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domingo, setembro 23, 2007

UM SILÊNCIO ENSURDECEDOR


"A Polícia Judiciária (PJ) queria prosseguir a investigação do designado caso Mantorras, em que eram visados o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e os empresários Jorge Manuel Mendes e Paulo Barbosa, mas o Ministério Público de Lisboa optou por arquivar o caso sem atender a uma proposta de quebra de sigilo bancário de duas contas sedeadas em paraísos fiscais. Em causa estava a averiguação da identidade dos verdadeiros beneficiários de cerca de 750 mil euros provenientes da venda, ao Alverca, de 50% do passe do futebolista que ainda eram propriedade da empresa de Jorge Manuel Mendes.
Esta foi uma das divergências implícitas entre a PJ e o Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do MP de Lisboa, liderado pela procuradora Maria José Morgado. Outra foi a circunstância de, no despacho final do processo, datado de 6 de Setembro, o MP apenas ter apreciado o eventual crime de participação económica em negócio enquanto a PJ catalogou a investigação em redor também do ilícito de peculato e eventual fraude fiscal. De acordo com informações recolhidas pelo JN, a PJ estava a averiguar todos os fluxos financeiros decorrentes dos direitos sobre o passe do jogador angolano - sobre o qual, recorde-se, houve a suspeita de que Vieira se teria apropriado de parte das verbas, por ter sido dono de 60% do passe e ter tido intervenção no negócio enquanto líder do Alverca e gestor do Benfica - e deparou-se com uma declaração falsa por parte de Jorge Manuel Mendes, que seria descoberta após o levantamento do sigilo bancário de uma conta das ilhas Caimão da "off-shore" "Almond". Por 50% do passe de Mantorras, este empresário recebeu 1,6 milhões de euros e desse dinheiro transferiu 750 mil euros para a referida Almond. De seguida, fez constar na contabilidade da PGD, a sua empresa portuguesa localizada em Coimbra, que essa verba seria para pagar a um empresário do Paraguai de nome Francisco Ocampo, com vista à aquisição de parte dos direitos de dois jogadores paraguaios. Acontece que, depois destas declarações de Mendes no processo, o sigilo bancário da conta da Almond nas ilhas Caimão foi levantado e a PJ descobriu que os titulares da conta eram o próprio empresário e a mulher e não qualquer emissário do Paraguai. Confrontado pela PJ com esta descoberta da investigação, Jorge Manuel Mendes remeteu-se ao silêncio. No mesmo procedimento de quebra de sigilo, os investigadores detectaram que os 750 mil euros foram desdobrados em duas tranches de 324 mil euros que seriam transferidas para contas de duas outras sociedades de paraísos fiscais a Minshall Management Inc. e a Hervey Management Ltd. As contas destas duas entidades estavam sedeadas em Caimão e na Zona Franca da Madeira. Razão pela qual a PJ sugeriu nova quebra de sigilo, a fim de conhecer os verdadeiros beneficiários do dinheiro e eventualmente confirmar se seriam Jorge Manuel Mendes e um sócio, que entretanto foi viver para o Brasil e nunca foi encontrado pela investigação. Só que o MP acabou por ignorar esta proposta e optou por arquivar o caso. Conforme o JN ontem noticiou, um dos principais argumentos foi o facto de não terem sido encontrados sinais de fluxos financeiros indiciadores de que Vieira possa ter ganho dinheiro ilicitamente com os negócios de Mantorras. Isto apesar de DIAP de Lisboa ter classificado como sem qualquer credibilidade a versão de Vieira no que toca à data de um contrato de cedência, ao Alverca, de 60% dos direitos sobre o passe de Mantorras de que era detentor em nome pessoal."

Nuno Miguel Maia, JN

Praticamente, só o JN e alguns blogues falaram dos DETALHES deste surpreendente arquivamento, pelo DIAP de Lisboa, do chamado caso Mantorras.

11 comentários:

borealis disse...

pois é, eram muitos anos de jaula para o orelhas, o polvo no seu melhor...

Anónimo disse...

Ó caralhete, segundo sei também trabalhas num jornal desportivo. Ou não?

Vitor disse...

O que me espanta é que ninguém tenha ainda comentado esta noticia aqui no blogue.Se fosse o PC não faltariam aqui os paladinos dos bons costumes,os bons chefes de familia ,os seis milhões,mas como foi aquele senhor que em agosto do ano passado foi chorar para a tv,comentários?Nada.É a isto que alguem ousa chamar de justiça?A Mizé não é casada com o sr Sanches?Escandalo a que o Record,C.Manhã, TVI e outros não destacam.Está certo.

Kostadinov 7 disse...

Uma vergonha!

Andam a tentar limpar o futebol português mas apenas por um lado.

Nada de novo. Por isso é que este país há de ser sempre uma merda.

Viva os blogues - o horizonte da liberdade.

Anónimo disse...

A SUL imunes ???!!!
A Norte, perseguidos ???!!!

O Anti Lampião disse...

NÓS demos o devido destaque !

http://www.oantilampiao.blogspot.com

Anónimo disse...

Mesmo com este PGR a justiça portuguesa continua infelizmente muito selectiva e fechando os olhos perante certos interesses.
O que lhe tira muita credibilidade em casos mais mediáticos onde parece existir uma fome exacerbada de sangue em vez de justiça.

pollo disse...

Sendo o senhor eugénio jornalista, não lhe ficaria mal fazer a referência ao blog de onde retirou a imagem. Cumprimentos.

Anónimo disse...

oh, ma tá visto que essa de morgado é o tal caimão a serviço do benfika no mp de lisboa, destinado a furar o direito e a justiça, como encarnados pitos sem importância...

que esta até teve graça...

santhomas

Anónimo disse...

mas é escusado,
que não há chapéu
capaz de lhe cubrir
as orelhas, por impossível
de todo - e isso bem á vista !

Anónimo disse...

não percebo a admiração por este caso ser arquivado. mas o que diria o seu jornal se o envolvido fosse o Pinto da Costa?