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quarta-feira, junho 04, 2008

NOITE DE LUA NOVA



Esfrego os olhos.
Não, estou mesmo acordado.

Paula Teixeira Pinto, cujo marido saiu do BCP com milhões para se dedicar à pintura, defende a classe média que cada vez mais na mérdia está.

A autoridade para a concorrência afirma que não há cartelização das gasolineiras embora todos os portugueses saibam que está tudo concertado.

Continuamos sem saber se os combustíveis fósseis sobem porque os chineses e o indianos estão a consumir mais ou se é porque os "investidores" estão a apostar no crude.

Desde a Rússia, José Milhazes informa que os jornalistas das televisões nacionais não podem dizer mal do governo se não são despedidos. Putin que pariu o regime democrático russo...

Os norte-americanos passam a obrigar-nos a preencher um visto electrónico se quisermos ir comer uma sande de pastrami e Nova Iorque embora o Pingo Doce por vezes tenha o delicioso naco de carne à venda na sua charcutaria.

Nem tudo é mau. Parei o carro e um marroquino vendeu-me por uma módica quantia o novo Indiano Jones. Via-se bem.

Ok, também temos aí o Euro 2004. O tédio das crónicas patriotas, aqueles a quem complacentemente chamamos "emigrantes", como se o mundo ainda tivesse fronteiras, sobretudo nesta nova Europa.

Saramago foi à sua Azinhaga inaugurar uma rua com o nome da mulher e visitar a cama da avó. Não consta que o ministro da cultura tenha considerado o acontecimento empolgante. Nem eu.

As revistas que sobem de vendas todas as semanas mostram-nos pela 100.ª vez as melhores praias do mundo e os 100 alimentos que podem fazer bem à nossa saúde. Continuam excelentes para acompanhar as nossas excreções sólidas (ou nem tanto).

O JN mais uma vez mudou de figurino, passou a mostrar-se com a roupa bonita de um saloio que visita a capital.

O dr. House perdeu a pica, as outras séries misturam argumentos, os telejornais são chaaaaaaatos e só à sexta justificam a nossa concentração perante a iminência de uma explosão de produtos químicos e gorduras injectáveis na MMG.

Sobra o Sócrates. O Quique. O Rock in Rio. A promessa de Verão.

O costume. Ou seja, quase nada. Melhor que coisa nenhuma. Sim. Mas, caramba, não acham que merecíamos mais?

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