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sábado, fevereiro 17, 2007

A VIDA NAS REDACÇÕES É MUITO PERIGOSA


É muito fácil perorar sobre o bom jornalismo, sobre independência e sobre credibilidade quando se está lá fora a rachar lenha. Muito mais difícil é conseguir esta excelência. Reconheço que não é para todos e mesmo para quem não é todos os dias, nem todas as semanas e muitas vezes meses ou até anos. Por duas razões grandes: a razão estrutural e obviamente a razão pessoal. Muitas vezes a estrutura sobrepõe-se à vontade e ao talento para conseguir chegar lá - é o caso de certas redacções regidas sob doutrinas pseudomodernas mas que de dinamismo têm muito pouco, onde o convite à acomodação e ao laxismo até podia estar na agenda. Pessoalmente, é muito mais difícil chegar lá porque dar notícias, estar em cima da actualidade, informar com isenção e apenas com o dever inerente, tem muitas vezes custos pesados, atirando quem o faz não só para o grupo dos chatos que incomodam internamente como também para a categoria de persona non grata daqueles que são visados pelas notícias e cujo poder muitas vezes se sente também nas reuniões de direcção dos jornais. Essa ideia romântica do jornalismo é mesmo apenas isso - uma ideia. A vida nas redacções é muito perigosa. Há em Portugal bons jornalistas - alguns deles hoje reduzidos à posição de cronistas, pois assim não incomodam tanto... - mas a verdade é que os jornais fazem muito pouco por aproveitá-los. Nesta terra de cegos quem tem um olho arrisca-se a ficar sem ele. Só assim se compreende que nos 4 últimos dias um jornal desportivo tenha ignorado que Pinto da Costa viu mais dois processos com pedido de reabertura no "famigerado" Apito Dourado, preferindo elaborar teses conspiratórias sobre a não despenalização de Quaresma (que a acontecer seria muito mau para uma Comissão Disciplinar da Liga que, finalmente, está a fazer um trabalho sério, sem se vergar a pressões). É no que dá o "engachamento" ou, se preferirem, o "agachamento", mas eu sou suspeito para falar porque para alguns dos clientes do BnA não passo de um vendido, o que me surpreende muito quando todos os meses recebo o extracto do Barclays. Alguém me está a roubar, suspeito... Ainda a propósito deste último assunto, consigo perceber a estratégia mas o mesmo já não consigo quando olho para outros jornais do mesmo ramo e reparo que não é feito o mínimo esforço para tratar "como deve ser" um assunto tão delicado como o Apito Dourado. Sim, é irrefutável que é um tema que incomoda mas não o querer ver é quase o mesmo que ignorar que nos entrou em casa uma manada de elefantes em trote rápido.

11 comentários:

Teixeira disse...

eugénio, sabes que sou daqueles que respeito tudo o que escreves aqui. Mas gostava que de ler um comentário teu em relação ao esconder de certas noticias por parte da imprensa.

Dá uma olhadela sff.

http://atascadoteixeira.wordpress.com/2007/02/14/estoril-benfica-na-agenda-de-mjmorgado/



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Zé Luís disse...

parole, parole, parole
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parole, parole, parole, parole...

Anónimo disse...

Se todos tivessem as tuas fontes de informação, se calhar tambem passariam a falar mais regularmente da pita dourada, como não têm...

Só uma coisa me intriga no meio disto tudo, anda a Maria José Morgado tão empenhada a descobrir quem foram os "larápios" que dentro da PJ avisaram Pinto da Costa que iria ser detido, mas não se preocupa minimamente que elementos da sua propria equipa de investigação estejam a passaram informações diariamente abrangidas pelo segredo de justiça a varios jornalistas, inclusivé tu proprio.

Há coisas fantasticas não há?

Claro que tinha de fazer um post elogiador aqueles que te dão materia para escrever para o teu pasquim todos os dias (pois nos ultimos tempos só fazes peças relacionados com o Apito Dourado), senão que raio estarias tu a fazer?

Anónimo disse...

Há sempre duas perspectivas de veres as coisas. Os que, dizes tu, silenciam o pito dourado e preferem o tema do dia que é a injustiça que continua a cometer-se com Quaresma; outros fazem o contrário.
O teu pasquim dá notícias de tanga sobre o pito dourado, apesar de uma redescoberta insuspeita de capacidades próprias antes não reconhecidas na redacção; sobre a trama em que enredaram Quaresma nada de nada.
O costume.
O pito dourado continua refém da boca da Carolina e da credibilidade que se provará se merece num tribunal não sujeito à justiça popular e mediática.
O Quaresma é ignorado mesmo sujeito a diatribes da justiça desportiva que mancha as competições em Portugal á 20 e tal anos.
Qual achas então que é o melhor caminho, espertalhão?

Anónimo disse...

De volta a velha forma, finalmente. Deixar a equipa do FC Porto no Record dá-te outra liberdade criativa e permite-te dar atenção ao teu público alvo. O BnA estava uma seca sem as bocas ao FCP e a O JOGO, os dois temas favoritos da clientela cá da casa. Não tarda nada, estás outra vez a morder os calcanhares ao Neves.

Miguel disse...

Caro Eugénio:

Ainda bem que não estou sozinho nesta luta. Ainda bem que não ando a delirar sobre os "agachamentos" de certa imprensa dita desportiva. Um abraço

JP disse...

sou do FC Porto e nao morro de amores por Pinto de Costa. O jogo nao faz jornalismo na materia do apito dourado e noutras que ate teria interesse em ler e saber

Primeiro nao tem pessoas com categoria para tratar um assunto tao delicado é que a fonte Jorge Nuno não da noticias sobre o apito dourado

Depois vive agachado aos pes do Jorge Nuno. Jornalismo nao fazem e nao têm vergonha nehuma, a maioria deles nem deve saber o que isso.

Por isso é que o jornal dificilmente será mais do que jornal regional. Tb com o Joaqim à frente daquilo era difícil e em vinte anos pouco evoluiu. Sao opções

Anónimo disse...

basta um tema mais quente e este ferve para se ver logo quem agacha ou nao

Anónimo disse...

E o problema é que amaioria dos agachados um dia destes são enterrados. A J até fez subir em alguns milhares as vendas de domingo do Jogo e estará bem mais perto da sobrevivência do que o jornal que a adoptou como filha.
Um dia destes, sem dar por nada, muitos estarão fora do jogo

Anónimo disse...

lamentavel os comentarios verdadeiros nao serem publicados ainda que a verdade possa doer

para que convidar os blogueiros a dar a sua opinião?

eugenio disse...

Porque não posso cuspir no prato onde como...

Capice ou é preciso fazer um desenho?