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segunda-feira, junho 04, 2007

AFINAL HAVIA OUTROS AVELINOS


"É preciso ter azar, que diabo! Cheguei hoje ao Marco ainda a tempo de apanhar quase toda segunda parte do jogo entre Soalhães e Penhalonga na final da Taça Municipal e saí de lá envergonhado. Não porque a equipa da minha freguesia - Soalhães - estava a perder, já no prolongamento. Mas pelo que veio a seguir. Indo devagar. Estava eu a pensar que assim o futebol vale a pena. Muita gente nas bancadas - bastante mais do que é habitual nos jogos do FC Marco, mesmo quando está na Liga de Honra - alegria de ambos os lados, bombos, cânticos, bom futebol, GNR ausente, piropos civilizados, de tal modo que eu e o meu filho, mesmo sem querer, até fomos parar ao sítio dos apoiantes do Penhalonga. Mesmo em frente o local onde o ex-presidente da Câmara um dia pontapeou bancos e placas e, por pouco, o árbitro e a GNR em dia de jogo com o Santa Clara. O Penhalonga marcou um golo. Azar! Mas não era caso para dramas, até porque o Soalhães já se tinha sagrado campeão concelhio. Mas, a partir daí o caldo entornou-se. Faltas duras, um jogador do Soalhães que é expulso e um grupo de maus perdedores que decide entrar no campo. Direitinhos ao árbitro. Não sei quantos murros o homem apanhou. O que sei é que ficou tombado, a sangrar, o nariz como uma batata. Desmaiado. As taças, alinhadinhas sobre uma mesa, voaram, uma até para a bancada, insultos, vedação quase arrancada. Demorou alguns minutos até que a agitação serenasse, o presidente da Câmara compreensivelmente sem saber muito bem o que fazer, a ambulância que chega e o árbitro a caminho do hospital. E eu, de Soalhães, envergonhado, e a ouvir os de Penhalonga a dizerem que Pois é, com os da 'terra-do-mata-e-queima' só podia dar nisto! E eu calado, cada vez mais envergonhado e o meu filho numa excitação, porque nunca tinha visto coisa igual. A generalidade dos jogadores acabou por se portar bem, os dirigentes também, mas bastou um grupo de alienados para, uma vez mais, colocar Soalhães e o futebol do concelho a fazer má figura. Tão cedo não volto. Ir áquele estádio, sobretudo com crianças, não é recomendável. De qualquer modo, talvez tivesse sido avisado colocar lá uma força da GNR. Sempre seria dissuasor."
in O ANÓNIMO, de Coutinho Ribeiro