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sexta-feira, outubro 10, 2008

AINDA OS PARALÍMPICOS

Do presidente do Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas recebi esta carta a propósito da queixa apresentada contra mim por Patrícia Gameiro:
"I. Origem
Eugénio Queirós, jornalista, editou no blog "Bola na Área" o comentário "Para quê?", datado de 9 de Setembro de 2008, no qual alude aos Jogos Paralímpicos. O jornalista afirma que, de 4 em 4 anos, "o pessoal com handicap (físico ou mental) aproveita as instalações desportivas olímpicas e vai também à caça à medalha". Alude que "o Mundo considera isto um acontecimento". O jornalista considera que quando muito "é uma boa ideia". Discorda, todavia, que os Jogos Paraolímpicos sejam transformados em "um acontecimento, com páginas de jornal". Além do "bizarro da coisa", a explicação que encontra é "os eficientes" justificarem "a sua geral indiferença pelos 'outros' com este tipo de paternalismo". Afirma também que "o desporto de alta competição nada tem a ver com esta espécie de ATL, com cães-guias, próeteses da Puma e jogos de salão". Comenta, por último, as declarações do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Laurentino Dias, proferidas após a conquista das medalhas de ouro e de prata pelos atletas de boccia João Paulo Fernandes e António Marques. Fá-lo desvalorizando o resultado obtido pelos atletas. O comentário de Eugénio Queirós suscitou no blog 355 reacções de pessoas que manifestaram as suas opiniões. Muitas são de indignação e parte desses comentários são insultuosos para o autor do texto.
II. Queixa
O comentário de Eugénio Queirós suscitou "uma grande dose de revolta" a Patrício Gameiro, que entendeu, em 13 de Setembro de 2008, apresentar ao CD do SJ queixa contra o jornalista. A queixosa qualifica o artigo como "nojo". Considera que o comentário revela "falta de senso" e que viola o código de ética dos jornalistas. Considera ainda que a liberdade de expressão, com a qual está de acordo, não justifica "este tipo de linguagem". Alude também ao facto de Eugénio Queirós exercer a profissião de jornalista no jornal "Record".
III. Interpelação
O CD do SJ apreciou a queixa na sua reunião de 18 de Setembro e decidiu interpelar Eugénio Queirós sobre este caso. Questionou-o sobre o ponto 8 do CD do Jornalista, o qual estabelece que "o jornalista deve rejeitar o tratamento discriminatório das pessoas em função da cor, raça, nacioanlidade ou sexo". O Estatuto do Jornalista dá, aliás, à questão uma interpretação mais ampla na alínea e) do seu artigo 14.º. Na sua versão consolidade de 2007, estabelece como dever dos jornalistas: "Não tratar discriminatoriamente as pessoas, designadamente em razão da ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religão, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual". O CD questionou o jornalista se se considerava desobrigado de cumprir os princípios éticos e deontológicos e a letra da lei quando emite opiniões editadas num blog. O CD distingue a acção pessoal do jornalista num blog da sua actividade profissional na redacção do jornal "Record". Como o jornal "Record" fez a cobertura noticiosa dos Jogos Paraolímpicos e ao evento dedicou páginas da sua edição impressa e espaço no site Internet, questionou-o sobre a sua opinião quanto à opção editorial do "Record".
III. Resposta
Eugénio Queirós respondeu ao CD em 24 de Setembro de 2008. O jornalista confirma que o comentário é da sua autoria e que é um dos membros do blog "Bola na Área". Refuta que "tenha, de algum modo, usado um tratamento discriminatório dos deficientes". E, em abono da sua tese, traz à colação as reacções ao seu comentário. Opina que as reacções - que designa como debate "longo e intenso" - "dividiu opiniões", "o que penso só revelar a pertinência do texto". O seu texto, como diz, suscitou "mais de 300 comentários editados, a que se acrescentaram outros tantos que não foram editados, bem assim como algumas referências na Imprensa e na rádio".
Eugénio Queirós reconhece que "a liberdade de expressão tem fronteiras que muitas vezes ultrapassamos". Pensa não ter sido o seu caso, "embora admita ter estado nos limites da mesma". Opina que para suscitar "a discussão por vezes é preciso ousar um pouco e a blogosfera é um espaço que permite outras liberdades". Afirma ter "pelos deficientes o respeito que tenho pelos ditos eficientes" e admite que "alguns dos termos usados não tenham sido os mais felizes mas lendo e relendo o que escrevi continuo a pensar que não ofendi ninguém e muito menos discrimei...quando muito, eu é que fui discriminado, tal o nível de intolerância dos comentários, que editei, esses sim, verdadeiramente insultuosos". Diz que no comentário "apenas quis pôr em equação, e penso que consegui, dois pontos: a amplificação mediática de uma competição sem valor competitivo e a hipocrisia que existe durante mais de 3 anos em relação aos atletas deficientes". Quando ao CD de ao Estatuto de Jornalistas, reconhece: "Existem. Portanto, temos de respeitá-los". Eugénio Queirós confirma que o jornal "Record" fez a cobertura noticiosa dos Jogos Paraolímpicos. Afirma não estar "em desacordo com essa opção editorial nem tenho que estar pois sou um simples redactor e quando não concordar com as opções editoriais do meu jornal posso sempre tentar trabalhar noutro lado".
IV. Análise
A resposta de EQ expressa uma posição de princípio. Os Jogos Paraolímpicos são uma competição sem valor competitivo, só justificada por hipocrisia da sociedade.
E induz duas convicções pessoais: a legimitidade de usar ousadia expressiva para provocar a discussão; e a possibilidade de recurso à blogosfera pela permissão de "outras liberdades", as qusi se presume que seja por comparação com os meios de comunicação social e por os blogs serem um campo sem regulação.
Embora admita ter pisado os "limites" da liberdade de expressão, enjeita responsabilidades pelas palavras e opiniões produzidas. Pelo contrário, deduz a pertinência da sua iniciativa por ter alegadamente gerado uma clivagem de opiniões e ter suscitado reacções e comentários sobre ele próprio, alguns deles intolerantes e outros "verdadeira insultuosos". Rejeita também ter usado um tratamento discriminatório, o qual readica nas convicções pessoais que manifesta quanto às prorrogsativas de cidadãos portadores de deficiência e quanto à sua concepção sobre os Jogos Olímpicos.
Vale a pena citar por oposição àquele que parece ser o entendimento de Eugénio Queirós, dois exemplos de ideal olímpico. Um deles, o do atleta olímpico canadiano Cristopher Jarvis para quem "o verdadeiro espírito olímpico não é ganhar uma medalha de ouro, mas superar os seus próprios limites". O outro exemplo salienta que recordar o espírito olímpico é "aderir a uma aspiração de harmonia, cultura e paz universais, numa permanente busca da concretização de uma utopia, na crença na capacidade humana de construir o ideal". Este último é da autoria de Francisco de Oliveira, que assinou o prefácio e coordenou o livro "O Espírito Olímpico no novo milénio", uma colectânea de contributos de investigadores de várias universidades portuguesas e estrangeiras editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra. Na sua resposta ao CD, EQ não responde, explicitamente, se se considera desvinculado de cumprir princípios éticos e deontológicos, quando emite opiniões editadas num blog. Todavia, as razões que aduz sobre as características da blogosfera conduzem à dedução de que aí são permitidas "outras liberdades".
IV. Conclusões
As concepções implícitas nas opiniões expressas por EQ no seu cometnário e na resposta a este CD fere valores éticos gerais e ofendem princípios de cidadania. EQ fez notar, na sua resposta, que a interpelação do CD considerou a prioria que aludiu aos jogos Paraolímpicos num tom "discriminatório e insultuoso". A posteriori, a consideração foi confirmada.
EQ tem uma convicção e recorreu aos meios utilizados para justificar um fim último. Uma ética de responsabilidade pressupõe que o jornalista avalie sempre as consequências que os seus actos provocam nos visados. Pressupõe que o jornalista não descarte responsabilidades, pretendendo conferir pertinência ao acto por te gerado reacções. Apesar das suas opiniões terem sido expressas num blog, não fica desobrigado de deveres deontológicos da profissão. Não deveria sequer considerar-se desobrigado de preservar o bom-nome profissional, que deve constituir um pré-requisito ético do jornalismo. EQ assume que ultrapassamos (usando um plural majestático dúbio) muitas vezes as fronteiras da liberdade de expressão como se isso fosse uma contingência natural. Ora, as violações não se naturalizam pelo hábido de proceder erradamente
O CD do SJ considera que a atitude de EQ merece reparo e é eticamente reprovável.
Considera ainda que o jornalista deve apresentar desculpas aos ofendidos, no blog "Bola na Área".
Assina o relator, Orlando César, presidente do CD dos Jornalista e ex-jornalista de "O Diário", num acórdão aprovado por unanimidade no dia 1 de Outubro de 2008.

38 comentários:

Nuno disse...

Ainda bem que nao fui para jornalismo.
Penso que um jornalista não deve ser apenas um meio de transmitir a notícia, mas também ter aspecto crítico destas. Assim, está na responsabilidade de quem coordena as notícias, como os editores dos jornais, publicar as notícias que se achem relevantes. O que não quer dizer que os restantes jornalistas tenham obrigatoriamente de concordar com essas opções. Se num espaço pessoal, o jornalista diz a sua opinião, isso é problema dele e da entidade empregadora.
E só vê discriminação no texto que escreveste quem tiver mesmo má vontade.

Aliás, não noticiar com jornalistas no local e transmissão em directo o mundial Gay de futebol, assim como se faz com o dito "normal", não será também uma forma de discriminação? Gostaria de ouvir a opinião do Presidente do Conselho Deontológico sobre isto.

Em abraço

Nuno

Anónimo disse...

Da minha parte tal posição só merecia um comentário: "Puta de hipocrisia". Tenho para mim, por outro lado, que a hipocrisia é muito pior que a indecência e a falta de vergonha.
ACL

Luigithe disse...

É por isto que nunca serei sócio do Sindicato. Nunca. Cada um tem direito à sua opinião fora do trabalho. Os engenheiros e os médicos também têm códigos de ética. E liberdade de expressão. Não vejo o Sindicato preocupado com as carências da profissão nem com o descrédito da mesma. Vejo-o ocupado com questões como esta. E um pedido de desculpas no blogue! Esta é a melhor de todas. A página inteira ou em rodapé?

Sartor disse...

Mas não pode o Eugénio escrever neste blog com o estatuto de Eugénio, cidadão anónimo?

Porque tem que se trazer para aqui o que ele faz na vida profissionalmente?

Basta ir ler alguns blogs que por aqui andam, que se regem pelo insulto a qualquer personalidade deste país! Por serem comentários de "não jornalistas de profissão", já lhes dará o direito de se expressarem de tal forma sem teem que prestar contas a ninguém?

Não estou a dizer que concordo com a maneira como o Eugénio se expressou, mas percebi onde ele quis chegar: à hipocrisia dos "normais" que só se lembram dos "que têm deficiências" quando é Natal! E neste caso, é um "Natal" que só chega de 4 em 4 anos!

Foi uma pura e simples crítica a uma sociedade, que faz um papel hipócrita e cínico de se lembrar de realizar uma celebração para os ditos deficientes, quando no dia a dia em geral, se está completamente a marimbar para estes! Alguém se lembra de no dia a dia criar rampas nos passeios ou meios de transporte para paralíticos em cadeiras de rodas? ou mesmo rampas para que estes possam entrar nas suas próprias casas? ou ir a um banco? ou levantar dinheiro numa caixa multibanco? Alguém se preocupa com os cegos que caminham em ruas esburacadas sem sinalização ou uma barreira a delimitar esses perigosos buracos para os que são cegos?

Mas os governos, a sociedade, se lembram destas pessoas no dia a dia, ou apenas de 4 em 4 anos, numa festarola do género "vá lá, esta festinha é só para vocês, hãn!"

O único erro de Eugénio Queiroz foi ter-se expressado mal, dando lugar a uma confusa interpretação das suas palavras, mas o essencial está lá: foi apenas uma crítica à sociedade.

Valdemar disse...

Já agora, parabéns à Patrícia Gameiro. Conseguiu meter muita gente com nojo das atitudes dos que dizem defender interesses dos deficientes. Os fundamentalismos dão nisso. E a pouca inteligência também. Se soubessem ler o texto sem o espírito fundamentalista e inquisitório com que o fizeram, teriam descoberto que Eugénio acusou os hipócritas que usam os deficientes para se auto-promoverem. Mas a auto-comiseração e preguiça em se assumirem como cidadãos de pleno direito, sujeitos a crítica como quaisquer outros na sociedade, independentemente de deficiência ou não, toldou-lhes o pensamento e a visão como os famosos óculos de Alcanena.

A maior hipocrisia? Se o texto tivesse sido escrito pelo mesmo Eugénio, até mais furioso ou insultuoso, mas, coitadinho, deficiente, o coro de críticas, transformar-se-ia num de aplausos. E o tal conselho de não sei o quê manter-se ia debaixo da pedra de onde saiu.

Captomente disse...

País mesquinho. A mesquinhez, isso sim, é que mete nojo.

Aurelio disse...

estou contigo geninho!
a aguiamoribunda.blogspot.com voa ao teu lado.
bando de hipocritas... todos pensam o que tu pensas mas têm medo de o dizer.
abraço

Bigsousa disse...

Mais lamentável que a conclusão do CD do SJ é a quantidade de gralhas e erros do acórdão. Sinceramente, era de passar os olhos pelo texto antes de o publicar.

Fredy disse...

que Hipocrita que saiu este Orlando..e a dita Patricia já agora..enfim..com pessoas destas à frente de orgãos como estes nao admira nada, mesmo nada, que o país esteja como tá e nao evolua!

josé carlos soares .˙. disse...

Nunca mais serei sindicalizado enquanto esta gentinha lá estiver.
Hipócritas de MERDA!
Por outro lado o patricio ou patricia deveria ter vergonha na cara, bufo ou bufa tanto faz.
Em último lugar apenas o seguinte: passei todas as noites enquanto durou a competição paralímpica, na redacção da Antena 1 a acompanhar o evento.
DEIXAREI DE ACOMPANHAR OU DIVULGAR COMPETIÇÕES PARALÍMPICAS!
Agora patricio ou patricia, vai bufar de mim que é para o lado que irei dormir melhor!

Anónimo disse...

Ja estava com saudades deste tema...

Ja agora:
"II. Queixa
O comentário de Eugénio Queirós suscitou "uma grande dose de revolta" a Patrício Gameiro,"

Patrícia

boloposte disse...

O texto assinado pelo relator, eivado de erros de português, causou-me uma grande dose de revolta.

Onde é que uma pessoa pode fazer uma queixa contra um jornalista que não sabe escrever?

Anónimo disse...

Sinceramente estou a pensar deixar de ser jornalista. Ler um relatório tão opinativo, deturpado, mal escrito, incrivelmente injusto e ridículo como este revolta-me profundamente. Este senhor Orlando não deve ser jornalista, e se o é, é uma vergonha para a profissão.

Para este senhor, percebe-se, os jornalistas NÃO TÊM direito a dar a sua sincera opinião em lado nenhum, muito menos nos blogs, esses locais vis que deveriam ser controlados por um grande irmão.

Parabéns ao Orlando César, por mostrar que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas é uma valente porcaria, para não dizer m*rda!
Nunca me hei-de sindicalizar com pessoas destas no Sindicato, nunca.



Ass: Anónimo (porque em regimes ditaturiais como aquele que se vive no jornalismo nacional mais vale não ter nome quando se opina)


O que terá a dizer o Exmo. Prof. Dr. Orlando César sobre as crónicas em jornais de jornalistas em que criticam (e muito) classes inteiras, políticos e afins? Também será sacrilégio digno de uma boa Inquisição?

Anónimo disse...

Graças a Deus. Saravá!

Graças a Deus que não sou jornalista e, como tal, como um "Não" qualquer coisa, posso dispôr da minha opinião e da minha liberdade de opinião, mesmo do meu disparate publicado aqui, coisa que os jornalistas (buuuuu!!!!), não podem.

Antes de mais porque o Conselho Deontológico do SJ, ou essa tal senhora dona Patrícia qq Coisa, não entendem a diferença entre um "blog" de internet e os limites, mesmo que latos, de um orgão de comunicação, diferente, como é um jornal, uma rádio ou TV.

Ao contrário de orgãos instituídos, que têm os seus estatutos editoriais próprios (ou nem tanto), a blogosfera pauta-se por critérios "editoriais" mais democráticos que, como tal e é dos livros, mais susceptíveis de confronto de ideias ou pontos de vista. E é exactamente nesse confronto de ideias, muitas vezes impublicáveis em orgãos de comunicação instituídos, que se coloca, senão a vantagem, pelo menos a diferença.
Porque, com bom, incisivo e mordaz propósito, a "provocação" colocada aqui por Eugénio Queirós levou a um debate sobre um evento que, não me consta, tivesse acontecido em mais nenhum orgão de comunicação e, muito importante, sobre o qual cada um pudesse expressar a sua opinião.

Lamentável, e cada vez mais preocupante. A classe dos jornalistas, outrora agente despoletadora de consciência social e polemizadora por excelência, vê-se cada dia que passa mais amordaçada por agentes directos das entidades patronais ou lobbies de interesses avulsos.

Temos tido exemplos recentes dessa ausência de vozes críticas, polemizadoras e livres na comunicação social. A forma como chegaram até nós vários casos, da política à finança e até ao futebol, sem que os jornalistas tivessem tido um papel senão do que meros relatores do quotidiano.
Ao contrário de outros tempos, nenhum dos grandes casos chegou até nós por investigação jornalística que, adivinho, é coisa que já não existe. Ou porque não convém ao patrão, ao amigo do patrão, ou porque vai dar perdas comerciais, ou porque não é "oportuno" ou "politicamente correcto".
Valha-nos Stª Internet.

De repente, a propósito de um comentário polémico sobre os jogos Olímpicos para deficientes, depara-se-nos uma "sentença" vil e bacoca.
(eu posso dizer porque tenho liberdade de expressão, ao contrário dos jornalistas):
Vil porque, por conta de uma reclamação de uma associação ou entidade com interesses objectivos na questão (que, apesar dos fins expressos, não é líquida nos modos), coloca em causa uma opinião ou comentário de um profissional que, no papel de vulgar cidadão, expressa num espaço comum a outros vulgares cidadãos a sua opinião, provocação ou desabafo.
Bacoca porque se serve de lugares comuns, frases feitas, algumas mal feitas, sobre o objecto do comentário.
Melhor do que isso li eu aqui, neste blog, em críticas ao autor.
O ridículo da ousadia da citação de frases de ateletas olímpicos, como suposto "ideal olímpico", é mais uma prova desse desvario de argumentação. Cito:
"...o do atleta olímpico canadiano Cristopher Jarvis para quem "o verdadeiro espírito olímpico não é ganhar uma medalha de ouro, mas superar os seus próprios limites".
Os "limites" pressuponho físicos. Como tal aplicável a qualquer um de nós, pouco, muito ou medianamente deficiente/"eficiente". A superação INDIVIDUAL dos limites não é por si só um feito à escala Mundial. Ela só nisso se pode tornar quando comparável entre iguais com o mesmo grau de deficiência/"eficiência". Toda e qualquer alteração nessa igualdade de meios, que podem ser tão só a altura, o peso, a elasticidade muscular, a própria destreza para a práctica da modalidade específica, perturbam e distorcem a igualdade de meios.
O querer e "a vontade de superar os limites" podem ser os mesmos. As condições variam e, como tal, os resultados.

Mas, maior disparate nas condições actuais em que decorreram os jogos olímpicos para ser chamado, é o do citado Francisco Oliveira, que salienta que "recordar o espírito olímpico é aderir a uma aspiração de harmonia, cultura e PAZ universais, numa permanente busca da concretização de uma utopia, na crença na capacidade humana de construir o ideal".
Sabendo o que todos sabem: Até dói.

Se o Conselho Deontológico do SJ estivesse de facto preocupado com a busca ou a concretização desses nobres ideais, teria inquirido os orgãos de comunicação e os seus profissionais sobre o palco em que assentou toda essa "nobreza". Dos deficientes e dos outros.
E foi feio vê-los a todos, um por um, virar a cara para o lado, não querer ver, a mortandade, a mutilação, a tortura, o extermínio em que assentou estes J.O. a "aspiração de harmonia, cultura e PAZ universais, numa permanente busca da concretização de uma utopia".
Não, senhores do Conselho Deontológico. A causa do Tibete, calada pelos profissionais que representam, não é uma questão política. É, antes de mais, uma questão humanitária. E onde estiveram os senhores quando essa questão pôde ter voz? Que diligências tiveram junto das direcções dos orgãos de comunicação? Assumiram, tal como mandavam os empresários da comunicação social, que a questão era "política". E como "política", mesmo que diariamente houvesse dezenas de mortos, o "ideal olímpico" da senhora dona Patrícia qq Coisa era cumprido.
E essa causa era, pelo menos, tão humanitária e respeitadora dos direitos da diferença mas, mais ou menos como disse o Eugénio, o grande ATL com calções da Nike ou próteses da Puma, falaram mais alto.
Compreendo, mas lamento.


LAM

sonicmale69 disse...

Entao, mas o nosso Eugenio vai pedir aqui desculpas ou so' publica estes comentarios dos amigos da borga ?

Amilcar Alho disse...

Ainda estou à espera do pedido de desculpas.

E não adianta ter convidado os coleguinhas a virem escrever em defesa do bronco em causa, porque isso nada muda.

Já estou a ver a resposta do pseudo-jornalista do Record: "ah, vão dar uma espreitadela aos comentários ao vosso relatório, lá no blog; notem como tenho uma multidão do meu lado! Só por isso, não peço desculpa e continuarei a cultivar o meu desprezo e falta de respeito pelos deficientes deste país".

Claro que ocultará o facto de os comentários terem sido feitos a pedido, por jornalistas seus compinchas.
Até o incompetente do novo jornalista do benfica cá veio meter o bedelho,lol. Diz que não volta a cobrir os paralímpicos... acho muito bem. Ele que aproveite e deixe de se fazer ouvir na Antena1, porque é uma rádio que ouço amiúde e tenho que mudar para a Renascença sempre que o ouço a mandar bacoradas.

Mas continuarei à espera do pedido de desculpas.

Hugo disse...

Estes senhores que escreveram o acordão dizem-se jornalistas? A escreverem com tantos erros? Santa hipocrisia que reina neste país.

sonicmale69 disse...

AH AH AH! O gajo agora esta' a publicar dois ou tres comentarios do pessoal que ate' gostava de o ver a pedir desculpa, como quem diz "tambem ha' pessoal que quer que eu peca desculpa".

Continua a atirar areia pr'os olhos do pessoal, va' la'...

Daniel Reis disse...

Caríssimo
Um abraço e, ainda que isso não seja muito relevante, anota que te vou lendo e não estás sozinho. Há muita gente a pensar, genericamente, de acordo com o que escreveste, mais adjectivo menos adjectivo, e ressalvados eventuais excessos de linguagem, pois tratando-se de um artigo de opinião, o que deve ser é essencialmente livre.
Mais: para que não penses que escrevi só para te manifestar uma solidariedade genérica e difusa, regista o que segue.
1º - Discordo em absoluto das conclusões comunicadas pelo Conselho Deontológico e, específicamente, considero que que o teu artigo «não fere» valores éticos gerais, «nem ofende princípios de cidadania», ao contrário do que diz o CD.
Acrescento, para que conste e registes:
2º- Fui, com muita honra, uma trabalheira e um ror de chatices, presidente do CD do Sindicato. Isso não me inibe porém, absolutamente nada, de discordar de uma decisão do Conselho actual. Mas também não se pode inferir daí que não respeite ou desconsidere o Conselho Deontológico. Pelo contrário. Só que, cada um é livre de decidir nas funções que eventualmente ocupe e em função da sua consciência. Mas sempre na certeza de que é responsável pelo decidido. Nada mais que isso.
3º - Não seria necessário acrescentar, se esta mensagem fosse apenas para ti, que falo com conhecimento de causa pessoal sobre a questão em apreço. Mas não vale a pena, pois das deficiências ou eficiências de cada um, só ele próprio saberá. E a sociedade é que deve cuidar de todos, sobretudo de quem mais precisa e em razão das suas necessidades.
Mas sempre acrescento que prefiro o silêncio de uma piscina ou o recato do exercício individual, mesmo se no barulho de um ginásio, que a exibição pública (e pela televisão global) das mazelas de cada uma, ainda que sob a capa do exemplo no esforço para as superar.
Um abraço e não desistas da escrita no teu blog, apesar da enxúndia de críticas e um parecer respeitável, sim, mas a meu ver desastrado, do CD do nosso Sindicato.
Daniel Reis

Rock Santeiro disse...

Rir do relator do CD do SJ pode ser uma coisa perigosa. Não por ele nem por ter trabalhado no extinto e soviético "Diário", mas pelo que representam as palavras de alguém que está na linha da frente do processo (dito) ético do Jornalismo. Que é como quem diz: estamos entregues à bicharada.
É que, hoje em dia, rir da incompetência e tiques de censura civilizacional desta gente pode ser tão perigoso como navegar num mar de tubarões. A gente pensa que o barco nunca afunda e depois é o que se sabe...
Deixei de ser jornalista sindicalizado muito cedo. E nesse meu historial (já não sou jornalista) estive na linha da frente de combates pela ética e pelos direitos laborais e centenas de colegas meus. Estive em processos complicados e até em fases de negociações clandestinas com direcções e administrações. Em todas elas percebi a vocação, a competência e as agendas pessoais de muitos (não todos) dirigentes do SJ.
Lamento que assim seja. E lamento que a incompetência e a ignorância, assim como a inadaptabilidade face ao mundo real, não sejam impedimentos legais para o exercício das suas funções, que obrigassem esta gente a calçar os chinelos e fossem chatear os neurónios às mulheres (ou homens) das suas próprias casas.
Mas não deixa de ter alguma piada ver esta gentinha a usar de mesquinhos e imbecis esquemas ara censurar opiniões. Felizmente, o mundo evoluiu. As Finanças podem estar mal, mas o Direito não está.
Eles que venham Eugénio. Eles que venham, que ando cá com umas ganas... Conta comigo. Preciso de exercício ;)

Valdemar disse...

Queria deixar bem claro que não sou jornalista, e nem conheço o tal Eugénio. Mas sou um cidadão com cérebro. E que o uso para pensar.

Querem desculpas? O facto de necessitarem delas vindas de um blog demonstra bem o carácter das gentes que aqui vêm e das frustrações que os assolam. São de facto gentes tristes que não aceitam pontos de vista, um facto essencial numa sociedade democrática. A falta de formação das gentes que se dizem defensoras dos "coitadinhos dos aleijadinhos" ficou bem patente neste caso.

Volto a tocar na mesma tecla: fosse o tal Eugénio um "coitadinho aleijadinho" com ou sem razão, e, em vez de desculpas, aplaudiam-no freneticamente.

São os fundamentalistas como o sonic e o amilcar, gente sem sequer a coragem de assinar as suas ideias com o próprio nome, escondendo-se atrás do anonimato, que me metem mais pena nesta história toda. Por não terem vida, e terem que vir para um blog em busca de gratificação pessoal. Pequenas pessoas, satisfazem-se com pequenos actos. Todo este caso não teria acontecido se essa Patrícia, o amílcar, o sonic, todos os outros, fossem gentes com vida própria, que andassem nos blogs sob uma perspectiva racional de análise intelectual e de recolha de opiniões em forums democráticos como este, que por acaso, é editado por um jornalista, mas ao qual é, ou devia ser, permitido possuir opinião pessoal. Mas como parasitas, sem vida própria, alimentam-se de pequeninos ódios para compensar as frustrações pessoais e fizeram deste caso um alvo. Infelizmente. Os cidadãos deficientes mereciam mais e melhor que estes representantes em toda esta questão. Mas, também, o objectivo dos chacais que aqui apareceram nunca foi a defesa dos deficientes (até porque nunca houve ataque, bem pelo contrário). Foi apenas o destilar da bílis que os afecta no dia-a-dia, e que em nada está relacionado com este assunto.

Em resumo, para os que sofrem défices mentais (não confundir com deficientes mentais) que aproveitaram este episódio para destilar as frustações: eu não conheço o Eugénio, não sou jornalista, apenas um cidadão observador, e não me agradou a falta de honestidade mental que aqui testemunhei por parte da turba ululante, zelota do políticamente correcto, inquisidores dos nossos dias, democraticamente incapazes de aceitar correntes de opinião, críticas por parte de gente mentalmente arejada. É pena. Como sociedade, não avançámos muito nestes 30 anos...

Anónimo disse...

O unico comentario que este parecer politicamente correcto me merece e' que a hipocrisia, de facto, nao tem limites. Pobre jornalismo!

Anónimo disse...

Oh pá! Mas isso Copiaste tu para o blog ou enviram-te o texto assim?

Ena tanto erro!!

NONY

Anónimo disse...

o Eugenio tens que papar essa gaja. Para o o bem do jornalismo portugues.

maiskemaluko disse...

Para os aleijadinhos que esperam um pedido de desculpas, continuem a esperar sentados. A Patricia e uma coitada, e tem um neuronio, a menos, aconselho a pobre moça a ir ter com o Geninho ao tasco do zeferino, comem um prato de bucho e fazem as pazes. Por ultimo o tal de Orlando, jornalista que foi de o "Diario" esse jornal simbolo da democracia (pediram desculpa ao sa carneiro pela vil campanha que moveram ao mesmo, e que se provou ser mentira).... como e possivel escrever com tantos erros !!!!!
Exigir que o Geno peça desculpa no Blog,,,,ahahahahaha, tambem so deve ter um neuronio a funcionar.
Ja deve ser uma pessoa com uma certa idade sr. orlando, calçe as pantufas, veja televisao, e aos fins de semana veja o canal 18.
Quanto a ti Geninho es grande mas nao es grande coisa, arranjas cada trapalhada, qualquer dia arranjas uma guerra civil, metade do povo a querer dar cabo de ti, e outra metade a defender-te !!! ai ue mama ue, mama.

josé carlos soares .˙. disse...

Eugénio, ainda estou à espera do cheque que me prometeste se eu aqui escrevesse a teu favor. Preciso do dinheiro para mandar o mesmo ao (à) bufo (a), para fazer a lobotomia de que precisa.
Abraços

apicultor disse...

quem és tu, zé carlos?

um zé ninguém.

Anónimo disse...

Querido Amigo apicultor, o Zé Carlos é esse mesmo, o Zé Carlos. Eu sei quem ele é e não estou sozinha: é um ser humano Nota 10!
E mesmo que não fosse ninguém que direito tens tu de vir para este blog mandar "bocarras" e dizer que ele não é ninguém? E tu, quem és? Algum idiota dos mais de 90% que andam no jornalismo português, feito de falsos mitos e pseudo-jornalistas.
Quanto ao sindicato nem sequer vou fazer grandes comentários. Abandonam os jornalistas em nome de causas pessoais e armam-se depois em grandes defensores da classe, do bom nome e dos costumes. Inquisidores? Não defendo o que o tal senhor escreveu sobre os paralimpicos, muito pelo contrário mas penso que quanto mais importância lhe derem mais força ele terá- Desprezo porque dele não rezará a história. E, já agora, liberdade de expressão, ás vezes dói outras sabe bem.

Anónimo da Silva ou da Costa disse...

Esta coisa de ser jornalista "politicamente correcto" no Record, mas cidadão livre no blog que publica, faz-me uma confusão do caraças...
Tem opinião? coluna vertebral? Coerência? não me parece.... não li no Record nenhum artigo, mesmo que mais brando nas palavras e ironias, que desmontasse a hipocrisia do evento; nem uma linha que fosse. é que isto de se ser de causas, meus amigos, ou se é ou não: ser jornalista nine to five direitinho e escorreito, e blogueiro alcoolicamente desinibido nas horas de lazer tem os seus "quês"... mas isso sou eu, que não sou jornalista nem putativo paralimpico, que acho...(nesta hora alcoolicamente desinibidora...)

sonicmale69 disse...

So' agora e' que li o comentario do Valdemar. Mas quem e' que tu pensas que es pr'a dizer o que disseste sobre mim e outros que aqui veem ?

So' te digo, vai pr'o caralho.

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Toma la': RUI DIAS

sonicmale69 disse...

E mais, o' Amilcar:
Vai chamar parasita a quem te fez o cu, o' cabrao. Nao conheces nenhuma das pessoas (ou alter egos) que referiste e ofendeste, por isso deixa-me dizer-te que, mais estupido que tu, foi o Eugenio por publicar o teu comentario e deixar-te ofender os outros comentadores ("parasitas, sem vida própria alimentam-se de pequeninos ódios para compensar as frustrações pessoais")

E' por isso que comentarios neste blog tendencioso, nem ve-los. Tem um ou dois, porque o pessoal ja' se apercebeu que so' comenta quem o Eugenio "acha bem".

E deixa-me dizer-te que dos 300 comentarios acerca dos paralimpicos, nao apanhas la' um que seja meu, porque esta estoria nao me aquece nem me arrefece.
So' achava que ficava bem um pedido de desculpa vindo do reporter, porque acima de tudo e' um reporter que trabalha em jornalismo e quando aqui assina com o seu nome, entao esta' a por a sua carreira em perigo (por isso e' que existem os "alter ego").

Tiraste-me do serio, o' palhaco.

maiskemaluko disse...

Ruizinho, tem calma se nao ainda ficas aleijadinho !!!!!

Anónimo disse...

Sabem que mais? Por respeito, por puro respeito deixem de ofender os Paralimpicos, chamamdo-lhes aleijadinhos e outras coisas do género. Aleijadinhos são vocês mas da cabeça...Santa paciência, tanta gente ignorante. Já vi quem são vocês, armados em jornalistas, a tentarem passar por intelectuais e depois não respeitam as diferenças. Sim, a Lei diz que este tipo de comentários constituiem crime, é verdade.E ainda bem que o são...Tascas e gajas, é só do que falam e por aí já se vê o nível da vossa cultura geral e inteligência...
Os aleijadinhos ainda trazem medalhas para Portugal agora vocês e os vossos clubinhos são mediocres, a começar pelo Benficazinho e seus adeptos, malta da cerveja e da sandocha que limpa os dentes com a unhaca...

josé carlos soares .˙. disse...

Companheiro apicultor, na realidade não sou ninguém, pelo menos ninguém como tu.
Abraços e as melhoras da abelha rainha que parece andar metida com o zingão da colónia do lado...

Anónimo disse...

Eugénio é merda!

Anónimo disse...

O Zé Carlos tem um pontecial humorístico só comparável à sua qualidade enquanto jornalista.

O meu especial obrigado ao Canal Milhafre por tirar esse furúnculo jornalístico do mapa da comunicação social mais generalista (ou de, pelo menos, ter garantido que à hora dos jogos do benfica lá transmitidos não teremos de o ouvir em mais lado nenhum)

Pedro Lourenço disse...

Já pediste desculpa, seu palhaço?

Pedro Lourenço disse...

Quer dizer, agora está toda a gente ao lado deste burro de merda? Quanto aos erros ortográficos, já pensaram que os erros foram originados pelo vosso Burro Queirós ao passar para o site?