sábado, agosto 04, 2007

O PAPÃO

Há duas ideias, legítimas como tantas outras, que esta semana vieram a terreiro. Ideias que se podem sintetizar em duas questões: Exagerou o FC Porto nas vendas que produziu? Está o estilo de liderança de Pinto da Costa ultrapassado? Bem...
Respondendo à primeira, há pouca margem para dúvidas. Anderson prometia animar o Dragão mas 30 milhões é mesmo muita fruta e o mesmo se aplica a Pepe, esteio da defesa. Só aqui, 60 milhões de euros que oxigenam as contas portistas e permitem mesmo algumas tentativas de valorização do plantel. Quem se atreveria a fazer o contrário?
Quanto ao segundo paradigma, mais uma vez se partem de pressupostos errados, pois Pinto da Costa apenas estará ultrapassado quando morrer. O que não me parece que vá acontecer nos tempos mais próximos, apesar de o homem caminhar para os 70 anos. O "estilo de liderança de Pinto da Costa", como o nome indica, também é o...estilo de liderança de Pinto da Costa. É óbvio que o presidente portista aprendeu muito com Pedroto, um monstro, mas reduzir o seu percurso à influência do mestre é querer passar-nos a todos um atestado de menoridade intelectual. Nem Pedroto, nem PC o merecem! PC, a caminho do seu 26.º ano de presidência, continua a revelar a mesma capacidade inata para nos surpreender: desde a forma como "descobre" jogadores até à sua resistência para as diversas intempéries e adversários. O mais recente é um antigo amigo pessoal, que em 6 anos de liderança lhe conseguiu roubar um título, enquanto PC conquistava 4 e duas taças europeias. Resumindo e concluindo, Jorge Nuno Pinto da Costa, bem ou mal rodeado, mais novo ou mais velho, será sempre ele mesmo. E enquanto continuar à frente do FC Porto é garantido que os outros andarão a correr atrás do prejuízo. Os génios não se fazem por encomenda, embora às vezes se pretenda vender também essa ideia peregrina...

sexta-feira, agosto 03, 2007

PORTUGUESES DE SUCESSO


A estória foi contada pela Lusa e tem como protagonista o tuga Adolfo. Mendigo nas ruas de Copenhaga. Adolfo lamenta que os seus amigos que ficaram na terra não tirem mais de 500 euros por mês, que é quanto ele tira em dez dias a correr as ruas da capital do reino da Dinamarca, recolhendo garrafas vazias. Adolfo não lamenta a condição de ser português e garante que continua a vir pelo menos uma vez por ano à terra. Só viaja de avião, obviamente, embora durma quase todos os dias numa casa de banho pública de Copenhaga. Consta ainda que Adolfo, o luxurioso, vai franchisar este modo de vida. Fica também provado que ser mendigo em Copenhaga é bem proveitoso que ser caixa do "Continente", com a vantagem de se aprender uma língua estrangeira e de não pagar impostos.

quinta-feira, agosto 02, 2007

HÁ DIAS ASSIM...


É uma grande aquisição para o SLB.


Finalmente.

LIBERTINAGENS


Está na moda bater na FPF e na Liga. No entanto, a FPF, com todos os defeitos que tem, transformou a selecção nacional de futebol numa equipa de top enquanto a Liga, sob a direcção de Hermínio Loureiro, continua a primar pela inovação e pela vontade de progredir, como é exemplo a última acção de formação dos árbitros, na Escola Naval do Alfeite. Longe vão os tempos em que tinha de ser José António Pinto de Sousa a pagar a conta do hotel onde os nossos apitadores ficavam em estágio... É o velho problema: quem assume, quem dá o peito às balas, quem ousa mesmo chapinar no charco, mais tarde ou mais cedo acaba no ponto de mira de quem pratica o exercício da crítica livre, libertária e quiçá muitas vezes libertina. Atenção: isto não é um protesto, é apenas verificação factual. Mas se me perguntarem se troco o dr. Madaíl pelo Silva Resende ou Hermínio por Valentim, só posso mesmo responder: antes de tomarem qualquer medicamento, por favor verifiquem o seu prazo de validade!

Rapidinhas II

Saiu aos 65 minutos. Dois remates, um para fora, o outro para as mãos do guarda-redes. Teria posto demasiado gel no cabelo ou foi a bandolete que não estava bem posta? Dois fotógrafos pelo menos não lhe apontaram a objectiva quando fez de conta que ia atirar às redes. E os colegas fizeram tudo para não lhe passar a bola. Lembrou-se dos tempos em que era um miúdo e também um craque. O velho treinador dizia-lhe para atacar a bola, para não ter medo dela, para não fechar os olhos quando cabeceava, para ser o primeiro a correr para os abraços quando outro marcava um golo, para não chorar quando ficava no banco, para treinar em casa - contra a parede - o maroto do pé esquerdo... Sentado no balneário, só, enquanto o estádio fazia bruá, provavelmente por causa de um golo daquele que o substituira, o homem que saiu aos 65 minutos fez de conta que ia entrar e quando abriu a torneira do duche deixou a água gelada correr-lhe pela espinal medula. Há dez anos que não se sentia tão vivo. Sem gel, sem bandolete, despido de tudo, como naquela tarde de chuva, num pelado de Amarante, frente ao Freixo-de-Cima, quando marcou sete golos em 17 minutos e foi premiado com dois sumóis de laranja e duas sandes de presunto. Não havia fotógrafos nem jornais. Mas aquele foi, sem dúvida, o seu grande dia de glória.

quarta-feira, agosto 01, 2007

TRIGO LIMPO...


"Desde Aljubarrota que esta ideia dos muitos milhões me faz alguma, para não dizer muita, cmas mesmo muita espécie! Na altura, como muito bem rezam as crónicas da época, os espanhóis também era muitos milhares e nós, valente portugueses, apenas uns quantos. E o resultado! Bom, o resultado é aquilo que toda a gente sabe...! Serve este intróito para dizer que o medo dos pretensos muitos, contra os bem reais e palpáveis poucos, é coisa que não dá para assustar quem é português e...valente! E para que a história registe e o povo não esqueça aí vai para a posteridade mais uma listinha de títulos, desta vez conquistados pelos nossos briosos e decididos mais jovens atletas: campeão nacional de juniores, campeão nacional de iniciados, campeão distrital de infantis, campeão distrital de iniciados e campeão distrital de escolas. Eu sei que estas conquistas soam a muito pouco, sobretudo para os detractores ignorantes e eternos do nosso futebol de formação, mas é o que temos para lhes oferecer, e é a este guardanapo que eles têm que se limpar..."

Pinto da Costa, na revista Dragões

AVÔ VIRIATO


Morreu Viriato Mourão, aos 80 anos. É mais um que desaparece do "dream team" da "Gazeta dos Desportos", nos gloriosos anos 80 que vivemos na Rua Poço dos Negros. O Viriato era já um veterano, uma espécie de avô para nós, que nos garantia sempre uma página de futebol internacional. Por norma a última a fechar. O Viriato chegava à redacção a meio da tarde, lia a imprensa internacional, fazia os seus recortes e completava tudo com os telexes das agências (ainda não havia internet...). Aconteceu muitas vezes ainda ainda estar a aprimorar a sua página enquanto a gurizada improvisava jogos de ping-pong na redacção ou transformava as bancas em mesas de jantar. Raramente protestou e muitas vezes foi connosco para a noite. Jamais esquecerei uma delas, na sua "Luminosa", onde tinha a sua tertúlia. O Viriato morreu mas permanece nas minhas memórias e certamente também nas dos meus colegas João Bonzinho, Luís Graça, Mário Pereira, António Magalhães, José Meireles, Alexandra Tavares-Teles, Virgílio Neves (o maior!), Armando Santos e tantos outros que tiveram o privilégio de pertencer a uma redacção onde se trabalhava por amor à camisola e à arte.

Escreveu também o Paulo Querido:
Soube agora, por um inimaginável acaso, que Viriato Mourão morreu. A 31 de Julho, já passam alguns dias. Lamento não ter sabido antes. Fui a muito poucos funerais na vida, mas teria ido ao de Viriato Mourão.Viriato Mourão era um senhor. Viriato Mourão era um camarada. Um companheiro. Um dos jornalistas mais íntegros que conheci. Também um dos mais cultos e educados, nos vários sentidos das duas palavras.Há quatro referências na minha formação como jornalista. O Viriato é a primeira e a mais alta delas. Outros dois são dele discípulos e admiradores, o Daniel Reis, que pelo Expresso continua, e o João Querido Manha, que a profissão queimou e as redacções expulsaram cedo demais (o quarto, José Manuel Teixeira, o monstro de trabalho, não é deste campeonato).
Eu conheci o Viriato na Gazeta dos Desportos e trabalhei com ele ainda no Diário Popular. Anos intensos com a Calçada do Combro por centro de gravidade, da Poço dos Negros à Luz Soriano — ao Bairro Alto, à Lisboa, toda.A ironia da vida fez de mim chefe dele, um dia, no Desporto do Popular. Tentem chefiar quem muito admiram. Não fosse a extraordinária personalidade do Viriato e eu não teria sido capaz. Na verdade, só aceitei o cargo de editor (sucedi ao Paulo Luís de Castro, se bem me lembro…) depois de ter uma conversa sólida com o Viriato e ele me ter tranquilizado repetidamente.Inesquecíveis fechos de edição e ceias tardias já com o jornal do dia seguinte debaixo do braço, em casas de todos os tipos de fama, onde desse, onde houvesse um bife.O Viriato metia num chinelo as luminárias que eu, verdinho, reverenciava na profissão. Tratava-os com a finíssima ironia que nunca terei porque me falta a classe que o Viriato Mourão transpirava.Um companheirão.Quem quer arte, pague ao Mozart — era uma das frases, com variantes, do resistente Viriato, amante do belo canto e sonhador. Um boémio completo, vertical, único — do São Carlos à Pantera Cor de Rosa, topam? Com um sentido impecável do que é próprio: nunca o vi ser incorrecto, nunca o vi magoar ninguém nem, ao contrário de tantos outros, ter algum comportamento indigno da sua Dona Irene.Tenho inveja dos que com ele conviveram nos anos 90, já em A Bola, para onde colaborou décadas. Sempre senti saudades do seu olhar concentrado e divertido, sério quando era para ser sério e equilibrado quando outros descambavam.Não tinha um feitio fácil para os poderes, isso vos posso garantir. Conseguia ser um verdadeiro chato.Mas na hora da notícia, vinha o rigor.O Viriato não era só companheiro somente no sentido da camaradagem, era um profissional de enorme experiência, grande cuidado, e com aquela distância de eventos, homens, emblemas que caracteriza um jornalista e o distingue do enchouriçador de “conteúdos”, permitindo-lhe ver o que se quer ocultar ou simplesmente não está à vista.Impressionar o Viriato — só pela beleza. Podia ser uma jogada divinal de António Oliveira (o irmão do actual patrão de Imprensa) ou um golo de pantufas de Nené (ele viu muitos outros, limito-me aos elos comuns) ou uma soprano a exceder-se na pauta de Wolfgang Amadeus.Ou então pelo carácter e pelo humanismo, os privilégios dos sensíveis.A malta é enrabada e mal paga, mas diverte-se muito — era outra das frases com que conseguia aliviar um momento tenso das relações nem sempre fáceis com chefias e administrações. Sem por um segundo perder a posição.Diverte-te, Viriato (e, repara!, pela primeira vez fui capaz de te tratar por tu, porque também eu já tenho idade para certas coisas).
Nota no sitio do Sindicato dos JornalistasEvocação do João no seu novo espaço tipo blogue, do “tempo em que se podia aprender a ler nos jornais, como eu aprendi no Diário Popular dos anos 60, onde Viriato era chefe da redacção desportiva e Aurélio Márcio redactor - uma geração de jornalistas que sabia tratar a palavra e que não admitia a subserviência”

BOLA NA ÁREA JÁ É SITE

Depois de muitos anos como blogue e de uma migração para o site do Record, BOLA NA ÁREA agora é um site. Já está no https://bolanaarea.pt/ .