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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

O ENSINO EM PORTUGAL


Hoje ocupei toda a manhã a tentar resolver o problema de uma turma de miúdos de 6/7 anos que frequentam o 1º ano na Escola da Praia, em Leça da Palmeira, entre os quais a minha filha. Já vão perceber que continuamos muito longe do "modelo finlandês". A turma iniciou o ano lectivo com um atraso de duas semanas e nas primeiras duas semanas de trabalho teve logo 3 professores. Uma ali colocada à pressa, outra que a substituiu mas que acabou colocada noutra escola e finalmente uma professora grávida de 7 meses. Obviamente, um mês depois os miúdos conheceram o seu quarto professor da "época". Dobrado o ano, nova notícia: o professor que estava colocado ia dar lugar à professor do quadro, que estava de baixa há 3 anos e foi obrigada a apresentar-se por não ter visto validados por uma junta médico os seus eventuais problemas psiquiátricos. Já é é mau ir para o 5º professor da época, bem pior é que esse 5.º seja uma pessoa com eventuais problemas psiquiátricos. Os pais foram avisados já depois da colocação da professora e depressa ficaram a saber que a senhora só vai ficar 18 dias em função, posto que pedirá nova baixa. E o que vai acontecer aí? Ninguém sabe, mas a probabilidade de a 3.ª professora e de o 4.º professor voltarem não é alta, pois vão entrar no "mercado das colocações". Os pais começaram por falar com a escola, esta passou a bola à DREN e esta, por sua vez, chutou ainda mais para cima. Os pais estão no que se chama um beco sem saída, sobretudo aqueles cujos filhos têm sentido muitos problemas sempre que muda o professor. Mas pelo menos não vão permitir, como medida de protesto, que os seus filhos frequentem na quarta-feira uma escola na qual, como lhes foi dito, "os interesses dos professores se sobrepõem aos interesses dos alunos". Estamos a falar, repito, de crianças de 6/7 anos e da forma como elas são tratadas pelo Estado português, o mesmo Estado que este ano esteve a pagar a 3 professores ao mesmo tempo (a efectiva de baixa, a grávida de baixa e o colocado efectivo) e que até de tal foi capaz de se vangloriar quando os pais quiseram saber o que se passava.

Pobre país este que nos esvazia os bolsos e pouco nos dá, sendo que esse pouco é mau.

7 comentários:

Anónimo disse...

O teu problema +e pensar que se podem aplicar modelos finlandeses e outros.
Ponto 1 - O estdo é um péssimo gestor seja do que for.
Ponto 2 - O estado não devia gerir a educação dos nossos filhos.
Ponto 3 - Tu devias poder escolher como o teu filho deve ser educado.
Ponto 4 - Parem para pensar um pouco. Porque raio devo pagar (através dos impostos) para que uma instituição continue a gerir péssimamente um assunto tão importante como a educação dos nossos filhos.
Menos estado para melhor estado.

joaquim agostinho disse...

Já ouvi outro caso práticamente igual ao seu que metia também uma professora com baixa psiquiatra. O problema é que não se pode substituir de vez esses professores. Mantêm o lugar, voltam quando lhes apetece ou não podem mais continuar de baixa e depois voltam a faltar. Mude a sua filha de escola.

Anónimo disse...

E um pais com um povo que prefere que o Governo disponha recursos para resolver os problemas de futebol em vez de resolver problemas serios como os da educacao e da saude.

Acho incrivel a situacao que descreves, talvez seja melhor que em vez de perderes tempo a escrever um blog sobre futebol te dediques a contribuir para a resolucao desse tipo de problemas.

Anónimo disse...

Vi, a SIC esteve lá. À porta da escola, entre outros, o nosso amigo Eugénio. É assim mesmo. Ouvin que o Professor Pedro estava a conseguir bons resultados mas, infelizmente, parece que não vai continuar. Quem disse que os interesses dos professores se sobrepõem aos interesses dos alunos cometeu uma argolada de todo o tamanho. Não é nem deveria ser assim. No entanto, os professores também têm direitos. O facto do Estado estar a pagar ao mesmo tempo a 3 professores tem alguma coisa de mal? A professora que está de baixa e a outra grávida não deveriam receber o vencimento ou parte dele? Já só faltava mesmo esta. Talvez a Sr.ª Ministra ainda não se lembrou disto. Quanto ao problema em si, é por demais evidente e compreensível a revolta dos pais. Tudo seria tão fácil de resolver se o Prof. Pedro (ouvi bem?) continuasse a sua actividade normal até ao fim do ano e a professora, agora de regresso, fosse encaminhada para outro tipo de actividades a desenvolver na escola. Houvesse boa vontade por parte desses políticos que dizem primar pelo rigor, pela exigência e pela qualidade do ensino. Quem acaba por pagar as favas? Naturalmente, os menos culpados, os alunos. É sempre assim.

SIPO disse...

É uma tristeza de facto... o simplex não chegou à escola. Dava uma óptima reportagem "Nós Por Cá". A Francisca tá liiindaaaa

PB disse...

Vem do Destak de hoje, com a citações de um dos pais, Eugénio Queiros...;)

SIPO disse...

Fogo... sou bruxa