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segunda-feira, maio 28, 2007

NOTAS SOLTAS*

O tempo médio de posse de bola dos chamados artistas tem sido reduzido drasticamente. Segundo um estudo da FIFA nos Mundiais de futebol, Garrincha tinha a bola nos pés durante 7 segundos sempre que ela ali chegava enquanto Zidane em 1998 só tinha um segundo para criar. Esse tempo entretanto foi reduzido, nos últimos Mundiais, para meio segundo. A questão é: será possível ainda menos?
Alguns sublinhados de Jesualdo sobre o FCP 2006/2007. Uma equipa com uma ocupação racional do espaço e com facilidade em fazer combinações de ataque. Uma equipa que quando recupera a bola procura sempre sair a jogar pelo flanco oposto ao da recuperação, dando largura ao ataque. Uma equipa com dinâmica cognitiva, com jogadores capazes de perceber quais são os grandes momentos de decisão. Ataque-largura. "Quando conseguimos conjugar o equilíbro táctico com a genialidade dos jogadores acontece 'outro' futebol", dixit o professor, para quem não existem equipas defensivas ou ofensivas ("é tudo uma treta; há é equipas mais ou menos equilibrada nos seus conceitos e na sua estrutura"). O treino não se faz a falar mas com exercícios com conteúdo, direcção, espaço, tempo, complexidade, sempre em função do jogo e sem perder tempo com coisas fúteis. Sublimar sobretudo o conceito de agressividade táctica, que permite o controlo efectivo das acções. No momento em que recupera a bola, a equipa já deve estar preparada para atacar (a importância do n.º 6 nesses movimentos). Recuperar a bola o mais alto possível e se tal não foi conseguido recuperá-la o mais eficazmente possível. Definir espaços de pressão. Grandes referências: o adversário, a bola e a baliza. Mobilizar toda a equipa no processo defensivo. Exigir dos jogadores níveis de concentração elevados e grande competência técnico-táctica. "As equipas que são capazes de decidir mais rápido e encurtar os tempos nas transições são as que têm mais sucesso", idem. Defender como equipa só pode ser defender à zona, segundo José Gomes.
Segundo Orlandino Carvalho, os treinadores da I e da Liga de Honra têm uma frequência cardíaca média, durante os jogos, entre os 103 e os 120 batimentos por minuto. Os batimentos elevam-se sobretudo quando está iminente um golo da equipa do treinador. Quanto mais experiente é um treinador, mais baixos são os seus batimentos, conclui o estudo deste aluno finalista.

Toni recordou que nos seus tempos de jogador só via a bola e calçava as chuteiras no fim de 15 dias de treino na praia e no pinhal. E que os treinadores mandavam fechar todas as torneiras nos primeiros treinos da época, arriscando a morte por desidratação dos seus atletas. "Hoje temos melhores jogadores mas não temos melhor futebol e os treinadores copiam-se uns aos outrso", referiu o "Craque Saloio" e eu concordo com ele. "Os jogos estão amarrados". Muito, acrescento.

* do III Congresso Internacional de Futebol, organizado pelo ISMAI

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