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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Companheiro Vasco

A notícia chegou-me pelo Paulo Montes: "Morreu o Vasco, na véspera de Natal". Morreu o companheiro Vasco Castro. Meu colega na redacção da "Gazeta dos Desportos", ali na Rua de S. João, com a Ribeira como fundo. O Vasco era um dos veteranos da equipa, com rodagem feita nas páginas de "O Mundo Desportivo", o jornal que me ensionou a ler. Era sempre o último a chegar à redacção, depois de fechar o seu expediente na companhia de seguros onde trabalhava. Muitas vezes partia depressa para Braga ou Guimarães, sobretudo para a cidade-berço, onde ficaram conhecidas as "secas" que levou à espera de Pimenta Machado. Mas o Vasco nunca tinha pressa, embora a sua recolha fosse na Póvoa do Varzim e no dia seguinte tivesse de entrar cedo ao trabalho. O Vasco gostava era de ser jornalista. E teve a sorte de trabalhar no tempo em que os jornalistas podiam escrever sem limites de caracteres. Ao Vasco era preciso pedir para parar, se o deixassem seguir era capaz de fazer entrevistas de 40 linguados (uma folha com 25 linhas dactilografadas) com um juvenil do FC Porto. O Vasco era preciso para os mais jovens também porque tinha histórias para contar, sobretudo quando descíamos à Rua Escura e à tasca do sr. Júlio, o "Barrete Encarnado", onde o Vasco pedia sempre o seu bacalhauzinho. Que invariavelmente apenas depenicava. O Vasco comia como um passarinho e o físico de tal se ressentia. Lembro-me de encontrá-lo uma noite, exaurido, deitado sobre a alcatifa da redacção. Tinha a carta há pouco tempo mas conduzi-o no seu carro até à Póvoa. Alguém foi atrás de mim e trouxe-me de volta. No dia seguinte, lá estava o Vasco, sempre preocupado com as suas filhas, sempre a matraquear a sua máquina de escrever. Fui para Lisboa, voltei ao Porto mas perdi o rasto do Vasco. Falei uma vez com ele ao telefone e dele falei com outros que o conheceram. Até chegar a notícia da sua morte. Morreu o Vasco. Que porra!

3 comentários:

Anónimo disse...

Esse Vasco, um gajo bom, humano do melhor, jornalista do melhor também. Paz à sua alma, que não era pequena.

MP disse...

Cada vez que um de nós tomba, percebemos que todos os restantes ficamos também mais perto do chão. Merda de vida.
MP

Anónimo disse...

Póvoa DE Varzim !!!!