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quarta-feira, outubro 03, 2007

CARTA DE UM JOVEM JORNALISTA

Discurso do jornalista precário João Pacheco, Prémio Gazeta Revelação2006
"Obrigado.
Obrigado à minha família. Obrigado aos jornalistas Alexandra Lucas Coelho, David Lopes Ramos, Dulce Neto e Rosa Ruela.
Obrigado a quem já conhece "O almoço ilegal está na mesa", "A caça à pedra maneirinha" e "Guardadores de sementes".
Parabéns aos repórteres fotográficos Nuno Ferreira Santos e Rui Gaudêncio, co-autores das três reportagens, com quem vou partilhar o prémio monetário.
Parabéns também ao Jacinto Godinho, ao Manuel António Pina e à Mais Alentejo, que me deixam ainda mais orgulhoso por estar aqui hoje.
Como trabalhador precário que sou, deu-me um gozo especial receber o prémio Gazeta Revelação 2006, do Clube dos Jornalistas.
A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social. Parece-me que é um fim nobre.
Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios a alguém, mas vou dedicá-lo.
A todos os jornalistas precários.
Passado um ano da publicação destas reportagens, após quase três anos de trabalho como jornalista, continuo a não ter qualquer contrato.
Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença nem quaisquer direitos caso venha a ter filhos.
Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas como é generalizada - no jornalismo e em quase todas as áreas profissionais - o que está em causa é a democracia.
E no caso específico do jornalismo, está em risco a liberdade de imprensa.
Obrigado."

9 comentários:

BateBola disse...

Não conheço o homem. Mas pelo que disse já mereceu o prémio e a minha admiração. Espero bem que agora ganhe o outro (não o de revelação) em 2007. Tipos destes merecem todos os prémios, muito embora pense que nunca ganha o melhor. Esta é uma excepção.

Anónimo disse...

Deixa là Jovem Jornalista tu e eu nao tivemos direito à CUNHA em contrapartida servi a puta da patria que me fodi Por vezes odeio a Patria, mas nao posso ir mais longe aqui discute-se futebol e historias de cornudos .. Na tugulandia precaridade no futebol nao existe Filhos da Puta Chulos de merda
JP

Aperta Azeite disse...

Caro Jovem Jornalista, digo-lhe que mesmo assim o senhor tem muita sorte.
Se trabalhasse num jornal do Joaquim Oliveira é que veria o risco em que se encontra a Liberdade de Imprensa.
E quanto à precaridade do emprego é a mesma coisa.

Vitor disse...

PARABENS E BOA SORTE.

Eduardo Clemente disse...

É o país que temos, o país que somos e também não merecemos mais. E nas próximas eleições lá estamos quase todos muito contentinhos a bater palmas aos mesmos chulos do costume. Aos chulos que não têm problemas desses e que têm reformas milionárias por terem passado pelos tachos onde quase todos nós os pusémos. Esses chulos são os responsáveis por cada vez mais vivermos como o tal jornalista, por cada vez sermos mais uma república das bananas.

Anónimo disse...

Como é possível que jornalistas escrevam "precaridade".
Informem-se.

Olheiro disse...

Bom discurso e junta-te ao "clube" daqueles (que incluem não-jornalistas como eu) que estão na mesma situação.

Mas não acho que tenhas sorte, como alguém disse aqui. Isso é "fado típico português": partiu 1 perna? Teve sorte! Podia ter sido as duas...

Zé Luís disse...

Coragem, qual padeira de Aljubarrota.
Não me lembro foi de ver a citação do discurso nos jornais do regime.

jukita disse...

Boa sorte. O regime democrático, felizmente, não está em risco nem a liberdade de imprensa. O que está em risco é mesmo só a sua vida!!!