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domingo, fevereiro 11, 2007

ASSIM, SIM


Quando hoje, sobre a hora do fecho das urnas, fui dizer "sim" à despenalização do aborto, fiquei com a sensação de que a resposta podia ser "não", tantas eram as velhinhas que a custo subiam a escadaria de acesso às urnas de voto, no pavilhão nascente do liceu que frequentei em Matosinhos. Mas não foi não - foi sim a resposta dos portugueses. O referendo do aborto mais uma vez mostrou as duas faces do país: o país moderno e progressista de Coimbra até ao Algarve; e o país ainda puritano e conservador a Norte e nas ilhas. É curioso como um país tão pequeno pode ser tão diferente no plano da moral e dos bons costumes. É o que temos, sendo o futebol também um reflexo desta realidade, embora à sua escala: de um lado um Norte que não se consegue "descomplexar" depois de se ter tornado dominante; do outro um Sul bipolar e que serenamente nos últimos anos não apenas equilibrou forças como também conseguiu alguma supremacia quantitativa, como o atesta uma I Liga apenas com 5 clubes a Norte da linha do rio Douro.

1 comentário:

Anónimo disse...

Dá a impressão que quem votou "não" é retrógrado, puritano, ultrapassado e mentecaptos. Depois, pretende-se dividir o país em duas partes fazendo crer que num lado está a modernidade e o progresso e no outro o puritanismo e o conservadorismo ignorando-se, pura e simplesmente que, onde ganhou o "sim", também houve "nãos" e, onde o "não" foi maioria também houve quem tivesse opinião contrária. É tanto respeitável a opinião de quem votou num determinado sentido como quem votou em sentido contrário. Muito linear essa ideia de que só são espertos e modernos os que votaram "sim". Saloia é sim esta mentalidade que quem não afina pelo mesmo diapasão é tudo e mais alguma coisa. Pois é, há muitos "democratas" no pensamento mas "ditadores" na acção. Cheira-me a salazarismo virado do avesso.