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segunda-feira, abril 21, 2008

MORREU ARMANDO SANTOS

Sei que os velhos "gazeteiros" vão passando por aqui e por isso aqui fica a triste notícia: morreu o Armando Santos. O homem que não era apenas o nosso arquivista na Poço dos Negros e no Bairro Alto. Leixonense dos sete costados, veio de Luanda com uma mala cheia de notas que nada valiam e teve de reiniciar a sua vida na margem sul. Onde me acolheu como um pai quando fui trabalhar para Lisboa, ele, a sua esposa e o Vítor (que entretanto também já nos deixou). Para a juventude irreverente que era o nosso grupo, foi sempre uma referência e um amigo. Contei muito com ele para equilibrar a minha vida na capital. A notícia chegou hoje. Fiquei a dever-lhe uma visita, quiçá um telefonema, e fui apanhado mais uma vez em falta. Fica a memória. De um homem bom, disponível, mais jovem do que nós naqueles tempos juvenis onde fazer jornais era um prazer de todos os dias (e, sobretudo, de todas as noites). Tal como o velho Viriato, é mais um do dream team que desaparece fisicamente. Mas que permancerá sempre na nossa pequena história.

1 comentário:

Luís Graça disse...

No outro dia não consegui postar um comentário.

Antes de mais, as minhas condolências aos familiares e em especial um grande abraço ao Nelson.

No dia da estreia da minha primeira peça de teatro no Trindade, em Outubro de 1987, tive o prazer de assistir à representação ao lado do Armando Santos, que estava todo feliz por mim. Num camarote em frente a outro de malta da Gazeta, que se entreteve a assobiar amigavelmente o autor, no final.

O sr. Santos era um homem bom. De uma grande abnegação em prol da Gazeta. O sr. Santos sofria com o mais pequeno pormenor.

Para nós, malta da Gazeta, era uma figura paternal e um camarada. Era a voz amiga, a voz da razão, do bom senso. E não era por isso que não gostava de dar a sua gargalhada.

Por isso mesmo, a sua partida enche-me de mágoa.

Se tivesse apenas uma palavra para o descrever, acho que escolheria FRATERNO. Era aquele ser humano sempre preocupado com os outros.

Quando me via a beber uma Carlsberg de manhã, frustrado com qualquer coisa, lá vinha dar a sua palavra de apoio e chamar-me à razão.

O sr. Santos era um elo de ligação muito forte entre todos. E o director Joaquim Queirós era o primeiro a sabê-lo, pois tinha laços de amizade muito fortes com ele, que duravam há uma vida.

A mágoa com a partida dele é grande. Mas tenho muitas memórias. Boas.
Que descanse em paz.