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quarta-feira, maio 16, 2007

SINOPSE DE UM CRIME


Como não me considero um tipo ressabiado, não vou ao ponto de afirmar que o campeonato será de novo decidido por um major, este não na reserva. O campeonato está decidido há muito tempo, o FC Porto é que está fazer tudo por tudo para o tornar, como se diz por aí, "competitivo". Ora, o nosso campeonato está muito longe de ser "competitivo". Os nossos 3 grandes apresentam um futebol que oscila entre o medíocre e o suficiente mais, os clubes estão perto da falência técnica, os árbitros andam todos acagaçados com a Morgado e até PC perdeu a sua eloquência, restando-nos a lenga-lenga de Soares Franco e a cassete pirata de Filipe Vieira. Ai que saudades dos gritos do major na reserva e dos gongorismos linguísticos de Pimenta Machado! Num momento em que até já se fala numa nova redução de clubes na Liga principal, não me parece que seja a Taça da Liga a salvar a honra do convento, sobretudo quando os clubes, por norma tão ciosos dos direitos dos outros, permitem que os seus craques sigam Evangelista como os apóstolos seguiam JC na Galileia. O defeso promete ser morno, os jornais vão ter de dar cambalhotas para encontrarem manchetes e os milhões propalados a propósitos de Moutinho, Quaresma e Simões bem espremidos vão dar em coisa pouca. E como o Euro é só daqui a um ano temos pela frente 2 longos meses de sonolência e um de estágios e jogos particulares, antes da Taça Carlsberg e da primeira jornada do novo campeonato, pondo desde já a Supertaça de lado pois é competição que há muito tempo não interessa nem ao menino Jesus que é santo, ou se calhar não, fazendo...fé no livro "Deus não é grande", que a igreja depressa irá banir como aquele comerciante de Fátima fez aos cupões do Viagra. Pois, temos o caso da miúda inglesa que desapareceu na Praia da Luz, temos as eleições em Lisboa, disse temos mas fui generoso pois não temos nada de novo no caso de polícia e Lisboa nada terá com qualquer um dos candidatos que se perfilam. Por mero acaso acabo de ver, na 2:, uma reportagem onde se compara Portugal com a Finlândia e, tirando o facto de os varredores de Helsínquia ganharem o dobro dos estagiários do meu jornal, também não me convenci a mudar de país nem de marca de telemóvel - permanecerei, pois, fiel à Sónia. O que é triste no meio disto tudo é que no espaço de duas semanas morreu a minha gata efectiva, que deixou 5 filhos com uma semana, e também o gato suplente que um sujeito tirou da mala e abandonou à porta da minha casa. Ou é azar ou é peçonha, sobretudo quando estamos a falar de animais que todos dizem ter 7 vidas. Sobra a subida do Leixões, claro, e a perspectiva de um domingo de emoções. Disse emoções só para que não digam que estou numa onda pessimista, eu que por natureza até me considero um tipo que vê o mundo a cores mesmo nos dias em que chovem gatos e cães (daí talvez a mortandade da espécie). Não é por nada mas estou chateado. Ir ao cinema é para mim um acontecimento desde que nasceu a minha filhota e hoje vi uma grandes xaropada - "300" - sobre um tema que me fascina: monstros e homens atléticos de cuecas é a ideia que Hollywood faz da batalha das Termópilas, sendo o menos do mal uma encabadela à mulher de Leónidas enquanto este combate Xerxes com 299. Enfim. Dias melhores virão no Verão que se anuncia quente e como hoje ainda é 4ª feira ainda vão a tempo de comprar a "Sábado" recebendo como bónus o "Avenida Paulista" do meu conterrâneo João Pereira Coutinho, em "brasileiro" ainda melhor que em português de Portugal.

1 comentário:

Teixeira disse...

Do mais bem escrito que aqui vi.

Excelente.

Abraço