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quinta-feira, maio 22, 2008

EU e o BnA*

Nos tempos que correm não está fácil assegurar a subsistência.
Sei do que estou a falar e por isso mesmo desculpo e compreendo o afã de alguns jornalistas que procuram ver noutros aquilo que eles por norma não são: ou seja, agentes activos dos órgãos de comunicação que lhes pagam e, também, jornalistas na verdadeira acepção da palavra.
O jornalismo que se faz hoje não é diferente do que se fazia ontem em Portugal.
A única diferença assenta na qualidade dos textos.
Há mais animação, mais diversão, mas falta profundidade, sentido crítico e originalidade.
"Manda quem pode, obedece quem tem juízo" (a máxima celebrizada por António Araújo) é doutrina praticada não só nas empresas jornalísticas. Um problema endémico dos ditos "novos tempos", que de novos nada têm apesar dos fatos justos e das gravatas de seda.
Com quase 30 anos de profissão, não me considero "acabado" e o meu maior estímulo continua a ser "um dia daqueles", ou seja, estar em cima de uma história da actualidade e poder contar com o feed-back dos leitores e dos protagonistas.
Sinto que sou conotado com A ou com B e, ao contrário do que possam pensar, é algo que não me incomoda. Ficaria aborrecido apenas se fosse mais um a puxar o saco.
Pelos jornais e publicações por onde passei (O Comércio do Porto, Norte Desportivo, Gazeta dos Desportos, Correio da Manhã, Jornal de Notícias, A Bola, Record, 24 Horas, Doze e Mundial) dei sempre o meu melhor e raramente o meu trabalho foi desvalorizado. Enquanto continuar a sentir "isto"...cá continuarei.
O meu IRS pode ser consultado, o meu património está hipotecado, o carro paguei-o eu e não tenho casa de férias, contas no estrangeiros, acções e planos de poupança reforma. Vivo do salário que recebo todos os meses.
Aqui, no Bola na Área, tenho o meu refúgio. A minha catarse. Com um retorno extraordinário, acima de qualquer expectativa.
É com a promessa de que continuará a ser assim e sem ressentimentos que aqui continuarei. Com uma certeza: os piores críticos do BnA são os seus melhores leitores.

E desculpem esta reflexão, aconteceu simplesmente por estava em casa sem tabaco, sem nada de jeito para ler ou ver e este Maio molhado também ajudou ao devaneio.

* quando este blog, após a refundação, caminha para o MEIO MILHÃO de visitas em menos de um ano e meio.

12 comentários:

atirador especial disse...

Geninho deixa de fumar !!!! Como escreves bem, quando não estás drogado com a nicotina. Até me apetece desejar-te um bom fim de semana.

Anónimo disse...

Só tens é que continuar se isso te faz sentir bem.

João Português disse...

Não ponho em causa a sua subsistência. O senhor, como todos os outros portugueses ganha a vida como pode, já que, graças ao "Eng." Sócrates, isto não está nada fácil.
O que me causa espécie em V., é o simples facto de não conseguir ser honesto e coerente em termos intelectuais. Basta analisar. Quando há jogos em que o FC Porto é beneficiado - sempre houve e sempre haverá, já que os árbitros não são máquinas - V. é o primeiro a "denunciar" o sistema em acção. Ora quando ocorre a grande chatice de o SLB ser beneficiado - o que acontece amiúde, já foi mais frequente, mas parece-me que em breve será (boa) prática instituída no Reino - o Geninho (não da lâmpada) é capaz de "postar" sobre tudo menos falar no dito jogo que possa ter corrido mal ao árbitro.
Como é obvio, com 30 anos de "jornalismo", ou outro sucedâneo que lhe apeteça chamar, não será fácil para si mudar.
Agora vir choramingar-se para o blog, parece-me que só pode ser atribuível à draconiana chuva que se abate sobre nós.
Ainda assim, continue o seu processo catártico, que pode ser, que a dada altura o leviatã luciferiano, que lhe queima a alma com chamas vermelhas, possa sair e libertar-lhe a mente, para "produções literárias" mais imparciais.

Anónimo disse...

O despertar tardio de Rui Rio


Apesar de não ter passado a usar óculos, nem ter sido operado às cataratas, Rui Rio passou, de repente, a ver melhor. Descobriu que o Governo Sócrates concentra os grandes investimentos públicos na região de Lisboa e faz vista grossa ao Norte.

“O país discutiu o novo aeroporto, depois começou a discutir-se a nova travessia sobre o Tejo, antes tínhamos discutido o TGV e em particular a ligação Lisboa-Madrid, e agora temos a frente ribeirinha com mais 400 milhões de euros”, declarou o presidente da Câmara do Porto.

Foi a frente ribeirinha, que Sócrates quer que seja a obra emblemática do seu consulado, que fez acordar Rio, que não leva bem que o Turismo de Portugal contribua com 70 milhões de euros para esta empreitada.

“Quantos anos são necessários para o Turismo de Portugal dar 70 milhões ao Porto? Se calhar 70 anos”, ironizou.

Rio acordou tarde, Mas, como diz o povo, mais vale tarde do que nunca. Qualquer ainda o apanhamos a fumar (não num local proibido, como o outro, porque o autarca é um cidadão cumpridor da lei), a defender a Regionalização e a frequentar o Estádio do Dragão.

Para o ano há eleições autárquicas.

sonicmale69 disse...

Visitem

http://de-guimaraes.blogspot.com/

Anónimo disse...

olha, porque é que andas sempre com a mesma t´shirt, é por seres porco, ou por o teu salário não dar para mais?

aNNóNNimo disse...

As mentiras e vigarices dos adeptos dos andrades manifesta-se nas mais pequenas coisas...!!!
" O despertar tardio de Rui Rio ", publicado aqui por um anónimo andrade, é da autoria do Jorge Fiel, neste momento jornalista do DN.

Anónimo disse...

Levante a cabeça... e AJUDE a derrubar o 'polvo'!
Assim,será COM TODA A CERTEZA lembrado..e estimado!!!

Abraço do Benfiquista 5999999..

Anónimo disse...

Lisboa e Paisagem


A concentração dos fundos do Estado e dos fundos estruturais na capital determinou a criação de uma cabeça cada vez maior que arrasta um corpo cada vez mais anémico. A velha bandeira do cavaquismo que proclamava Lisboa como a metrópole que havia de conduzir o país à Europa e ao desenvolvimento está de volta. Para o Governo, os investimentos na expansão do metro, na nova travessia do Tejo, na construção do novo aeroporto, nas prioridades de ligação do TGV ou até na mais prosaica requalificação da frente ribeirinha são absolutas prioridades nacionais que hão-de centralizar o essencial do investimento público nos próximos anos. Para alguns observadores qualificados da vida pública, como António Mega Ferreira, a opção é tão indiscutível como as vacas na Índia. Porque "os países têm de assumir que há uma cidade que é capital", o que "implica investimentos de outra dimensão". Corolário lógico: "É demagogia criticá-los.
"É verdade que muitos dos debates em torno das prioridades do investimento público estão contaminados pelo ressentimento tribal. É também verdade que muito mais importante do que discutir o destino das fatias do bolo é avaliar a importância de projectos concretos para o desenvolvimento, acreditando à partida que as obras públicas são capazes de o promover. Mas se estas premissas são verdadeiras, são-no independentemente do lugar onde será aplicado o dinheiro do Estado. O que não se pode, nem se deve, é formular uma ideologia desenvolvimentista para legitimar o excesso de concentração de gastos públicos em Lisboa e Vale do Tejo. Como aconteceu nos anos dourados de Cavaco Silva ou começa a acontecer na era da governação Sócrates. Criticar esse excesso não é "demagogia", é apenas alimentar a discussão incontornável sobre o país que podemos, ao menos, ambicionar. O que está em causa não é o facto, natural e inquestionável, de a capital receber mais investimento que as segundas ou terceiras cidades. O que importa estabelecer é o grau desse privilégio. Olhando as evidências do passado, o exagero foi evidente. A distância dos níveis de rendimento entre Lisboa e Vale do Tejo e o resto das regiões acentuou-se desde a integração europeia, apesar de a tendência ter abrandado nos últimos anos; a Comissão Europeia lembrou várias vezes que "o problema é que os fundos [estruturais] foram concentrados de forma excessiva na região de Lisboa".
E o que este processo isento de qualquer princípio de solidariedade nacional está a conseguir é a criação de um modelo de desenvolvimento que obedece mais a parâmetros do Terceiro Mundo do que de um qualquer país europeu - um relatório da ONU de 2001, World Urbanization Prospects, apontava para o facto de Lisboa poder concentrar 45 por cento da população do país em 2015. A excessiva concentração dos fundos do Estado e dos fundos estruturais na capital determinou a criação de uma cabeça cada vez maior que arrasta um corpo cada vez mais anémico. É este o país que queremos?Quando autarcas como Rui Rio ou empresários de Braga ou de Aveiro começam a recuperar as palavras de ordem de há dez anos para questionar a partição dos parcos recursos do Estado, estão a olhar pelos seus interesses naturais, mas, ao mesmo tempo, estão a dar o seu contributo para a discussão sobre os danos que os excessos do centralismo colocam ao país. Ninguém espera que por cá haja "expos" em Aveiro como vai haver em Saragoça, ninguém acredita que o Tribunal Constitucional vá para Coimbra como na Alemanha está em Karlsruhe, ninguém pensa que será o Estado a resolver os problemas que a concorrência mundial coloca à indústria do Norte ou a desertificação aos dois terços do território do interior.
O que se discute é se a frente de obras da ribeira do Tejo é um projecto de interesse nacional capaz de justificar que todos os contribuintes do país as paguem, em vez da Câmara de Lisboa.Claro que é, como todas as requalificações de frentes ribeirinhas de Melgaço a Vila Real de Santo António.Só que para essas não há ajudas do Governo.
Manuel Carvalho

atirador especial disse...

Boa, é preciso desmascarar os "ANDRADES", pois a maioria é semi-analfabeta, e quando aparecem certos comentários, a mal fica de pé atráz !!!

atirador especial disse...

nony das 1.11, porque é que cheiras mal é por não teres água na barraca, ou por ganhares mal e não poderes têr esse luxo !!!!

shooter jr disse...

atirador com um comentário desses não sei que será o semi-analfabeto...
sim, eu percebi que não foi um erro mas um esquecimento - umas letras em falta, vá lá...
de qualquer das formas, quem seguir os teus posts rapidamente percebe que és um saloio com a mania que é cosmopolita.
deixa lá, a "malta" compreende e não te leva a mal