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domingo, junho 17, 2007

EU SEI POR QUE ESTÁ A CHOVER


Lembram-se da pandemia aviária? Pois, ficou-se num qualquer pântano siberiano... Mas já se lembram todos do anúncio do Verão mais quente do milénio? Claro, então não investimos já algum num ventoinha, num ar condicionado e num reforço de frio para as sagres e superbocks... A culpa é do anticiclone do Açores que, indiferente às teses científicas, se posicionou um pouco mais a Sul... Chove, portanto, e aqueles 3 noites de estio que já tivemos foram um ar que se lhe deu... Paciência. Não tarda nada e temos aí os incêndios florestais, a silly season (cada vez menos sazonal), as eleições de Lisboa, a Lisboa do Reininho (o que é que lhe deu) e mais uns tantos pindéricos armados em intelectuais em manifestação junto ao Rivoli, onde o La Feria despregou JC e promete ter mais um retumbante sucesso que a crítica obviamente irá tentar ignorar... Entretanto, acabam algumas novelas, também mais uma série do "House", as donas de casa ficarão mais desesperadas com o fim da escola e as massagistas brasileiras com um pouco mais de trabalho... Nada a fazer. Faltam ainda 2 meses para o campeonato começar, não fosse o Paulo Moura e não havia nada de novo decente para ler, é certo que ao domingo temos o Alberto G. no DN e o Rui Santos no Correio, também o Manha ao sábado no Record, e o Pipa aqui e ali, e é pena que o LOC não escreva todos os dias no Público e o Rui Baptista no amor-e-ócio, a copa América e a volta a Portugal, o Tour, claro, o recomeço dos trabalhos futeboleiros e os estágio do costume na Holanda para a malta poder fumar uns charros, inesperados adeptos de clubes desde pequeninos apesar de nunca ninguém ter reparado nisso, a Morgado a concluir os seus processos e a passar a bola para os tribunais para as trivelas e as tabelas do costume, as festas de Verão em honra de padroeiros, foguetes, claro, muitos foguetes, sardinhas e febras na brasa, cheiro a bronzeador do Lidl e caipirinhas mal feitas, banhos oceânicos e banhadas gastronómicas, quiçá mais uma guerra no Mundo que esta história dos mísseis na Palestina/Israel só serve mesmo para encher chouriços nos telejornais, o que resta de casamentos de craques, provavelmente um funeral (no mínimo), jornais com sugestões de praias e restaurantes, de roteiros também, inquéritos de Verão (desta parte gosto), notícias sobre hospitais e sobre capitais que os meus amigos do Mar à Vista passam a ferro enquanto seguem para as páginas do desporto, enfim, a vida vai continuar tal como a conhecemos. Ou seja, insignificante, oca, bacoca... Incrivelmente é assim que às vezes gostamos dela. Da vida, obviamente.

3 comentários:

Abaixo a Censura disse...

Ser-se jornalista neste país amordaçado pela Nova Censura é uma chatice, não é senhor Eugénio?

Então já começa a sentir como é cinzenta a vida dos funcionários públicos...

Anónimo disse...

grande eugénio, sempre impecável nas suas crónicas, tanto no record como aqui no blog. Sou leitor assíduo e atento. Continue no bom caminho!

rui disse...

A cultura do espectáculo fastfood veio para ficar no Porto na forma de indústria do entretenimento.

Claro que há sempre uns parolos incultos que gostam...