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terça-feira, outubro 21, 2008

NACIONAL-BENFICA E OUTRAS COISAS...

Acabei de assistir a dois orgasmos em directo em horário nobre e num canal público. Rui Moreira e Rui Oliveira e Costa, dois preclaros paineleiros da nossa praça, atacaram o nosso sistema de justiça a propósito do arquivamento do processo relativo ao jogo Nacional da Madeira-Benfica. Como de costume, estes senhores falam do que não sabem. Falam para ficar bem na fotografia e de cor e salteado, para não dizer outra coisa... São pessoas que proclamam a justiça mas que não gostam que esta seja praticada. Mal ou bem. Aliás, a máquina da justiça nunca reclamou a virtudade da infalibilidade. O mesmo devia acontecer com a "ciência" das sondagens do senhor Costa ou com o proclamar do empreendorismo por parte de quem já nasceu rico como é o caso do senhor Moreira. Ao contrário do que diz o meu amigo Vila Pouca, não sou parte no processo, nem expert na matéria, mas acompanho-o desde a primeira hora e os meus arquivos aí estão para provar que o fiz pelo menos esforçando-me por dar todos os lados dos factos - como podem verificar, no meu pequeno livro que o Record editou até lá está um capítulo sobre o Apito Encarnado...
Porque a clientela do BnA merece o melhor aqui deixo as explicações do juiz Pedro Miguel Vieira para o arquivamento deste processo, recordando que outro juiz de instrução já mandou para julgamento Pinto da Costa, Augusto Duarte e António Araújo - três dos arguidos hoje não pronunciados - no caso relativo ao jogo Beira-Mar-FC Porto, onde está por explicar uma visita do árbitro a casa do presidente portista dois dias antes desse jogo.

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Quanto à matéria essencial e indícios, em relação a Pinto da Costa e como mais ou menos resultou das alegações do sr procurador a decisao será de não pronuncia. Nao há no processo, e já nao havia parece-me em sede de inquérito, prova que pudesse fazer presumir que num julgamento pudesse ser condenado. As escutas não dizem respeito nenhuma delas à pessoa de Pinto da Costa, nem directa nem indirectamente, há apenas uma referência de Araújo, que quer falar com PC de assunto importante mas em curso estavam negociações entre os dois clubes, havia sempre esta possibilidade de entendimento. A meu ver havia ainda motivos mais óbvios para esta decisão: o telefonema que desencadeia é feito por iniciativa de Rui Alves, para Araújo, nesse telefonema que de facto é suspeito, fala-se em trabalhar o árbitro e acorda-se em fazer esse trabalho. Depois desse acordo ter sido estabelecido terá havido a entrada de PC no acordo, que teria aderido ao acordo já estabelecido, o que não faz muito sentido porque a distância pontual entre o Benfica e o FCPorto era já de nove pontos e o interesse em comprar o árbitro era relativo, seria mais importante comprar o árbitro do jogo do Sporting, mas, pior do que isso, não faz muito sentido que o arguido se arrisque em processo criminoso quando já havia acordo estabelecido entre o presidente do Nacional e o empresário. Ora, se o Nacional fosse o beneficiado esse facto teria benefício directo para o FCPorto. Não fazia muito sentido que PC, sabendo desse acordo, aderisse a esse plano tal como não fazia muito sentido que fosse o FCPorto a pagar contrapartida por uma decisão inicial do presidente do Nacional. Portanto, por tudo isto parece-me que não deveria sequer ter sido deduzida acusação quanto a Pinto da Costa. É certo que esta é uma realidade parcial, é extraáda de processo onde há mais factos, mas por decisão do MP foi decidido dividi-la em certidões. O que está em apreciação é só parte, não sabemos se analisado no seu conjunto a decisão de não pronúncia não seria diferente. Conforme o caso foi apresentado, não devia ter sido deduzida acusação e a prova produzida na instrução a versão de PC sai reforçada, no que respeita aos negócios em curso entre os dois clubes.
Quanto aos demais arguidos, decisão é também de não pronúncia porque não ficou demonstrado que tivesse existido aquela oferta daquele contrapartida e que tivesse havido abordagem no sentido do árbitro beneficiar o Nacional. Resumidamente, a acusação baseia-se nas transcrições e quanto à existência de vantagem que compensasse actuação parcial do árbitro a acusação é vaga, completamente genérica e pouco ou nada diz e porque não tem prova. Diz-se que foi oferecida vantagem patrimonial não concretamente apurada e que o árbitro a recebeu noutro momento. Isto desde logo não permitia concluir. Mas pior...a prova produzida no processo não permitia que o MP tivesse concluído nesse sentido. Admitindo que há um telefonema suspeito – a tentativa da expressão trabalhar o árbitro, o tribunal também percebe um bocadinho de futebol... Dizer que trabalhar era no sentido de junto dos jogadores avisá-los para o estilo do árbitro não faz sentido, para isso não era preciso contactar o árbitro. Fica-se sem perceber muito bem o que é que aconteceu depois, há a marcação de um encontro e há um encontro entre Araújo e o árbitro, mas o telefonema que o MP acha revelador que o plano tinha sido concretizado, esse telefonema ocorre antes mesmo de ter acontecido o encontro entre o árbitro e o empresário. O arguido Antonio Araujo já sabia que o árbitro iria aceder àquilo que iria propor ou então não sabia e estava a falar de um outro assunto, precisamente das transferências de Paulo Assunção e Rossato para FCPorto e Serginho para o Nacional. Não há grandes dúvidas que Araújo terá tido essa intervenção, para além disso a actuação do árbitro, segundo relatorio pericial, foi uma actuação de um nível muito elevado e apenas lhe são apontados dois erros e são erros que beneficiaram o Benfica e não o Nacional da Madeira: a falta que deu origem ao golo e que seria penálti sobre o Benfica e canto transformado em pontapé de baliza.
Resumindo e concluindo, não parece resultar suficientemente indiciado que Araújo, de acordo com Rui Alves, tenha oferecido alguma vantagem patrimonial a Augusto Duarte, sendo certo que a única “vantagem” que a acusação refere é a oferta de um bilhete para o jogo FC Porto-Manchester United. Mas, como diz PC na abertura da instrução, essa oferta ocorre apenas depois do Nacional-Benfica, só aí pela primeira vez é feita referência à oferta do bilhete e ocorre por iniciativa do própria árbitro que diz 'só vou ao jogo se me arranjarem um bilhete', portanto, o bilhete tambem não pode ser visto como vantagem patrimonial, isto admitindo o ridículo de alguém que se deixaria comprar por um bilhete.
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24 comentários:

Anónimo disse...

Que AZIA,que AZIA.

Rafael Carvalho disse...

http://www.porumportugaljusto.blogspot.com

Anónimo disse...

Eu so gostava de saber porque foi que este caso foi re-aberto, quando ja tinha sido arquivado?
Foi por causa da Carolina?Ou foi pelas escutas?
Se foi por a lingua da Carolina, entao pergunto eu? Porque e que ela nao e testemunha?
A unica conclusao que eu tiro de isto e que este Pais esta cheio de fala baratos e incompetentes incluindo o M.P.
E a Morgado qual eram as suas intencoes quando resolveu abrir novamente o processo?
Eu digo, ja uma investigacao a essa senhora e a todos os incompetentes envolvidos neste assunto.

dragao vila pouca disse...

Acompanhaste o processo, mas o que foste transmitindo sobre o processo- tu e mais alguém - foi sempre uma visão distorcida, de meias verdades, deixando correr a insinuação torpe, que tantos prejuízos causa às pessoas.
Não tenho o histórico de tudo o que foi escrito - isto mete nojo desde o início -, mas tenho a memória suficiente para reafirmar que engoliste um sapo.
Sobre o B.Mar/ Porto e se acho eticamente reprovável o presidente P.da Costa receber o árbitro, também acho que isso não faz dele criminoso e tu sabes muito bem que sobre esse jogo, não há uma única escuta de Pinto da Costa e o processo só vai para julgamento na base do testemunho de uma pessoa cuja a credibilidade é zero.

Eugénio Queirós disse...

Meias verdades...bem, sempre há alguma coisa...
Quanto ao processo do Beira-Mar, há escutas sim senhor...

aquele abraço
EQ

Publius Hostilius disse...

Ó Génio, até agora o que se tem vindo a provar é que o apito dourado... está a sair furado!

Deve ser má qualidade dos pneus!

O que tu não abordas é porque é que a Dona Carolina, tendo ficado provado que prestou falsos depoimentos - vide as agressões ao Bexiga e as supostas câmaras de vigilância - não responde por isso, sendo que o estado paga todos os dias um balúrdio, para ela andar "protegida", ou seja, para ter transporte até à clínica dos abortos mais próxima!

Anónimo disse...

Ò sr.Eugénio, explique lá até porque ao que parece lida com gente bem informada, porque foi reaberto este caso???!!!

Anónimo disse...

E quem "decifrou" as escutas, pois parece que são em "calão"???!!! Foi a CS ???!!!...

Carlos Filipe disse...

Eugénio:

Acha normal tanta espuma que se fez à volta deste caso, o Apito Final, e no meio de tudo o que se vê são constantes e repetidas decisões de arquivamento, com fundamentações violentas a cascar no Ministério Público e na PJ, ou no caso do arquivamento do Porto-Amadora, considerando mesmo que a testemunha chave Carolina Salgado estava a mentir com todos os dentes, sendo mesmo extraídas declarações para se interpor processo crime por falsas declarações?

Acha normal o Apito Final ter levado porrada por todos os lados do TAS e da Uefa e cá no nosso burgo ainda se ler que PC e FCP foram condenados e transitou tudo em julgado?

Acha normal que agora que a poeira está a assentar e a verdade vem ao cimo que o Eugénio não escreva um livrinho a dizer que afinal as coisas não foram bem assim como escrevi, ou melhor, as suas suposições sobre os esquemas e manobras apenas assentam no mesmo de sempre, o diz que diz e o anti-portismo primário?

Vá, num esforço de objectividade, gostava de ver escrito que uma vez mais A MONTANHA PARIU UM RATO e o Apito Dourado só serviu para desviar as atenções de outros processos candentes e, sobretudo, de o clube que esse sim controla a Liga poder escamotear um 4º lugar na última Liga e só ter ganho 1 campeonato nos últimos 15 anos.

Anónimo disse...

(confesso desde já que não estou por dentro dos entrefolhos desse processo Nacional/Benfica).

Não sei talvez se pela minha ignorância do processo, por hoje ter acordado mais burro que o costume, ou pelo texto do Eugénio, parece-me haver em algumas passagens do texto, algumas contradições, nomeadamente onde se fala de um interesse, ou não, do FCPorto.

Independentemente disto tudo, penso que se vai confirmando cada vez mais a estratégia da procuradora Maria José Morgado:
Avançar com os processos mesmo sem garantias de matéria dolosa, uma especie de ir atirando o barro à parede, na esperança que, no meio do barulho da troca de acusações amplificado pela Comunicação Social, alguém se descaia e, aí sim, encontrar matéria mais "palpável".

O que é lamentável é serem os contribuintes a pagar esta pesca em águas turvas e evidentes jogos de promoção pessoal.


LAM

dragao vila pouca disse...

Não há e tu sabes bem, nenhuma escuta de Pinto da Costa no B.Mar-F.C.Porto.Lá estás com as meias verdades. AS escutas são apenas do A.Araújo. Não há nenhuma escuta de P.C.relativa ao B.Mar-Porto.

Robin da cidade disse...

Dois marginais com grande cadastro vieram ter comigo e disseram-me que iam assaltar um banco. Eu apesar de não ter entrado no assalto nem beneficiar do mesmo, emprestei um carro para o servicinho.
Gostaria que me respondessem como é que a justiça iria agir em relação à minha pessoa.
O que está em causa não é o bilhete oferecido a Augusto Duarte nem sequer o que é que o FC Porto beficiaria com a derrota do Benfica, mas sim, uma acção desonesta que visava prejudicar o rival, com ou sem consequências para os portistas.
Este crime foi praticado por personagens com grande cadastro noutras acções e noutros jogos.
Um cidadão comum ia parar com o costado na cadeia.

Anónimo disse...

O que o sr.Eugénio esquece, é que esse processo do BeiraMar/FCP, já tinha sido analisado pelo MP (incluindo as escutas) e sido ARQUIVADO,ARQUIVADO!!!!!!!!!!
E foi reaberto porquê?!...

nicoleme disse...

Presunção, então, azia e despeito. O FC do Porto andava a ganhar, deu em ganhar mais vezes e danada, a moirama, que dormia, não atinando a razão, habituada a ganhar tudo, começou de dizer chistes, provocações, mentirolas, e o PdaC, rindo, fez uso daquele seu à-vontade, em respostas irónicas, certeiras, com declamação ao meio, e chateou a malta, que pensou desta maneira, ai, tou fodido, temos de o enterrar, de lhe mover algo tal que o derreie, já sei, vamos prà justiça, ó pedro, arranja aí uns papéis, inventa, se não surripia-os à gaveta e façamos um processo, levemos esta cassete ao governo e essa, a carola, que tem carola? que se chateou com o papa, é boa, chamem-na cá, vou comprá-la, a v... e eu por mim faço uma fita, quem faz o script, tá feito, só falta é nomear ricardino o costa, chamar aqui a morgada sem coração, das causas duras, que não tem emoções nem namorou nunca e jamais perdeu tempo, benfiquista, ihihi, pois foi isto que passou, senhores, com montes de presunção, desejos de fraudes a haver, imaginadas, e calúnia a bastança, enquantos os árbitros lá apitavam ao sabor do clube antigo, centralista. Ou de como é que se monta a história invejas, atabalhoada e ridícula. Que ora dá nisto. Com o TAS à perna a dizer, senhores, tenham vergonha na cara, carago. Por esta pagam dez mil euros cada. E, vá, não voltem.

Anónimo disse...

Três processos contra Carolina Salgado num só julgamento

O Tribunal de São João Novo, Porto, adiou de 4 para 11 de Novembro o início do julgamento de Carolina Salgado e apensou-lhe dois outros processos que visam igualmente a ex-companheira de Pinto da Costa.

No processo principal, a antiga companheira de Pinto da Costa é acusada de mandar incendiar os escritórios do ex-companheiro, Pinto da Costa, e do advogado de Lourenço Pinto.

Está pronunciada pelos crimes de ofensa à integridade física grave e do crime de incêndio, ambos na forma tentada.

A tentativa de fogo-posto nos escritórios do presidente do FC Porto e do advogado Lourenço Pinto ocorreu em Junho de 2006.

Nos dois processos agora conectados, ambos provenientes dos Juízos Criminais do Porto, estão em causa alegados crimes de difamação relacionados com o seu livro "Eu Carolina".

Num dos processos é acusada por Pinto de Costa de uma crime de difamação simples.

No outro, é acusada pelo advogado Lourenço Pinto do crime de difamação agravada

"JN"

maiskemaluko disse...

Mas que chatisse !!! Essa tal de carolina salgado nao era "mulher" do P.da C., sendo como tal apresentada no Vaticano ??? nao era a pessoa que era bajulada pelos "andrades" que deliravam quando a mesma insultava o Benfica, e se metia no meio dos super lagartixas, para ser apalpada e algo mais, o que excitava o Flatulento ???? Afinal quem e essa tal de Carolina....

Armindo disse...

Oh sôrGénio

Apesar do odor pestilento emanado, imagino o quanto lhe custou transcrever a sentença do Juíz!

Todo o texto que transcreve, talvez o faça colocar na minha posição e imaginar o quanto me custa, ter pessoas destas (Bieiras, Morgadinhas e Cª e afiliados) a comandarem o meu País, e depois serem retractados e humilhados pelos Comités de Apelo da UEFA, pelo TAS!!!

Acredite!

É triste!

Muito triste!

aNNóNNimo disse...

JULGAMENTOS...

Chegou o arrogante presidente no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do Pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
- Que fez você de bom na sua vida ?
- Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, fui cornudo, recasei, tive filhos, vivi.
- Ora - disse o Senhor - isso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
- Bem - disse o presidente - eu criei 'empresas', comprei' a indústria do futebol, 'empreguei' muita gente, melhorei as condições sociais de gente de baixo nível.
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem.
O siciliano de Contumil escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas 'indústrias' futeboleiras. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia.
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem Euros para uma velhinha da Casa dos Artistas,que me ensinou a declamar, outra vez contribuí com duzentos Euros para o Hospital dos Andrades Alienados e outra vez contribuí com quinhentos Euros para a Fundação das Operárias do Calor Nocturno.
- Só ? - perguntou Deus.
- Só - disse o milionário presidente, visivelmente contrafeito.
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos Euros ao 'cavalheiro' e ele, que vá para o Inferno.

Anónimo disse...

Espera Gordo. Pois tudo o que escreveste a soldo de alguém lá chegará o tempo em que sentarás o cú no mocho. Ou achas que só por seres protegido do Vieira e dos corruptos que ele controla na justiça, tal se verificará eternamente. Espera, porque o tempo de ires a tribunal e seres condenado às indemnizações que pagarás pelo mal que fizeste lá chegarão.

Anónimo disse...

"imagino o quanto lhe custou transcrever a sentença do Juíz".

armindo, se quer ler a sentença procure noutros lados.


"Do que se acaba de deixar escrito resulta, a nosso ver claro
(ressalvada igualmente melhor opinião), que a ligação do arguido Pinto da Costa aos presentes autos, tal como eles se mostram instruídos e desligados (por opção do Ministério Público) do demais apurado em sede do processo principal (que acabou separado em várias certidões, que originaram outros tantos processos), dizíamos, apenas ocorre por força de presunções ou juízos de valor sem qualquer sustentação na prova produzida.

Na verdade, ouvidas na íntegra as escutas (sessões) em causa e lidas as transcrições juntas aos autos torna-se de difícil compreensão o juízo
efectuado pelo Ministério Público no sentido de imputar os factos em apreço ao arguido Pinto da Costa.
É que para além das deduções efectuadas pela Polícia Judiciária no
relatório de fls. 294, não conseguimos vislumbrar naquelas escutas telefónicas qualquer ligação do referido arguido aos factos em investigação nos presentes autos, nem essa ligação parece, atentas apenas as regras da experiência comum, provável.

Senão vejamos.
Os telefonemas sob suspeita começam com um primeiro contacto
estabelecido entre os arguidos Rui Alves e António Araújo, por iniciativa
daquele. Ou seja, é o arguido Rui Alves quem liga ao arguido António Araújo dando conta do nome do árbitro designado para o jogo em questão.
Não resulta claro dos autos qual a ligação existente anteriormente
entre estes dois arguidos, nem tão pouco qual a verdadeira intenção do
referido telefone.

Sabe-se, por resultar dos autos e ser do conhecimento público, que
na altura dos factos existiam negociações entre o Nacional e o Futebol Clube do Porto, tendo em vista a aquisição por este clube de jogadores que actuavam naquele, como por exemplo os jogadores Paulo Assunção e Rossato (que acabaram até por se transferir para o Futebol Clube do Porto).
Sabe-se, também e pelas mesmas razões, que o arguido António
Araújo era à data um empresário de futebol próximo do Futebol Clube do
Porto, sendo ele quem vinham tratando das aludidas transferências.
Admite-se, no entanto, o conteúdo suspeito do telefone supra
referido, que, porém, nada tem que ver com o arguido Pinto da Costa.

Existem depois outros telefonemas, sendo que num deles, e
segundo a tese da acusação, o arguido Pinto da Costa teria sido colocado ao corrente do acordado entre os arguidos António Araújo e Rui Alves e teria dado o seu assentimento à execução do mesmo.
Importa referir a este propósito que a acusação não concretiza
minimamente em que terá consistido a aceitação por parte do arguido Pinto da Costa da proposta efectuada pelo arguido António Araújo (que, sublinha-se, consistiria em contactar, por acordo com o arguido Rui Alves, o arguido Augusto Duarte, no sentido deste favorecer o Nacional da Madeira, em detrimento do Benfica).
Mas mais ainda. Não encontra a acusação qualquer sustentação na
prova produzida nos autos para tal afirmação.

Com efeito, sublinha-se, não existe uma única conversação em que
tenha tido intervenção o arguido Pinto da Costa, como não existe uma
qualquer conversação em que se possa afirmar com a necessária certeza
aquilo que o Ministério Público afirma.
A conversação que serve de fundamento ao Ministério Público foi
estabelecida entre o arguido António Araújo e o Director de Gabinete de
Prospecção e Observação de Jogadores da Sociedade Anónima Desportiva Futebol Clube do Porto, Porto, SAD, Luís Manuel Beleza de VasconcelosGonçalves.

É uma conversa que gira em torno da influência do arguido António
Araújo, como empresário de futebol, junto do arguido Pinto da Costa e onde inclusive são feitas referências a outro conhecido empresário de futebol (Jorge Baidek).
Acrescentaremos ainda o seguinte quanto à pouca sustentabilidade
da tese defendida pelo Ministério Público, no que à intervenção do arguido
Pinto da Costa diz respeito.

Como é sabido, o arguido Pinto da Costa é o representante máximo
do Futebol Clube do Porto, passando por ele todas as decisões de relevo para o clube.
Conforme também resulta dos autos, nomeadamente da informação constante
de fls. 1056, antes da realização do jogo em questão o Futebol Clube do Porto liderava a classificação com 56 pontos, seguindo em segundo lugar o Sporting
Clube de Portugal, com 51, e em terceiro o Benfica, com 47 pontos.

O jogo em causa fazia parte dos jogos da 23ª jornada, faltando
desde a realização desse jogo e até final da época 2003/2004 onze jornadas.
Por seu lado, o Nacional da Madeira encontrava-se em 8º lugar, com
34 pontos, tal como o Boavista e o Marítimo.
Temos, por conseguinte, que à 22ª jornada o Futebol Clube do Porto
seguia isolado no primeiro lugar, com 9 pontos de avanço em relação ao
Benfica (que passaram depois do jogo a ser onze).
Tal distância pontual, que permitia mesmo ter em segundo lugar o
Sporting, faz legitimamente pressupor, salvo melhor opinião, que o interesse em “ comprar” o jogo em questão nos autos era diminuto para o Futebol Clube do Porto.

Mais importante seria o jogo em que tivesse participação o Sporting Clube de Portugal.
Mas mais ainda. Sabendo o arguido Pinto da Costa do acordo
estabelecido entre os arguidos Rui Alves e António Araújo, no sentido de
corromper o árbitro, fazendo-o actuar em benefício do Nacional da Madeira, só por estupidez (passe a expressão) se compreenderia que o arguido Pinto da Costa corresse o risco de se associar a uma tal decisão.
É que a vitória do Nacional servia claramente os interesses do
Futebol Clube do Porto, sendo assim desnecessária, atento o plano já em
curso, qualquer intervenção do arguido Pinto da Costa e do Futebol Clube do Porto.
Mas se o que se disse não fosse por si só suficiente para concluir de
forma diferente daquela que concluiu o Ministério Público na acusação que deduziu, sempre a prova produzida nesta fase da instrução permitiria chegar aquela conclusão.
Na verdade, dos depoimentos recolhidos nesta fase da instrução e
até dos documentos juntos aos autos, resulta claro o que se disse supra: entre Nacional e Futebol Clube do Porto decorriam negociações tendo em vista a transferência mútua de jogadores, nas quais intervinha, como intermediário e empresário de futebol, o arguido António Araújo.

Sai, por conseguinte, reforçada a versão defendida pelo arguido
Pinto da Costa. O mesmo é dizer que a versão plasmada na acusação
deduzida pelo Ministério Público cai por terra."

Anónimo disse...

O Ministério Público do Tribunal de Gaia arquivou um processo contra Carolina Salgado, em que a ex-companheira de Pinto da Costa era suspeita de ter deitado fogo ao veículo de um amigo do presidente

Anónimo disse...

isto e a verdade deste anonimo das 19:19 mas ainda ha mais verdades! é absolutas nas escutas que foram ou estão nos autos !
Vamos aguardar pois !os anonimos vão deixar a conhecer novos dados ..

Anónimo disse...

Arquivado o processo de Valentim Loureiro contra Carolina Salgado. O Ministério Público de Gondomar arquivou, por falta de indícios suficientes

Anónimo disse...

Um dos indivíduos apresentou-se numa estação televisiva, no Porto, pronto a “revelar tudo acerca da verdadeira Carolina Salgado”. Depois de ter sido convidado a sair das instalações, andou por várias Redacções, prontificando-se a “dar entrevistas exclusivas” sobre a vida privada da ex-companheira de Jorge Nuno Pinto da Costa.