
Foi assim numa manhã de chuva...
«Como devem calcular, venho anunciar oficialmente o final da minha carreira como jogador profissional de futebol, uma carreira da qual me orgulho bastante e que foi conseguida através de muito espírito de sacrifício, de muita dedicação mas acima de tudo com muito prazer. Carreira que não teria sido possível sem a ajuda de várias pessoas. Começo por agradecer ao clubes e à selecção nacional, a todos os dirigentes com quem trabalhei, aos meus colegas de profissão, praticamente a todos os treinadores, aos departamentos médicos de todos os clubes e gostava de salientar o Rodolfo Moura, que foi uma pessoa que me ajudou e que sofreu comigo, aos adeptos do futebol e em particular aos do FC Porto, a todos os profissionais da Comunicação Social – e permitam-me destacar o Carlos Pereira Santos -, a 3 pessoas que apareceram na minha vida numa altura decisiva – o sr. Amadeu Paixão, o sr. Fernando Almeida e a dona Gracinda dos Anjos -, aos meus pais, aos meus irmãos, cunhados, aos meus filhos e, por fim, mas não menos importante, a uma pessoa que sempre esteve ao meu lado principalmente nos momentos menos positivos –a minha mulher, Isabel.
Vocês sabem quem são os treinadores que não me deixaram saudades, não gostava de falar das coisas más mas sim das boas...
Estamos já em Outubro. Não foi uma decisão tomada no dia e fácil. Sempre mantive a esperança de poder voltar a fazer aquilo de que mais gosto. Acima de tudo por razões pessoais, acho que foi a melhor solução.
Fica um sabor amargo. Tinha anunciado que o ano passado seria a minha última época, as coisas não correram como eu esperava e essa será uma mágoa que ficará sempre dentro de mim.
(Mourinho)
José Mourinho e o prof. Carlos Queiroz foram os treinadores que mais me marcaram e que me ajudaram a evoluir.
(e a homenagem do FC Porto?)
Joguei cerca de 20 anos no FC Porto, fi-lo de alma e coração e nunca pensei sequer que pudesse vir a fazê-lo noutro lado qualquer e neste momento sinto-me feliz. Tenho aqui um cachecol do Colectivo que me homenageou esta semana no jogo com o Marítimo, ando na rua de cabeça erguida, sei que todas as pessoas gostam de mim e reconhecem o meu trabalho feito no FC Porto. E quando chego a casa deparo com uma família fantástica e isso para mim é o mais importante.
(já voltou ao Dragão?)
Já fui ver dois jogos. Tenho prazer em ir ao estádio e irei sempre que a minha vida pessoal mo permitir. Continuo a gostar de futebol e do FC Porto.
É evidente, não vale a pena estar a esconder. Hoje o FC Porto tem uma boa equipa, uma equipa forte, com valor, ganha os jogos porque é melhor do que os outros, mas em termos de mística tem vindo a perder um pouco. É simples. A mística é passada de jogador para jogador com jogadores que sentem o clube e quando esses jogadores saem, essa mística não é transmitida como devia ser.
É liderar o balneário, fazer a ligação do balneário com a direcção e, num clube com a grandeza do FCPorto, tem uma importância bastante acentuada.
Nunca tive qualquer problema com o presidente do FC Porto mas saio acima de tudo de consciência tranquila. Tenho a certeza que o presidente percebeu bem o porquê de eu querer sair. Saí para me sentir útil. Durante 6 meses tudo fiz para tentar mudar as ideias do treinador, não era uma pessoa feliz, não fui convocado uma única vez. Portanto, não gostava de acabar a minha carreira sentindo que estava no FC Porto quase por favor e fiz ver isso ao presidente e ele percebeu. Se calhar fui um pouco egoísta, mas queria acabar a carreira de uma forma digna e a jogar.
São situações diferentes. O Vítor Baía não joga, mas é convocado, provavelmente irá fazer alguns jogos esta época. A minha situação era diferente. Eu não jogava, não era convocado, não ouvia sequer as palestras do treinador no balneário, portanto, sentia-me uma pessoa a mais dentro do grupo.
Sempre servi a selecção com muito orgulho e prazer, sempre dei o máximo, neste momento a selecção nacional é um orgulho para todos os portugueses e nãos era este resultado menos positivo na Polónia que irá mudar a ideia que temos da selecção. Tenho muita confiança em todos os jogadores, no treinador, nas pessoas que estão à frente da Federação e tenho a certeza absoluta que irão continuar a dar-nos muitas alegrias.
Tive o prazer de jogar com grandes jogadores: Romário, Henry...tenho uma boa lista de avançados. Quanto aos jogadores com quem fiz dupla, mas se calhar por ter sido a primeira e também na selecção, foi com o Fernando Couto. Mas há outros: Jorge Andrade, Aloísio, Ricardo Carvalho...
É um espaço agradável, numa terra que me adoptou e sabia que vocês ao virem para aqui nãos e perdiam...
O humor de O Bicho no fim de uma despedida em grande.