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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Homero, mais um da geração dourada

Morreu Homero Serpa. Confesso que nunca foi um dos meus jornalistas preferidos da chamada geração dourada de "A Bola". Os meus ídolos eram o Carlos Pinhão e o Carlos Miranda. O primeiro deu-me um grande estímulo ao considerar-se, nos meus primórdios na profissão, um jornalista desportivo com grande futuro. O segundo amarrou-me durante muitos Verões à cobertura da Volta a Portugal e do Tour. Recordo a minha última conversa com o Miranda, madrugada alta, num autocarro a caminho da aldeia olímpica de Badalona, após um dia exaustivo na cobertura dos Jogos Olímpicos de 1992. Ao meu lado, o Carlos, que eu nem conhecia bem, confessou: "São os meus últimos jogo, já não tenho vida para isto". Foi mesmo. Homero tinha um nome apropriado à geração de jornalistas a que pertenceu, cuja odisseia devia ser um exemplo eterno. Homero, Miranda, Pinhão, Márcio, Santos e outros eram grandes jornalistas que fizeram de "A Bola" uma referência não apenas com trabalho no campo mas sobretudo com generosidade e companheirismo, fazendo o que se chama "as costas" aos seus companheiros quando estes eram enviados especiais ao estrangeiro. Para além de tudo o mais, escreviam muito bem, com estilo, com estórias, ousando colocar pontos de vistas pessoais na factualidade dos dias. E sim, sim, tinham espaço para escrever, não estavam subordinados à lógica dos estudos de audiências e à ditadura do grafismo de micro-ondas. Ai que saudades, ai, ai...

14 comentários:

dragao vila pouca disse...

"...jornalista desportivo de grande futuro", " só não fui director da gazeta dos desportos porque não quis"
Estás a começar bem o ano!
Quanto a Homero Serpa? Concordo contigo, não era dos melhores. No entanto paz à sua alma.

ÀGUIA REAL disse...

EQ

Os grandes jornalistas também se enganam nas suas previsões!
Só admiro como você continua iludido pelas palavras do preclaro plumitivo-esse,sim-Carlos Pinhão.
Com o título propõe-nos uma homenagem a Homero Serpa e acaba a desenvolver um texto em que se auto-elogia.Haja pachorra.
Meu caro, presunção e água benta cada um toma a que quer.

Eugénio Queirós disse...

É assim: se me escorregou a língua para o autoelogio, peço desculpa, quem me conhece sabe que não faz o meu género. Limitei-me a reconhecer factos. Não disse que era um grande jornalista. Disse apenas o que me disseram e realmente a previsão se calhar foi exagerada. Mas, sinceramente, penso que não me tenho dado mal apesar de não pertencer ao clube dos preclaros ou bimbos que vão dando à costa com a coragem de costume, ou seja, sob a capa cobarde do anonimato. Haja piedade para esta seita.

dragao vila pouca disse...

Só aqui estão 3 comentários:o meu o teu e o do aguia real. Falas no plural sobre os comentários anónimos. É também para mim? Não sabes quem eu sou? Deves estar a brincar!

Eugénio Queirós disse...

Não, é para o passaroco. E não, por acaso não sei.

dragao vila pouca disse...

Pergunta ao Zé Vilela Leirós que ele explica-te.

Anónimo disse...

Sobre o Homero Serpa, Belenenses que até chegou a treinar a equipa com o Felix Mourinho, mas que conseguia escrever e manter a sua independência.

Carlos Pinhão, muitos há que nem saberão que era também um belissimo escritor de livros para crianças

Outros tempos e outras gentes

ÁGUIA REAL disse...

EQ

Meu caro,mantenha a sua piedade pela seita de preclaros ou bimbos dos seus colegas jornalistas.
Não sou,não fui e nunca serei jornalista.
É óbvio que o 'passaroco'tem nome,mas não sendo figura pública, para si, terá o mesmo valor que a alcunha.
Se fizer questão,volto a escrever o mesmo texto com a indicação do nome e apelidos de família.
Se o ofendi peço desculpas.
Embora não o conheça, só pretendi criticá-lo.Posso?
Ou será que, só posso criticar os jornalistas que, por falta de coragem, se escondem atás da capa do anonimato?
Talvez não se aperceba, e nem o faça com intenção, mas na sua escrita, demonstra uma certa arrogância.
O anónimo deseja-lhe um Bom Ano 2008

ze da povoa disse...

Caro Eugénio, Neste comentário há algo em que não diz a bota com a perdigota. Se os jornalistas de A Bola, como dizes, eram assim tão bons, tão independentes e tão insusceptíveis de serem pressionados, porque é que mantiveram sempre um jornal (?) perfeitamente alinhado com o slb que, por acaso ou talvez não, era a equipa apoiada pelo regime fascista que fazia dela a sua embaixadora no exterior, de forma a propagandear um falso pluri-racismo que, de facto, não existia. E não me venhas com a "estória" de que eram todos grandes democratas e alguns até comunistas. Balelas! Eram arrivistas como muitos outros.

Eugénio Queirós disse...

Não me senti ofendido. Aliás, basta percorrer a zona de comentários para se verificar que não me protejo com um escudo. Mande sempre, que é o que é preciso. E bom 2008.

atirador especial disse...

Depois de umas trocas de mimos, e um fim de pessoas educadas... eis que chega o tal de zé das couves a meter o seu nojo... arrivistas ?
de certeza que estava incluido nos muitos outros.

Anónimo disse...

Caro Eugénio,

É interessante que a figura do Homero desperte alguma discussão sobre o seu eventual "alinhamento" com um ou outro clube de futebol - é conhecida também a sua experiência no Belenenses como treinador-jornalista. Mas para mim isso nao vem ao caso. A sua figura jornalista pendia para o ciclismo e, nesse campo, de facto, o homem era bom. Contudo, como referes, os tempos eram outros e o jornalismo de A Bola, à moda antiga, sem o ritmo diário era algo bem mais interessante, considero, do que hoje se faz. Fora o "micro-ondas" e um abraço.

Joao Santos

PS: Deixo uns links a proposito do homem

http://apaginadomario.blogspot.com/
http://veloluso.blogspot.com/2007/12/morte-levou-nos-mais-um-homem.html
http://ultimoquilometro.com/?p=125

Luís Graça disse...

Como conheço muita gente, a morte do Homero Serpa funcionou como a "minha" primeira morte de 2008, apesar de ter acontecido em 2007.
Quando soube dela já tinha acontecido o funeral.

Nestas alturas, as memórias tomam conta de tudo, mas há uma imagem que surge primeiro que as outras. A que me surgiu foi "importada" da Volta a Portugal de 1987, na Sala de Imprensa de Seia.

Eu chego nas calmas, pronto para escrever, a cantarolar. Já o Homero Serpa e o Guia Júnior estavam embalados a escrever.

Rapidamente me pediram para fazer silêncio. Desculpei-me e fiz silêncio. Mas não se sentia nada o conflito de gerações. Era bom trabalhar ao lado das grandes figuras do jornalismo e do ciclismo. Era um privilégio. Nessa altura já o sabia. Só ainda não tinha saudades.

Mário Martins disse...

Homero Serpa, Manuel Sérgio, Cândido de Oliveira, Académica e um livro quase a sair.
Aqui:
http://apaginadomario.blogspot.com/2008/01/homero-serpa.html
Cumprimentos