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sábado, dezembro 06, 2008

OS PROVINCIANOS SOMOS NÓS


Sete anos dá, e sobra, para tirar uma licenciatura e o respectivo mestrado. Por isso, acho que tenho o "curso superior alfacinha" ou não tenha o "je" vivido em S. Vicente de Fora e perto do largo do Intendente Pina Manique, com uma passagem também pela queirosiana Rua das Flores embora mais descaído para o Cais do Sodré. Conheço a fauna jornalística lisboeta e a do Porto, sobretudo no que ao desporto diz respeito. E só posso concluir isto: há provincianos em todos o lado. Isto partindo do princípio que o provincianismo é um desvio de personalidade, um recalcamento, uma dor psicótica... Seja. O que verifico, cada vez mais, é uma sanha contra determinados árbitros em nome de uma pureza desportiva que ninguém sabe definir. Aliás, a dificuldade começa na enunciação das Leis do Jogo, que poucos conhecem, mesmo que seja pela rama. E porquê? É simples: se procuraram em qualquer curso de jornalismo, estudam-se todas as leis menos as leis do jogo, embora muitos estudantes sejam depois absorvidos no mercado do chamado "jornalismo desportivo". É apenas mais um sinal da forma diletante como é encarado o fenómeno desportivo, partindo-se do princípio que toda a gente sabe de futebol e, como tal, este não precisa de ser ensinado e explicado. Mas devia. Felizmente, nos últimos anos, na área da análise técnica do futebol têm aparecido excelentes analistas (Tadeia, Lobo, Rosado, Manha...) mas não sei se o povo lhes presta a devida a atenção ou se se dedica exclusivamente a tentar perceber por que cores torcem os homens. Com os árbitros é o mesmo. O que interessa saber é se são do Porto ou de Lisboa, quantos penalties não marcaram no último jogo que apitaram do nosso clube, se algum dia foram apanhados numa escuta do Apito Dourado ou de que cor é o carro onde se transportam. Os respectivos percursos e as dificuldades que sentiram para atingir o topo...isso não interessa, nem a análise das respectivas capacidades técnicas e intelectuais. Conheço alguns dos nossos árbitros de top e aprendi a respeitá-los não apenas como oficiantes do futebol mas sobretudo intelectualmente. Sei que não há anjos e demónios, sei que no caminho que fizeram tiveram de fazer alguns cedências e de engolir alguns sapos, mas sei também que hoje são os últimos a querer errar. Temos todas as razões para confiar na maioria dos árbitros que temos e para perceber que se o nosso futebol não é melhor não é por causa da qualidade dos nossos apitadores mas sobretudo devido à incapacidade dos dirigentes para prever o futuro. De dirigentes que de trolhas passaram a senhores presidentes. Há muitos ainda por aí, infelizmente. Claro, temos ainda os jornalistas que se dizem impolutos e que urram e largam baba quando vêem jogos dos respectivos clubes. Tipos com uma capacidade crítica e uma isenção irrepreensíveis, arautos de uma verdade que todos sabemos ser uma grande mentira. Mas é o que temos. E se calhar mais não merecemos

6 comentários:

Anónimo disse...

Excelente analista, o Manha?...Só a brincar...

Anónimo disse...

Sr. Eugenio,

li com atenção e muito agrado o seu artigo. Realmente faz uma abordagem (não corporativa)de uma imprensa sectaria, que utilizando pensamentos retrogados, continua a querer dividir o país futebolistico em norte e sul.
E por outro lado não se consegue libertar da influencia morbida, de defender a qualquer preço as cores clubisticas, em detrimento do seu próprio código deontologico de jornalista.
Artigo para reflectir e agitar consciencias. As que o desejarem!

Anónimo disse...

Acho-te alguma graça: para elogiar lá vais buscar sempre os mesmos nomes de alguns dos teus amigos, esquecendo-te de outros (nomes) bem melhores como analistas, mas para criticares lanças suspeitas sobre todos sem citares nome nenhum. Belo (hipócrita) jornalista me saís-te tu.

Anónimo disse...

Temos os dirigentes que temos. Os árbitros que temos. Os jornalistas que temos. Já agora os jogadores que temos e o público que somos. E daí?

Não vai ser por isso que uns e outros vão deixar de apontar culpas recíprocas. Mesmo com a consciência dessa mediocridade ou mediania - que nesse quadro confrangedor até dá direito a destaque. Nem essa paisagem desoladora pode servir de álibi aos responsáveis maiores.

Porque uma coisa (e isto é importante ressalvar) são os pagantes do espectáculo, outra são os que, de uma forma ou de outra, como dirigentes, jogadores, árbitros ou jornalistas, são os que vivem do espectáculo. Claro que uns mais e outros menos, ou muito menos.
Porque todos esses não era com a malta porreira do andebol ou os queques do râguebi (que nem vivem disso como qualquer pobre miúdo que ousa dar uns chutos numa bola para fugir à vida de trolha) que pagavam as mércolas lá de casa.

Ressalvando o público adepto, todos esses ganham a vida da máquina do futebol. Não peçam portanto ao último da cadeia do espectáculo, o público pagante, para ser o "moralizador" ou o "reformador" de consciências, aquele que tem o condão de discernir entre o bem e o mal, o justo ou o injusto.

Afinal para que serve essa merda toda de federações, conselhos, ligas, associações e sindicatos?


LAM

Anónimo disse...

esse elogio inclui o arbitro Rui Costa (... do PORTO )que apitou o Nacional -Belenenses?



40 postas pescada

josé carlos soares .˙. disse...

Eugénio confesso que este teu texto me parece ser uma seta apontada a alguém. Urrar e babar não me parece grave, desde que não se esteja a trabalhar e desde que o urro e a baba não salpiquem o bloco de apontamentos ou façam subir os "levels" do micro.
O que me parece grave é aquele tipo de gente que, a Norte ou a Sul a Oriente ou a Ocidente, estendem a mão à espera que "caia" algum mesmo que sem urros ou baba.
Provavelmente frequentar as "suites" reservadas 24 horas por dia, com "cama e mesa posta" seja mais "in" e as férias no Brasil ou nos "States" mais "cool". É que isto da "fruta" não funcionava apenas para os do "apito"...