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segunda-feira, janeiro 07, 2008

HOJE ACORDEI ASSIM

Portugal está a ficar um país perigoso.
Não estou a falar do Pidá.
Estou apenas a falar da arte de ser português.
Morreu o Luiz Pacheco, abro o jornal no café e nicles. Salva-me a manhã mais uma prosa livre do Cristiano Pereira, no JN, sobre o escritoR-editor-poeta-esteta maldito, que morreu num asilo. Outros morreram exilados. Morrer assim tem mais graça.
O país não gosta daqueles que o gozam. Pacheco, Pimenta, Tojal, Barbosa du Bocage... O país gosta dos seus dandis: Eça, Pessoa, Luíz Vaz, etc,. Sobretudo do etc,.
Banida a "erva santa" das tascas e dos cafés, mas não dos casinos, off-course, os bimbos desta costa cascinam de prazer perante o desprazer dos outros. É o substrato da nação, o que papa a ingenuidade grosseira da TVI e o pedantismo básico da SIC.
Não há muito a fazer. Tocar para a frente a vida. O Mundo continua a ser grande embora não tão grande como isso.
Veja-se o que aconteceu ao Dacar. A ironia das ironias: os europeus proibidos de entrar com o circo em África. Há uma sombra de ironia nisto tudo.
Por momentos pensei que o João Lagos era o primeiro-ministro da nação porque o seu acólito era o bonequinho Silva Pereira. Mas não. O socratismo continua em vigor. Pujante. Dizem-me que as gajas ficam molhadinhas quando o vêem embora o homem tenha perninhas de alicate. Sim, os homens já não se querem assim, com gémeos de ciclista. Agora fazem-se bonitos, rapados, quase carecas, obviamente sem barbas e bigodes... Mais moda e menos foda.
Ok, tudo bem. Temos o chuto na bola. O Manuelmachadês que não sabe falar inglês, o Cajudic que consegue perder por 4-1 com 5 bolas nos postes dos adversários, o Jesualdo remodelado, o Camacho por baixo, o Bento que tudo ainda não levou ninguém sabe porquê, o Madaíl Petróleo Olex, o burro que todos julgam ser ele mas que somos nós, os Gatos, o Herman, o Bénard da Costa, o Pulido Valente, o meu amigo Alberto com saudades de Vimioso e eu também, o Viegas em emigração do universo Oliveira para o Correio da Manha, o Joel Neto a elaborar roteiros, o Pato algures numa pateira qualquer sem dar um pio desde que lhe descobriram o bico, preclaros vários branqueando a imagem de provincianos analfabetos, enfim, é o pântano.
Enquanto escrevo ouço a Antena 1 e a pergunta é: "está em sintonia com o Papa?" Não sei do que estão a falar. Nem me interessa. Mas sim, estou em sintonia com o Papa. A partir de hoje estou em sintonia com tudo e todos. Obviamente em onda curta.

4 comentários:

Anónimo disse...

Todo o Luis Pacheco não vale uma página do Eça... Ok é engraçado escreve algumas verdades mas... nada que já não se soubesse e depois aquela tendência de escrever asneiras a torto e a direito a que "alguns" - a começar aqui pelo Queiróz - imbecis julgam ser cultura e etc. e tal, mas que não mudam nem um átomo neste país de "Chico-espertos", corruptos e outros apascentados na gamela do poder.

Anónimo disse...

De facto não vale uma pagina do Eça, sequer uma linha, digo eu. Eça é incomparável. Sobre o restante texto apenas acrescentar: está tudo a ser feito para termos um País (perdão, país)ao jeito e ao modo desse vulto da TV José Castelo Branco, o «conde». Não tarda uma década e veremos (verão) a malta masculina toda depilada, a fazer operações para ter maminhas.
Vai ser o máximo.

Luís Graça disse...

Caro Eugénio:
Acabei de escrever 3 mil caracteres sobre o Pacheco, a pedido do João Morales, director de "Os meus livros".

Não cheguei a conhecer o Luiz Pacheco, mas é uma grande perda para as letras lusas.
E olha que ele gostaria muito de poder beber uns tintóis com o Pessoa, o Eça, o Luiz Vaz.
Ainda há bocado ouvi o Hélder Macedo a dizer que o Camões era um grande subversivo. O mesmo se diga do Pessoa. E mesmo o Eça, mais institucional, pelos cargos que ocupou, fez radiografias do mais subversivo que há do nosso país.
E seria bem bom que o país gostasse deles todos.

Anónimo disse...

O Pato, vulgo Tavares Teles, está amansado com medo que lhe tornem as penas "douradas"...