? nao tem nada a ver foda se
Janelas

Anónimo disse...

"DEDICA-TE À AGURDENTE, AO MENOS TERÁS O RESPEITO DO ALCOOL...(!!?)

E MUDA DE CLUBE QUE NAO MERECES SER SPORTINGUISTA !!!"

Agora é que eu vejo a causa da crise de militâncis - não se embebedam como o presidente e os jogadores!
Mudar de clube? Porquê?
Será que os viscondes do AlvaLidl não bebem 'mines' e 'morfam' sandes de coiratos...?!

aNNóNNimo disse...

Marinho Neves

O saber popular é de uma riqueza enorme - "Quem com feros mata com ferros morre"!
A sua GRANDEZA está no que aqui deixou escrito.
Um abraço e Bem-haja

P.S.- Talvez você saiba 'dizer-nos' o que aconteceu ao BLOG da BOLA!

Anónimo disse...

Oh eugénio, este é seguramente o blog com mais acéfalos por post quadrado a fazer comentários! impressionante!

Anónimo disse...

ATENÇÃO QUE OS NUMEROS DE PESSOAL MANDADO EMBORA ESTÁ A 50% DA VERDADE


CONTEM TAMBÉM COM O PESSOAL A RECIBOS VERDES (FALSOS RECIBOS NESTE CASO)

Anónimo disse...

Mas o Joao Marcelino veio pro DN fazer o quê?

Suspeito é que existem guerritas na administração da controlinveste.

Anónimo disse...

E os nomes srs? alguem sabe os nomes desses jornaleiros?
Há tantos que jogam mal e ficam lá... enfim...

Anónimo disse...

Pois é, é o que dá trabalhar para o Joaquim (Corleone) Oliveira, pensavam que apoiar o fcp chegava para manter o emprego, enganaram-se!!! Paciência!!!

Luís disse...

Se não estivessem sempre a criticar tudo e todos talvez conseguissem manter os seus postos de trabalho.

Mas não, os jogadores não prestam, os árbitros não prestam, os dirigentes não prestam, enfim... nada presta...

E os jornais que passam o tempo a desacreditar o futebol vivem do quê?

Pensem bem nisso antes de criticarem algo que pretendem vender...

Emm suma, bem feito !!! Provaram do próprio veneno. Agora vão vender chuchas às portas das maternidades...

Roger Gomes disse...

Mau estar em O JOGO

Em comunicado, a Direcção da Organização Regional do Porto (DORP) do PCP afirma que "a confirmarem-se as notícias sobre o despedimento colectivo e a perspectiva de novos despedimentos, no final do primeiro semestre de 2009, está aberta a porta para a aplicação mais selvagem da legislação não menos selvagem do Código do Trabalho, da Lei da Concentração Empresarial nos Órgãos de Comunicação Social e do Estatuto do Jornalista, documentos da responsabilidade do PS que reenquadram negativamente o sector".

"O PCP sempre denunciou o profundo retrocesso que estas leis consagram: menos direitos, menos democracia no local de trabalho, menos poder negocial para os trabalhadores. Está aberta a porta para as "reestruturações" que estão a atirar para a rua centenas de trabalhadores, em alguns casos completos agregados familiares", afirmam os comunistas.

Para a DORP, "a confirmação do encerramento de delegações a Norte de importantes órgãos de comunicação social, a par da diminuição relativa do peso de redacções sedeadas no Porto, como parece ser o caso do Jornal de Notícias, configuram mais perdas para a pluralidade e diversidade no tratamento jornalístico à escala nacional, sendo as mais agravadas expressões de uma tendência centralizadora que prejudica o distrito do Porto e o Norte do País".

O PCP "manifesta completa solidariedade com todos os trabalhadores atingidos por esta intenção da Controlinveste e apela à unidade entre todos".

Também o líder da concelhia do Porto do PS, Orlando Soares Gaspar, manifesta "total solidariedade" para com os jornalistas despedidos, apesar de considerar que "nenhuma força política deve manifestar-se sobre a gestão interna de qualquer empresa".

"Não queremos deixar de manifestar a nossa solidariedade com os profissionais com quem ao longo dos anos estabelecemos tantas relações e tantos contactos", afirmou o dirigente socialista.

Lamentando este desfecho "numa classe tão relevante para a vida nacional e portuense graças ao seu contributo para a divulgação das mensagens política, cultural e social, entre outras", Orlando Soares Gaspar considerou que "quantos menos profissionais de qualidade tiver, mais a classe fica empobrecida".

Entretanto, o conselho de redacção do jornal O Jogo, do grupo Controlinveste, lamentou os despedimentos e lembra que a situação acontece semanas depois de a direcção ter realizado contratações e promoções de jornalistas.

"Os elementos eleitos do conselho de redacção (CR) lamentam a decisão da administração do jornal, especialmente considerando que a mesma sucede poucas semanas depois de a direcção ter procedido a contratações e promoções, nomeadamente contratando um novo director-adjunto e promovendo um novo subdirector, decisões que, tal como o CR alertou atempadamente, pressionaram o orçamento do jornal", pode ler-se num comunicado hoje divulgado.

De acordo com o CR, o director do título justificou a decisão numa reunião realizada quinta-feira "com a necessidade de proceder a cortes orçamentais na ordem dos 800 mil euros, referindo que a escolha dos elementos afectados pela decisão foi determinada por opções estratégicas ao nível daquilo que referiu serem as 'sinergias' do grupo".

A promoção de "sinergias" com os outros jornais do grupo - DN, JN, 24 Horas, entre outros - implica, para o CR, "a perda de independência editorial", facto que "lamenta".

No comunicado, o CR apresenta a sua demissão e convoca eleições, "com carácter de urgência", para segunda-feira.

In Agência Financeira, citando "Sic on Line"

Roger Gomes disse...

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Controlinveste dispensa qualidade para ficar com mediocridade
Pela pena da jornalista Dina Margato (em artigo publicado inicialmente no “Jornal de Notícias ”, JN) tomei conhecimento que, no último trimestre do ano que há cerca de 20 dias ouviu o seu «canto do cisne», foram lidos mais jornais diários graças à subida do JN que, segundo um estudo feito pela Markteste, foi o que registou um salto maior na audiência.

O artigo de Dina Margato e o estudo feito pela Markteste indicam que o negócio da venda de jornais em Portugal continente, regiões insulares e além fronteiras, pelo menos no que tange ao JN, está(va) de vento em popa.

Ora se assim é (era), como é que se explica que a administração da Controlinveste tenha decidido, por sua conta e risco, dar início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores (chefes de família, na sua maioria) de diferentes áreas do grupo?

Há aqui qualquer coisa (muito esquiva) que - quanto a mim (e creio que não sou o único a olhar desta maneira para os factos em presença) - não bate certo.

A decisão da Controlinveste é muito (mas muito mesmo) estranha e faz mossa a qualquer pessoa atenta e de bom senso. E não seria exagero dizer que, salvo melhor opinião, estamos perante um caso flagrante de má-fé por parte da Controlinveste.

A informação que possuo dá conta que os jornalistas mais experientes (logo com alguma autoridade no que ao exercício da profissão diz respeito) foram proscritos dos quadros redactoriais do “Diário de Notícias” (DN) e do JN.

Foram despedidos porque os capatazes sabiam que não poderiam tratá-los como autómatos como irão fazer com aqueles que escolheram a dedo para ficar ou com os que foram arregimentados para tapar certos furos, que vão certamente deixar meter água por falta de experiência.

Corre igualmente à boca pequena que, sob o argumento da crise financeira mundial que nos últimos meses tem arrasado o mundo, o grupo Controlinveste pretende trabalhar apenas com estagiários e com jornalistas medianos a quem poderá pagar o que quiser, quando quiser e tratá-los como bem entender.

Ou seja, nas redacções do JN e do DN vai deixar de se fazer Jornalismo. Os habituais e fiéis leitores dos sobreditos jornais poderão, nos próximos tempos, ter tudo (e mais alguma coisa) nas páginas destes dois matutinos lusos de referência, mas não terão a acutilância, a argúcia jornalística a que nos habituamos ao longo de muitos anos.

Por isso não será de ficar de boca à banda se continuar a ler as bacoradas a que nos últimos tempos e sazonalmente nos foram habituando estes dois ditos grandes jornais portugueses, o JN e o DN.

É que se já estavam mal, então agora estarão segura e garantidamente piores. Não será, pois, de espantar se continuarmos a ter cada vez menos informação, rara formação e nula investigação.

Por isso, vou deixar de ler (ou não fosse um Direito que me assiste) o JN e o DN. Vou deixar de os ler pela simples e única razão de o JN e o DN passarem a ser redigidos e editados doravante por putativos jornalistas.

Já não mais os hei-de ler pelo facto de o grupo Controlinveste ter mandado os melhores para casa. Por isso, não contem comigo para, com minha leitura, prestar tributo à mediocridade e caucionar a maldade do grupo Controlinveste que se reveste de um refinadíssimo requinte nazista.

In "O Arauto"