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segunda-feira, julho 07, 2008

O CIRCO CHEGOU À CIDADE


O que aconteceu no CJ da FPF foi algo que nunca teria acontecido no tempo em que Adriano Pinto era vice-rei do futebol português. Prova-se que a cópia é sempre pior que o original. Certos de que iam perder (3-4 para o FC Porto e 2-5 para o Boavista), os recorrentes tentaram uma jogada final: invocar o impedimento de um dos conselheiros, Carrajola Abreu (que ia estar no contra) por ser perito nomeado para dirimir conflitos entre os clubes nas transferências de jogadores, dentro da esfera da FPF. Ora, Carrajola era perito antes de ser membro efectivo do CJ. Só passou a sê-lo em Abril do ano corrente, pouco mais de um mês antes de a Liga anunciar as decisões do Apito Final e de então até sexta-feira ninguém invocou o facto de poder haver alguma incompatibilidade. Dois conselheiros do CJ puseram-se ao fresco quando sentiram que vinha aí molho. Carrajola e o suplente restante avançaram. E foi por aqui que as contas ficaram "estragadas". Gonçalves Pereira - substituto do procurador Almeida Pereira no período pré-eleições e substituto do juiz jubilado Herculano Lima desde Outubro do ano passado, quando este bateu com a porta indignado com a redução do castigo de Valentim Loureiro que lhe permitiu continuar a ser dirigente desportivo e, consequentemente, presidente da assembleia geral da Liga - sabia que tinha consigo o seu vice-presidente, Costa Amorim, o deputado do PS para quem a corrupção está para a democracia como a gripe para o homem - ou seja, qualquer um pode apanhar o vírus e não há cura 100 por cento eficaz. Costa Amorim só citou um político europeu, ele que andava pelos corredores da Assembleia da República a clamar que isto do Apito Final não valia nada e que ia dar zero, até que José Sócrates o chamou e lhe disse para se moderar, pois o caso era delicado e o político da vila da Feira tinha responsabilidades para além da de co-organizador do jantar de homenagem a Pinto da Costa no Parlamento, ocorrido pouco depois de o presidente portista ter sido suspenso por 2 anos pela Liga... Ok, cada um joga com as armas que tem mas desta vez o "xito" foi anulado com um "contra-xito". Carrajola Abreu e Álvaro Batista (sobretudo este) bateram o pé ao desabrido Gonçalves Pereira e, enquanto ninguém sabia onde estava Costa Amorim ("estou aqui descansadinho em casa", disse no dia seguinte a O JOGO), este acabou a reunião à má-fila. Ou melhor, pensou que acabou. Os cinco conselheiros que ficaram, entre os quais o advogado visiense que estava contra o uso de escutas, entenderam que uma reunião não se acaba daquela maneira e como 5 continua a ser maior que 3 (o que implicaria falta de quorum) deram continuidade à reunião, devidamente secretariados pelos funcionários da FPF e depois de um contacto com Gilberto Madaíl. Segundo julgo saber, o vice-presidente Amândio de Carvalho estava presente na sede da FPF. Madaíl tinha o direito de acompanhar a reunião do CJ e devia tê-lo feito dada a delicadeza do assunto. Mas mais uma vez pôs-se ao largo. Deu no que deu. Duas forças em velocidade acelerada na direcção do choque frontal ganharam ainda mais impulso. Com Gonçalves Pereira claramente a tentar uma última jogada desesperada que deu nesta grande confusão. Vamos ver quem ganha no fim ou se é o futebol português que vai pagar mais uma vez os erros dos seus dirigentes de pacotilha.

5 comentários:

Anónimo disse...

Só um pequeno pormenor.
O presidenté detém competências PRÓPRIAS, de entre as quais as de convocar e dirigir as reúniões. Bem ou mal decidiu acabar aquela. Qualquer outra reúnião teria que ser convocada pelo Presidente, o mesmo ou outro. Admitindo que o anterior presidente estava legitimamente suspenso, tal cargo passava a ser exercido pelo Vice-presidente, Só ele poderia convocar a nova reunião. Não o fez, pelo que a mesma é nula. Tão simples quanto isso.
O problema todo reside no FALSO entendimento de que o CJ, enquanto orgão colegial, pode revogar decisões de outro orgão, pessoal, com competências PRÓPRIAS: O presidente. Não pode!
ACL

Evil Genius disse...

Acho graça ao Gonçalves Pereira a aparecer em tudo o que é televisão a justificar-se e a chamar a si o poder. É o acto desesperado de um gajo que sabe que está lixado. Andaram a brincar com isto durante décadas e agora estão ofendidos pelo orelhas ter usado das mesmas armas. Agora vamos ter os morcões a atirarem areia em todas as direcções, a clamar justiça, a pedirem intervenção do estado, da FIFA, do Papa (o do Vaticano) e tudo... Vai ser um chavascal. Mas há que ter força, não desarmar e andar com isto para a frente. Se for preciso ficar fora das competições europeias, a selecção impedida de jogar, seja! Mas já são décadas a mais com estrume até ao pescoço! O povo quer ver futebol! Não é dois ou três palhaços irónicos, agarrados às cadeiras que lhes dão poder, influência e dinheiro, que se estão marimbando para o verdadeiro futebol, e que não têm problemas de consciência em usar clubes desportivos centenários nas suas guerras e guerrilhas sem vergonha e os seus adeptos e simpatizantes e os jogadores como peões. Abram os olhos adeptos do norte. Qualquer dia, mais do que as nódoas de honra no equipamento do Porto, Boavista e até do Gondomar as quais já ninguém conseguirá tirar e que são visíveis por essa europa fora, verão os clubes na mesma situação do Tirsense, do Salgueiros, do Farense. Os vossos clubes não são de nenhum presidente, são dos sócios e dos adeptos.

Anónimo disse...

Há ou não, nos orgãos da "JUSTIÇA DESPORTIVA", Benfiquistas,Portistas e Sportinguistas , ferrenhos ???!!!

E assim sendo conseguem ter o devido DISTANCIAMENTO ???!!!

Por alguma razão o Rui Santos há pouco tempo falava da "CLUBITIZAÇÃO da JUSTIÇA" ?!

Anónimo disse...

Não tenho dúvida que a corrupção é o maior mal que inflige este País. É necessário utilizar todos os meios possíveis e imaginários para tentar limitar este mal! Utilizando as palavras do Dr. Madail é necessário que todos os dirigentes do Futebol Português (incluindo os senhores conselheiros) tenham consciência dos lugares que ocupam e do papel que têm na sociedade. Estas peripécias são demonstrativas de falta de transparência do nosso Futebol e não devem servir de orgulho para ninguém. Tiveram vários meses para decidir e depois o resultado foi aquele! Pena que a própria Direcção da FPF não tenha convocado (a titulo extraordinário) os membros do CJ para apresentarem as conclusões da sua decisão de forma transparente (seguindo o exemplo do CD da Liga). Assim ficamos sem saber… fica tudo em aguas de bacalhau… chutando a bola para a frente. Custa muito vir a dizer que as questões matérias de corrupção e coacção (o ponto fundamental) são suficientemente graves para esquinar a participação do Boavista e suspender o PC. Por favor, não se escondam em fait-divers para evitar pronunciarem-se sobre os casos graves que estão em causa. Sobre esses nunca ouvi o Dr. Madail dizer nada! Que Escândalo!

amarobica disse...

Grande post!

Vejam também o nosso blog em http://ofutebole.blogspot.com