CARTA PARA O ZÉ


Zé, sabes que gosto de ti. Quando não atiras quadros para as piscinas dos hotéis, és um tipo porreiro.
Não esquecerei nunca aquele relato que te ajudei a fazer de um jogo do FC Porto em Cabinda, no meio da multidão. E depois tu de tronco nu, no Estádio da Cidadela, já em Luanda, em novo jogo do FCP nessa grande digressão a Angola.
És um daqueles alfacinhas de gema de que só podemos gostar. Porque o alfacinha é se calhar a mais mais pura das raças impuras do cadinho a que chamam portugueses.
Zé, confesso que pequei.
Li o teu livro à gola na Bertrand, ali ao lado do Estádio do Dragão.
Li, não - devorei.
Já estava à espera que abrisses o coração sobre esse tempo de sofrimento e reflexão. Também já passei por isso, embora por apenas três breves/longos meses, também já andei a bater às portas e a levar tampas.
Zé, sempre te admirei porque és um narrador com estilo próprio e que arrisca. Sei que o que está a dar são os clones ou os macarrónicos. Mas acredito que esta fase passará...
Sempre disseste que ias mais voltavas e cumpriste o que prometeste. Cá estás em grande forma, depois de teres andado a acarretar mobílias para ganhares 50 euros, como contas no teu livro.
Zé, aquele abraço. Podemos não falar há muito tempo mas eu sei que tamos juntos. É o que interessa.
"Diário de um Desempregado" não é um livro. É um homem a expor as suas fragilidades e também a sua força.
Gostei. Muito. Bastante.