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terça-feira, junho 10, 2008

APITO DOURADO - pausa para reflexão


O meu amigo e compadre José Leirós - cuja carreira como árbitro foi amputada pelo sistema - lavra num erro comum quando se fala no Apito Dourado. A questão é esta: porque razão só se apitou para Norte? Para o Gondomar, para o FC Porto, para o Boavista? Ok, também lá está o Leiria... Vou tentar dar o meu melhor na explicação:

1. O Apito Dourado começou com uma denúncia do árbitro Rui Mendes, que teve uma passagem fugaz pela 1.ª categoria. Como lá chegou é outra história. O que aconteceu foi que essa denúncia foi corroborada por Pimenta Machado - outro que o sistema rejeitou - e teve de ser encaminhada também pela Liga para o DIAP do Porto. Passaram-se alguns meses até chegar a Gondomar porque Mendes falava num jogo do Gondomar SC que foi convidado a apitar por Valentim e José Luís Oliveira. O jogo não terá corrido muito bem...tal como a época do árbitro do Marco de Canaveses, irmão de Gil Mendes, o "denunciante" de Ferreira Torres...

2. O procurador Carlos Teixeira, em Gondomar, viu ali matéria para investigação e pôs a PJ no terreno, ainda na época desportiva de 2002/2003, já no final. A PJ começou a escutar José Luís Oliveira e Valentim Loureiro. Pinto de Sousa e Pinto da Costa foram os fregueses que se seguiram. Teixeira, com a ajuda da juíza de instrução Ana Cláudia Nogueira, mandou a investigação avançar.

3. Pergunta: então porque é que não se determinaram escutas a dirigentes sulistas? Simplesmente porque ou falavam pouco com Pinto de Sousa e Valentim, figuras centrais do futebol de então, ou não falavam mesmo. Como disse no tribunal de Gondomar o inspector Casimiro Simões, "a investigação é como a água do rio, tem de seguir o seu caminho". Para que um telefone seja colocado sob escuta tem de haver uma razão que o justifique. Ou seja, uma conversa indiciadora de comportamentos incorrectos e puníveis do ponto de vista criminal. Tanto o procurador como a juíza, bem assim como os inspectores da PJ, fizeram uma avaliação e "apertaram" a seguir os alvos potenciais.

4. O povo vê muitas séries, muito CSI, e deve pensar que a nossa PJ tem meios especiais. Não é verdade. Para além de ter muita sarna para se coçar, a PJ luta muitas vezes com graves problemas operacionais que, aliás, se reflectem nesta investigação, onde se podia ter ido mais longe em diligências no terreno. Só não se foi porque o poder central não quer dotar a PJ dos meios essenciais.

5. O Gondomar SC era o objectivo principal. A I Liga entrou pela porta dos fundos. Talvez tivesse sido uma entrada um pouco à má fila mas foi essa a opção, mesmo correndo-se o risco de fazer desabar toda a investigação. Ou seja, a PJ seguiu a água do rio mas reparou que estava apenas num afluente. O grande rio estava um pouco mais à frente, cheio de meandros.

6. Reparem neste pormenor. A 20 de Abril de 2004, o país acorda com a notícia da prisão de Valentim. É a "gente do Gondomar" que se revela. Passaram quase 8 meses até a bomba estourar, com a notícia da detenção (falhada) de Pinto da Costa. Porque razão não fui tudo na mesma enxurrada? Bem, quer-me parecer que a PJ esperava pescar de arrasto depois de 20 de Abril de 2004...

7. As escutas existem, os factos são plausíveis, o testemunho de Carolina é forte (embora discutível) e as explicações para os acontecimentos são risíveis.


Aconteça o que acontecer, o Apito Dourado fez história. Marcou uma fronteira. Se o que está para lá é o deserto ou a floresta, ninguém sabe. Pior não poderá ser certamente.

13 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Apenas duas correcções:

Existe uma conversa gravada altamente incriminatória entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro! Só por aí a desculpa de que não havia matéria cai por terra.

"O testemunho de Carolina Salgado é forte (mas discutível)" - tem a mínima noção da idiotice e contra-senso dessa frase? Um testemunho é forte mas discutível? Um testemunho forte não é discutível, por isso é que se diz que é "forte"! Se for discutível é um testemunho fraco porque pode facilmente ser desmontado ou imputado a outras causas, como é o caso presente.

Pelo menos já deu para ver que a máscara de "jornalista imparcial" caiu de vez. Já vai tarde!

GeracaoBenfica disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
João Português disse...

Ó Eugénio, vá plantar batatas! Digo isto para não o insultar, já que V. teima em insultar a inteligência dos outros.
Essa historinha, se for para embalar meninos, está boa. Nem V. acredita nisso. Pelo menos, se ainda lhe restar algum neurónio, que não tenha sido conspurcado pelo fervor benfiquista.
Então, a fazer fé na bonita imagem do rio, por si usada, deixa-se a investigação correr, e quando, numa das margens ouvimos LFV a combinar o árbitro dum certo jogo (dizendo até que dispõe de outros meios), ou mesmo o sr. Veiga a prometer beijocas ao Major, o que se faz então...?

Deixa-se continuar a correr o rio, pois a água benfiquista não tem poluição.

Pois ganhe vergonha. Não se intitula V. jornalista?

Qualquer néscio percebe. Esta é uma investigação inquinada. Os fanáticos benfiquistas regozijam-se. Todas as crónicas ou posts demonstram o júbilo quase orgásmico, que pulula nas hostes benfiquistas. Parece-me que estão a dar a guerra como ganha, quando nem sequer a primeira batalha conquistaram.

O que me alegra no meio disto tudo é constatar, que para entreter seis milhões (não serão 60?), estes jogos florais chegam.

No entretanto, ainda não vi um único benfiquista honrado, que fique indignado, com o seu clube marcar presença na Champions através de golpes palacianos. Não se nota também um único benfiquista lúcido, que perceba, que não é com LFV ou Rui Costa que lá vão das pernas.

Mas... Deus lá os possa preservar! E a si também Eugénio. V. é bem mais valioso do que possa pensar!

Vitor disse...

Até posso estar de acordo com o que acabo de ler,mas, que diabo não foram interceptadas as vozes de João Rodrigues,José Veiga e de mais um cavalheiro de quem me recuso pronunciar o nome ,um tal a quem a primeira dama deste país a determinarda altura chamou de "orelhas".Será por acaso que se fala de pneus?Será por acaso que se fala de assaltos a contentores?E de pó branco.Como dizer,cal,acho eu.Isto é só o principio,ainda bem para os portistas,pois se a justiça for séria e cega,o clube do regime vai pagar muito mais ,olhem para o que vos digo.

cuco disse...

Há uma coisa que nunca entendi nas escutas do Apito Dourado. Tenho a certeza absoluta que João rodrigues falava quase todos os dias com Pinto de Sousa para alguns arranjinhos.
Também que ele jogava em várias áreas e cadê as escutas do Tedy?

Anónimo disse...

Nem todos têm a mesma ideia :

A CONSPIRAÇÃO CONTRA O CAMPEÃO




1- Com a entrada do século XXI, a direcção do Benfica tomou a decisão estratégica de lançar mão de todos os meios para impedir que a hegemonia do FC Porto, que se tinha afirmado com clareza nas duas décadas anteriores, se continuasse a prolongar. Por razões várias, mas essencialmente por falta de capacidade de gestão desportiva e falta de paciência para aguardar os resultados de uma mudança paulatina de atitude, o Benfica percebeu que tão cedo não conseguiria derrotar em campo o FC Porto e havia então que tentá-lo por outros meios.

A primeira medida estratégica foi a tomada de poder na Liga de Clubes, que Luis Filipe Vieira afirmou ser mais importante do que a formação de uma boa equipa de futebol. Para tal, Viera aliou-se a Valentim Loureiro, o verdadeiro dono do tão criticado «sistema» e então de más relações com Pinto da Costa. Juntos passaram a dominar a Direcção da Liga, a Comissão Disciplinar e a Comissão de Arbitragem. Muito embora o FC Porto tenha logo começado a sentir as consequências dessa aliança (foi a época em que só os jogadores do FC Porto é que tinham cotovelos e só a eles se aplicavam os célebres «sumaríssimos»), a verdade é que ela, por si só, não chegou para fazer ajoelhar os portistas. De positivo, para o Benfica, ficou a conquista do campeonato de 2004/05 - aquele que, nos últimos trinta anos, mais se deveu a favores de arbitragem.

A seguir veio a associação do Benfica com o poder político. Primeiro, descobrindo-se que o clube vivia à margem do cumprimento das obrigações fiscais que outros cumpriam e beneciando da complacência da comissão governamental encarregada de fiscalizar as contas dos clubes e que se «esqueceu» de fiscalizar o Benfica. A seguir veio a tremenda ajuda financeira dada pelo então presidente da Câmara de Lisboa, Santana Lopes, para a construção do novo Estádio da Luz. Enquanto a comunicação social se distraía a noticiar ninharias denunciadas por Rui Rio no Dragão, milhões e milhões eram dados ao Benfica de mão beijada, sem escândalo algum. E, para que não restassem dúvidas da dívida de gratidão contraída, viu-se a Direcção do Benfica, levada por Santana Lopes, a comparecer a um jantar de propaganda eleitoral do PSD durante a campanha legislativa de 2004, na mais descarada manifestação da tão falada promiscuidade entre o futebol e a politica alguma vez vista.

Mesmo assim, não chegou. Havia que fazer mais e foi então que surgiu o «Apito Dourado».

2- Diz o povo que o que nasce torto nunca se endireita e o «Apito Dourado» nasceu torto desde o princípio. Ao escolher colocar sob escuta apenas os telefones de Valentim Loureiro e Pinto da Costa, os investigadores mostraram desde logo ao que vinham e o que visavam com o seu método de «pesca de arrasto». Cabe perguntar, de facto, quem determinou e com que razões que uma investigação ao futebol português apenas se deveria concentar no FC Porto e no Boavista?

O mais eloquente telefonema de todas as escutas talvez seja aquele em que o presidente do Benfica tem o azar de ser gravado quando telefona para Valentim Loureiro. Aí se torna evidente o grau de cumplicidade entre ambos e a forma tranquila como discutem que árbitro convém ao Benfica para um jogo com o Belenenses. Mas esse processo foi devidamente arquivado, por se entender que não tinha interesse- mesmo em relação à enigmática frase de Luís Filipe Vieira para o major: «Como sabe, tenho outras maneiras de resolver o assunto.»

3- As escutas a Valentim concluíram que ele pressionava os árbitros dos jogos com o Gondomar- peixe mais do que míúdo- e que tentou pressionar árbitros em três jogos do Boavista, nos quais, para azar dos investigadores, o Boavista perdeu dois e empatou um.

Pior sorte tiveram ainda as escutas a Pinto da Costa. Dois anos de telefonemas interceptados concluíram que a equipa de arbitragem de um FC Porto-Estrela da Amadora, chefiada por Jacinto Paixão, pediu umas «meninas» a um intermediário que fez chegar o pedido ao presidente do FC Porto e terá obtido a anuência deste. E que o árbitro Augusto Duarte, na véspera de apitar um Beira-Mar-FC Porto, apareceu, na companhia de um empresário ligado aos portistas, em casa de Pinto da Costa, para tomar um «cafézinho». Mas, azar dos investigadores: os factos reportam-se à época de 2003/04, aquela em que o FC Porto treinado por Mourinho passeou uma tão ampla superioridade, que foi campeão nacional com doze pontos de avanço e campeão europeu; ambos os jogos foram já na parte final do campeonato e nenhum deles influia na classificação de qualquer das equipas envolvidas; e, finalmente, os «experts» consultados não conseguiram ver qualquer influência da arbitragem nos dois jogos, um ganho, outro empatado pelo FC Porto. Faltava assim um elemento jurídico essencial no direito punitivo e que tanto irritou alguns comentadores justiçeiros: o tal nexo de causalidade. Para haver corrupção tem de haver um resultado obtido com essa corrupção. Não havendo resultado, o que fazer? A Comissão Disciplinar da Liga, no seu recente e tão auto-elogiado acórdão, resolveria a questão pelo mal menor: tentativa de corrupção. Uma original tentativa de corrupção, em que é o corrompido que toma a iniciativa de abordar o corruptor…

4- Estava, pois, o apito encravado, para grande desespero da nação, quando entra em cena Carolina Salgado. Três anos antes, ela tinha estado na Luz, entre os Super-Dragões, com um cartaz mal-criado e provocatório que dizia «Ó Orelhas, estou aqui!». Fora de si, Luís Filipe Vieira protagonizaria no final uma insólita conferência de imprensa sobre a vida privada de Pinto da Costa, acusando-o de viver com uma usurpadora no lugar da mulher «legítima». Mas a vida é, sem dúvida, um espectáculo imprevisto e por vezes irónico: a «legítima»de Pinto da Costa, que Vieira protegia, passou a divorciada e voltou a ser «legítima», e a «usurpadora» passou da benção papal a proscrita e desaguou… nos braços do homem a quem chamara«Orelhas».

O presidente do Benfica chegou a participar em reuniões em hotéis com Carolina Salgado e os investigadores da PJ. Arranjaram-lhe quem lhe escrevesse um livro, quem do livro fizesse filme, e asseguraram-lhe meios de rendimento para que ela contasse «tudo o que sabia» ou que dizia saber. Mais tarde, com Maria José Morgado, passou a ser tratada como o tesouro mais precioso, acompanhada, dia e noite, por seguranças a soldo dos contribuintes, para assim se dar também a ideia de que é uma testemunha incómoda e ameaçada. E, graças a ela, o Apito Dourado ganhou um novo fôlego que já parecia perdido. Os processos arquivados por falta de provas ou de consistência foram reabertos, gastaram-se mais uns milhares ou milhões de euros em investigação e animaram-se as hostes justiçeiras.

5- Mas, de novo, verdadeiramente novo, não se apurou mais nada. Era exactamente o mesmo, os mesmo jogos, as mesmas meninas, o mesmo cafézinho. Apenas Carolina Salgado acrescentou dois dados novos: que Pinto da Costa terá recorrido aos seus serviços (!?) para tentar matar (!?) Ricardo Bexiga, vereador da oposição na Cãmara de Gondomar, e que, durante a tal cena do cafézinho, terá passado um envelope com 500 contos em moeda antiga ao árbitro Augusto Duarte. Tudo está pois, dependente, da credibilidade da testemunha Carolina Salgado. A qual, salvo melhor opinião, vale zero: pelo seu curriculum, pelas suas evidentes motivações e pelas suas contradições.(MST)

fernando santos disse...

Apoiado, Eugénio.
Só te faltou dizer que o Apito Dourado começou com uma denúncia do árbitro Rui Mendes ao jornal do SISTEMA - O JOGO.

E falta-te dizer que o SISTEMA atirou para o desemprego de uma forma pouco digna o jornalista - Acúrcio Marcos (muito respeitado pelos árbitros) - que teve a coragem de dar início ao Apito Dourado.

Mário Rui Ventura disse...

Corrupção e tráfico de influências há e sempre houve em todo o lado. O problema é que quem mais ganha é, inevitavelmente, quem hipoteticamente quem mais crimes comete... se não fosse assim, bem que o Alverca de LFV ou o Estoril de Veiga já estavam mais que extintos...

Mário Ferreira disse...

Então ninguem tem acesso ao parecer do Dr. Vital Moreira?
Aguardo noticias.

Anónimo disse...

Este homem é um ponto a reflectir!!!!!!!!

Anónimo disse...

FALTOU DIZER foi que o MP já tinha Apreciado e ARQUIVADO os casos do FCP.

O problema è o TAL livro.


Mas quem o escreveu ?

maiskemaluko disse...

Há aqui comentários que são um autentico orgasmo !!!!
Força Geninho amanda-lhe mais umas farpas, que eles estrebucham e eu gozo que nem um preto !!! (com todo o respeito pelos pretos).

Anónimo disse...

Desculpe a franqueza mas você mais não faz do que provocar.
Mas se provocasse alinhavando meia dúzia de ideias firmes, bem estruturadas ainda vá que não vá... mas esta de não haver escutas a sul, da Carolina ter depoimentos fortes não lambraria a ninguém a não ser a algum provocador "barato".
Tenho a impressão que muitos (verdadeiros) jornalistas se sentiriam desconsiderados se fossem cotejados consigo enquanto profisionais do mesmo ofício.