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quarta-feira, setembro 13, 2006

PORTUGAL, ANO 2006


A minha filha Francisca foi esta semana pela primeira vez para a escola primária. Tal como o pai, começa a sua escolaridade dita obrigatória numa escolinha de Leça da Palmeira, ali pertinho do mar e dos lombinhos de pescada com molho de marisco dos "Viveiros da Mauritânia". Desde o 1 ano de idade que a Kika anda na escola porque os pais trabalham e têm horários no mínimo esquisitos. Até entrar no ensino público, os seus pais pagaram uma média de 350 euros por mês para terem a Francisca ocupada e bem tratada na sua escolinha (o "Iô Iõ", que, por razões óbvios, recomendo). Como entendo que a vida não se aprende em ambientes seleccionados, optei pelo ensino público. Bem-vindo ao sistema! Só para começar, a miúda, que devia ter horário alargado e direito a almoço, entra às 9, sai às 12, volta a entrar às 13.30 e sai às 15.30 horas. Ou seja, num só dia exige quatro viagens dos pais à escola e das 15.30 em diante fica com o resto do dia livre... Já sabíamos que não tratam bem o dinheiro dos nossos impostos. Mas é duro confirmar isso mesmo na pele e no osso.

11 comentários:

Portugal2006 disse...

Bem vindo à triste realidade do Portugal esquecido. Embora maioritário.

Anónimo disse...

Então e o complemento de horário?

Não pode ser, têm que dar ocupação à tua filha das 15.30 às 17.30. Acho que é isso que está previsto, com o inglês, a ginástica, a musica, os trabalhos de casa com acompanhamento!!!

Abraço de um pai que também entende que a vida não se aprende em ambientes seleccionados (gostei e apontei).

Alvaro Magalhaes disse...

A vida tem destas coisas Eugenio, para o ano o meu tb vai para a escola, uma coisa é boa , deixamos de pagar o colegio, mas.... nao há bela sem senao.

Rocha disse...

Eugénio,

O Ensino público foi feito a pensar nos horários dos funcionários públicos. Os outros...que se lixem....
Triste, mas verdade

Anónimo disse...

Finalmente, Eugénio!

Agora todos sabemos porque te vendeste à podridão.

Tinhas a escolinha da menina(linda.
Não deve ser tua filha) para pagar.

Podes cortar à vontade.

Anónimo disse...

quem vos manda ter filhos? querem ter putos e depois o Estado que tome conta deles.

Anónimo disse...

É isso mesmo Eugénio.
Bem vindo ao mundo real.

O meu filhote anda no 2.º ano (antiga 2.ª classe) e desde o 1 ano de idade que andou numa creche, privada claro está, porque públicas são muito poucas e ter vaga parece o processo do apito dourado, quem tem cunha safa-se, quem não tem fica em lista de espera e fica à espera para cima de 3 anos. Por isso andei 4 anos a pagar cerca de 300 euros por mês numa creche privada.
Quando chegou a altura de entrar para a escola primária procurei pô-lo numa escola pública mas aí começou o tal problema dos horários. A escola era das 9H às 12 e das 13H30 às 15H30. Como é que é possível quando um casal trabalha ter uma criança na escola pública? Impossível.
Para isso um dos pais só poderia entrar ao serviço às 9H30, para poder deixar a criança às 9H, porque antes era impossível, não havia ninguém na escola, sair do serviço, no mínimo às 12H para ir buscá-la às 12H30, entrar de novo ao serviço às 14H e sair às 15H para ir buscar a criança às 15H30. Acham isto normal?
Para mal dos meus pecados e da minha bolsa, lá tive que colocar o meu filhote numa escola privada e desembolsar cerca de 350 euros mês e isto sem actividades extra.
É este o meu país.

PS: user Rocha o ensino não foi feito a pensar nos funcionários públicos, porque eu sou funcionário público e tenho de entrar ao serviço, OBRIGATORIAMENTE, às 9H, tenho apenas e IMPERATIVAMENTE 1 hora de almoço, e saio(no papel) às 18H. Digo no papel, porque raro é o dia que saio antes das 19H30, quando não é 21H, 23H ou mesmo 02H da manhã como já aconteceu.

Anónimo disse...

Não é bem assim. Quantos funcionários públicos é que saem do serviço antes das 15.30 para ir buscar os filhos à escola?
A questão aqui é outra, e passa pela não inclusão das tais actividades previstas no complemento de horário, e que infelizmente não existem em todas as escolas. E isso não é culpa dos funcionários públicos. Já cansa bater tanto nos funcionários públicos, ou seja, aqueles que pagam impostos para que possam (devam) existir os tais complementos de horário.

Anónimo disse...

É duro, não é Eugénio?
O pior será quando os capatazes-directores dos jornais acharem que tu, ou a tua mulher, estão a dar muita atenção à filha e menos aos jornais para que trabalham.
Cuidado, podem achar que és dispensável.

O Estudante disse...

o que vejo aqui é a questãozita dos 300/350 euros. enquanto não chegou a primária, os pais, por comodidade e por quererem o melhor para os filhos, investiram no privado. a passagem para a 1ª classe (agora 1º ano), já podia incluir a poupança dos 300/350 euros. E o sistema público devia manter a miudagem ocupada entre as 09h e as 19h -- isto era o horário do meu puto durante a primária privada e pelo qual continuei, depois do infantário, a pagar os 300/350 euros mensais.
Mas o público terá sempre coisas que o privado não tem. E o contrário também é verdade. E não é o poder de compra que decide. É o querermos um pouco mais do que colocar os nossos filhos na escolinha onde nós andámos. Por muito bom que sejam os lombinhos de pescada com molho de marisco

eugenio disse...

As opções educacionais são livres e dispensam qualificativos. O que ponho em causa é um serviço público que devia ser a jóia da coroa de um Estado dito providência.