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sexta-feira, maio 19, 2006

CHAPEIROS

Sempre tive o privilégio de trabalhar "com" grandes repórter-fotográficos. O Paulo Santos, vencedor este ano do prémio CNID, é um deles. Posso dizer que vi o Paulo nascer para o fotojornalismo pois o seu primeiro trabalho foi feito comigo...no Leixões. As fotos que fez quase não se aproveitavam, uma delas era o Almeidinha, como vês ainda me lembro. Fui na minha "Boss" para o serviço. Lembro-me ainda daquele dia em que tivemos de fazer reportagem em Penafiel e um suplemento na Lixa. O pequeno Fiat do Paulo avariou e ele, desanimado, chorou sobre o capot. É bom começar assim, com sangue, suor e lágrimas. Hoje o Paulo é um guru. Fez por isso. Mas ao falar do Paulo não posso deixar de falar de outros grandes repórteres da imagem com quem trabalhei. Do Malacó, camarada e até pai, sempre bem informado, sempre disponível e quase nunca a falhava as fotos dos golos, que são as minhas preferidas, pois não gosto da imagem 2+1, ou seja, dois homens, uma bola e um fundo desfocado. Recordo também o velho Óscar Saraiva e toda a sua humanidade, apaixonado pelo ciclismo, descuidado com tudo o que lhe dizia respeito, entregando-se, por outro lado, por completo à causa. O Óscar já partiu bem assim como o Carlos Vidigal, um verdadeiro espalha-brasas. Também trabalhei com o Chamaco, "o brasileiro", sempre a queixar-se mas sempre a apresentar grandes boneco. Não muitos mas sempre grandes bonecos. E o Lobo Pimentel, esperto, dominando o jogo, sempre a trabalhar a 200 por cento. Ah, claro, havia ainda o Amílcar Teixeira, um verdadeiro pintas e o mais alfacinha de todos os alfacinhas que conheci. Claro, Ricardo, não me ia esquecer também de um júnior que era peixinho mas sabia nadar, nem daquela semana em Bordéus com o Toni, o Jesualdo e aqueles miúdos de que o Toni também gostava, o Zidane, o Dugarry e o Lizarazu... No «Correio», no «JN» e n'«A Bola» conheci outros "chapeiros" com quem dava gosto trabalhar mas se os outros não se importam vou destacar o Paulo Duarte, o "calmas" que não precisava que lhe dissessem nada para conseguir a melhor imagem, colocando no boneco toda a história da reportagem. No "Record" tenho também o prazer de trabalhar com uma equipa de craques. No tempo presente, uma boa imagem pode fazer a diferença entre o jornalismo impresso e o jornalismo electrónico ou aquele que se oferece no metro. Pena é que nem sempre se perceba que tem de ser assim. Ah, não me posso esquecer do Artur Ferreira. O mais fascinante de todos pela sua exuberância e pela forma como leva a vida - quando dei por mim estava a carregar-lhe o material pela escadaria de Montjuic, nos Jogos de 92... Diz-se que uma boa imagem vale por mil palavras mas é mentira. Uma boa imagem vale bem 2 mil palavras. No mínimo.

10 comentários:

mourinhe disse...

geninho, parabens! essa saiu-te do coração! são as melhores...

Anónimo disse...

acho que sim. Tava a fumar um cigarrito e a olhar para as chaminés da Petrogal quando me lembrei disto...

Anónimo disse...

Acho que te faltou incluir o teu colega Miguel Barreira. Um número 10. Abraço

Anónimo disse...

foda-se para os fotografos, só empatam a marcação de cantos com a porcaria do material...

Anónimo disse...

Bom Homem o Vidigal.Aqui em Faro era muito querido por todos,apesar do seu grande defeito de ser lampião.Descansa em paz bom amigo e fica sabendo que quando vou ao café do Farense a tua cadeira fica sempre vazia como que a esperar por ti.

Anónimo disse...

Que sorte a do Paulo Santos.

Nunca trabalhou com o Espinha-Dobrada Santos, de O NOJO, que sabe sempre mais de fotografia do que todos os fotógrafos juntos.

Anónimo disse...

Que sorte a do Paulo Santos.

Nunca trabalhou com o Espinha-Dobrada Santos, de O NOJO, que sabe sempre mais de fotografia do que todos os fotógrafos juntos.

Anónimo disse...

eh,eh.eh espinha dobrada santos... Geninho eu também acho que te esqueceste dos bons fotojornalistas.Até nem parece teu...

José Leiros disse...

Os meus Parabéns ao Paulo Santos.
Tive o previlégio de ser fotografado por ele imensas vezes, não esqueço a educação e a correcção com que sempre esteve a trabalhar no nosso Futebol.
Um abraço.
Leirós

Anónimo disse...

Parabens Paulo pelo teu trabalho e empenho nas causas da fotografia, apesar de nem todos saberem ser gratos por te terem al lado.

Foi preciso um senhor arbitro escrever educadamente sobre ti...espero que sirva de exemplo para aqueles que ordinariamente aqui deixam os seus posts.

um abraço

um dragao de lisboa