segunda-feira, agosto 31, 2009

FEITOS NUM OITO




Benfica, 8 - V. Setúbal, 1

Sem dúvida, um feito.
Oito golos em 90 minutos e a réplica no último segundo.

De um lado, um treinador que preparou a sua equipa para este jogo.

Do outro, um azelha.

Mas...a desproporção de forças era enorme. Num lado, um Benfica que investiu forte e feio. Do outro, um Vitória feito em cacos, a tentar apanhar algumas migalhas no fim do mercado.

Este resultado espelha o desequilíbrio cada vez mais acentuado do nosso campeonato. Há equipas na I Liga sem massa crítica e sem a massa propriamente dita. Começo a emendar a mão e a achar que 16 equipas é muito.

Um campeonato com Benfica, FC Porto, Sporting, Braga, Guimarães e os dois clubes da Madeira seria muito mais verdadeiro.

O que está abaixo disto é apenas o esforço para fazer das fraquezas forças. O que nem sempre resulta. Como foi o caso.


Por isso, o título do site encarnado sobre este jogo - "medo, muito medo..." - peca por ser manifestamente exagerado se tivermos em conta que estamos a falar de um clube que normalmente se perde através de erros próprios.


PS - Factor marginal: esta foi a vitória do treinador de Luís Filipe Vieira sobre o treinador de Bruno Carvalho. Concludente.

domingo, agosto 30, 2009

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Leio aí, um pouco por todo o lado:

- FC Porto venceu batalha naval.

Perdão, houve alguma batalha?

sexta-feira, agosto 28, 2009

DIFÍCIL DE ENGOLIR

Já sabíamos que o novo presidente do Sporting é especialista em sanar invasões de campo.
O que não sabíamos é que também está apto a frequentar casas de fado. Ficámos a saber depois daquele incrível "está calado, pá!" no regresso de Florença de bolsos vazios e entregando de mão beijada ao FC Porto 1,6 milhões de euros da pool TV da Champions. Tenho a sensação que quem devia estar caladinho não é o energúmeno que falou num Paulo Bento forever.

INTERVALO TÉCNICO


Porque será que ninguém ouve falar no presidente da Liga de Curral de Moinas?

A QUADRATURA DO CÍRCULO

O Benfica contratou Felipe Menezes. É a quadratura do círculo. Assegurou um indefectível sportinguista que foi a única figura pública com coragem para surgir ao lado de Pinto da Costa depois da sua detenção no tribunal de Gondomar.

A VIDA DÁ MUITAS VOLTAS


quinta-feira, agosto 27, 2009

terça-feira, agosto 25, 2009

CHOQUE E ESPANTO (actualizado)

Um segundo antes do abalroamento. Carolinha está encostada à parede, do lado esquerdo, e a sua advogada Raquel Dantas atravessa a rua, conseguindo passar à frente do carro, que logo a seguir vai bater em José Carmo. Outro repórter-fotográfico consegue escapar do embate, junto à posição do condutor. As imagens podem ser vistas no site da RTP.

NO DIA
Comunicado da FC Porto – Futebol, SADNa sequência de factos ocorridos à saída do Tribunal de S. João Novo e uma vez analisados os relatos da Comunicação Social, vem a FC Porto – Futebol, SAD esclarecer o seguinte:
1 – Ao final da manhã de hoje, e terminada mais uma sessão de um julgamento a decorrer no Tribunal de S. João Novo, o veículo conduzido por um motorista da FC Porto – Futebol, SAD arrancou como sempre tem sucedido nestas sessões;
2 - Poucos instante após o início da marcha, surgiu na via pública, vindo de entre os carros estacionados, um aglomerado de jornalistas, sem que, todavia, os ocupantes se tenham apercebido de mais do que um pequeno e usual contacto com o retrovisor da viatura, face à escassa largura da rua;
3 – Foi, portanto, com espanto que, ao chegar ao Estádio do Dragão, a FC Porto – Futebol, SAD foi confrontada com as notícias de um alegado «atropelamento». Nas mesmas informações referia-se ainda um eventual abandono da ocorrência e uma pretensa desobediência à autoridade;
4 – É rigorosamente falso que qualquer agente da autoridade tenha, em algum momento, sido detectado a dar ordem de paragem de local visível para os ocupantes do veículo;
5 - Da mesma forma, é rigorosamente falso que qualquer um dos ocupantes da viatura se tenha apercebido que o referido «toque», normal nestes aglomerados recorrentes à saída de tribunais, tivesse provocado qualquer dano material ou físico;
6 – A FC Porto – Futebol, SAD lamenta esta situação, mas reforça que em momento algum os ocupantes do veículo se aperceberam da ocorrência mediatizada.
NO DIA SEGUINTE
No seguimento de análise aos relatos da Comunicação Social acerca de uma ocorrência que envolveu um veículo do FC Porto, à saída do Tribunal de S. João Novo, vem o Conselho de Administração da FC Porto – Futebol, SAD recordar o seguinte:
1 - Apesar das tentativas de intoxicação da opinião pública, com escritos e ditos incongruentes, a força das imagens prevalece e permite desenhar e comprovar aquilo que, de facto, se passou ontem;
2 – Como pode constatar-se pelas imagens (momento 1), o veículo do FC Porto arrancou de forma contida e iniciou de imediato um demorado processo de travagem, prolongado até à curva à direita, uma vez que surgiram vários fotógrafos de entre os carros estacionados;
3 – Estranha-se, portanto, que o Sindicato de Jornalistas fale em «marcha acelerada». E estranha-se ainda mais aqueles que se referem a «atropelo», quando são precisamente os seus profissionais que atropelam o civismo das regras de trânsito, lançando-se precipitadamente para a via pública (momento 2);
4 – As imagens permitem ainda perceber (momento 3) a queda de alguém na retaguarda da viatura do FC Porto, em posição imperceptível para os seus ocupantes;
5 – É igualmente inequívoco que o agente da autoridade que aparece nas imagens (momento 4) está sempre posicionado por trás da viatura, portanto, se emitiu qualquer sinalética (não é visível em momento algum), jamais esta podia ter sido percepcionada pelos ocupantes do automóvel;
6 – Por fim, é falso que a pessoa pretensamente atingida tenha ficado caída na rua, uma vez que se levantou de pronto e correu rua abaixo, praticamente à mesma velocidade do veículo (momento 5).
Os sublinhados são meus
E AGORA, UMA VERSÃO MUITO FIEL DOS ACONTECIMENTOS. AQUI:

A NORTE NADA DE NOVO

José Carmo, repórter-fotográfico do "Jornal de Notícias", foi hoje atropelado por um Peugeot topo de gama conduzido por Afonso Ribeiro, motorista de Pinto da Costa. O presidente do FC Porto ia no carro, também na companhia de uma das suas advogadas e de Rui Cerqueira, director de comunicação do clube. O automóvel desceu a íngreme rua de S. João Novo a acelerar e um dos polícias que protegiam Carolina Salgado, que descia a rua, fez sinal para que abrandasse. O que não aconteceu. Foi tudo muito rápido. Vinha a descer a rua a pé, atrás do carro, e só ouvi uma pancada e o meu colega José Carmo a rolar no empedrado. A imagem seguinte que retivc foi a de Carolina assustada, agarrando o braço de um polícia, enquanto outro agente corria atrás do carro e ainda conseguiu bater no seu tejadilho pois este abrandou, para logo de seguida arrancar. José Carmo levantou-se e coxeou atrás do carro até quase desfalecer encostado a uma parede (tal como a imagem mostra), com escoriações na perna esquerda. José Carmo, após a pancada, bateu com a cabeça num carro da Sport-Tv que estava estacionado e uma das rodas do Peugeot passou-lhe por cima do pé. Todos tememos o pior pois José Carmo tem problemas cardíacos e esteve quase a desfalecer. Valeu a pronta colaboração da polícia e a chegada rápida do INEM.
O que se passou no cruzamento das ruas de S. João Novo e de O Comércio do Porto não é, afinal, nada de novo. E não será por isto que irá cair o Carmo e a Trindade. Bem, o Carmo até caiu...

JORNADA 2

Futebol com luz solar e bancadas cheias.
Foi na cidade do rei fundador.
Onde Nelo Vingada esteve a 5 minutos e meio de parar o Benfica de JJ.
Dentro das 4 linhas, o Benfica deu-se mal com um Vitória com três centrais e duplos laterais. Aimar e Saviola andaram perdidos, Cardozo parece ser o dono da bola nas bolas paradas e só a entrada de Coentrão agitou as hostes.
Nas bancadas, o descontentamento dos adeptos vitorianos desalojados era evidente, o que se agravou quando perceberam que Emílio Macedo estava a defender Luis Filipe Vieira.
Já todos sabemos que em Guimarães não há segundos sentimentos. É o Vitória primeiro, o Vitória a seguir e depois ainda o Vitória. Qualquer ambiguidade é tratada, pois, com revolta.

Enquanto isso, no Dragão houve 2 em 1. Ou seja, dois jogos pelo preço de um bilhete.

Contas feitas, Benfica e FC Porto terminaram os seus jogos com onze elementos e os seus adversários com nove.

domingo, agosto 23, 2009

AINDA O SPORTING

O Sporting nem vence nem convence.
Uma noite de pesadelo para os adeptos do Sporting em Alvalade, com "olés" às jogadas do Sp. Braga.
Mais uma vez se viu uma equipa amarrada a um sistema, sem andamento, com os jogadores fora de posição e até com um número de circo chamado Caicedo.
Sem desvalorizar o triunfo do Sp. Braga de Domingos, mais uma vez ficou provado que este Sporting já perdeu toda a carne e que o problema já chegou ao osso.
É impossível armar uma equipa com um guarda-redes imberbe e uma defesa banal.
Pedro Barbosa já veio dizer que o Sporting tem de procurar internamente soluções. É precisamente o que está a fazer há cinco anos.
A não ser que os sportinguistas se contem em continuar a ser o primeiro dos últimos, o que não me parece que vá acontecer esta época.
Como é que se chegou ao fundo sem que tal fosse sequer questionado, com a excepção de alguns apontamentos de Rui Santos, é também extraordinário.

sexta-feira, agosto 21, 2009

A TRIBO DO FUTEBOL (7)

Norton de Matos descobre mais um reforço para o eixo do ataque do Sporting. E este não sofre de ciática...

A TRIBO DO FUTEBOL (6)

Tony Barroso: um jornalista com pinta que pode ser encontrado na 'Barbot'

A TRIBO DO FUTEBOL (5)

Paulo Sérgio Pinto exibe o uniforme de piquete da redacção do Porto de A BOLA.

A DECADÊNCIA DE UM PODER


O boicote do Nacional da Madeira à cobertura do seu jogo europeu é o zénite da impunidade dos clubes nas suas relações com os media. O clube de Rui Alves mandou às malvas o interesse público e pediu uns trocos por 3 minutos de resumo de um jogo do qual, presumo, não há imagens.
Pois bem, meus senhores, parece que chegou a hora de se pôr um travão a este desmando.
Há muito tempo que os clubes fazem gato-sapato dos órgãos de Comunicação Social, embora muitos deles, através dos seus responsáveis, até entendam esta estragégia como um benefício - a subserviência rende sempre algumas migalhas.
Os maiores clubes silenciaram os artistas da bola, obrigam os treinadores a dizer barbaridades e negoceiam entrevistas através de marcas de artigos desportivos ou então sob influência dos grandes empresários de futebol.
São muitos raros os momentos em que os protagonistas do futebol podem falar de futebol e por isso é que os programas televisivos foram povoados por médicos-cirurgiões, presidentes de câmara, economistas, produtores de vinho do Porto, promotores de eventos, realizadores de cinema, meninos ricos ou simples curiosos.
Os jornais desportivos, esses, para conseguirem uma entrevista com um jogador têm de revelar bom comportamento e muitas vezes de respeitar determinados guiões, com algumas honrosas excepções.
A moda dos treinos à porta fechada pegou e hoje apenas o Leixões de José Mota realiza TODOS os seus treinos à porta aberta.
Os grandes concedem 15 minutos para a tomada de imagens apenas porque há compromissos publicitários para respeitar.
E aí temos a Benfica TV, que ontem tive o "privilégio" de ver pela primeira vez, já a dominar a transmissão de jogos da maior marca portuguesa, proporcionando-nos o espectáculo de um comentador devidamente equipado com um cachecol do glorioso.
Clubes como Benfica podem fazer estas brincadeiras porque têm, de facto, um produto para vender. Mas há limites.
Porém, os limites há muito tempo que foram ultrapassados.
Os clubes fecham as portas quando querem, escolhem os jornalistas, escolhem os jogadores que devem falar e criaram centrais de informação que não são mais nem menos que uma forma de controlar o que se passa nas redacções.
A caixa de Pandora foi aberta e ninguém berrou.
O que o Nacional fez é apenas um sinal dos tempos.
Perdeu-se o respeito pelo jornalismo porque o jornalismo também não se fez respeitar.
O que vem aí não pode ser melhor.
Como diz um amigo meu brasileiro, "não há nada tão ruim que não possa piorar".

quarta-feira, agosto 19, 2009

A TRIBO DA BOLA (4)

Marco Hélio, da RTP, em confissão: "O meu sonho é entrevistar o Fichas"

A TRIBO DA BOLA (3)

Nuno Barbosa e António Mendes, do Record, dois jornalistas com queda para o ofício.

A TRIBO DA BOLA (2)

António Reis, da SIC, comunicando com o Kremlin:
"Camarada, com o corte de despesas na SIC já nos tiraram os telemóveis..."

A TRIBO DA BOLA (1)

Marco Aurélio Carvalho, da Sport-TV, em reflexão: "Há dez dias que não entrevisto um ignorante do futebol..."

ARBITRARIEDADES


Vista e revista a jornada - isto é, os casos polémicos -, mais uma vez se verifica que quanto mais se levanta o tapete mais pó aparece. Não vi os jogos dos três grandes em contínuo mas a sensação com que fiquei, e que aqui logo deixei, foi que as arbitragens estiveram em linha com o que é desejável. Sou obrigado a emendar ligeiramente a mão depois de ver repetidos os lances que mereceram discussão e reparem que não estou a falar em questões ridículas como seja contar os tempos de paragem para exigir dez minutos de tempo de compensação no jogo da Luz ou reclamar a repetição do penálti de Cardozo porque dois jogadores entraram na área antes da execução do pontapé da marca de 11 pontos. Este blogue, ao contrário do que alguns possam pensar, ainda não virou lavandaria... Não vou colocar neste saco também as opiniões dos paineleiros dos programas do costume pois está visto que esta é uma fórmula esgotada e que apenas resulta por inércia, podendo ainda ser apreciada pelo lado humorístico. Vamos, pois, por partes.

NACIONAL-SPORTING (Pedro Proença) - De todos os jogos grandes, sem dúvida aquele no qual o árbitro melhor se "safou". Não houve lances capitais a envolver a arbitragem e apenas se registaram algumas reclamações quanto ao critério disciplinar do árbitro.

PAÇOS-FCPORTO VIA V (Carlos Xistra) - Sendo o árbitro da Covilhã uma pessoa que gosta de algum protagonismo, mais uma vez conseguiu-o pelo lado errado. Em causa está, sobretudo, a expulsão de Hulk. Ninguém mostra um cartão amarelo aos 12 minutos a não ser por motivos muito fortes. Não pode ser um qualquer desabafo de um jogador a justificar a amarelagem. Tal só aconteceu porque Xistra gosta de aparecer. O segundo cartão amarelo ao jogador portista também não se aceita. No seu estilo peculiar - toca e foge -, o tractor brasileiros apenas tentou um lance desesperado para salvar o lance e a força que gera o seu movimento fez disparar para a linha de fundo o seu teatral adversário. O que disse ou não disse a seguir a Xistra não terá sido propriamente um convite para jantar à luz das velas mas, repete-se, não terá sido nem mais nem menos do que aquilo que outros jogadores, de ambas as equipas, disseram durante o jogo. Quanto ao último lance anulado pelo árbitro assistente Luís Marcelino, fiquei com a sensação que Carlitos já tinha perdido o ensejo de marcar, pois Fernando ganhou-lhe a posição. Tal como no fora-de-jogo tirado a Farías, aceito que na dúvida o árbitro assistente levante a bandeira, pois é muito pior não marcar o que é do que marcar o que não se sabe o que pode ser.

BENFICA-MARÍTIMO (Artur Soares Dias) - Desde já declaro que gosto muito de Artur Soares Dias. Acho que pode ser um grande árbitro e que não merece o que dele tem sido dito, sobretudo por um energúmeno que participa numa orgiástico programa do PortoCanal que cuspiu sobre a memória do pai de Artur, Manuel Soares Dias, e sobre os mais elementares conceitos de humanismo mas como só eu e a minha cadela vimos o programa de aí não virá grande mal ao mundo. No lance do penálti do Nacional, aceito que tenha sido marcado. Num primeiro momento pareceu-me que David Luiz entrou com tudo sobre o jogador do Nacional mas verifiquei depois que este é que teatralizou a queda, quanto à bola que bateu no braço ou no braço que bateu na bola...bem, não é possível determinar intenções e o gesto às vezes pode ser tudo. David Luiz é que não pode abordar daquela maneira um lance na sua grande área! Na minha modesta opinião, Artur Soares Dias foi complacente com Cardozo quando não o expulsou depois de uma tesoura incrível sobretudo em slow motion! E David Luiz também podia ter ido mais cedo para o banho, o que, convenhamos, nem seria assim tão mau para os encarnados.... Quanto ao penálti para o Benfica, Saviola foi esperto e mergulhou antes de ser tocado por Miguelito, enganando o árbitro. Tudo espremido, o que temos aqui: um penálti com dúvidas que se aceita que tenha sido assinalado (contra o Benfica) e outro duvidoso que também se enquadra no admissível (contra o Nacional), bem assim como um cartão vermelho que ficou por exibir. Muito pouco para tão grande polémica, amplificada naturalmente por antigos árbitros que quando no activo muitas vezes envergonharam a classe com erros grosseiros, como por exemplo no mesmo lance não validar uma bola que entrou na baliza e validar um golo a seguir obtido em fora-de-jogo e isto numa competição internacional!


PS 1 - Quanto ao antijogo do Marítimo, estou completamente de acordo com Luís Freitas Lobo. Tal como ele também sou amigo do Carvalhal mas...se o futebol fosse só ataque não seria mais que um bordel de ideias e conceitos. A arte está muitas vezes na forma como se defende e não tanto na forma como se ataca pois, como se diz, a defesa é muitas vezes o melhor ataque, paradigma consagrado sobretudo pelos reis portugueses da primeira dinastia...


PS 2 - Vamos fazer um exercício e comparar qualquer uma destas três arbitragens com o trabalho do húngaro Viktor Kassai ontem em Alvalade. Como seria se tivesse acontecido na primeira jornada do nosso campeonatozito?

Gosto de ver o triplo-salto atrás de um cabo de guarda-sol



BRAGA, 18.05 HORAS, EXTERIOR DO ESTÁDIO AXA. Toda a gente se lembra daquele cromo da Liga dos Últimos, da RTPN, que gostava de ver os jogos de futebol atrás de um poste de iluminação para avaliar melhor os fora-de-jogo. O accionista maioritário deste blogue foi mais longe: através do cabo de um guarda-sol conseguiu medir com uma precisão impressionante o salto de Nélson Évora, que valeu a medalha de prata para Portugal nos Mundiais de Berlim. Quando o inglês partiu decidido para quebrar a marca do português, soltou um «já foste, Nélson». E foi mesmo. 17.73 metros para Idowu. Mesmo assim, naquela tarde em que a porta do treino do Braga teimava em não abrir, todos agradecemos ao Nélson por mais uma vez levar o nome de Portugal tão alto no triplo-salto.

domingo, agosto 16, 2009

PEÇONHA

Empates fora para Sporting e FC Porto.
Empate em casa para o Benfica.
Herói da jornada: o guarda-redes do Marítimo, Peçanha.
Benfica com um futebol mais intenso.
FC Porto ainda à procura de referências.
Sporting muito titubeante mas...na corrida.
Arbitragens sem erros maiores, ou seja, perfeitas, embora o penálti do Benfica tenha sido laboratorial.
O Sporting de Braga, com tudo isto, arranca na frente. Os dois Vitórias têm amanhã oportunidade para um deles se colar ao líder.
A procissão ainda vai no adro e o andor já começou a escorregar.

A coisa promete.

O SPORTING

O Sporting voltou a mostrar a sua fragilidade. Escapou de uma derrota graças a um auto-golo e à raça de Daniel Carriço. É evidente para todos que uma equipa ao mesmo tempo com Miguel Veloso e Rochemback em "acção" só por milagre pode conseguir ganhar um jogo. Paulo Bento continua agarrado aos seus princípios e continuo sem saber o que fazia ao seu lado, na bancada da Choupana, um tipo moreno de calções e cabelo comprido que tirava notas para um bloco enquanto ouvia o treinador desabafar... Este Sporting está, ainda, amarrado a dois jogadores: Liedson, manifestamente infeliz neste início de época depois de ter embolsado quase dois milhões de euros de prémio de permanência, e João Moutinho, um jogador hoje inconsequente, muito escondido e que na Madeira só apareceu quando passou a jogar no centro do terreno, onde há muito tempo deveria estar a jogar. Por surpreendente que possa parecer, um jornal desportivo de hoje atribui ao losango algum do mérito deste empate. Ora, na minha modesta opinião tem sido precisamente este losango a tramar este Sporting de Paulo Bento: uma equipa previsível, que não liberta o talento dos seus jogadores e que com um clamoroso défice no jogo aéreo. É demasiado para quem quer lutar pelo título, embora possa ser suficiente para aquele lugar do costume, ou seja, o primeiro dos últimos.

sábado, agosto 15, 2009

PUB

Mais uma "subtileza" publicitária da Imprensa desportiva portuguesa.

MAIS DO MESMO

Ciclicamente, o desporto português sobressalta-se com a emergência de um potencial ás do ténis. Frederico Gil foi o último fenómeno. Agora que o "craque" corre o risco de sair de mansinho do top 100 do ranking mundial, confirma-se aquilo de que já se suspeitava: o ténis luso é um desporto de betinhos e enquanto não se massificar jamais teremos a possibilidade de ter um tenista realmente de elite.

sexta-feira, agosto 14, 2009

PREPARANDO A MINHA RENTRÉ

Começou o campeonato no dia em que se soube que a FPF pode perder o estatuto de utilidade pública - por não acertar os seus regulamentos com o novo regime jurídico das federações - e que os onze clubes que assinaram contrato com uma casa de apostas vão ver esta publicidade embargada, como aconteceu não há muito tempo à Académica (salvo erro). Para compensar, muitos são aqueles que se vangloriam do facto de o campeonato maior (o que depende muito da perspectiva) só ter treinadores portugueses, o que na minha modesta opinião é um facto de somenos e que apenas traduz as dificuldades de tesouraria dos nossos clubes e a necessidade dos dirigentes em contarem com treinadores manipuláveis. O campeonato abriu com um empate a zero e este resultado pode ser premonitório. O nosso futebol está nas lonas, preso por um arame que dá pelo nome de Liga de Clubes. Cada vez tenho mais a sensação que tudo isto vai acabar mal.

terça-feira, agosto 11, 2009

OS BRAVOS DO PELOTÃO

João Pedro Mendonça e Marco Chagas, os "camisolas amarelas"
A equipa da RTP que relata e comenta a Volta a Portugal em bicicleta, uma prova menor que este ano nos tem oferecido espectáculos desportivos maiores, tem tudo o que por norma as transmissões televisivas desportivas não têm: ritmo, qualidade, valor acrescentado, crítica... Na posição de "especialista", Marco Chagas marca pontos mas os jornalistas que o acompanham, de Pedro Martins a Alexandre Santos, passando por Albuquerque e João Pedro Mendonça, são, sem dúvida, os grandes obreiros de longas emissões que nos deixam presos à TV nestas tardes de Verão. Dá também para ver muito de Portugal e só é pena que a equipa não integre alguém que nos possa dizer algo mais sobre a história que tem passado no ecrã nem sempre como fundo de paisagem do pelotão, como aconteceu quando a imagem obtida desde o heli nos revelou o castelo de Lanhoso, onde D. Teresa tentou fugir da irmã Urraca...


Parabéns, malta. É assim que se celebra o jornalismo e que se dignifica e justifica o serviço público de televisão.


A outra volta também aqui, no blog desta grande equipa:


sábado, agosto 08, 2009

ASCENSÃO OU TALVEZ NÃO

Hernâni Ascensão parece determinado e a sua candidatura à presidência do Boavista está a agitar as águas. Revi-o recentemente, mais uma vez de modo surpreendente, pois estava a falar do Boavista com Jaime Pacheco, numa esplanada do Paço da Boa Nova, e eis que surgiu, de bigode, o velho Hernâni. A última vez que o tinha visto foi num Tourizense-FC Porto, estava eu a mostrar uma fotografia dele a um amigo jornalista num dos camarotes do estádio quando a porta se abre e entra o Hernâni. Começo a desconfiar que o homem é movido por forças ocultas e as forças ocultas começam, ao que presumo, a temer que o antigo homem forte do futebol regresse ao Bessa e comece a abrir gavetas e armários...

UMA BREVE NOTA

Nada de novo na frente de combate.
Benfica reforça forças de mar e guerra, Sporting ainda não sabe como escapou do primeiro tiro e o FC Porto continua a reforçar trincheiras e a abastecer bombardas.
O resto é paisagem.
O Sp. Braga já começou a patinar.
O V. Guimarães tem mais mas é o mesmo.
As outras equipas estão em saldo e mais uma empresa de apostas aproveitou a ocasião.
Ir para além disto quando se fala no campeonato português é, claramente, querer fazer do nosso futebol aquilo que ele não é e que um dia já foi.

quarta-feira, agosto 05, 2009

JAIME PACHECO


Cá fica, na íntegra, uma entrevista que fiz recentemente a Jaime Pacheco, para o Record, antes da sua partida para a Arábia Saudita.

- O que é que o leva a aceitar este desafio das arábias?
JAIME PACHECO- Quem sabe eu não posso ajudar a minha equipa ou o futebol das arábias se conseguir introduzir o meu cunho? Muito honestamente, nunca gostei de cuspir no prato da sopa onde me alimentei. Gostava de continuar por aqui mas tenho que sair. Desde 2002 que tenho treinado equipas que nunca me permitiram ter sucesso. Antes do mais, porque foram equipas que nunca pagaram direito...
- Esteve no Maiorca...
JP- Sim, mas apanhei o clube na transição de ser vendido, como foi. Foi vendido o clube e os jogadores. No último ano em que estive em Guimarães, apesar de termos feito uma grande campanha a nível da UEFA, fomos o único clube nessa época que passou à fase de grupos. Nunca tive a possibilidade, neste período, de construr um plantel. À excepção de três ou quatro clubes, há muito amadorismo no futebol em Portugal. Não estava habituado a isto. No FC Porto e no Boavista trabalhei com grandes organizações.
- Nunca foi convidado para treinar FC Porto, Benfica ou Sporting?
JP - Fui convidado por Benfica e Sporting.
- E?
JP - As pessoas não me conhecem. A ideia que as pessoas têm de mim é a do Jaime Pacheco que vêem nos jogos transmitidos pela TV. Tenho princípios que se calhar escasseiam. Se o Boavista me dava condições para fazer óptimas épocas, se me apoiava em tudo...iam ser questões puramente monetários a levar-me a abandonar tudo isto? Que líder era eu para abandonar os jogadores?
- Outro fazem-no sem pensar duas vezes...
JP - Se calhar fazem bem. Mas não ficava bem comigo e quero ser assim até ao fim da minha vida. Se andasse atrás de dinheiro...
- Ou será que não foi para Benfica e Sporting por sentir que aí é muito difícil superar a hegemonia do FC Porto?
JP - Não. A pressão e a dificuldade são para os pobres que todos os dias têm de ter arte e engenho para se sustentarem. Isso é que é. Pressão nos clubes ricos que têm muito dinheiro e bons jogadores?! Difícil é ser treinador como eu fui muitos anos e como foi o Lázaro o ano passado. Isso é que é complicado. Tomara eu treinar um grande mas tem de ser de uma forma clara e transparente e respeitando valores.
"Beleneses: houve reuniões
entre a nova direcção e os capitães"

- O que é que sentiu quando o Belenenses desceu de divisão?
JP - Quando coleccionava os cromos do Quaresma, do Mourinho, do Godinho, do Pietra...lembro-me do Belenenses como um clube com história, uma camisola bonita, um grande estádio. Na época era um clube muito grande. Hoje é um clube adiado. É uma grande propriedade mas loteada, isto é, com muitas quintinhas lá dentro. Enquanto não acabarem com isso o Belenenses vai sentir muitas dificuldades. Repare, no único campo que tinha para treinar aí trabalhavam todos os dias duzentos e tal miúdos. Muitas vezes íamos começar a treinar e o homem da relva ia começar a cortar a relva que eu mandara cortar no dia anterior. E o dono da relva, que já lá está há muitos anos, dizia-me ‘eu é que sei, eu é que percebo’. Depois, também fomos dirigidos por uma comissão administrativa composta por pessoas sérias e honradas que não podiam estar ali de uma forma mais presente. Para além disso, dispersaram-se face às eleições, que abriram fissuras e rupturas no plantel.
- O plantel era fraco?
JP - O plantel tinha bons jogadores que podiam ter produzido mais mas tínhamos muitos jogadores com as mesmas características: o José Pedro, o Wender, o Silas, o Saulo, o Marcelo, o Roncatto dentro dos mesmos padrões. Tinha jogadores que não sabiam tocar bombo. Com a bola, jogavam todos jogavam bem. Sem ela, acabou! A nossa equipa era muito frágil a defender. Melhorou com as entradas do Ávalos e do Diakité mas era pouco para quem viveu sempre no fundo da tabela. E quando a equipa estava a organizar-se aconteceram as eleições. Para além disso, desde o princípio de Fevereiro deixamos de receber.
- O que aconteceu à equipa para, num momento crucial, ser goleada em casa pelo Braga?
JP - Foi algo que coincidiu com a entrada da nova direcção. Não queria falar muito sobre isto.
- Pareceu uma situação muito anormal...
JP - Eu no próprio jogo senti isso. Antes do jogo já tinha percebido algo. Mas era impotente para travar a avalancha. Em Portugal acontece muitas vezes vermos as pessoas a procurarem defender os seus interesses em detrimento das instituições. Soube que houve reuniões entre os três capitães e a direcção e ninguém soube os conteúdos dessas reuniões. Reconheço que fiz e o que podia, levava muitas expectativas... Recordo que uma DAS pessoas de uma das listas que não ganhou fez sobre mim afirmações completamente difamatórias. Mas porquê? Porque essa lista convidou-me para ser o treinador deles e eu disse sempre que não e a partir de aí fui o mais visado. São pessoas que não têm princípios. Temo muito pelo futuro do Belenenses, se o clube continuar assim. É um clube com grande potencial também na formação, como o provam as apostas que eu fiz no André Almeida, no Fred, no Pelé, no Tiago Almeida. É óbvio que não agradei a todos mas senti que nem todos fizeram o mesmo. As eleições foram a derrocada.
- Mas o Belenenses acabou por permanecer na I Divisão...
JP - Mais uma vez. Se bem se lembram, há três anos, numa equipa com o Meyong, o Ruben Amorim e outros o Belenenses também desceu. Portanto, o problema ali é de fundo.

"Se calhar não devia ter
sido campeão no Boavista..."

- O FC Porto tem tudo para ser de novo penta?
JP - Olhemos para a última época. Entre os três grandes, qual a equipa na qual os três avançados mais trabalhavam em termos defensivos? Depois se vê quem ganha... Mas vai ser um ano mais difícil. As saídas sobretudo do Lucho e do Lisandro vão fazer mossa. Será um campeonato mais apertado mas acredito no FC Porto campeão no final da época. O ano passado enganei-me em pouco ao vaticinar o FC Porto e. 1.º, o Sporting em 2.º, o Braga em 3.º e o Benfica em 4.º.
- Acredita que Jesus será capaz de ressuscitar o Benfica?
JP - O Jesus não pensará como eu. Eu não sou invejoso. Muitas vezes fazem-se críticas que não são mais que invejas e oxalá que os treinadores portugueses tenham sucesso pois já demonstrámos que somos capazes. Acredito que será capaz de fazer muito melhor trabalho do que fez o Camacho e o Quique Flores.
- Porquê?
JP - Porque é melhor.
- Tem melhores jogadores?
JP - Se calhar há ali alguns jogadores que eu não contratava. Se calhar contratava outros.
- Há algum jogador do Benfica que lhe encha as medidas?
JP - Gosto muito do Cardozo mas precisa de mais tempo de jogo. O grande problema dele é o problema do futebol português: trabalha-se pouco. Ele não aguenta o jogo inteiro. Se trabalhar mais, se calhar vai aguentar 85 minutos e não 65. Gosto muito dele. Também gosto muito do Luisão se ele jogar à sua maneira. É alto, feio, intimida mas tem de jogar simples. Há outros com grande qualidade. Por exemplo, Máxi Rodriguez é um jogador de equipa. O Ruben Amorim é bom jogador mas ainda não é o que se diz.
"Não dava 15 milhões pelo Cissokho"
- E no FC Porto?
JP - Gosto de quase todos mas não dava 15 milhões pelo Cissokho – foi o negócio do século. Gosto do Hulk e do Mariano também.
- Do Mariano?!
JP - Sim, gosto dele. Ele obriga os outros a treinar e a jogar e tem grande velocidade. Entrega-se totalmente e desgasta qualquer equipa. Pode não ter a qualidade dos outros mas é um jogador de quem gosto muito. Gosto de outros ainda, como o Raul Meireles, que era central nos juniores e que pus a jogar nesta posição. É um jogador muito completo e com qualidade de jogo. E temos ainda o Bruno Alves, o jogador que eu designei o melhor jogador do campeonato. É melhor que o Pepe. O pai dele também assustava... Para além disso, continua a ser humilde e nota-se que tem princípios. Foi lançado por um treinador que tem também o cunho de ser exigente: o Co Adriaanse. Foi com ele que o Quaresma fez a sua melhor época. Os treinadores têm de ser exigentes.
- Está a acusar o toque de ser muitas rotulado como um treinador desse tipo...
JP - Talvez. Muitas vezes quiseram destruir a minha imagem. Não tenho um trajecto imaculado mas se há coisas de que me orgulho é de levar os meus filhos pela mão e nunca me faltarem ao respeito.
- Não acredita nos mestres da táctica?
JP - Acredito. Sempre existiram. Laboratório sempre houve, aliado à componente da paixão, do espírito de sacríficio, da entreajuda. Fomos habituados assim. Eu tive o privilégio de estar numa escola onde os treinadores formatavam assim as equipas. O que se deve ao sr. Pedroto. Não há bons jogadores com maus treinadores. Quando jogava no Aliados de Lordelo fazíamos crosses e eu ganhava sempre. Sentia-me preparado para jogar ao mais alto nível mas quando passei para o FC Porto na pré-temporada fazia parte do pelotão dos últimos. Afinal, estava muito longe daquilo que pensava... Senti algumas dificuldades e sofri muito. No final do ano já ia na frente do pelotão. E no ano seguinte, e digo isto com vaidade, ninguém me apanhava! Todas as corridas e todos os jogos eram os últimos da minha vida. Os jogadores que comigo a treinador fizeram isso, todos eles singraram. É um sofrimento que dá prazer porque no final de cada treino e de cada jogo temos resultados. Há jogadores que não vão mais longe porque nunca tiveram esses valores.
"Se há coisa que agradeço
foi ter passado pelo FC Porto"
- Anda há muitos anos no futebol e já se deve ter apercebido de muitos caldinhos. O que vê hoje é muito diferente do que via no passado?
JP - Há coisas iguais. Só que para uns abrem os olhos bem para trás e para outros fazem de conta que não vêem. Agradeço a todos os clubes por onde passei e não me arrependo de nunca ter entrado em qualquer caldinho.
- Como explica o facto de ter feito quase toda a sua carreira de jogador no FC Porto e de haver alguma clivagem entre si e este clube e vice-versa?
JP- A culpa não é minha. Jogo nos veteranos do FC Porto e às vezes sou proibido de jogar sem saber porquê...e depois lá me levantam o castigo. Se há coisas que eu agradeço é a vida desportiva que tive no FC Porto e muito do que sou deve-se a eles. Foi uma felicidade ter passado por lá. Têm de entender que me dedico aos clubes que represento sempre da mesma maneira.
- Acha que algumas pessoas não lhe perdoam o facto de ter sido campeão no Boavista?
JP - É verdade. Se calhar para a minha carreira aqui nunca devia ter sido campeão no Boavista. Mas orgulho-me muito disso. Fomos campeões uma vez e fomos duas vezes segundos. Ao contrário do que acontece noutros países, aqui não deixam voar quem tem asas. Não me importo de estar a pagar essa factura. No Boavista deram-me tudo para eu poder desenvolver o meu trabalho com tranquilidade.
- Está a falar do Paulo Bento também...
JP - O Paulo Bento está a fazer um trabalho notável mas se não fosse o Soares Franco já tinha saído há muito tempo, que é um grande exemplo do que deviam ser os presidentes em Portugal.
- O Sporting não está a ficar para trás?
JP - Estou convencido que se lhe derem tanto dinheiro como dão ao Benfica e ao FC Porto... Há quantos anos é que o Derlei jogou no FC Porto? O ano passado ainda era uma mais valia no Sporting. Não sou advogado de defesa do Paulo Bento mas tem levado sempre as segundas escolhas.
- E quem é que destaca na equipa do Sporting?
JP - O Liedson, É o exemplo do grande profissional. Trabalha muito. E tem outra coisa: qualquer adversário que lhe ponha a mão no ombro ou na cabeça é logo sacudido. Ele não quer nada com o adversário – para ele são todos inimigos. Depois do jogo até pode dormir com o adversário mas em jogo são todos inimigos. É uma coisa que a mim me mata: ver, no final do jogo, os jogadores a darem beijos uns aos outros. Se calhar sou antiquado mas não é essa a minha filosofia.

"Pimenta Machado, Valentim e João Loureiro fazem falta"

- O que tem mudado em termos de dirigismo no futebol português?
JP – Não sei. O que sei é que pessoas como Pimenta Machado e Valentim Loureiro, e o próprio João Loureiro, fazem muita falta ao futebol português.
- Está a falar de pessoas com processos na justiça...
JP- Sim, mas o facto é que o que provam e nada é a mesma coisa. É só show-off. Eram dirigentes que conseguiam pressionar o Governo, que é hoje o maior inimigo dos clubes. Tinham capacidade. O futebol é porta-estandarte de Portugal e é maltratado pelo Governo.
- Cada vez são menos raros nos grandes clubes jogadores que, como você, se afirmaram na primeira equipa depois de saltarem da formação. Porquê?
JP - O que vejo é que no meu tempo os treinadores da formação não eram remunerados e nós trabalhámos com condições mínimas, ou seja, com bolas remendadas e em campos pouco praticáveis. No entanto, os três grandes, e sobretudo o FC Porto, tinham sempre 3, 4, 5 6, 7 ou 8 jogadores da formação na equipa principal. O que aconteceu até há 4 ou 5 anos atrás. E porquê? Porque os treinadores eram o Feliciano, o Inácio, o Rodolfo ou o João Pinto, pessoas que tinham assimilados os valores do clubes. Era a mística da formação transmitida à equipa principal e decisiva nos momentos-chave das épocas. Porque estamos a falar de jogadores com paixão pelo clube. Hoje, temos equipas a trabalharem com cinco ou seis campos relvados, com power points, com treinadores estrangeiros...mas onde está a paixão e a mística, o rigor e a disciplina?
- Esses valores perderam-se?
JP - Muito.


"A qualidade de um carro está na sua cilindrada..."

- Aliás, uma das críticas que lhe fazem a si tem a ver com o facto de ter um treinador muito rigoroso, disciplinador, que dá imensas cargas de trabalho...
JP - Graças a Deus! Sou criticado por gostar que os jogadores sejam melhores, se valorizem e cheguem ao mais alto nível. Sou criticado por pôr as minhas equipas a jogar ao mesmo nível físico das melhores. Gosto de ter equipas organizadas e com ritmo competitivo. Muitas vezes, a qualidade de um carro está na cilindrada que tem. Ainda acredito que duas sessões de trabalho por dia, durante determinadas fases da temporada, são muito importantes. Não sou, claramente, um treinador facilitista, gosto de controlar o peso, o equipamento...
- Vai ao ponto de controlar o tipo de calçado?
JP - Não me revejo num atleta que usa pitons de borracha durante o Inverno. E aí sou rigoroso. O que costumo dizer aos jogadores é isto: ‘Preferem ver um adversário de piton de alumínio ou borracha?’ E eles respondem sempre que o preferem ver de borracha. Com alumínio o adversário está mais seguro e intimida. Gosto que os jogadores tenham uma aplicação e uma paixão pelo trabalho.
- O Cristiano Ronaldo, apesar de ser um galáctico e de ter uma vida social preenchida durante as férias, é um jogador que se enquadra nos seus parâmetros?
JP - Muito honestamente, não é apenas pelo físico que ele tem e pelo que dizem os seus treinadores. Mas para jogar como joga as coisas não podem cair do céu. É um jogador que se cuida muito e que trabalha muito. Quanto às férias, tem todo o direito do Mundo a fazer o que quiser porque durante o resto do ano é um grande profissional. Portanto, nesse período deita tudo para fora tanto mais que é jovem e não é aos 60 anos que vai tirar esses prazeres da vida. O sucesso dele está na fórmula talento aliado ao trabalho. Já vi muitos jogadores talentosos a passarem ao lado de uma grande carreira... Ao contrário, outros, com menos talento, fazem carreiras sensacionais, como, por exemplo, o Gattuso no Milan, o Bonini na Juventus, o André no FC Porto, o Essien no Chelsea, o Petit no Boavista e no Benfica... As melhores equipas do mundo têm sempre este tipo de jogador que nem sempre agrada muito mas que equilibra as equipas. É como numa empresa qualquer que tem aquele funcionário que faz tudo e que quando ele falha toda a gente sente a sua falta.
- Vê algum jogador português no activo com essas características?
JP - (longa pausa) Estou a ter dificuldades... Basta ver a selecção, que adaptou o Pepe à posição de trinco. Se calhar dá jeito ao seleccionador mas também é difícil arranjar alguém para aquela posição. Há uns anos abundavam jogadores para essa posição. Há falta de valores em Portugal e isto deve-se muito ao que está a acontecer neste momento nos sectores de formação onde os jogadores parece que estão numa passagem de modelos.

sábado, agosto 01, 2009

CASTANHEIRO DO VENTO (3)

Trova do passado que se passa no Castanheiro
Sim, é a professora Susana e está a cantar!

O sr. Francisco preocupado com as suas hortaliças e o João sempre atento à jogada


João Muralha com dificuldades em apanhar rede e em "pulverizar" ao mesmo tempo

O Miguel sempre no comando das tropas e sem medo de vãos de escada




O colherim mágico de Vítor Oliveira Jorge in action.


A Helena diz: "Ò senhor Eugénio porte-se bem, que ainda leva com o apanhador".


Final de festa. VO Jorge e J. Muralha "fecham a loja". Em 2010 há mais.

BOLA NA ÁREA JÁ É SITE

Depois de muitos anos como blogue e de uma migração para o site do Record, BOLA NA ÁREA agora é um site. Já está no https://bolanaarea.pt/ .