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sábado, setembro 16, 2006

APITADELAS

Pela primeira vez desde que foi espoletado o "Apito Dourado" - tirando umas declarações avulsas de Gilberto Madaíl no início do processo na sua fase pública -, um magistrado dos órgãos disciplinares desportivos (o famoso Pedro Mourão) pronuncia-se no sentido de colocar o caso sobre a alçada da justiça desportiva (ver "O Sol"). É um dado interessante numa fase em que a última jogada da defesa já foi lançada - a declaração da inconstitucionalidade da lei que pune a corrupção desportiva. E ao contrário do que disse Maria José Morgado, sempre bem informada mas desta vez nem por isso, não foi só José Guímaro que foi condenado pela lei em vigência. Um tribunal madeirense também já se pronunciou sobre um caso relativo aos escalões secundários. Mas giro, giro foi ver José Guímaro afirmar que caso esta tesa vença será ele o primeiro a pedir uma indemnização por danos pessoais causados pelo sistema judicial. Noutras circunstâncias, daria para rir. Nas actuais, nem por isso.
ps - quanto ao Sporting e ao seu aparente não envolvimento nas "apitadelas", continuamos à espera para ver sobretudo o que aconteceu em relação a projectos já extintos.

8 comentários:

O LEÃO DA ESTRELA disse...

Sou do Sporting desde criança. Desde o tempo em que o futebol se jogava aos domingos à tarde e nós, que morávamos longe de Lisboa, ficávamos colados ao rádio a ouvir as emoções que nos eram transmitidas por vozes de nomes como Romeu Correia, Fernando Correia, Ribeiro Cristóvão, Alves dos Santos e outros.
Era o tempo em que os laterais avançavam pelo campo como se fossem extremos...
Era o tempo em que os resumos dos jogos passavam na televisão única aos domingos à noite, a horas certas e sem intermináveis "programas de publicidade" pelo meio...
Era o tempo em que "A Bola" e o "Record" eram jornais publicados a preto e branco, duas ou três vezes por semana, e eram esperados nos quiosques como autênticas relíquias...
Era o tempo em que uma equipa envergava um equipamento numerado de 1 a 11.
Era o tempo em que uma entrevista exclusiva era uma entrevista exclusiva...
Era o tempo em que havia um dia da semana chamado quarta-feira para a realização dos jogos das competições da UEFA, assim nascendo a expressão “quarta-feira europeia”...
Era o tempo em que não havia publicidade a estragar as camisolas...
Era o tempo em que não era preciso ter o nome dos jogadores na camisola, porque eles eram facilmente identificados, pois representavam o mesmo clube anos a fio...
Foi em criança que comecei a ouvir relatos de golos de jogadores talentosos como Eusébio, Chico Gordo, Jacinto João, Vítor Baptista, Nené, Fernando Gomes, Cubillas, Seninho... Mas só conseguia vibrar com o relato das portentosas defesas de Vítor Damas, Botelho ou Conhé, com os eficazes e oportunos cortes e desarmes de Laranjeira, com a espectacular fantasia de Fraguito, e com os golos “sem apelo nem agravo” de Hector Yazalde, de Marinho, de Manoel, de Keita, de Manuel Fernandes, de Rui Jordão. Os golos do Sporting, claro. E não sei por que motivo. Ou até sei. É que uma paixão não se explica. Sente-se e vive-se.
Começou na década de setenta do século passado, quando os títulos começavam a escassear no Sporting, e atravessou intacta o período mais longo da história do clube sem vencer campeonatos, que durou entre 1982 e 2000.
Este blog é um espaço de futebol para os que gostam de futebol, que vai procurar ser atractivo e interessante, transmitindo a visão de um sportinguista a quem quiser passar por aqui, nomeadamente os que gostam do Sporting.
A blogosfera é um espaço indubitavelmente democrático. Como em todos os lados onde há liberdade de expressão, a opinião é livre, sendo certo que os factos são sagrados. E, como tal, os factos podem ser merecedores de aplauso ou assobio, tendo, no entanto, o Sporting como denominador comum. Afinal, a força e o crédito de qualquer opinião também se medem pela sua sinceridade intelectual.
O blog chama-se "O Leão da Estrela". Por nenhum motivo especial. Não tem nada a ver com o filme, embora fosse inspirado nele. É apenas um nome, que tem o "Leão", que é o animal de estimação de qualquer sportinguista, e a "Estrela" de que a equipa principal de futebol do Sporting precisa para conseguir alcançar os seus objectivos.
O sucesso deste blog passa também pela vossa participação, desde logo através da leitura dos conteúdos que aqui serão lançados, mas também com as vossas notícias, curiosidades ou opiniões, sobre o futebol em geral, e o futebol do Sporting em particular, que podem mandar por e-mail. Se tiverem fotos antigas de jogadores, treinadores ou dirigentes do Sporting, agradeço. Críticas e sugestões também serão bem recebidas. Obrigado! E viva o Sporting!...

Anónimo disse...

sporting? por que não continuas a escrever sobre o teu leixões...que até se queria aproveitar do "mateus"?

Anónimo disse...

Escama Dragões

Pasmo ao ler o ps relactivo ao Sporting, quando ganhamos ao Inter não houve nenhum post. Quer dizer que este pseudo jornalista só conhece o SCP para fazer insinuações destas, é triste.

Saudações Leoninas

José Leirós disse...

Sabes Eugénio a arbitragem portuguesa é a herança / resultado de "dois Josés" e de uma associação com direito a voto na assembleia geral da FPF.

Arrebenta disse...

A última noite sem Sol

Hoje é uma longa noite de vigília. Amanhã, quando voltarmos a despertar, já haverá dois sóis no horizonte. Um traz a Vida, o outro, a Farsa.

Nós atravessamos um tempo de trevas, e, por detrás do seu alegórico oxímoro, este "Sol" nada mais trará do que mais noite.

Nada, nele, ou em tudo o que o envolve, é novidade ou surpresa. No final do passado 2005, num mesmo dia de dor, espanto e sobressalto, também compreendemos, que, subitamente, num momento crítico de viragem, Portugal tinha decidido enrolar-se, como um feto, em redor do seu próprio umbigo: aquela miraculosa geração intermédia, dos 30, 40 e 50 anos, que deveria ter-se então manifestado, na criação da figura de um Presidente da República para um Novo Milénio, pura e simplesmente, não existia, ou tinha sido estrangulada. Em troca da renovação, apresentavam-nos um prato reputado intragável, Cavaco Silva, e o resto da história já vocês conhecem: o ancião Soares que se presta a fazer-lhe frente, o ressentido Alegre que aparece, para fazer frente à frente da frente, e dois candidatos laterais, que ali foram, medir forças, e acertar décimas, nas contagens de eleitorado.

Nunca o disse, e vou dizê-lo aqui: Cavaco, Soares e Alegre não passavam de três cangalhos, obsoletos, e representantes de um Passado que a minha geração, entre outras, tinha tacitamente considerado como fazendo parte da História, não de qualquer futuro.
Nós, jovens de Portugal, fomos escandalosamente burlados, por uma fatia geracional, responsável por muito do atraso e dos abusos que diariamente presenciamos, e que, afrontosamente, mostrava, preto no branco, que não estava disposta a abandonar os postos de vigia e conservação do Estado de Coisas: o Sistema "renovava-se", voltando, descaradamente, a chamar ao palco os velhos actores empalhados.

A Intoxicação Social, que, grave, e quotidianamente, detectamos estar ao serviço desse mesmo miserável Poder Político, também necessitava agora da sua "renovação". E também a vai ter: chama-se "Sol" e é a Sombra Enorme da miríade de coisas mórbidas que, durante décadas, enformaram esta coisa a que nos confinámos: a estrangulada Cauda da Europa.

O "Sol" nada traz de inovador. Se quiserem uma simples imagem, que possam transmitir aos vossos amigos, ele é uma farta operação de cosmética, que, através do colorido de lápis de cor virtuais, tenta apresentar, como uma banda desenhada renovada, a intragável história parda a que nos reduziram o nosso dia-a-dia nacional.

Há outra coisa que é fundamental que aqui se diga: o Arquitecto Saraiva é um medíocre; mais, ele é o medíocre típico português, o manga-de-alpaca das meias ideias, das palavras fracotas e das iniciativas de curto alcance. É capaz de tudo, e está, novamente, numa posição para ser regiamente pago para poder ser, em plena luz do dia, capaz de tudo.

O Sonho Português sempre passou por castrar os seus melhores talentos, e entregar os lugares de topo a indivíduo dos quais a História não reterá... nada. Como corolário, a pirâmide do medíocre é um lugar volumétrico, cujo vértice é o Medíocre, por antonomásia, e que se vai alargando, na direcção da base, mediante o acrescentar de medíocres ainda mais medíocres, ou de indivíduos cuja desfaçatez e falta de verticalidade permitem servir sob as ordens de alguém que sabem ser profunda, e irremediavelmente... medíocre.

Nós, cidadãos que vivemos outros mundos e outros horizontes, contamos com mais um inimigo no nosso campo. Já desligávamos os noticiários, pelos insuportáveis e manipulados vinte minutos de vómito futebolístico, que, simultaneamente, tentavam apresentar, como empolgante, uma vertente pretensamente desportiva, que toda a gente sabe ser um dos rostos da Actividade Criminosa, em Portugal. Comam-na durante meia hora, mastrubem-se com os "ídolos" por ela criados, esqueçam-se de que, lá para o fim, ou em bandas rotativas de rodapé, estão a desfilar, vertiginosamente, as notícias que vos vão amolgar profundamente o Quotidiano, o Futuro, e, mesmo, a visão de sonhos passados. Esqueçam os jornais: há quem tenha poderes -- sempre os mesmos -- para comprar capas e cadernos inteiros de revistas, reportagens forjadas, branqueamento de personagens e processos, douramento de pílulas inexistentes, venenosas e omnipresentes.

No seu arrancar, a Blogosfera Portuguesa deverá, um dia, ter sonhado com tornar-se o nosso pequeno contributo para a maré informativa do cidadão comum da Aldeia Global: troca imediata de informações, comentários lúcidos, trabalho gratuito, para oferecer a amigos e leitores desconhecidos, um pouco do nosso melhor talento. O que seria o "Braganza Mothers", se pudesse ter, por detrás, todos os dinheiros turvos da Opus Dei...

Felizmente não os temos, e, felizmente, ainda estamos a conseguir escapar a outra maré ainda mais preocupante, a desta roda livre de palavras e murmúrios se estar toda a alinhar, e a importar, para o seu lugar de "graffiti" virtual, a massa inteira dos vícios de forma e relação da nossa Realidade Enferma.

Como conclusão, hoje, curiosamente, Benedito XVI, pessoa sobre a qual todos sabem o que penso, terá citado -- contaram-me -- a figura de alguém que faz parte dos meus heróis, Constantino XI, Paleólogo, o derradeiro lutador pela independência das muralhas de Constantinopla contra os avanços do Infiel Turco. Deverá ter sido a única vez em que Ratzinger e eu teremos abordado o mesmo tema da mesma forma, o que não deixou de me surpreender. Com a morte de João VIII, Paleólogo, o último Constantino ter-se-á ajoelhado, numa célebre pedra de Mistras, e recebido, no Despotado da Acaia, a herança imperial, com a qual se apresentou, duas semanas depois, em 13 de Novembro de 1448, às portas de Constantinopla. O seu reinado foi curto, e durou, como se sabe, até à célebre noite de 30 de Maio de 1453. Com a Queda da Cidade, quase deserta e empobrecida, celebravam-se as exéquias de mais de dois milénios de Luz e Civilização Romanas.

Esta noite, a última noite sem "Sol", é como essa Noite de Mistras. Em conjunto, mais uma vez, vamos ter de partir, para a defesa das últimas muralhas da Luz, e é para essa terrível viagem, como para tantas outras, eventualmente menores, e passadas, que, mais uma vez, vos convido.

Apenas vos menti numa coisa: esta é a última noite, mas já é uma noite com "Sol". Ele está aqui (www.sol.pt). Pedir-vos que resistissem a visitá-lo era um pedido equivalente ao de Eva, feito pelo Criador. Eu sei que são humanos, e transgredirão, porque eu também sou, e também já lá fui.

Coragem.

(Nota, o Basileus citado por Ratzinger é Manuel II, Paleólogo. A incorrecção em nada subverte o sentido do texto)

D. Afonso disse...

E as apitadelas na Liga de Honra? Não queres falar, Eugénio?...

Com as apitadelas, o teu Leixões vai lá...

Anónimo disse...

Relativamente ao ps, concretiza.
Nºao fiques pelas insinuações

Anónimo disse...

sou do tempo em que o presidente Góis Mota do SCP que acumulava com o de comandante da famigerada legião portuguesa irrompeu,ao intervalo,em Alvalade,na cabine dum arbitro,e de pistola em punho ameaçou de morte o coitado,que de tal susto,virou,imediatamente o resultado..são factos,e desses tempos.pelos vistos,muitos têm saudades,como eu tenho do coitado do nosso primeiro rei-gay D.Sebastião...