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quinta-feira, julho 10, 2008

O DESESPERO DE VALENTIM


Durante muito tempo senti alguma simpatia por Valentim Loureiro. O facto de não concordar com algumas das suas posições não era suficiente para ignorar a forma descomplexada como o Major se movia, jamais perdendo oportunidade para dizer o que pensava, sem temer consequências. O antigo presidente do Boavista, para além de bom falante, sempre passou a imagem de um tipo bonacheirão, dado a boas gargalhadas, mas também capaz de transformar uma discussão banal num assunto interessante. Com a sua típica forma de estar na vida, Valentim rapidamente conquistou um lugar de topo na hierarquia do futebol luso. E se lá chegou, o seu clube também não ficou atrás. O Boavista, contrariando todas as previsões, cresceu imenso, equiparou-se aos grandes, fez figura na Europa e até um Campeonato Nacional conquistou. Mas, como diz o povo, "quanto mais se sobe... maior a queda". A colectividade do Bessa, por muito que isso custe aos seus adeptos, é hoje em dia um emblema rodeado de problemas, com a agravante de não se vislumbrar forma de os solucionar. O tempo passa, vão aparecendo pessoas com boas intenções (com charlatões e curiosos pelo meio), mas a verdade é que o Boavista parece caminhar a passos largos para o abismo. A possível queda na Liga Vitalis pode ser só o princípio do calvário.Ao mesmo tempo, Valentim Loureiro tornou-se uma figura cinzenta junto da opinião pública. Depois de ter sido acusado de diversas irregularidades (as escutas, independentemente de serem legais ou não, provam vários comportamentos condenáveis), o Major não teve o bom-senso de abandonar o futebol. Bem pelo contrário. Agarrou-se à liderança da Assembleia Geral da Liga como uma tábua salvadora e tenta, desesperadamente, limpar o seu nome e o do Boavista. Só que, quanto mais se esforça, mais desfocado surge aos olhos do público. Nem a solidariedade de velhos aliados o salva.Recorrendo a ironia absurda, Valentim considera exagerado que se queira aumentar as sanções a todos (clubes e dirigentes) que procurem marcar golos fora de campo. Pois... Mais uns dias e ainda vai aparecer a defender que, em vez de sanções, essa rapaziada deve ser premiada! Todos os clubes e dirigentes que consideram que estas novelas dos "apitos" não passam de invenções deviam ser os primeiros a dizer sim ao aumento das sanções. Quem não deve... não teme! PS - Valentim não perde oportunidade para atacar o líder da Comissão Disciplinar da Liga. E até o faz dentro das instalações do organismo, de sorriso nos lábios. E entre muitas acusações, afirma que Ricardo Costa tem sede de protagonismo. Concordo com a observação (a justiça deve ser discreta), até porque nessa área o Major é especialista há várias décadas!

LUÍS AVELÃS

7 comentários:

Anónimo disse...

José Manuel Meirim considera legítimo o facto do presidente do CJ tem avançado com providências cautelares

O jurista José Manuel Meirim considerou hoje legítima a decisão do presidente do Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) de recorrer aos tribunais administrativos para suspender a eficácia de decisões da justiça desportiva, no âmbito do caso Apito Final. “Penso que sim, independentemente das ‘nuvens’ que pairam sobre tudo o que se viveu, e ainda vive, a partir da reunião do CJ.

Por um lado, o requerente é o presidente do órgão e, por outro, lidas as notícias sobre a instauração de um procedimento disciplinar e a aplicação de uma imediata suspensão preventiva de funções, de que foi alvo, ele é potencialmente um directo lesado", disse este professor de Direito Desportivo. O presidente do CJ da FPF, António Gonçalves Pereira, interpôs ontem duas providências cautelares no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto (TAF) para suspender a eficácia das decisões tomadas pelos cinco conselheiros na reunião daquele órgão na madrugada do passado sábado.

José Manuel Meirim esclareceu também que uma das consequências do acto de Gonçalves Pereira junto do TAF poderá ser a suspensão dos actos assumidos pelos cinco membros na reunião do Conselho de Justiça. “Uma resposta mais precisa teria que partir do conhecimento exacto do pedido formulado pelo requerente. Contudo, um resultado possível será a suspensão dos actos que incorporam as decisões do CJ”, disse. Ou seja, prosseguiu, “o efeito, dir-se-ia automático, da medida cautelar, é a suspensão dos actos que são impugnados”.

Este professor de Direito do Desporto disse ainda que, para “reagir a tal efeito, a entidade autora do acto - a FPF - terá que, em sede processual, declarar um interesse público que possa ser avaliado e ponderado pelo juiz. O que está em causa, numa breve ideia, é o pesar dos interesses em causa e das consequências negativas que a suspensão do acto pode acarretar e a protecção dos direitos e interesse do requerente”. Para José Manuel Meirim, “um argumento possível de ser esgrimido [pela FPF] é o que se prende com a estabilidade das competições desportivas”. “Caberá ao juiz do processo aquilatar, ponderadas todas as vertentes em análise, da sua viabilidade”, disse. José Manuel Meirim não hesitou em declarar a inquestionável legitimidade do acesso aos tribunais, quando confrontado sobre se a decisão do Boavista avançar com uma providencia cautelar à decisão dos cinco conselheiros do CJ da FPF colide ou não com determinações da FIFA que impedem o recurso aos tribunais civis para dirimir conflitos com a justiça desportiva. “Nesta matéria, à luz da lei portuguesa, é inquestionável o direito de acesso aos tribunais. A meu ver, é isso que deve ser sublinhado. As eventuais reacções da FIFA são, por ora, difíceis de precisar, tanto mais que a própria organização desportiva em causa não aplica sempre a mesma medida, guiando-se muitas vezes pelo peso da federação nacional e do próprio país a que pertence”, concluiu.


o jogo

Anónimo disse...

Alguém que diga ao Major para se demitir e ir para casa.

Já agora, alguém que diga a CRonaldo que ganhe juízo e a Blatter para se calar.

Anónimo disse...

A única coisa que não entendo é que os que criticam Valentim Loureiro omitam que este só é presidente da AG da Liga de Clubes por sugestão desse impoluto cidadão que se chama Luís Filipe Vieira

Anónimo disse...

Concordo com a maior parte daquilo que foi dito, menos na parte de gostar dele, pois isso a mim nunca me aconteceu. Não esquecer que quem requisitou o final da discussão\aprovação foi o Braga e a Académica. O Valentim poderá não concordar com o aumento das penas mas esta foi requisitada por 2 clubes e não por ele!

Anónimo disse...

È proibido pela censura encarnada dizer queo major só é presidente da AG da Liga por proposta do Luís Filipe Vieira. Tenham vergonha na cara e deixem-se de ser hipócritas

Anónimo disse...

Ao contrário, pelos vistos, de quase todas as boas almas desta terra, não posso estar mais de acordo com a decisão dos clubes, tomada ontem, de suspenderem a Assembleia Geral da Liga e estudarem primeiro os dossiers como deve ser. Pareceu-me uma sábia decisão num momento em que não é fácil ter serenidade e alguma visão de futuro.



É que as propostas da Comissão Disciplinar me pareciam ultramontanas, movidas a efeitos mediáticos que nunca são bons conselheiros para legislar e destinadas apenas a cheirarem a sangue num momento em que o povo exige sangue, como nos coliseus da Roma antiga.

Devo dizer, aliás, que as últimas reuniões dos órgãos disciplinares do futebol - da Liga e da Federação - mostram como seria perigoso, nas mãos de gente do desporto, leis que permitem dar penas de morte por qualquer coisa que não tem que ser provada e verificada. Em claro: querer dar uma pena de descida de divisão por tentativa de corrupção, que pode ser provada, como se viu, por qualquer ex-amante de qualquer dirigente, não está nem no Céu nem na Terra como lei.

Mais ainda: como muito bem sublinhou José Guilherme Aguiar, em boa hora regressado ás lides, não faz sentido que seja a Comissão Disciplinar - órgão que julga - a propor novas leis. Quem tem que fazer a proposta é a Comissão Executiva da Liga, como sempre aconteceu, ouvindo os clubes e colocando depois as suas ideias à consideração da Assembleia Geral. O formalismo nunca é inocente.
Havia até uma proposta de descida de duas divisões, sem ter em conta que é preciso falar pelo menos com a Federação sobre a II Divisão B.

É fácil pegar na espuma e atirá-la à cara dos outros, dizendo que votaram assim para que não sejam castigados A e B. Só que isso é, na verdade, não ter respeito pelas leis e pelo que elas significam no ordenamento da nossa sociedade. Não por acaso, a maioria votou de forma a que mesmo os pontos já aprovados tenham que ser devidamente reconsiderados porque a Assembleia Geral é sempre soberana.

Sei que não estou a ser politicamente correcto, o que é perigoso nestes tempos, mas também sei que os alcatruzes da nora dão voltas completas e os que hoje se atiram como Santiago aos mouros, amanhã serão eles próprios os mouros. Não se iria resolver problema nenhum e ir-se-ia criar uma data deles, se bem conheço os nossos dirigentes.
A ideia de que assim se faria prevenção é de justiceiro do Oeste que, aliás, só havia nos filmes, a maior parte deles de Série B.

A não ser que achem que, com a lei, acabam também com as amantes. Aí, como bom católico, calar-me-ei. Claro que há sempre ex-esposas ressabiadas...


=



M.Queiroz
In blog de trivela

Anónimo disse...

Só Sporting respondeu à Liga

Comissão Disciplinar pediu aos 32 clubes profissionais que apresentassem propostas para as alterações nos regulamentos, mas apenas um respondeu ao repto de Ricardo Costa
Dos 32 clubes que jogam nos principais campeonatos de futebol, só o Sporting contribuiu com propostas para a alteração ao regulamento disciplinar da Liga. Depois do anúncio das condenações do "Apito Final" (a 9 de Maio), que resultaram na descida de divisão do Boavista e perda de seis pontos do FC Porto, o presidente da Comissão Disciplinar (CD), Ricardo Costa, solicitou a todos os clubes que entregassem propostas, pareceres e estudos para a Liga proceder a alterações no regulamento disciplinar.

Queixou-se na altura de que o regulamento em vigor "permitia a impunidade". A maioria dos clubes concordou com as fragilidades de algumas normas existentes, mas entre o anúncio das conclusões do "Apito" e o início da assembleia geral (AG) no passado dia 30 - ou seja, num espaço de 48 dias - apenas o Sporting respondeu. No seu documento, os leões defendiam a punição de todo e qualquer acto que se considerasse apto a adulterar um resultado desportivo prescindindo da prova do benefício. Muitas das sugestões sportinguistas foram aceites e integradas na proposta final, que previa o agravamentos das sanções e que esteve em votação numa AG composta por três reuniões (a última das quais suspendeu tudo o que tinha sido aprovado nas anteriores, porque os clubes acharam que não conheciam bem o tema).

O Sporting foi também o autor da proposta de punir a corrupção consumada com um novo tipo de sanção, igualmente pesada: a baixa de 1 ou 2 escalões. Esta proposta foi aprovada na reunião de dia 2 deste mês pela grande maioria dos clubes.

Agora, após a suspensão da AG na quarta-feira, os clubes resolveram formar uma comissão e prometeram apresentar propostas até ao final do ano de forma a que o assunto voltasse a ser discutido em reunião magna. Porém, é praticamente certo que a temporada que está prestes a começar será regida pelos mesmo regulamentos que Ricardo Costa quis dotar de penas mais pesadas.|

In "Diario de Notícias

Mais uma vez se vê quiem na prática está interessado na verdade.

Parabéns Sporting!