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quarta-feira, novembro 22, 2006

Jornalistas


Em Lisboa há um clube a que chamam dos jornalistas. Não é tanga. É mesmo um clube de jornalistas. Trata-se, obviamente, de uma organização paroquiana - mau seria se não fosse - dependente de alguns apoios mas que tem conseguido afirmar-se, para além de ter uma bela sede na Rua das Trinas, salvo erro, ali à Lapa, em Lisboa. Esse clube noutros tempos empenhou-se em organizar os jogos dos jornalistas, iniciativa na qual sempre foi mais importante o campeonato dos copos e das copas que propriamente o desporto - também como se compreende. Pois bem, esse é o mesmo clube que atribui os Prémios Gazeta de jornalismo, prémios que apenas pecam por necessitarem de candidatura dos concorrentes, limitando, deste modo, o universo em análise. Prémios que por norma são atribuídos ao mérito embora aqui e ali com forte cariz paroquiano, o que volto a entender. O CJ edita também uma revista, "Jornalistas", que toca temas por vezes interessantes quando não se centram em teses universitárias que não interessam nem ao menino Jesus que é santo. Outra coisa que dou de barato. Pois bem, o último número de "Jornalistas" inclui o relato de uma visita às redacções do "The Guardian" e da Reuters, em Londres. Vamos deixar o Guardião de lado que está demasiado na moda. O que me deixou um bocado abalado foi o relato da visita à Redacção da Reuters, quando fiquei a saber que cada jornalistas tem direito a uma secretária com 3 metros, a um telefone com gravador incorporado, a um computador com plasma, a outro plasma onde correm as notícias e a um terceiro que é uma televisão. Mais me informaram que a redacção tem "um excelente bar". São coisas assim que nos deixam com água na boca sobretudo quando reparamos na qualidade do ar das nossas redacções, nas TVs de vão de escada que lá moram, nos telefones que não tocam, na máquina de zurrapa a que chamam café e que nos obriga ainda a meter uma moedinha, na fotocopiadora que deixou de funcionar em 1994 e na impressora regra geral com falta de toner. Penso que o mal é comum. Aqui fica o registo, no jeito de choradinho, é verdade, mas só a verdade é revolucionária, como dizia o Mao e uma amiga do peito.

PS - O CJ tem também um programa de televisão por vezes com um no mínimo irritante moderador, o famoso Bininho. Nem de propósito. Estava eu a passar a mão pelo pêlo do CJ e o mesmo Bininho moderava (?) um debate sobre a extinção da caixa dos jornalistas com um representante da caixa, um do sindicato e outro da casa de imprensa (suportada quase na sua totalidade pela caixa), sem direito a contraditório, ou seja, pelo menos à voz de um jornalista que perceba porque é que o Governo quer acabar com o nosso subsistema de saúde. Seria assim a democracia de o dr. Barreirinhas tivesse levado a sua no PREC de 75 - a propósito, no programa não faltaram depoimentos dos cromáticos e folclóricos Batista-Baptos e Fernando Dacosta, o primeiro um conhecido predador das redacções, tal como o Bininho, e o segundo um ainda mais famoso escritor sem leitores. Felizmente não é. Há que perceber que não estamos a falar de direitos adquiridos mas sim de igualdade. Lembram-se daquela palavrinha que a gaivota levava quando voava, voava?

8 comentários:

Rui Melo disse...

Fora todos aqueles que não têm computador próprio que saltam de secretária em secretária. E que se sentem um pouco humilhados quando têm de se levantar, após a chegada do "dono" do computador.
São pequenas coisas, mas acabam por ser determinantes. A segurança é uma necessidade humana básica. E nem sequer ter computador próprio... não dá grande conforto.

Chiça, estou mesmo ressabiado!

Um abraço

Anónimo disse...

eheeh...sempre que o RIBEIRO CARDoso modera o clubio, eu penso que voltei outr vez a 75...mas hoje o susto foi maior, pensei que tinha emigrado pra russia de 60.foram desencanatr os crosmos todos.
para compor o ramalhete, a mãe do costa ,estava a desancar no governo do filho. safa, há noites que se deve sair de casa

paciente inglês disse...

O Bininho julgo que seja um tal qualquer coisa Cardoso, amigo do peito de Artur Jorge no tempo em que este era comunista, ou afim.

Será?

Vitor disse...

Para informação. Posso garantir que ainda muito recentemente visitei a redacção de uma agência de notícias com base em portugal e apenas com 3 jornalistas. Cada jornalista tem uma secretária com 2,5 m, um desktop ligado a um plasma de 21 polegadas. A seu lado está um outro plasma, mais pequeno onde correm minuto a minuto as notícias através da TV cabo. Tudo isto ligado a um gravador de DVD que pode ser accionado a qualquer momento para gravar o mais importante. Incluido na redacção existe um bar onde se encontra um ecrã gigante com as notícias dos vários canais da TV Cabo a correr.
Ah! falta dizer que tem música de fundo.Posso provar o que estou a dizer. È a diferença entre as grandes empresas e pequenas empresas. Não se candidatem a emprego porque não há vagas.

zé das coivas disse...

esse gaijo é realmente muito mal educado

Escriba disse...

Claro que foram desencantar os velhos comunistas para falarem de uma coisa que nos afecta a todos. Mas, também é verdade que só foram as múmias que tiveram coragem para falar de uma coisa que já nos devia ter mobilizado a todos.
Parece que ainda ninguém entendeu porqué que o PS ajudou o Quim a comprar o maior grupo de Comunicação português.

Anónimo disse...

ribeiro cardoso é a esquerda de merda de portugal..

voualiejavolto disse...

que granda complexo, carago!
no norte é que é bom, carago!
morte aos mouros! Ah, Ah!