sexta-feira, setembro 12, 2008

OLIVEIRA TV




O Campeonato parou durante duas semanas para que a Selecção Nacional jogasse e para permitir que se dispute uma eliminatória da Taça de Portugal. Depois de um longo defeso, os nossos clubes profissionais foram obrigados mais uma vez a penar num deserto de receitas. Assim vai a nossa organização de jogos, iluminada pelas decisões daqueles que tudo fizeram para reduzir o quadro competitivo para 16 equipas. Os mesmos, curiosamente, que hoje se transformaram em paineleiros televisos e que enchem os bolsos enquanto os clubes têm os seus cada vez mais vazios.Quando falo de clubes não falo de sociedades desportivas. Tenho de dar razão ao senhor Alfredo Farinha e à sua cruzada contra as sociedades desportivas. O que ganhou o futebol português com elas? Bem, sempre sacaram alguns dinheiro aos adeptos em acções que hoje estão esquecidas no mercado de capitais, com movimentos diários minimalistas e flutuações...para baixo, sempre para baixo. Mas valeu a pena. Os dirigentes tornaram-se administradores, passaram a ter ordenados comparáveis ao de qualquer empresário, têm carro e gasolina à borla e um cartão de crédito dourado ou prateado.É certo, quase todo o Mundo seguiu o exemplo. Veja-se o Manchester United que está nas mãos de americanos. O City que foi do tailandês e agora é de um homem das arábias. Do Chelsea de Abramovich. Enquanto por cá continuamos todos à espera dos grandes investidores. Porque será? Bem, temos alguns, embora de trazer por casa (sem ofensa). É o caso de Joaquim Oliveira, que não pode ser confundido com paineleiro só pelo facto de, na década de 80, ter sido visto a pregar publicidade em painéis à volta do campo onde a Selecção treinava, em Saltillo. O dono da Olivesdesportos controla o mercado das transmissões televisivas, funciona como uma espécie de instituição de crédito para alguns clubes, tem jornais e o único canal televisivo português de desporto, e é accionista de uma série de socieades desportivas. É tal o seu poder que já ninguém estranha quando aparece nas tribunas em posição de honra ou é convidado para a apresentação do novo seleccionador nacional.Quando se fala, embora baixinho, do interesse da Liga em mediar a negociação dos direitos televisivos, principal fonte de receitas de clubes e de sociedades desportivas, seria bom perguntar a Oliveira o que pensa do assunto. Eu não preciso de lhe perguntar porque sei qual é a resposta. O patrão da Olivesdesportos está pouco preocupado com o assunto. Em parte porque tem os clubes "presos" durante os próximos anos com contratos cujos dinheiros entretanto já foram adiantados. Oliveira fez o seu papel no sentido total da frase, ou seja, se mais não deu foi porque ninguém lhe pediu. Com a excepção de Vale e Azevedo, o tal que rasgou os contratos depois de ter dito que um escudo é um escudo. Viu-se depois que era menos.Hoje, fala-se no advento do Canal Benfica, o clube que, segundo a FIFA, tem 14 milhões de adeptos. É uma espécie de pedrada no charco embora não passe disso. O clube da Luz só poderá colocar no ar, como seu exclusivo, os jogos europeus, pois os outros, os de trazer por casa, estão vendidos a Oliveira. Que entretanto no cabo soma canais: consta que já vai em quatro...e mais uma vez ninguém insinua qualquer tipo de concorrência. Quem o pode acusar de ter usado a fórmula da pólvora se a patente não foi registada?...Que ninguém tenha dúvidas: a vitalidade dos clubes e das sociedades desportivas portugueses passa pela capacidade que tiverem para vender os seus direitos televisivos. Mas os sinais de mudança são irrisórios. Além do mais, FC Porto e Sporting parecem estar satisfeitos com 10 milhões de euros por ano pelos direitos dos seus jogos, apenas 10 vezes mais do que aquilo que recebem os clubes pequenos. Sem os quais, curiosamente, não haveria Campeonato. Por este andar pode ser que um dia seja possível exterminá-los! Naturalmente.


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quinta-feira, setembro 11, 2008

ASSINO POR BAIXO

"Com efeito, a liberdade de pensamento tem limites. E o limite afere-se na sua transmissão.Por vezes paga-se muito caro!Agora, preocupante, preocupante, é a maioria das reacções que o texto suscitou e que, em última análise, enformam a opinião pública portuguesa (saloia) em geral. Vemos coisas idênticas nos julgamentos sumários feitos por multidões ávidas de "justiça" à porta dos tribunais (casa pia, etc.). Néscios que vencem a parada, porque incontroláveis.Parece-me que, noutro país que não o nosso, os comentários/reacções seriam bem mais interessantes e formativos.Portugal é, sobretudo nesta área, um país sui generis. Já me tem acontecido "a mim", quando leio textos opinativos sobre o meu País (como, por exemplo, do sr Políbio Braga), altamente demolidores, apetecer-me mandar os seus autores para a grande puta que os pariu. Mas lá no fundo vejo-me obrigado a concordar com aquilo que escrevem, porque descodifico o pensamento. È a vida!Vi na TV a reportagem sobre os atletas paraolímpicos medalhados, todo aquele aparato! E não é que me passou pela cabeça que os atletas pensavam o mesmo que o autor deste polémico texto?! Porque eles podem ser pessoas com "mobilidade reduzida", mas não são burros, seguramente. E tenho a certeza de que não serão eles que virão aqui reclamar. Eu também lá iria, e tentaria medalhas, e se isso servisse para aumentar o meu poder reivindicativo para melhorar as condições de vida quotidiana dos meus pares, tanto melhor. O resto, deixaria para o "debate de ideias" dos eficientes.Não tenho pena nenhuma dos deficientes. Tenho pena é do meu País!"
comentário anónimo sobre a questão dos paralímpicos

...e já agora, obrigado Fernando Guedes:
"Parabéns ao autor do post. É precisa muita coragem para escrever coisas politicamente incorrectas, nem que seja só para abanar as consciências. O seu texto revela um enorme respeito pelos deficientes e pela sua dignidade - um respeito muito maior do que todo este paternalismo idiota demonstra.Eu por mim sugeria que daqui a quatro anos se organizasse a equipa portuguesa de atrasados mentais. Aqui, nesta caixa de comentários, há um número suficiente deles para fazer uma bela representação. E aposto o que quiserem que ganhamos o ouro.Como dizia Rodrigo da Fonseca, "nascer entre brutos, viver entre brutos, morrer entre brutos, é triste!"

O NEGÓCIO PELÉ


Pelé, como se sabe, foi vendido há um ano ao Inter de Milão por 2 milhões de euros. Certo? Não sei quanto dinheiro entrou nos cofres vitorianos mas lembro-me que na altura se disse que o Vitória ia ficar com uma percentagem do passe. Consumada a transferência do jogador do Inter para o FC Porto, estimada em 6 milhões de euros, o clube de Guimarães surge a reclamar apenas 45 mil euros de direitos de formação. Confesso que cada vez percebo menos disto...

PÉ FRIO

Depois de dois "sensacionais" resultados sobre as Ilhas Faroé (adversário escolhido para jogo amigável em Aveiro talvez por estas razões: nas águas daquele "país" pescam os bacalhoeiros de Silva Vieira; ou porque faz parte do Reino da Dinamarca...) e Malta, Portugal perdeu em casa com um dos seus adversários directos na qualificação para a África do Sul. Confirma-se: Queiroz é, como técnico principal de seniores, um pé frio! Não ponho em causa as qualidades do homem - ainda há dias estive em Londres a conviver com gente que frequenta os corredores de Old Trafford e que me disseram maravilhas dele - mas a verdade é que não encontro outra explicação para a derrota de ontem, embora um frango de Quim tenha ajudado um bocadinho... O jogo foi intenso e emotivo. Portugal teve momentos de pura classe. Mas perdeu. Grande atitude a da Dinamarca, que a perder quis empatar e que empatada quis ganhar! Fica também explicado o sucesso dos vikings que assolaram também as nossas costas há uns séculos e que por aqui deixaram alguns genes, abrençoados...

quarta-feira, setembro 10, 2008

NOVOS VENTOS

O Sp. Braga e o Vitória de Guimarães investiram este ano nos seus departamentos de comunicação. O primeiro clube contratou Ricardo Lemos, que era jornalista de O Jogo, e o Vitória contratou José Marinho, da Sport TV e também ex-O JOGO. Os meus colegas do Norte ficaram um bocado amuados por terem sido escolhidos "mouros", se bem que o Marinho, presumo, seja "cá de cima". Eu não. Pelo que já percebi, Braga e Vitória escolheram bem. Cada um com o seu estilo, ambos jornalistas com provas dadas, Lemos e Marinho podem dar a estes clubes a dimensão que eles merecem nesta importante área. Ontem, por exemplo, o Vitória proporcionou, no seu site, uma grande entrevista, com algum sumo, de Emílio Macedo, na qual foram feitas perguntas que se aceitam de circunstância e outras também com bom ângulo jornalístico. É o que se pretende. Se bem que isto não seja tudo. Aos jornais que vão todos os dias a Braga e a Guimarães deve também ser dada alguma margem para trabalhar o "produto" de forma original, num momento em que a diferença entre a palavra "controlar" e "informar" é tão curta como a distância entre o Sameiro e o Bom Jesus, o Colombo da Luz ou a igreja das Antas e o Dragão, só para dar alguns exemplos.

terça-feira, setembro 09, 2008

PARA QUÊ?

De 4 em 4 anos, a seguir aos Jogos Olímpicos, lá vem a história dos Paralímpicos. O pessoal com "handicap" (físico ou mental) aproveita as instalações desportivas olímpicas e vai também à caça à medalha. O Mundo considera isto um acontecimento! Mas não é. Quando muito é uma boa ideia que sobretudo serve de motivação a quem nasceu e cresceu com problemas. De aí até fazer dos Jogos Paralímpicos um acontecimento, com páginas de jornal, vai uma grande distância. A não ser pelo bizarro da coisa... Só consigo encontrar uma explicação para isto: os "eficientes" justificam a sua geral indiferença pelos "outros" com este tipo de paternalismo. A treta do costume. O desporto de alta competição nada tem a ver com esta espécie de ATL com cães-guias, próteses da Puma e jogos de salão...

PS - Presente em Pequim, Laurentino Dias considerou a conquista de uma medalha de ouro em Boccia (?????????) "o momento mais bonito do meu mandato". Ok, já sabíamos que não está a ser um grande mandato - o que não sabíamos é que ia assim tão mal...

segunda-feira, setembro 08, 2008

MACHADO QUE CORTA

Confesso que li num so folego o livro de Octavio Machado - "Voces sabem do que estou a falar". Surprendentemente, dei por mim, finalmente, a conseguir perceber o que o Palmelao queria dizer. Para alem da sua bela historia de vida como jogador de futebol, ficamos a perceber importantes tracos da personalidade de Pinto da Costa, impossiveis de descortinar nas biografias que sobre o Papa ja foram feitas. Entre elas, que gosta de meter o nariz nos onzes e que se deixa empurrar pelo vento dominante. Octavio eh impedioso tambem com os Oliveiras, com Artur Jorge e sobretudo com Norton de Matos. Eh certo e sabido que quando Octavio nasceu, nasceu com ele uma teoria conspirativa, que vai ajustando as diversas situacoes da sua vida. O que nao quer dizer, porem, que a conspiracao nao seja muitas vezes um facto! Ou seja, um livro sobre futebol que me encheu as medidas, tal como aconteceu com o recente livro do Paulo Catarro, se bem que noutro estilo. O que so prova que as nossas editoras tem aqui um filao com muito ainda por explorar.
E parabens, Octavio, pela coragem, pela frontalidade e pelas historias.

BOLA NA ÁREA JÁ É SITE

Depois de muitos anos como blogue e de uma migração para o site do Record, BOLA NA ÁREA agora é um site. Já está no https://bolanaarea.pt/ .